Capítulo 586
…Por que ele continua me seguindo tanto assim?
Não sei se ele mesmo acha que não está sendo notado, mas aquele homem de antes vem me perseguindo desde trás.
Outras pessoas também me olhavam com desconfiança. Queria mesmo aproveitar aquela comida maravilhosa diante de mim, mas, com aquele olhar tão intenso vindo dele, não conseguia me concentrar em mais nada.
Me afastei um pouco da festa e comecei a caminhar em direção a uma parte mais silenciosa da floresta.
…Até onde esse homem vai continuar me seguindo, afinal?
A aparência dele já é suspeita, e, olhando de qualquer ângulo, ele parece um tipo esquisito. Se fosse em qualquer outro lugar além dessa floresta, ele já teria sido preso, sabia?
Fui me afastando cada vez mais daquele lugar tão animado. Mesmo assim, o som dos passos dele me seguindo continuava exatamente do mesmo jeito.
Existe um jeito de perseguir alguém tão óbvio assim…?
Vindo de mim, isso até soa engraçado, mas eu gostaria que ele fosse um pouco mais habilidoso nisso.
— Até quando você vai continuar…
Quando me virei, o homem apontava uma faca na minha direção. Diante daquele desenvolvimento inesperado, minha voz quase sumiu.
Estávamos cercados por árvores, e só dava pra ver o local da festa de longe. As vozes das pessoas também já pareciam bem distantes.
…Um olhar carregado de intenção assassina.
Eu já sabia que ele não nutria bons sentimentos por mim, mas nunca imaginei que ele estivesse carregando uma faca.
— Eu vou te matar.
— Espera aí, não me lembro de ter te feito nada tão grave assim pra merecer esse rancor todo.
Nós nos conhecemos há pouco tempo, não é?
Só o fato de uma estranha ter participado da festa da Kushana já é um crime tão grave assim?
— Existem várias outras pessoas que também querem te matar. Eu sou só o representante delas!
Diante daquele homem levantando a voz, joguei uma pergunta bem sincera: "eu fiz alguma coisa?"
— É pra proteger esta floresta.
Ele respondeu isso sem nenhuma hesitação.
— Proteger?
— Sim. Não podemos confiar em gente de fora.
…Parece o jeito de falar de alguém que já viveu alguma coisa ruim no passado.
— Vocês fingem ser amigáveis, mas no fim acabam traindo, não é isso?
Ia dizer "eu não vou trair", mas desisti. Palavras qualquer um pode dizer.
Na situação atual, seja o que eu disser, parece que ele não vai confiar de jeito nenhum…
— O que eu preciso fazer pra provar que sou uma mulher inofensiva?
— Vá embora desta vila agora mesmo.
A mão dele, segurando a faca, tremia levemente. De alguma forma, parecia estar assustado.
— Sinto muito, mas isso eu não posso fazer.
— Por quê?
Mesmo com o rosto escondido pela franja, dava pra perceber que ele franzia a testa.
— Eu tenho uma dívida com a Kushana. Estou aqui pra retribuir esse favor.
— O favor que você vai retribuir não deve ser grande coisa. Seria melhor pra esta vila se você simplesmente desaparecesse. Não interfira nesta vila! Suma daqui logo!
O que será que ele teme tanto assim?
Curiosa, comecei a me aproximar do homem que apontava a faca pra mim.
Sem esperar que eu fosse na direção dele, o homem gritou: "não se aproxime!". …Isso não deveria ser a minha fala, eu que não estou segurando faca nenhuma?
Pensando isso, continuei encurtando a distância até ele, e parei bem na frente dele.