Capítulo 623
Era esse olhar que eu estava esperando.
— Rainel, parece que ele resolveu lutar.
Virei um pouco o rosto pra olhar o Rainel. Nosso olhar se cruzou. Quando sorri, ele fez uma expressão de desagrado.
— Eu preferia evitar ao máximo lutar contra o Rigal a sério.
— Ora, por quê?
— Você… não estava provocando ele sabendo exatamente o quão forte ele é?
Senti um frisson de empolgação por dentro. Virei o olhar em direção ao Rigal.
Tinha curiosidade de saber o quão forte era o Rigal quando levava a sério.
O Rigal passou a mão pelo cabelo com força. Um rosto com determinação total surgiu. Os olhos dele tinham uma vontade tão forte que quase fazia esquecer a grande queimadura no rosto — quase me senti sugada por aquele olhar.
Nunca imaginei que eu fosse me sentir dominada pela força de vontade de alguém…
— Eu acho patético quem se esforça pra viver sem nenhum sentido nesse mundo.
…Talvez seja mesmo assim. Concordo com a primeira parte.
— Cada um tem sua própria sensibilidade sobre isso, então não tem problema achar patético quem se esforça, não é?
— Você não nega, hein.
O Rigal arregalou um pouco os olhos.
— Você deve ter se esforçado tanto pra viver a ponto de achar isso patético em outra pessoa, não é mesmo?
Falei aquilo calmamente.
Não é que eu queira, especialmente, me colocar no lugar do Rigal.
Afinal, eu sou a Williams Alicia, sabia? …Ah, é verdade, já sou só Alicia agora.
— Então, prove. O quão patético você é.
— Como desejar.
O Rigal ergueu levemente o canto da boca e virou o corpo em direção ao Rainel.
…A energia dele era claramente diferente de antes. Talvez eu também não quisesse lutar contra o Rigal agora.
O Rigal ergueu as duas mãos pra cima e esticou o corpo com força.
…………Espera, ele vai enfrentar aquela lança de corpo vazio, sem nenhuma arma?
No momento em que percebi que ele não tinha nenhuma arma, o Rigal já tinha disparado em direção ao Rainel.
Ele sumiu da minha frente tão rápido que quase pensei que um vento tinha soprado.
Q-que… que velocidade é essa!!
Fiquei irritada. Dava pra ver claramente o quanto ele não tinha levado a sério a nossa luta.
Será que teria acontecido o quê, se eu tivesse lutado com o Rigal nesse modo… Ele, agora, estava muito melhor do que quando estava cego de vingança.
Será que algum dia ele também vai lutar comigo desse jeito? Por enquanto, preciso acompanhar essa luta até o fim…
O Rigal desferia chutes e socos vindos do ponto cego do adversário, com movimentos impressionantes. O Rainel de algum jeito conseguia desviar com a lança, mas não tinha nenhuma brecha pra atacar.
Fiquei arrepiada com os movimentos ágeis e os ataques sem nenhum desperdício. Todas as minhas células dançavam gritando "eu quero o Rigal".
Eu tinha declarado com convicção ao Victor que ia formar o batalhão mais forte. Eu ia conseguir o Rigal, custe o que custar. Decidi isso enquanto observava o Rigal.
Eu tenho o orgulho de ser de primeira classe em espadas e magia. …Mas quando o assunto é combate corpo a corpo, a história é outra.
Não tenho certeza se conseguiria vencer o Rigal. Mas eu queria lutar contra ele.
Ah, que conflito interno mais gostoso é esse!!
— Aquela mocinha está sorrindo largo enquanto nos observa.
— Você tem certeza que pode olhar pro outro lado assim?
O Rigal entrou na guarda do Rainel e chutou com toda força a mão que segurava a lança. O Rainel fez uma careta de dor.
Só pela expressão dele já dava pra saber o quão pesado tinha sido o golpe do Rigal.
Pensando que ele vinha fazendo esse tipo de ataque o tempo todo, senti de novo o quanto a resistência física do Rigal era ameaçadora. …Um corpo que é a própria arma é forte demais.
O Rainel reajustou a pegada na lança e encarou o Rigal com fúria. Devia estar aguentando uma dor formigante considerável.
Era certo que os dois eram lutadores de nível considerável. Nem eu sabia dizer quem venceria.
— Esse corpo de aço, francamente.
Diante do estalar de língua do Rainel, o Rigal disse "que nostalgia", com um rosto de alguma forma alegre.
…Esses dois foram amigos, antigamente.