Capítulo 601 – Vinte Anos, Filho Mais Velho da Família Seeker, Duke
— O que é isso…
Enquanto caminhava em direção à minha avó, senti uma sensação estranha no corpo.
Alguém está usando meu poder mágico…?
Parei ali mesmo e fiquei encarando a palma da minha mão direita. Achei que fosse a Alicia, mas senti um poder mágico ainda mais sagrado que o dela. Uma força que não parecia nem de origem humana.
— Mas, se alguém consegue usar meu poder mágico… só pode ser a Alicia.
Tive a certeza absoluta de que a Alicia estava viva. Soltei um suspiro de alívio.
Que bom… Que bom mesmo.
Esse poder mágico não é dela, mas com certeza ela deve ter tomado emprestado o poder mágico de alguém. Isso é bem a cara dela.
Sem conseguir evitar, me agachei ali mesmo, sentindo as pernas fraquejarem.
Um homem adulto, um príncipe… nunca imaginei que eu fosse ficar num estado desses.
Não sentia que estava realmente vivo. Nunca soube que o coração podia doer tanto assim.
— Que bom.
Falei aquilo em voz alta, saboreando cada palavra.
*
— Há quanto tempo, Duke.
Já fazia tempo que eu não vinha até minha avó.
Ela quase nunca aparece em público, e pouquíssimas pessoas têm permissão pra entrar nesta torre.
…Nunca imaginei que os guardas fossem me deixar passar com tanta facilidade. Talvez minha avó já tivesse concedido a permissão de antemão.
Até eu, às vezes, sou impedido de entrar neste lugar.
Num cômodo bem menor que a sala de recepção do palácio real, minha avó estava sentada num sofá, lendo um livro. Um cheiro doce de chá pairava no ar.
Aquela atmosfera difícil de se aproximar e aquele tom de voz autoritário nunca deixam de me deixar em alerta, não importa quantas vezes eu a encontre.
— Há quanto tempo mesmo.
— É sobre aquela mocinha, não é?
Minha avó colocou o livro em cima da mesa e voltou o olhar em minha direção.
Pensando "que dignidade em cada movimento", respondi com um tom firme: "sim".
— Bem, sente-se.
Sentei-me no sofá de frente pra minha avó.
…Vivendo num quarto tão pequeno assim, será que ela não sente falta de nada?
Essa dúvida repentina passou pela minha cabeça. A vida dela atualmente não é nem um pouco luxuosa. Pelo contrário, é bem simples.
— Meu jeito de viver é estranho pra você?
— Ah, não.
Neguei na hora, por reflexo.
Diante disso, minha avó fez um pequeno sorriso. Não era um sorriso gentil, do tipo que se dá pro próprio neto — era um sorriso de autodesprezo.
…Essa pessoa provavelmente nunca conseguirá se perdoar. Ela não é, originalmente, uma pessoa irresponsável e sem coração, mas está só interpretando esse papel.
Ela já não consegue mais bancar a pessoa boa, tarde demais pra isso.
— A senhora só tirou o título e o poder mágico da Alicia?
Perguntei isso, mas minha avó não respondeu nada, nem cruzou o olhar comigo.
— O desaparecimento dela não foi obra sua, foi?
Diante de outra pergunta, minha avó continuou de boca fechada.
Que pessoa difícil, hein, pensei, soltando um suspiro dentro de mim.