Capítulo 587
— O que aconteceu?
Perguntei isso, encarando o homem diretamente. Através da franja, conseguia ver os olhos vermelhos dele.
…Uma cor de olhos tão bonita.
Provar que não sou inimiga não é algo fácil. O homem hesitou por um instante, mas cerrou os dentes e me lançou um olhar que dizia "eu nunca contaria isso pra você".
Soltei um pequeno suspiro.
— Que pena.
Segurei o pulso dele num instante e o levantei pra cima. Ao mesmo tempo, usei magia pra destruir a faca. Vários fragmentos da faca quebrada caíram no chão, tilintando.
Ele foi negligente. Devia ter previsto que eu iria atacar…
— Ugh…!
Diante do grito engasgado dele, ri de leve, "fufu", e desferi um chute na boca do estômago dele. "Kah!" — ele soltou um som de dor e caiu de joelhos ali mesmo.
Eu sou uma vilã, sabia? Não sou gentil de jeito nenhum.
Se o outro lado escolhe me atacar com agressividade, eu simplesmente respondo à altura.
Segurei firme a franja dele e usei magia pra suspender no ar os fragmentos da faca que tinham caído no chão. Direcionei várias daquelas lâminas afiadas na direção dele.
Toda aquela hostilidade que ele tinha até há pouco já tinha sumido dos olhos dele — só restava medo e ansiedade.
No rosto dele, havia marcas terríveis de queimadura. Do mesmo nível das queimaduras graves que a Rebecca teve, no dia em que a conheci. …As marcas de queimadura dele já não podiam mais ser apagadas.
Será que era pra esconder essa cicatriz que ele sempre cobriu o rosto com a franja?
Enquanto eu pensava nisso, ele murmurou, com a voz trêmula: "então você é igual a ele, no final".
— Quem é "ele"?
Diante das minhas palavras, o homem fechou a boca de novo.
Diante de tudo isso, ainda assim ele não abria a boca — quase quis aplaudir a coragem dele. Ficou claro que as pessoas desta vila não viveram uma vida tranquila e segura o tempo todo.
— E essa queimadura?
Talvez tenha ficado incomodado por eu ter mencionado a queimadura, porque o rosto dele se contorceu visivelmente.
O homem parecia ter uns vinte e poucos anos, quase trinta, mas parecia bem mais envelhecido do que a idade real, provavelmente de tanto sofrimento.
Se ele ao menos barbeasse a barba, pareceria mais jovem… Mas talvez ele também deixasse crescer a barba pra esconder as queimaduras.
— Pretende continuar sem responder nada?
Aproximei ainda mais os fragmentos da faca, suspensos no ar, em direção a ele. Mesmo assim, ele não abriu a boca.
Por que ele quer esconder o próprio passado a esse ponto?
Soltei a franja dele. Deixei também os fragmentos da faca, suspensos no ar, caírem no chão.
Diante da expressão de surpresa dele, perguntei: "qual é o seu nome?" Ele respondeu devagar: "Rigal". Já não parecia mais ter nenhuma intenção de me atacar.
— Rigal, quantos anos você tem?
— Vinte e sete.
Ele revelou nome e idade com bastante facilidade.
…Já que perguntei informações pessoais dele, é justo eu contar as minhas também.
— Eu sou Alicia, dezesseis anos. Do reino de Dulkis, ex-nobre da família Williams.
Contando isso, talvez ele relaxe um pouco a desconfiança.