Capítulo 594
Diante das minhas palavras, o Rigal relaxou as bochechas, "haha".
— Dá pra sentir claramente o quanto a Alicia valoriza a Kushana.
Talvez ele tenha, sim, um bom olho pra enxergar as pessoas de verdade.
— Você também, dá pra sentir que quer proteger não só a vila, mas a própria Kushana também.
Diante da minha resposta, o Rigal ficou com as bochechas coradas.
Naquele instante, senti o peito apertar, pensando que ele também vai acabar esquecendo a Kushana.
Até esse sentimento dele vai desaparecer, não é? Não seria isso uma perda enorme pro próprio Rigal…?
Ele nem vai perceber que esqueceu, mas os sentimentos não são tão simples assim. Talvez, em algum canto dele, permaneça uma tristeza vaga, mesmo sem motivo aparente.
— Alicia?
Talvez eu estivesse com uma expressão tensa, porque o Rigal se inclinou pra olhar meu rosto.
Voltei a mim de repente e me repreendi mentalmente: não, não, não pode! Não é a hora de espalhar esse clima triste ao redor.
Não posso estragar a última festa da Kushana.
— Vamos voltar pra festa.
Assim que eu disse isso e me virei pra o local da festa…
…O que é aquilo?
Uma pequena chama entrou no meu campo de visão. Minha mente ficou completamente em branco. A surpresa de ter caminhado tanto assim desde o local da festa foi apagada, sobreposta pelo choque muito maior de ver fumaça subindo justamente do lugar onde eu estava comendo macarons há pouco.
Um cheiro de queimado pairava levemente no ar.
Isto aqui é uma floresta. Se um incêndio começa, num piscar de olhos vira um mar de fogo.
…Será intencional? Ou acidental?
— A vila…
Diante do murmúrio baixinho do Rigal, voltei a mim de repente e, quando percebi, já estava correndo com todas as forças.
Como assim!?
Isso não é só mais uma desgraça atrás da outra — é bem pior que isso. Até há pouco, literalmente até há pouquíssimo tempo, estávamos todos juntos, aproveitando a festa com alegria!
Correr fazia o ferimento na minha barriga doer ainda mais, com os movimentos bruscos. Ainda não tinha removido o fragmento de faca.
Pelo contrário, já que estava conseguindo estancar o sangramento assim, talvez seja melhor deixar do jeito que está por enquanto… Mesmo assim, dói demais, francamente.
Olhando rapidamente pra trás, vi o Rigal ainda sentado no mesmo lugar, com os olhos arregalados, observando o local da festa.
Ele estava paralisado de choque.
…Estou preocupada com o Rigal também, mas agora preciso lidar com essas chamas primeiro.
Quanto mais perto eu chegava, mais forte via a intensidade do fogo. Isso é grave. Se eu não apagar esse fogo agora mesmo, os danos vão ficar cada vez maiores.
Os gritos e choros dos moradores ecoavam nos meus ouvidos. Diante daquela mudança tão brusca em relação a há pouco, fiquei paralisada por um instante, sem conseguir me mover.
…O que eu faço, afinal?