Capítulo 90
Nota da autora: continua havendo representação de violência, como no capítulo anterior.
—
— Ei, esse é o garoto que a garotinha estava falando?
Disse isso o homem moreno enquanto entrava na cabana.
…Jill?
Fiquei tão chocada que a voz não saiu.
O Jill, que o homem moreno arrastava consigo, estava coberto de sangue.
As roupas da parte de cima do corpo estavam rasgadas em farrapos, e um grande volume de sangue escorria da cabeça dele.
O rosto estava tão coberto de sangue que já não dava pra reconhecer quem era.
Senti meu próprio sangue esvair do rosto.
Aquilo é realmente o Jill…?
Jill me olhou com os olhos semicerrados.
Não havia nenhum medo naqueles olhos. Só me suplicavam pra eu fugir.
Eu ergui o corpo devagar.
— Já consegue se mexer de novo, é?
De trás, o homem de físico mais avantajado apareceu.
— Ali… foge.
Jill murmurou com uma voz que parecia prestes a se apagar.
O homem moreno desviou o olhar de mim pro Jill.
Antes que eu conseguisse dizer qualquer palavra, o punho do homem moreno já tinha acertado a barriga do Jill.
— Esse pirralho é teimoso, hein.
— Cough…
Jill franziu a testa, com uma expressão de sofrimento.
Mesmo assim, só os olhos continuavam encarando o homem moreno.
Preciso salvar o Jill… mas como?
Eu mesma nem consigo me mexer, como eu vou salvá-lo?
O chão vibrou com um baque forte.
Jill foi jogado na minha frente como se fosse um objeto qualquer, descartável.
Eu não conseguia acreditar no que estava acontecendo bem diante dos meus olhos.
Não consigo entender. Isso é mesmo um ser humano?
Maltratar um garoto sem nenhum poder de reação desses…
— Ali, você tá bem?
Jill disse isso com um sorriso fraco no rosto e uma voz frágil.
Ele está coberto de sangue e ainda assim está preocupado comigo?
Jill, com dificuldade, mantinha os olhos abertos e olhava pra mim. Aqueles olhos não eram olhos que pediam socorro.
— Eu não posso deixar o Jill pra trás.
Murmurei numa voz que só o Jill conseguiria ouvir.
Mas, mesmo assim, nenhuma ideia me vinha à cabeça.
De perto, o corpo do Jill estava coberto de hematomas.
Quantas vezes será que ele apanhou…
Machucar um corpo tão pequeno desse jeito…
— Esse aí já é lixo, agora.
O homem moreno disse isso cuspindo as palavras com desprezo.
…O quê?
O que ele acabou de dizer sobre o Jill?
Pela primeira vez na vida, senti um desejo genuíno de matar.
De algum jeito, ergui o corpo e me pus de pé ali mesmo.
Eu não vou perdoar isso, de jeito nenhum.
Ter coragem de irritar uma vilã, hein.
Não vou ter a menor piedade.
Vocês e o empregador de vocês… eu vou matar todos.