Capítulo 12
Desde pequeno, meu destino já era me tornar rei. Sempre havia gente ao meu redor, sem parar. Mas, na verdade, o que eu mais odiava, acima de qualquer coisa, era ter minha liberdade tirada de mim.
Minha mãe faleceu quando eu ainda era criança. Ela não era do Reino de Dulkis. Essa minha pele levemente bronzeada é herança dela. Guardo lembranças vagas da minha mãe. Tinha um espírito forte, princípios firmes, odiava injustiça, e enxergava a realidade melhor do que qualquer um. Era o completo oposto do meu pai, um tanto idealista. Meu jeito de pensar provavelmente puxou dela. Mesmo sendo alvo de fofocas maldosas pelas costas, por ser "uma mulher estrangeira sendo rainha", ela era forte o bastante pra não se abalar nem um pouco.
Oficialmente, minha mãe morreu de doença, mas, na verdade, foi assassinada, envenenada por uma criada. Eu também carrego sangue estrangeiro nas veias. Mas a lâmina daquela traição nunca chegou até mim. Movido pela raiva, matei a criada com minhas próprias mãos. Meu pai, pra encobrir o que eu tinha feito, espalhou pro mundo que minha mãe tinha morrido de doença.
A partir daquele momento, deixei de confiar em qualquer pessoa.
Nesse meio tempo, um nome que às vezes surgia nas conversas dos meus colegas nobres era a Alicia, irmã caçula do Albert e dos outros. Arrogante, egoísta, uma garota impossível de lidar. Eu não tinha o menor interesse nessa história. Achava que a maioria das mulheres do mundo era assim mesmo, mimada.
Mas a Alicia estava muito além de tudo que eu imaginava.
No primeiro encontro, minha impressão foi de uma garota comum, educada e cortês.
Mas, de repente, essa mesma garota pediu ao Albert que a ensinasse esgrima. Suspeitei que aquele pedido estranho fosse só pra chamar nossa atenção pra ela. Já tinha visto outras mulheres se aproximarem de mim assim antes. Achei que a Alicia também fosse igual a elas. Sim… até o instante em que ela tirou a espada da cintura do Albert.
A primeira mulher por quem eu fiquei hipnotizado foi a Alicia. Aquelas pupilas afiadas pareciam enxergar o futuro, e cada palavra que saía da boca dela me atraía. Quando ouvi a informação de que ela andava indo ao vilarejo de Roana, pensei "como esperado da Alicia".
Eu também achava que deveria ir até o vilarejo de Roana pelo menos uma vez, mas o ambiente onde eu vivo nunca permitiria isso. Estou sempre sendo vigiado por alguém. Cada vez que ela fazia algo, eu ia gostando mais e mais dela.
Em contrapartida, ela era mal-vista por todo mundo ao redor. Provavelmente por causa da Kate Liz, que veio pra academia de magia como bolsista, saindo do meio do povo. Ela carrega um pensamento que agrada a maioria das pessoas. Mas isso não significa, necessariamente, que seja um bom pensamento. Muitas vezes é desconectado da realidade. Achei que ela se parecesse um pouco com meu pai. Ela é inteligente, mas conhece a realidade de menos.
Percebi rapidamente que a Liz tinha sentimentos por mim. Mas, por algum motivo, meu coração se voltava só pra Alicia.
Quando ouvi que ela tinha sido sequestrada, senti que ia enlouquecer.
Não consigo nem imaginar a Alicia desaparecendo. Quero me tornar um homem tolerante o bastante pra acompanhar tudo que ela faz.
Mas, ao mesmo tempo, também penso em querê-la só pra mim, mimando-a até o excesso. Fazer com que ela não consiga mais viver sem mim… Mas sei que ela não desejaria isso, e nem é o tipo de mulher que se pode prender em algum lugar. Mesmo que eu a prendesse, ela logo escaparia voando.
O encanto dela, quero que continue sendo só meu, que só eu conheça.
E, além disso, ela ainda é jovem demais.
O cabelo negro e sedoso da Alicia, os olhos dourados que parecem arder como fogo, a voz clara e adorável, o pensamento inteligente que enxerga longe, e o coração que esconde uma força capaz de superar dificuldade, sofrimento e tristeza — tudo nela é lindo. Perto dela, minha razão quase escapa. Tenho medo de não conseguir me controlar.
Por isso, vou esperar até que ela cresça um pouco mais.
Quando ouvi que o Arnold ia deixá-la trancada numa cabana por dois anos inteiros, meu estômago ferveu de raiva. Mas, no fundo do coração, acho que também senti um certo alívio.
Vendo ela ficando cada vez mais bonita, não tenho confiança de conseguir controlar meu próprio coração.
Enquanto eu estava tomado de raiva, ansiedade e inquietação, o Curtis me disse:
— Quando a Ali-chan sair da cabana, já vai ter quinze anos, então, a partir daí, você pode avançar sem se segurar mais.
É verdade. Na próxima vez que eu encontrar a Alicia, ela já vai ter quinze anos.
…Que ela se prepare. Quando ela sair daquele lugar, vou entregar meu coração a ela, sem hesitar mais.
Fim.