Capítulo 698
— …Que garota interessante. Tentando melhorar um lugar odiado dentro desse castelo, hein.
— É odiado?
Repeti as palavras do velho, como um eco.
— É um lugar chamado de "reunião de encrenqueiros". Eu estou aqui por causa do ferimento na perna, mas foi minha filha quem me colocou aqui.
— Colocado aqui?
— Devo ter virado um estorvo, por ser tão implicante.
Não consegui dizer nada.
Tratar a enfermaria como um lugar de degredo assim…
— Por enquanto, suba nas minhas costas, por favor.
Disse isso, me agachei ao lado da cama e virei as costas pro velho.
O velho ficou um tempo encarando minhas costas com surpresa, e logo soltou uma risada alta e grandiosa.
— Vai me carregar nas costas, garota? Isso é uma obra-prima.
Aquela voz ecoou pelo quarto inteiro. Já tinham saído todos exceto ele.
— Ele…
— Espera.
Como se estivesse detendo o movimento do médico, a Mia segurou o braço dele.
— Mas…
— Deixa, confie na senhora Alicia.
— …Se a Mia diz isso com tanta convicção…
Parecia que a Mia e o médico estavam conversando sobre algo.
— Nunca imaginei que chegaria o dia de ser carregado nas costas de alguém… Vale a pena viver muito.
Parando de rir, o velho disse isso e subiu nas minhas costas. Segurei-o firmemente e me levantei ali mesmo.
…Ele é muito leve.
Surpresa com o peso dele, saí da enfermaria. Então, o coloquei devagar na cadeira que a Jasmine tinha preparado.
A Jasmine arregalou os olhos ao ver que eu tinha trazido o velho carregado.
Confirmando que o velho estava sentado com segurança na cadeira, voltei até a Mia, que estava na porta.
— Mia, fique diante deles e conduza um exercício leve.
— Exercício leve?
— Isso, algo assim.
Disse isso, juntei as mãos, ergui os braços bem alto e movi de um lado pro outro.
— É alongamento, esticando o corpo.
— Qual o sentido disso… Eles são doentes, sabia?
Diante da Mia me olhando com desconfiança, respondi "eles estão fisicamente saudáveis, não é?"
— Será que eles vão fazer só porque eu conduzo…
— Faça eles fazerem.
Falei aquilo com clareza.
Com um ar de alguma forma inconformado, a Mia assentiu com um "sim".
— Bom, conto com você.
— E a senhora Alicia?
— Já volto. …Vou pegar o doutor emprestado um pouco.
— Hã, eu?
O médico, chamado repentinamente de "doutor", abriu a boca.
— Onde ficam os utensílios de limpeza daqui?
— No fundo do quarto, mas…
— Me leve até lá, por favor.
O doutor entrou no prédio, e eu o segui. Chegamos em frente a um pequeno depósito.
— Está bem envelhecido, hein.
— …É que não é usado há anos. A porta já está tão empenada que nem sei se abre.
Com um ar levemente constrangido, o médico tentou abrir a porta do depósito, mas só fazia barulho de chacoalhar, sem sinal de abrir.
Abri com magia a porta que estava difícil de abrir.