Capítulo 599
— Isso não é nada demais.
Quando sorri pra ela, os olhos da garotinha derramaram lágrimas. Uma gotinha caiu, "pota", na minha testa.
Diante da garotinha chorando copiosamente, sorri: "eu sou uma mulher forte, sabia?"
— Não vai… morrer?
— Não, eu não vou morrer.
Mesmo que doa de morrer, viu.
O ferimento do Rigal ainda estava doendo bastante. Nunca esperei receber um ataque dele em cheio daquele jeito.
…Não, na verdade, tudo o que aconteceu hoje já foi completamente fora do que eu esperava.
Acho que só consegui aproveitar a festa mesmo nos primeiros minutos…
— Eu, também, um dia, quero, ser, como, onee-chan.
Ouvindo as palavras entrecortadas de soluços da garotinha, pensei: será que essa criança também vai acabar virando uma vilã algum dia?
— Então enxugue essas lágrimas. Mulher forte não chora.
Falei isso pra ela, e a deixei enxugar as próprias lágrimas. Ela concordou obediente com um "sim" e enxugou as lágrimas com as duas mãos. Que fofa ela era, naquela cena.
— Eu sei muito bem que você é uma mulher forte, mas trate essa ferida agora mesmo!!
A voz firme do Vian ecoou naquele lugar.
Aquele jeito de falar… será que dá pra falar assim na frente da Kushana e dos outros? O jeito de "Vivian" está transparecendo demais…
— Está bravo?
Agora era minha vez de ser abraçada. Percebendo que o Vian não era inimigo, a expressão da Kushana relaxou um pouco.
— É claro que estou!! Se ferindo tanto assim, sem pensar! Albert!
O Vian levantou a voz, chamando o nome do meu avô.
Fiquei um pouco feliz de ver que ele estava tão descontrolado a ponto de não conseguir manter a fachada de "personagem príncipe". Isso deve significar que ele estava mesmo muito preocupado comigo.
— Isso foi um estrago e tanto, hein.
Meu avô se aproximou de mim e lançou magia de cura sobre mim.
A magia das trevas é uma magia de cura e destruição. Uma cura completa levaria bastante tempo, mas o suficiente pra eu conseguir me mover chegaria rápido.
Uma luz roxa envolveu minha barriga, e o fragmento de faca foi removido com todo cuidado.
A garotinha, já completamente sem lágrimas, observava com os olhos brilhando o fragmento de faca flutuando no ar, dizendo "incrível".
A magia do meu avô é de primeira qualidade. Dá pra confiar plenamente a ele.
— Consegui, de alguma forma, resolver a situação.
Assim que eu disse isso, meu avô me elogiou com uma voz calorosa: "é impressionante".
Mas, afinal, como é que eles descobriram que eu estava aqui?
Como se tivesse percebido minha dúvida sincera, meu avô me explicou:
— O rei Luke nos avisou. Que "a Alicia sumiu". Deve ter pensado que, se ela não estava no reino de Dulkis, havia uma grande chance de estar no reino de Lavarre.
— Espera, foi Sua Majestade!? Não o Duke-sama?
Fiquei surpresa.
Nunca imaginei que o rei fosse ter se preocupado tanto assim comigo…