Capítulo 588
— ……………Hã?
O Rigal arregalou os olhos, paralisado, diante das minhas palavras.
Estendi a mão pra ele: "muito prazer, Rigal". Sem apertar minha mão, ele ficou só encarando-me com um olhar de surpresa.
— Como assim, "ex"?
— Aconteceram várias coisas, e agora sou só uma garota comum de dezesseis anos.
— …Isso quer dizer que você foi destituída do título?
Rápido de entender, que bom.
Vou manter em silêncio a parte do plano de explosão do palácio real. Isso só ia me trazer mais desconfiança.
— É isso mesmo.
Concordei com a cabeça, brevemente.
Enquanto me observava de cima a baixo, o Rigal disse, com um tom um pouco mais suave que antes:
— Então você também está passando por uma fase difícil, hein.
— Já disse pra parar de me chamar de "você"! Eu já me apresentei como Alicia, não foi?
— D-desculpa, Alicia… senhorita?
— Pode só me chamar de Alicia mesmo.
…Espera, será que ele está sentindo pena de mim?
Nunca pensei que ele fosse assumir que eu cometi algum crime que merecesse a destituição de título. Parece que ele interpretou tudo do outro jeito — como se eu fosse uma nobre inocente, injustamente destituída.
Se ele acreditasse na primeira versão, eu teria causado uma impressão muito mais próxima de vilã…
Talvez ele seja simplesmente uma pessoa de bom coração. Essa pureza dele parece o tipo de coisa que os outros aproveitariam pra se aproveitar dele. …Será que foi por isso que ele passou por algo tão terrível no passado?
Ah, isso só aumenta ainda mais minha curiosidade sobre o que aconteceu!
— A Alicia está sendo perseguida por alguém?
— Hã?
Diante daquela pergunta inesperada, soltei um som meio bobo.
— Você fugiu pra essa floresta porque está sendo perseguida? Foi por isso que a rainha te ajudou?
Se eu não dissesse nada, ele ia continuar inventando toda uma história.
— Não é isso, não.
Neguei.
Aonde foi parar aquele sentimento quase de ódio que ele tinha por mim até há pouco? Volte, Rigal de antes!
— A destituição do título foi porque eu simplesmente fiz algo errado.
— …Mas a Alicia não parece o tipo de pessoa má.
Fiquei sem conseguir retrucar nada diante daquelas palavras.
Isso foi ataque surpresa demais… Depois de me lançar aquele olhar de puro ódio, por que ele agora acha que eu não sou má?
Enquanto eu ficava sem palavras, ele acrescentou:
— É verdade que eu estava desconfiado, e é verdade que eu odeio gente de fora como você.
O que é esse homem, afinal.
Será que ele tem dupla personalidade? Escolhe logo um personagem só, por favor.
Fico sem saber como reagir com o Rigal. …Mas, bem, tenho que dar crédito pelo fato dele já ter passado a me chamar de "Alicia" em vez de "você".
— Fico feliz de você me odiar. Eu também não gosto nem um pouquinho de você.
Respondi isso com um sorriso animado.
Preciso manter a vantagem nesta situação. Vou continuar tratando isso com serenidade e sorriso, sempre.
— Então vá embora logo desta vila.
— Não gosto de você, mas gosto desta vila. Minha resposta é "impossível".
O Rigal estalou a língua alto o suficiente pra eu ouvir.
— Como você sabe que eu não sou uma pessoa má?
Mudei de assunto.