Capítulo 680
Cheguei até a ponta da mesa comprida e enfrentei a Rosa.
— Você não conhece boas maneiras, coitada.
Ela me encarou com fúria de volta e abriu a boca.
É até admirável ela conseguir manter essa postura. Ela não entende nem um pouco a situação em que está agora.
O mundo pegajoso do palácio anexo não é minha praia. Não tenho tempo pra ficar acompanhando essa tolice pra sempre. Vou viver aqui do meu próprio jeito.
Falei aquela ironia com um sorriso enorme.
— Pensar que alguém tão mesquinha como você conseguiu se tornar segunda esposa… o sistema desse reino está bem apodrecido, hein.
Assim que terminei de dizer isso, dava pra ver o rosto da Rosa ficar vermelho de raiva.
— …Não há como eu aceitar uma humilhação dessas. Se eu contar isso ao rei, você não vai voltar viva.
Dizendo isso, ela cuspiu com toda força em mim. Acertou perfeitamente meu rosto.
…………Ora, meu rosto ficou sujo.
Ouvi, de trás, a voz da Mia gritando "senhora Alicia!". Não consegui evitar rir alto sem querer.
Sempre quis dar uma gargalhada de vilã pelo menos uma vez!!
Não é toda hora que se tem uma oportunidade dessas. Vou brilhar como vilã aqui com tudo.
— O que tem de engraçado?
Diante das palavras da Rosa, parei de rir e liberei minha raiva silenciosamente, como poder mágico.
Vou mostrar a força destrutiva do atributo das trevas.
Arremessei, com magia, toda a louça posta na mesa contra a parede, tudo de uma vez. Numa velocidade absurda, toda a louça bateu na parede e caiu no chão com o som alto característico de metal. A sopa se espalhou pelo cômodo inteiro.
Não devia desperdiçar comida, mas felizmente era só a sopa, então ainda dava pra perdoar. …E, ainda por cima, a minha sopa tinha até inseto dentro.
As mulheres soltaram gritos, e logo, de bocas abertas de medo, me encararam com o rosto pálido.
A Rosa me encarava com fúria, mas dava pra ver, no fundo dos olhos dela, que estava com medo. Ela estava blefando bravura.
…Ah, então é só isso. Achei que fosse ser um adversário mais desafiador.
Um pouco decepcionada, abri a boca.
— Somos nós que estamos estendendo a mão dizendo "vamos nos dar bem".
— …Eu não peço a você uma amizade de dar as mãos e rir juntas.
— Até onde vai essa idiotice, hein.
Ri baixinho de novo, em voz alta.
Será que o Rei Owen não tem nenhum bom senso pra escolher… A segunda esposa é assim mesmo…? Aliás, tem uma diferença de idade e tanto. …O poder do rei é mesmo impressionante.
A aparência dela é bem cuidada, e a maquiagem é forte, então parece jovem, mas na verdade deve ter a mesma idade dos meus pais. Talvez o rei já nem dê mais atenção a ela. Só está se agarrando ao título de "segunda esposa".
A menos que ela faça algo extremamente estúpido, se tiver um filho, essa posição se tornaria sólida.
Ela, tremendo de fúria descontrolada, conseguiu de algum jeito soltar a voz.
— Já chega de me ridicularizar.
— Isso não é uma briga pessoal, sabia.
Falei aquilo com firmeza, sobrepondo minha voz à dela. A Rosa se calou, e continuei falando.
— Eu também não tenho a menor vontade de me entender com você. Só acho que todo mundo deve pensar que essa rivalidade entre os dois reinos precisa ser resolvida algum dia. E esse dia é justamente "agora". …Sei muito bem que construir uma relação de confiança leva tempo. Justamente por isso, precisamos firmar uma aliança e cooperar mutuamente ao longo do tempo. Pra não criar uma situação em que qualquer um dos dois reinos saia prejudicado, se os dois lados tiverem uma postura amigável, não vai surgir conflito nenhum. O passado jamais pode ser mudado. Então, basta movermos o futuro, que ainda pode ser mudado. E somos nós que podemos fazer isso.
Falei aquilo com convicção total.
Em meio a um clima tenso, todos prestavam atenção às minhas palavras. …Mas a Rosa era diferente. Ela sentia raiva de mim por ter sido humilhada na frente de tanta gente.
— Que tom de superioridade é esse… Se o seu reino curvar a cabeça e se desculpar, talvez eu até considere. Ou então, você pode se ajoelhar até o chão agora mesmo, sabia?
— Senhora Rosa, isso já é demais…
— Cala a boca. Este é o meu palácio anexo. Todos vão obedecer às minhas regras!
A criada tentou deter o descontrole da Rosa, mas foi em vão. Diante do grito da Rosa, a criada fechou a boca e recuou.
Será que essa mulher realmente pretende provocar uma guerra.
Mais do que vontade de matar, o espanto prevalecia. Realmente existem pessoas com quem não dá pra conversar de jeito nenhum.