Capítulo 697
Vendo os olhos dele, cobertos de alguma forma de tristeza, falei.
— É porque sua habilidade é boa que não tem outros pacientes com doenças ou ferimentos aqui, não é?
O médico ficou um pouco paralisado diante das minhas palavras, e logo riu de forma alegre.
— …………Vou deixar por sua conta.
— Muito obrigada.
Curvei levemente a cabeça e agradeci.
— Bom, primeiro, todos fiquem em pé como eu disse antes, por favor.
Ergui o rosto e falei mais uma vez, direcionando a voz aos pacientes.
— Por que a gente tem que obedecer você…
— Me deixa em paz.
— Por que eu ouviria uma forasteira?
— Nos dar ordens? Você é cedo demais pra isso, mocinha!
…Surpreendentemente, poucas vaias.
Achei que fossem falar muito mais coisas… Devem ter perdido mesmo o ânimo.
O médico e a enfermeira olhavam pra eles com expressões difíceis.
— Estou dizendo "levantem-se". Não ouviram?
Apliquei pressão sobre aquele lugar. O clima mudou com o poder mágico.
Eu não sou uma pessoa boa. Às vezes, até uso o medo a meu favor.
— Vou dizer mais uma vez. Quem consegue ficar em pé, fique em pé agora.
Obedecendo à minha voz, os pacientes foram se levantando aos poucos. Até quem estava enrolado no cobertor saiu da cama.
…Finalmente se moveram.
— Qual é o seu nome?
— Sou a Jasmine.
A enfermeira se apresentou assim.
— Jasmine, prepare uma cadeira lá fora.
— …Entendido.
Por um instante, ela fez uma expressão de estranheza, mas logo começou a se mover.
— Todo mundo, saiam.
Falei isso pra todos. Talvez por causa da pressão de antes, os pacientes obedeceram à instrução. Enquanto se moviam, a sujeira do quarto voava pelo ar.
…Realmente é impressionante que conseguissem viver num lugar tão insalubre assim.
Com certeza, tanto o médico quanto a enfermeira devem ser pessoas gentis. Deviam estar cuidando de cada paciente individualmente.
…Ora, não tinha como sobrar tempo pra limpar mesmo.
E, além disso, devia haver um cansaço físico e mental considerável.
Justamente por isso, talvez o médico tenha permitido minha ação livre dentro da enfermaria.
A Mia esperava com a porta aberta. Formando uma fila, os pacientes saíam da enfermaria, resmungando reclamações.
— Não quero me mexer.
— Se consegue se mover, se mexa. Eu não sou gentil.
Disse isso e levantei à força uma mulher de cabelo todo bagunçado.
Com uma expressão de descontentamento, ela mesmo assim caminhou devagar pra fora do quarto.
…Só resta a pessoa com o ferimento na perna.
Aproximei-me dele e confirmei que a perna direita estava enrolada com uma camada grossa de bandagens.
Era uma pessoa bem idosa. Cabelo branco, mãos cheias de rugas, uma barba imponente que crescia até o peito, os olhos já quase não abriam mais.
As costas estavam completamente curvadas, e ele parecia pequeno.