Capítulo 617
Encarei-a e soltei um suspiro profundo.
— Foi a Kushana quem ordenou isso?
— Hã?
— Estou perguntando se foi a Kushana quem mandou vocês linchar a culpada.
Falei aquilo enquanto engolia a irritação que crescia dentro de mim.
Todo mundo parou de se mexer. Todos olhavam pra mim e pra mulher.
O Leon e os outros também observavam a cena. Isso era algo extremamente importante. Se aquilo não fosse uma ordem dada pela Kushana, e sim alguém agindo por conta própria, "em nome dela", tentando matar alguém, isso não passava de puro egoísmo.
Eu não queria me envolver num egoísmo desses.
— …Responde logo. Não gosto de esperar.
Disse aquilo com frieza pra mulher.
Não tinha tempo pra participar de uma farsa idiota como essa. Eu tinha coisas que precisava fazer.
— …………Não foi.
A voz fraca da mulher chegou aos meus ouvidos.
— Não ouvi.
Eu tinha ouvido, mas queria que ela afirmasse com uma voz mais firme.
A mulher, encarando-me com olhos determinados, gritou: "não foi!"
— Mas… o incêndio anterior, esse sim foi o Rigal quem causou! Quem causou aquela catástrofe no vilarejo há muito tempo foi justamente o homem que você está protegendo agora!
…………Hã?
A conversa estava ficando complicada demais. Minha cabeça não estava funcionando direito.
…Só de olhar pro rosto do Rigal já dava pra saber. Ele era a vítima. E, além disso, a culpada dessa vez era a velhinha chamada Lily.
Ah, eu queria um macaron. Sem açúcar, não conseguia pensar com clareza.
Pulei de cima do Rai e me aproximei da mulher que estava presa sob a pata dele, agachando-me.
Nosso olhar se cruzou de perto. Os olhos castanho-avermelhados dela refletiam meu próprio olhar frio, encarando-a de cima.
— Qual é o seu nome?
— …Mirea.
— Mirea, eu não tenho nenhum interesse especial em lutar contra vocês. …Então me conta em detalhes sobre aquele incêndio anterior que aconteceu neste vilarejo.
Falei aquilo calmamente.
Mirea fez uma expressão levemente confusa. Nesse momento, o homem de corpo avantajado que lutava com o Leon desceu em nossa direção. Achei que ele devia ser o mais musculoso de todos ali.
Nos braços grandes e robustos dele, havia o mesmo desenho peculiar das máscaras, pintado na pele.
— Nós também não queremos lutar contra monstros como vocês.
Ora, será que fomos assim tão assustadores?
Sorri de leve e disse "boa decisão", encarando o homem de corpo avantajado.
— Meu nome é Leonardo. Esse aqui de duas espadas é o Sol, e esses dois são os gêmeos Dogon e Shedd. O de cabelo comprido é o Dogon, e o de cabelo curto é o Shedd. O que foi arremessado longe há pouco e está vindo pra cá agora é o Fargo.
Virei o olhar na direção que ele apontava.
O Fargo, carregando a espada grande, caminhava em nossa direção girando o pescoço.
…Ele provavelmente tinha conseguido amortecer bem a queda quando foi arremessado pelo Rai. Estava com apenas ferimentos leves.
— E o que está com o Rigal é o Rainel, o lanceiro.
…………É verdade. Tinha mais um lá com o Rigal. …………Será que o Rigal ainda está vivo? Não vai ser tarde demais, vai?
— Ele ainda não foi morto.
O Leonardo disse aquilo, talvez tendo lido o que eu estava pensando.
Nomes demais surgindo de uma vez, impossível decorar todos. Acho que basta lembrar que são a Kushana e os sete da guarda pessoal dela…
— Vou te contar o que aconteceu naquele dia.
Dizendo isso, o Leonardo começou a explicar sobre o antigo incêndio que tinha ocorrido nesse vilarejo.