Capítulo 584
Depois de um instante, ela voltou o olhar em minha direção. Diante daquele olhar afiado, minha espinha quase congelou.
…Uma senhora idosa devia ter um olhar bem mais sereno do que esse!
Gritei isso dentro da cabeça, mas disse em voz alta: "é mesmo?", repetindo minha pergunta.
— Por que você pensou isso?
Diante da voz grave da senhora, respondi mantendo a calma: "porque no armário de roupas tinha o nome da família em escrita antiga". Diante disso, os olhos dela se arregalaram.
— Você sabe ler a escrita antiga?
Com os olhos ainda arregalados, respondi: "sim", concordando com a cabeça.
…Saber ler a escrita antiga sempre acaba surpreendendo todo mundo, em qualquer lugar.
A senhora idosa soltou uma risada peculiar, "kahahaha". Uma risada alta o suficiente pra rivalizar com todos os elogios que estavam sendo cantados em honra à Kushana.
Será que nós também deveríamos parar de conversar e gritar "viva a rainha Kushana!", como todo mundo ao redor…?
— Nossa, que incrível. Se a gente vive tempo suficiente, acaba encontrando gente interessante mesmo.
De repente, a expressão da senhora idosa ficou animada. Quase fui contagiada por aquela energia toda.
— …Er, então, sobre a resposta pra minha pergunta…
— Desculpe, mas isso eu não posso dizer. Pergunte diretamente à Kushana. Pra você, aposto que ela conta.
— Por que estão escondendo tanto assim?
A Sheena também disse pra eu perguntar diretamente à Kushana.
Se a Kushana é realmente de uma família nobre legítima, isso é uma coisa boa… Bem, cada família deve ter seus próprios motivos, então talvez seja melhor não investigar demais.
— Muita gente aqui detesta esses nobres tão convencidos. …Bem, se não odiassem, não viveriam no meio de uma floresta como essa.
Dizendo isso, ela soltou aquela risada peculiar de novo.
— Do que vocês estão falando?
Enquanto eu e a senhora conversávamos, a Kushana já estava bem na minha frente.
…De perto, sua presença era realmente impressionante. Ser alta é bom mesmo, hein.
Em algum canto do coração, ainda sentia inveja daquela altura toda.
— Estávamos falando de macarons.
…É verdade, macarons!
Diante daquelas palavras dela, me lembrei.
Não tínhamos falado quase nada sobre macarons com a senhora idosa… Mas, já que a entrada dramática da Kushana já tinha terminado, e todo mundo já estava começando a comer, acho que já posso comer macarons também!
— Coma o quanto quiser.
A Kushana disse aquilo com um leve sorriso.
De alguma forma, a Kushana parece bem madura, hein…
Pensando nisso, levei um macaron até a boca. Ao morder, com um "crock" leve, um sabor doce se espalhou pela minha boca.
Não consigo nem imaginar a Kushana tendo tido uma infância de criança comum. Sinto que ela sempre teve essa personalidade forte e generosa, desde muito tempo. Mesmo sem ela dizer "eu vou virar líder!", parece que os outros naturalmente a fizeram líder.
— Não vá se engasgar, Riri-baa.
— Eu não sou uma idosa tão frágil assim.
— Riri-baa?
Repeti aquelas palavras que a Kushana tinha dito, com a boca ainda cheia de macaron.
— O nome dela é Lily. Por isso, "Riri-baa" [vovó Lily]. É como se ela tivesse sido minha mãe adotiva.
A Kushana explicou de um jeito fácil de entender pra mim.
Quase perguntei "e a sua mãe biológica?", mas desisti. Essa conversa pode ficar pra depois. Agora, preciso aproveitar essa festa de verdade.