Capítulo 554
Não é que a Rebecca esqueceu o estado terrível do vilarejo da pobreza.
— Você é contra a área de treinamento militar sendo construída lá?
Perguntei isso, olhando diretamente nos olhos dela. A Rebecca deu um sorriso leve e respondeu: "sou".
É verdade que aquele era o lugar onde nascemos e crescemos, mas era um inferno. Eu sempre desejei sair de lá o mais rápido possível. Mas, pra Rebecca, é diferente…
— O Jill quase não conhece o vilarejo da pobreza depois de todas as melhorias, não é?
Eu ia até lá com frequência, mas não morava mais nele. Só sei que o lugar ficou muito mais habitável.
— Não é que eu vou levantar a voz gritando "contra a construção"! É só que não consigo concordar com o fato de que tudo o que reconstruímos com tanto esforço vai simplesmente desaparecer. Foi com o esforço de todos que aquilo mudou, e agora vai sumir do nada… …Acho que o Jill não entenderia esse sentimento.
Diante daquelas palavras, senti uma pequena irritação.
Eu também nasci e vivi naquele vilarejo. …Mesmo que tenha saído de lá no meio do caminho.
— A Rebecca…
— O que foi?
— Consegue enxergar o vilarejo da pobreza como o lugar natal de vocês, não é?
Diante da minha pergunta, ela ficou presa nas palavras. Com certeza, ela considera o vilarejo da pobreza como sua terra natal. Mas eu não consigo pensar assim.
Sinto que essa diferença de percepção em relação ao vilarejo cria uma espécie de fosso entre nós dois.
— …Eu não acho isso.
— Eh?
Diante daquela resposta dela, abri a boca sem querer.
— Não é meu lar. Aquele lugar não é o lugar pra onde eu volto.
A Rebecca disse aquilo como se estivesse convencendo a si mesma.
Fiquei surpreso com aquela resposta de "não é meu lar". É verdade que ela não é contra o vilarejo virar uma área de treinamento militar. Ela aceita, mas isso não significa que ela concorda por completo.
— É que era um lugar bem violento demais pra ser considerado um refúgio tranquilo, né.
Ela riu diante disso, e eu suavizei a expressão também.
— Mas, sabe, eu não odeio aquele lugar. Se me perguntassem se eu gosto muito dele, eu não saberia responder… Mas eu gostava daquele vilarejo. Foi lá que eu conheci a Alicia. Se não fosse por aquele lugar, eu nunca teria conhecido o mestre, nem o Jill, nem o Nate. Por isso, eu tenho amor por aquele vilarejo.
Ela não trouxe à tona o fato de ter perdido a família, ter sofrido queimaduras pelo corpo inteiro, e ter perdido uma perna. Achei que essa era justamente a força dela.
A Rebecca saboreia os lados bons do que aconteceu naquele vilarejo. Foi justamente por isso, achei, que ela era tão amada pela Alicia.
— E o Jill, não sente nem um pouco de amor por aquele vilarejo?
Ainda não esqueci, e sinto uma certa nostalgia dos dias que passei com o vovô, até o dia em que a Alicia me tirou de lá.
Mas nunca pensei sobre "amor" pelo vilarejo.
…Eu só sentia um ódio insuportável. Achava que era melhor aquele vilarejo, e todos que viviam nele, morrerem de uma vez.
Era um lugar onde os fracos não tinham nenhum direito de viver.
— Eu…