Capítulo 578
— Eu só quero liberdade.
Diante daquela expressão solitária da Kushana, que eu via pela primeira vez, senti um aperto no peito.
Antigamente, lembro que o Duke-sama também dizia: "eu não tenho liberdade nenhuma". Quanto mais alto alguém está no poder, mais sufocante o mundo se torna pra essa pessoa. Eu mesma penso, às vezes, em como a posição de nobre da família Williams é tranquila em comparação.
— Acha isso irresponsável?
Balancei a cabeça, sem conseguir evitar.
Normalmente, eu diria algo como "que irresponsabilidade!"… Mas não consegui dizer isso pra Kushana.
Não tenho como imaginar o tamanho da responsabilidade e do peso que a Kushana sempre carregou.
— Por que apagar a própria memória, em vez de transmitir formalmente o cargo de rainha pra Sheena?
Coloquei em palavras uma dúvida repentina que tive.
— A Alicia provavelmente não entenderia, mas essa é a última coisa que eu posso fazer como rainha… …É melhor que minha memória desapareça.
Eu não consegui entender.
Aquela escolha, com certeza, deve ser a mais dolorosa que a Kushana já fez.
— Que solidão.
Falei aquilo baixinho.
— Se a Alicia usar magia, será que eu vou desaparecer da sua memória também?
— Não, eu vou me lembrar.
— Então, isso já basta.
……………Mesmo assim, eu não conseguia entender.
Mas, se é esse o desejo da Kushana, vou aceitar.
— Você é sempre uma heroína, não importa onde esteja, não é?
Fiquei paralisada diante daquelas palavras.
Heroína? Não, não é isso.
— ………….Eu sou uma vilã.
Falei aquilo com uma voz serena.
Isso mesmo, eu sou uma vilã. Desde pequena, sempre persegui essa determinação firme de virar uma vilã.
Essa convicção inabalável é a única coisa que não perco pra ninguém.
A Kushana não disse nada. Ela não zombou da minha seriedade. Diante de alguém que a chamou de "heroína", eu respondi com "vilã" — ela provavelmente até tinha vontade de discordar disso.
Mas a Kushana aceitou minhas palavras em silêncio.
Eu não sou uma vilã ingrata. Por isso, vou usar magia por ela, direitinho.
— Se você quer que sua memória seja apagada de todo mundo, então eu também vou te esquecer.
Levantei-me daquele lugar e falei isso, olhando pra ela de cima.
— …Entendo.
Ela ficou um pouco surpresa, mas com uma expressão de tristeza no rosto.
Claro, eu nunca esqueceria a Kushana. …Não tem como esquecer. Não existe uma magia capaz de apagar a própria memória de si mesma.
— Você está mesmo preparada pra ser esquecida por absolutamente todo mundo?
— Eu não tenho uma determinação tão forte assim.
Ela respondeu isso com toda a simplicidade.
Sem ter essa determinação, como ela consegue tomar a decisão de "apagar a própria existência da memória de todo o povo"?
Sem desviar o olhar daqueles olhos vermelhos da Kushana, perguntei: "então, que tipo de determinação você tem?"