Capítulo 585
— Ei, você.
Enquanto eu comia macarons tranquilamente, aproveitando a festa, ouvi uma voz masculina cheia de hostilidade.
Engoli o macaron e me virei na direção de quem tinha falado.
…Um rosto que eu nunca tinha visto antes. Não era muito alto, mas tinha um corpo bem definido, de boa constituição física.
"Você", logo no primeiro encontro, que homem mal-educado.
Sem responder nada, fiquei encarando aquele homem. …As roupas dele não eram ruins. Só que a franja comprida cobria os olhos, dificultando ver bem o rosto dele.
Mesmo assim, dava pra sentir que ele estava me lançando um olhar de ódio.
…Faz tempo que eu não recebia um olhar tão hostil assim — desde a época da academia de magia.
Aquela era a época em que eu mais brilhava como vilã… Não, espera! Ainda vou continuar brilhando como vilã daqui pra frente também!
— Uma estranha não devia estar participando dessa festa.
— Eu fui convidada oficialmente pela própria Kushana, sabia?
Provavelmente ele estava demonstrando hostilidade por eu não ser dessa floresta.
Diante da minha resposta firme, o homem disse num tom duro: "mesmo se foi a rainha quem te convidou, eu não te dou as boas-vindas".
— Então, você vai desobedecer à Kushana?
— Não fale o nome da rainha com tanta facilidade.
Assim que pronunciei o nome da Kushana, a expressão dele ficou ainda mais tensa. …Mesmo mal dando pra ver o rosto dele por causa da franja, dava pra sentir claramente aquele olhar carregado de ódio.
— Não pretendo brigar com você aqui.
Soltei um pequeno suspiro e decidi me afastar dele.
Não quero causar confusão nesta última festa da Kushana como rainha desta floresta. Se ele quiser confusão, que seja em outra hora.
Virei as costas pra ele e disse: "hoje, vamos aproveitar cada um do nosso jeito".
— Está fugindo? Covarde.
As palavras dele ecoaram nos meus ouvidos.
…Tanto "fugir" quanto "covarde" são palavras que uma vilã odeia ouvir. Mas, aqui, preciso conter meus sentimentos.
— É melhor não me provocar demais.
Falei isso sem me virar pra ele.
— Não é verdade, por acaso? Uma mocinha como você, que nunca conheceu dificuldade nenhuma, não devia estar aqui. Vá embora logo.
— Por que você acha que eu sou uma mocinha nobre?
Olhei rapidamente na direção dele. Ele riu com deboche pelo nariz e cuspiu: "não existe plebeu como você por aí".
Ele conseguiu perceber, num instante, que fui criada num ambiente diferente do dele — vou dar o crédito por essa capacidade de observação.
— Não sei o que a rainha estava pensando ao te chamar. Se deixar enganar por uma mulher dessas…
Num instante, me aproximei dele e segurei o pescoço dele levemente com uma mão.
— Você acabou de insultar seu próprio senhor.
— N-não… foi… isso… que…
Por causa do meu aperto na garganta dele, ele mal conseguia falar. Todos ao redor estavam olhando pra nós. …Não quero causar um escândalo desnecessário.
Soltei o pescoço dele rapidamente e sorri.
Já que assustei ele, preciso neutralizar isso com um sorriso.
— Entenda bem o quanto é grave desprezar um convidado da rainha.
Diante das minhas palavras, o homem mordeu o lábio inferior com força e não conseguiu retrucar mais nada.
…Será que consegui resolver isso sem chamar atenção demais, de forma pacífica?
Os olhares ao redor estavam nos observando com curiosidade, mas, assim que o homem parou de responder, os olhares se desviaram de nós.
Deve ser raro convidados de fora virem até aqui. Por mais que eu esteja vestida pra combinar com este lugar, ainda recebo olhares de curiosidade.
…Mesmo sendo a festa da Kushana, é melhor eu me manter em guarda mesmo assim.