Capítulo 661
Abri a porta e levei a bandeja até a Mia. Ela a recebeu em silêncio.
Não ia elevar a voz movida pelo impulso.
— Obrigada pelo veneno.
Sorri e disse aquilo num tom suave.
Vou apreciar de camarote as suas provocações sem graça. Nessas horas, o silêncio é o melhor.
Quem quiser me subestimar que subestime. Não vou fazer disso um grande caso, vou manter a elegância sem perder a dignidade. Afinal, estou aqui neste palácio anexo carregando o peso do Reino de Dulkis.
Não é que eu não vá revidar. Só estou esperando, mirando o momento certo.
— Veneno?
A Mia arregalou os olhos diante das minhas palavras.
Será que a Mia não sabia de nada disso…?
Depois de ficar paralisada por um tempo, saiu correndo pra algum lugar imediatamente.
— Foi embora pra algum lugar.
Agora seria a chance perfeita pra explorar o palácio anexo, mas eu definitivamente não tinha resistência física pra isso. Já estava difícil só de ficar em pé.
Não é bom circular pelo território inimigo assim.
Voltei pro quarto e me deitei na cama. Nem tinha vontade de ler.
…Não poder fazer nada é bem entediante.
Olhando pro teto, pensei sobre quem seria o culpado por ter envenenado a comida.
Não me lembrava de ter atraído o rancor de ninguém aqui, e, pra começo de conversa, já que todo mundo era inimigo, não dava pra restringir os suspeitos. Só gente desconhecida, além disso.
O rei não parecia ser o tipo de pessoa que faria algo assim. E a Mia também tinha ficado surpresa… embora tenha saído correndo pra algum lugar.
Aliás, se o Duke-sama soubesse desse caso………… é melhor não avisar. Esse reino pode acabar sendo destruído.
No mesmo instante em que ouvi um "toc-toc" na porta, a Mia entrou no quarto com a testa suada.
— Hã, o que foi?
— Por favor, beba isto.
Dizendo isso, ela me entregou um copo com uma água branca e turva.
— Dissolvi um antídoto nisso.
— Pode ser que seja um veneno ainda mais forte…
Aqui, eu já não podia confiar em ninguém.
Talvez a Mia estivesse colocando veneno, disfarçado de antídoto, pra me matar de verdade dessa vez. Não é bom beber, sem pensar, algo entregue por alguém que mal conheço.
…Eu realmente estou ficando desconfiada demais, hein.
A Mia franziu a testa diante das minhas palavras e abriu a boca.
— Eu jamais faria uma idiotice dessas, capaz de causar uma guerra. …Ah, poxa!
A Mia arrancou o copo da minha mão e, bem na minha frente, tomou um gole grande.
— Se tiver veneno nisso, eu também morro.
Fiquei pasma com aquela atitude dela, e não consegui evitar rir.
Ela realmente está tentando me ajudar de verdade. Talvez toda aquela vigilância fosse justamente pra me proteger de ser morta.
— Ei, para de rir e bebe logo.
— Desculpa por ter desconfiado.
De algum jeito, parei de rir e bebi a água que ela tinha me dado.