Capítulo 696
— Quem consegue ficar em pé, por favor, levante a mão.
Fiquei parada num lugar onde todos pudessem me ver e falei alto o suficiente pra todos ouvirem. Minha voz ecoou pela enfermaria.
Diante das minhas palavras, algumas mãos foram se erguendo aqui e ali.
— É só isso mesmo? Posso considerar que os demais são pacientes que não conseguem andar?
Falei aquilo com pressão, e mais mãos se ergueram.
Algumas pareciam ter medo de mim, outras sentiam desagrado, pensando "por que preciso obedecer a instrução de uma mulher dessas".
Só uma pessoa não tinha levantado a mão.
— Ora, quase todo mundo? Que saudável. Então, exceto os pacientes que não conseguem ficar em pé, todos vão ficar de pé agora.
Diante do que eu disse, o médico veio até mim com um ar confuso.
— Ei, não pode fazer coisas assim por conta própria.
— Acho que não é bom deixar acamada uma pessoa que consegue se mover. Bem, mais do que isso, acho melhor limpar esse lugar sujo e fedorento de uma vez. A ventilação também é ruim…
— O que você entende disso, afinal?
Parece que o médico ficou irritado com minha insistência.
— O estado dos pacientes não está melhorando nem um pouco, não é? Então, deveria tentar outro método.
— …I-isso é…
— Quantos pacientes têm doenças mentais?
Diante da minha pergunta, o médico desviou o olhar.
Sinto que essa enfermaria está de alguma forma isolada. Mesmo não sendo uma doença contagiosa, tem um clima de exclusão…
— Vai deixar assim pra sempre, um local de trabalho de onde as pessoas ficam desistindo sem parar, sem melhorar nada?
— Esta é a minha enfermaria…
— Então, me dê permissão.
— Que absurdo é esse…
— Daqui a pouco, até ela pode acabar desistindo, sabia.
Falei aquilo com firmeza e virei o olhar pra enfermeira. Ela nos observava com olhos de alguma forma inquietos.
— …Deve ser difícil continuar nesse trabalho pra sempre daqui pra frente, não é?
Perguntei isso encarando a enfermeira. Ela, mesmo observando a reação do médico, abriu a boca.
— V-vamos melhorar isso, doutor. Esse estado é estranho. Aqui, fora aquela pessoa com o ferimento na perna, todos estão fisicamente saudáveis. É um problema tantos pacientes ficarem alojados nesta enfermaria por tanto tempo. Cuidar da saúde mental de todos consome toda a minha resistência física e ânimo. …O senhor não percebia isso, mesmo que vagamente?
A enfermeira falou aquilo com o médico, com uma expressão séria.
…Talvez ela estivesse acumulando insatisfação no fundo do coração o tempo todo. O médico deu uma olhada rápida pela enfermaria.
— …………Falta de capacidade minha, é?
O médico murmurou aquilo calmamente.