Capítulo 579
— Eu… só tenho a determinação de me tornar livre.
Ah, esse olhar. Ela realmente quer ser livre, de verdade.
— Entendi.
— ………….Você vai realizar meu desejo?
— Sim.
Concordei com a cabeça.
Voltei o rosto em direção ao horizonte. O sol já tinha se posto completamente, e ao redor já estava totalmente escuro. Sem perceber quando, muitas estrelas já cobriam o céu acima de nós.
— Já decidi.
Virei-me pra Kushana e estendi a mão. Um pouco confusa, ela segurou minha mão e se levantou.
…Realmente, ela é muito alta.
Diante da Kushana já de pé, pensei nisso mais uma vez.
— O que você decidiu?
— Amanhã, vamos fazer uma festa com o povo desta floresta! Vamos chamar os animais também, comer comidas deliciosas e dançar! Você vai aproveitar ao máximo o seu último dia como rainha. …E, naquela noite, eu vou apagar a existência da Kushana da memória do povo.
A voz animada foi ficando cada vez mais calma até o final da frase.
Deixar que ela tenha muitos momentos felizes, e só no fim apagar a memória dela. Que malvada eu sou, hein.
Se eu simplesmente apagasse a memória, sem mais nada, isso não teria nada da minha cara de vilã. Preciso, antes, garantir um tempo da mais absoluta felicidade!
Lancei um olhar rápido pro elefante, que já respirava profundamente dormindo.
Se o Morris também for participar, vai virar uma festa realmente grande… em termos de área ocupada, pelo menos.
— Uma festa assim, de repente…
— Usando o poder de rainha, deve ser fácil, não?
Ergui levemente o canto da boca.
— É, é verdade. ……………Vai precisar de macarons também?
A Kushana sorriu de volta pra mim.
……………Macarons!?
Quase gritei alto dentro da minha cabeça… Mas preciso manter a calma na superfície.
— Você consegue fazer macarons?
Respondi com a expressão e a voz mais serenas que consegui reunir.
Fazia tempo que eu não comia macarons. Preciso repor açúcar, tanto pro corpo quanto pra mente!
— Vou pedir pra Sheena.
Como se estivesse lendo minha mente, a Kushana relaxou a expressão.
De alguma forma, a Kushana é parecida com o Duke-sama. Essa sensação de que ela vê através de mim…
Bem, tudo bem, logo vou ficar boa nisso também.
Acordamos o Morris e o mandamos de volta pra junto dos companheiros dele. Eu voltei com a Kushana pra vila. A vila ainda estava agitada, mas entramos escondidas, e a Kushana preparou um lugar pra eu dormir.
…Era o mesmo quarto de antes.
Senti uma nostalgia. Foi aqui que enfrentei o tio Will… ainda que não fosse ele de verdade.
— As roupas estão aqui.
Dizendo isso, ela abriu um armário de roupas que ficava dentro do quarto. Havia várias roupas tradicionais, brancas com bordados vermelhos.
Ah! A roupa fácil de se mover que usei da última vez!
Fico feliz de poder usar de novo essa roupa tão funcional. Murmurei "obrigada" e fechei a porta do armário.
…O que é isso? Escrita antiga do reino de Lavarre?
Notei algumas letras gravadas no armário de roupas. Enquanto eu ficava encarando fixamente aquela escrita antiga, a voz da Kushana ecoou nos meus ouvidos:
— Vou avisar a Sheena agora sobre a festa de amanhã. A Alicia deve estar cansada de uma viagem tão longa. Descanse bem.
Virei-me pra ela.
Aqueles olhos vermelhos refletiam minha própria imagem, com as roupas e o rosto todos sujos. Que estado terrível, o meu… vou considerar isso uma medalha de honra por ter explorado a floresta e enfrentado os elefantes.
— Amanhã, você pode se limpar direito.
— Obrigada, Kushana.
Agradeci mais uma vez.
— Aliás, como foi que você chegou até aqui…… Não, deixa pra lá. Boa noite.
No meio da pergunta, a Kushana desistiu de perguntar. Consigo imaginar o que ela estava prestes a perguntar, mas, sem contra-perguntar nada, respondi apenas "boa noite".
Assim que a Kushana saiu, me joguei na cama.
Uma cama grande e simples, de madeira. O lençol tinha alguns pequenos bordados que lembravam a natureza. Muito melhor do que passar a noite numa cela.
Fechei as pálpebras devagar.