Capítulo 624
…Achei que eram amigos, mas os dois não estavam pegando leve nem um pouco na luta.
O Rainel é um fiel devoto da Kushana… e estava tentando matar o Rigal a sério. A amizade entre garotos é complicada, hein.
— Você não perdeu a habilidade, foi?
— Você que o diga.
Diante da provocação do Rigal, o Rainel girou a lança com força. Ao mesmo tempo, um vento forte se levantou. Diante daquela energia avassaladora, o Rigal parou o ataque e recuou um pouco.
Pelo que eu via, os dois pareciam estar em pé de igualdade. …Não, talvez o Rigal estivesse até um pouco acima.
— Vai mesmo conseguir me matar com isso?
— Cala essa boca.
Dessa vez, o Rainel desceu a lança num ataque. Saltando com perfeição, o Rigal desviou.
Fiquei presa àquele movimento que parecia não sentir nem a gravidade. …Talento nato, sem dúvida.
Kushana, você estava escondendo um talento desses nesta floresta…!
Ah, mas a Kushana quer matá-lo, não é… Que sentimento complicado.
O batalhão de uma vilã precisa ser formado pelos melhores talentos que existem. Eu não vou deixar de jeito nenhum que ele seja morto.
A lança do Rainel raspou no braço do Rigal. Observando o sangue escorrendo do braço esquerdo dele, pensei sobre a luta entre lança e mãos vazias.
— De qualquer jeito que eu pense, o Rigal vai vencer.
Cheguei a essa convicção.
Se o Rainel fosse um lanceiro capaz de nunca deixar o Rigal entrar na sua guarda, a história seria diferente, mas o Rigal está um nível acima. Com certeza ele vai conseguir se aproximar a uma distância em que o Rainel não consiga mais se proteger com a lança.
…Foi uma luta bem interessante, mas eu ainda tenho coisas que precisam ser feitas.
Com o Rigal disposto desse jeito, ele já consegue se proteger sozinho, mesmo sem mim, não é?
— Bom, boa sorte no resto.
Falei aquilo pro Rigal e deixei o local.
Com certeza tanto o Rainel quanto o Rigal estavam tão focados na luta que nem devem ter ouvido minha voz.
Corri em direção ao lugar onde estava a Kushana. Não sabia onde estávamos, mas segui em frente confiando no leve poder mágico do Rai que eu conseguia sentir.
Antigamente, curei o Rai com meu poder mágico. Graças a isso, o Rai carrega, ainda que pouco, um traço do meu poder mágico.
Sinceramente, eu mereço até me elogiar por conta própria.
Pra ser sincera, já não tinha mais nem poder mágico nem resistência física. Estava me movendo só pela força de vontade.
Não gosto muito de discursos do tipo "é só ter garra", mas agora é só garra mesmo. É a forte convicção de que ainda tenho coisas a fazer que está me movendo.
Perder pra mim mesma? Esse caminho eu não vou permitir.
Kushana, eu ainda não realizei o seu desejo!!
Com esse sentimento no peito, corri desesperadamente em direção a ela.