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I’ll Become a Villainess That Will Go Down in History – Volume 1 Capítulo 11

Capítulo 11

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Capítulo 11

Que vergonha, essa posição. Mais do que isso, será que a mão do senhor Duke está bem?

— Senhor Duke…

Assim que saímos do barraco, ouvi a voz da senhorita Liz. Infelizmente, sendo carregada daquele jeito, não dava pra ver que expressão a senhorita Liz estava fazendo.

— Senhor Duke, eu gostaria de descer.

— Não.

— Quero conversar com a senhorita Liz.

Diante do que eu disse, o senhor Duke, com uma expressão insatisfeita, me colocou no chão com cuidado. Ao mesmo tempo, colocou o próprio casaco sobre mim.

— Eu também vou descer. Só por agora.

O Jill disse isso também e escorregou dos braços do Henry-nii-sama até o chão. O Henry-nii-sama tirou o próprio casaco e entregou pro Jill na hora. A roupa do Jill estava num estado bem miserável. Só de ver aquilo, minha raiva ia subindo cada vez mais, fervendo por dentro.

— Senhorita Liz, por que a senhorita me impediu ali?

A senhorita Liz me olhava com uma expressão amedrontada.

— …Tentar matar alguém…

Depois de um silêncio, foi isso que saiu da boca da senhorita Liz. Matar alguém?

— Eram pessoas que tentaram me matar.

Olhei pra senhorita Liz com um olhar cheio de desprezo e má vontade. Sem falar em mim, foram eles que colocaram o Jill naquele estado.

— Mesmo assim… matar não é certo!

Ilustração

A senhorita Liz me olhava com um olhar de reprovação. Bom, o senhor Duke atrapalhou e eu não consegui matar mesmo. Ela realmente cumpre bem o papel de Santa, hein.

— Se eles não tivessem morrido, talvez fosse a senhorita Liz quem seria morta na próxima vez.

Falei isso levantando o canto da boca.

— Ei!

O senhor Eric foi o primeiro a reagir às minhas palavras. Conversar com esse pessoal é realmente cansativo.

— O senhor tem alguma objeção, senhor Eric?

Encarei o senhor Eric.

— O que a Liz está dizendo não está errado. Ninguém deveria tirar a vida de ninguém, seja quem for.

— Nem mesmo os cavaleiros que lutam pra proteger o reino?

— O próprio conflito já é ruim.

O senhor Eric disse isso olhando reto nos meus olhos. Não dá pra conversar com ele. Será que a Santa está aqui só pra destruir este reino? O que será que ela andou incutindo na cabeça de todo mundo?

— Eu não gosto de gente que não consegue proteger a si mesma.

Disse isso cuspindo as palavras, virada pra senhorita Liz. Os olhos do Albert-nii-sama e do Alan-nii-sama estavam cheios de raiva.

Mesmo assim, vou continuar soltando veneno. Afinal, eu sou uma vilã.

— É verdade que a senhorita Liz tem muitos cavaleiros ao redor. Está sempre protegida, não é.

— Ali, para.

O Albert-nii-sama disse isso me encarando. Até o Albert-nii-sama, que sempre foi tão gentil, olha pra mim assim na frente da senhorita Liz.

— O Albert-nii-sama é contra matar pessoas, não é?

— Claro que sou.

— Mesmo que fosse o senhor prestes a ser morto? Mesmo que fosse a própria família prestes a ser morta?

— …Sim. Sou contra matar pessoas.

Ele pareceu travar por um instante, mas o Albert-nii-sama respondeu com firmeza.

— Então, jogue fora agora mesmo essa espada presa na sua cintura.

Falei isso com um sorriso radiante. O Albert-nii-sama me olhou sem entender o que eu tinha acabado de dizer.

— Se o senhor não quer matar ninguém, por que carrega uma coisa dessas?

— Uma "coisa dessas"?

O Albert-nii-sama fez uma expressão de desagrado. Pro Albert-nii-sama, que ama a cavalaria, insultar a espada dele é a coisa mais odiosa que existe.

— Pra que serve essa espada?

— Pra proteger as pessoas importantes pra mim.

— Mas, se essa pessoa importante fosse morta bem na sua frente, o senhor ainda diria que não usaria essa espada pra matar quem fez isso?

— Ódio só gera mais ódio.

Antes que o Albert-nii-sama respondesse, a senhorita Liz interrompeu. Quando a senhorita Liz se mete, tudo fica mais complicado. Ódio só gera ódio, e a corrente de ódio se prolonga — é o padrão clássico dessa fala. Mesmo assim, dói quando a gente apanha, e não deveríamos fazer o agressor sentir a mesma dor?

— Também é preciso perdoar.

Por um instante, não consegui entender direito as palavras da senhorita Liz. Dizer isso mesmo vendo o Jill naquele estado tão maltratado é, pelo contrário, impressionante. De verdade, eu simplesmente não consigo gostar da senhorita Liz.

— Ou seja, mesmo que a família de alguém seja assassinada, ela não deveria dizer nem fazer nada?

— …Mesmo assim, não se pode tirar a vida de ninguém. Por qualquer motivo que seja.

— Isso é hipocrisia.

— Vocês mataram a Alicia, hein.

De repente, o Jill abriu a boca. Normalmente ele fica quieto. Voltei o olhar pro Jill. Ele encarava a senhorita Liz com um olhar assustadoramente frio.

— Quem tentou matar foi a Alicia, não é?

O senhor Gale disse isso olhando pro Jill com desprezo. É verdade que sim, mas foram eles que tentaram me matar primeiro, e se o senhor Duke não tivesse vindo me salvar, eu estaria morta.

— Vocês não veem nada mesmo, né.

O Jill disse isso com um suspiro.

— Naquele instante, ele não tinha nenhuma arma. Estava completamente indefeso. Mas a Alicia-chan tentou matá-lo com um machado sem nenhuma hesitação.

A senhorita Liz nos olhou com um olhar duro. Ah, vindo com essa argumentação? Preferia que ela considerasse a diferença de porte físico. Bom, sendo eu a vigilante dela, acho melhor mesmo esclarecer isso agora.

— Eles estavam tentando nos matar, e o homem que eu tentei matar com o machado também estava com uma faca. E, além disso, esse incidente inteiro foi organizado por uma fã da senhorita.

Diante das minhas palavras, a senhorita Liz arregalou bem os olhos. Não importa quantas vezes eu veja, aqueles olhos verde-esmeralda são realmente bonitos.

— Isso é… esse homem que é culpado, não é a Liz.

O senhor Eric levantou a voz. Eu só queria transmitir que eles também tinham intenção assassina. Não adianta nada falar com quem não quer ouvir.

— É verdade que, como a senhorita Liz diz, talvez seja mais sábio não retribuir ódio com ódio, e sim usar a força desse ódio como combustível pra seguir em frente.

Endireitei a postura e encarei a senhorita Liz. Preciso ser mais firme do que qualquer um. Pra fazer a senhorita Liz entender minhas palavras.

— Mas, por favor, veja a realidade. Por que, com esse idealismo bonitinho, eu e o Jill… aquele garoto ali, tivemos que ser deixados nesse estado tão maltratado?

Torci o canto da boca com desdém.

— A Liz também sofreu bullying quando entrou na academia, mas nunca fez vingança nenhuma.

O senhor Eric disse isso rapidamente, numa voz baixa.

— Foi a sinceridade da Liz que mudou o coração de todo mundo.

Será que ele entrou pra alguma religião da Liz? Eu já sabia que o senhor Eric era o tipo quente que se joga de cabeça em qualquer coisa que se dedica, mas nunca imaginei que estivesse tão rendido assim à senhorita Liz.

— O ambiente em que a senhorita Liz vive por acaso foi favorável.

— O que você quer dizer com isso?

— E se, por exemplo, num ambiente onde ninguém ajuda quem sofre bullying?

— Não estou entendendo o que a Alicia-chan quer dizer.

A senhorita Liz me olhou com uma expressão confusa. Será que ela ainda não entende que o mundo não se resolve só com a teoria de que as pessoas são fundamentalmente boas?

— Ódio também inclui inveja e ciúme. A senhorita nem consegue imaginar o que uma criança inocente do vilarejo de Roana pensaria ao nos ver, não é?

Disse isso com um tom de deboche. Eu preferia não usar o vilarejo de Roana como exemplo na frente do Jill. Mas o Jill me transmitiu com o olhar que estava tudo bem.

— A Ali está na situação mais privilegiada de todas, como pode dizer uma coisa dessas? Por que não percebe que retribuir ódio com ódio não tem sentido nenhum. Devíamos ensinar até o povo do vilarejo de Roana que não adianta retribuir ódio com ódio. Por que uma coisa tão simples assim vocês não conseguem entender?

O Alan-nii-sama abriu a boca pela primeira vez. Os olhos dele já passavam da insatisfação, cheios de hostilidade direcionada a mim. Se fosse fácil assim, este reino já seria um lugar bem melhor. Ah, chega! Estou ficando com raiva de quem administra esse otome game. Por que não fizeram todo mundo mais inteligente? A heroína só curtindo o próprio harém cercada de homens gera só contradição.

— Certo, chega por aqui! Por enquanto, vamos limpar vocês, já que estão cobertos do sangue deles. Afinal, são meninas.

O senhor Curtis disse isso numa voz animada, como se quisesse quebrar aquele clima tenso.

…Também não entendo bem o que se passa na cabeça do senhor Curtis. Descontraído, boa pessoa, mas o interior dele é totalmente ilegível… será que, como o Henry-nii-sama disse antes, ele também é sombrio por dentro? O senhor Curtis sorriu e estalou os dedos. Um brilho verde claro nos envolveu inteiros. O sangue que tínhamos nos respingado desapareceu, limpo.

— O dente da Alicia não vai voltar a crescer?

O Jill me olhava com as sobrancelhas curvadas em forma de "hachi". Ah, fico feliz que o Jill esteja preocupado comigo. E olha que ele que passou por algo pior.

— O que se perdeu não volta a crescer… ei!?

Assim que eu disse isso, meu corpo foi erguido no ar. O senhor Duke tinha me levantado de novo com toda a leveza. O cheiro do senhor Duke me envolveu. …Que injustiça. Eu, agora, com certeza estou com um cheiro horrível.

— Espera, me solte.

O senhor Duke ignorou completamente minhas palavras. A senhorita Liz e os outros nos olhavam atônitos. Pensando bem, a senhorita Liz gosta mesmo do senhor Duke, não é?

— Vá pra casa logo e descanse.

O senhor Duke disse isso com um tom sério. O Jill também estava sendo carregado pelo Henry-nii-sama. Parecia estar aceitando com resignação.

— Eu não quero. Consigo andar.

— Fica quieta até a carruagem.

Meu pedido foi desfeito num instante. O Jill e o Henry-nii-sama olhavam pra nossa interação com um sorrisinho malicioso. Isso vai gerar mal-entendidos, gostaria que parassem.

— A Alicia pode agir livremente do jeito que quiser. Mas nunca mais coloque a própria vida em risco.

A voz do senhor Duke, dizendo aquilo, era mais séria do que eu já tinha ouvido antes. Não sei que expressão ele estava fazendo, mas dava pra sentir o quanto ele se importava comigo.

…Será que o senhor Duke, por acaso, gosta bastante… não, gosta muito de mim mesmo? Ao pensar isso, senti minha temperatura corporal subindo aos poucos. Ah, meu coração está fazendo um barulho tão alto. Vai acabar que o senhor Duke vai ouvir.

Tentei, de algum jeito, me acalmar. Mesmo assim, ainda dava pra ouvir. …Espera? Será que isso não é o meu coração, e sim o do senhor Duke?

— O Duke é bem tolerante, hein.

— Não, acho que ele tem um lado bem possessivo. Só não mostra.

— Mas ele mima bastante a Alicia, né.

— O Duke basicamente não demonstra emoção. Bom, só na frente da Ali é que ele mostra vários tipos de expressão.

O Jill e o Henry-nii-sama conversavam sobre algo, mas eu, ocupada demais disfarçando o rosto vermelho, não consegui ouvir direito.

Uma cama fofinha, um travesseiro macio, o calor quente de uma pele humana. …Calor quente de pele humana!?

Acordei de tanto susto. O sono desapareceu num piscar de olhos.

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Cílios longos, nariz bem-feito, lábios finos… que rosto adormecido tão bonito. …Espera, por que o senhor Duke está dormindo bem do meu lado? E, ainda por cima, por que está sem camisa?

…Um corpo musculoso e bonito. Eu também queria ganhar músculos assim algum dia.

Enquanto pensava nessas coisas pra fugir da realidade, olhei ao redor do quarto. Este não é o meu quarto, né. Não tem esse tamanho, nem essa simplicidade. Ou seja… quarto do senhor Duke? Ou seja, o palácio real?

Como será que vim parar aqui… não me lembro de nada depois de entrar na carruagem. Acabei dormindo na hora. Por enquanto, só uma coisa está ao meu alcance agora.

…Fugir daqui. Sem fazer barulho, saí devagar da cama.

— Pra onde você vai?

Assim que saí da cama, ouvi a voz do senhor Duke. Será que ele estava acordado esse tempo todo? Virei devagar em direção ao senhor Duke.

…O pingente de diamante. Por que o senhor Duke está com ele? Se bem me lembro, no meu pescoço estava… ah, a coleira que sela o poder mágico desapareceu.

— Tirei do bolso do cara que a Alicia quase decapitou.

Dizendo isso, o senhor Duke sorriu de um jeito debochado. Não pode ser. Será que meu pingente foi roubado? Senti o sangue fugir do rosto. Será que era melhor mesmo fugir daqui. Fingindo que nada tinha acontecido, tentei virar as costas e começar a andar.

— Vem aqui.

Dizendo isso, o senhor Duke passou o braço na minha cintura e me ergueu com facilidade. Isso não é golpe sujo? Fui sentada na cama, bem na frente do senhor Duke. Por que estamos de frente um pro outro? Será que agora vem um sermão enorme? Não posso ficar fraca aqui. Uma vilã não desanima com um sermão desses.

De repente, o senhor Duke passou a mão delicadamente ao redor do meu pescoço.

…Hã?

Quando percebi, o pingente de diamante já estava de volta no meu peito. Brilhando tão bonito quanto antes.

— Que bom. Você continuou usando o tempo todo.

O senhor Duke disse isso olhando reto nos meus olhos.

…N-não é como se eu tivesse usado só porque ganhei de você, sabia?

Os olhos azuis me encaravam com seriedade. Senti meu corpo esquentar.

Numa hora dessas, o que eu deveria fazer? Se fosse a heroína, com certeza estaria desviando o olhar. Mas desviar o olhar seria falta de educação, e, mais do que isso, eu não quero fazer nada que a heroína faria.

Suportando a vergonha, olhei pro senhor Duke de baixo pra cima. Nesse instante, ele pareceu ficar levemente encabulado, e puxou meu ombro pra perto.

Firme, mas sem violência nenhuma, gentil. Os dois batimentos cardíacos ecoavam pelo quarto.

— Alicia…

O rosto do senhor Duke foi se aproximando devagar. Aqueles eram os olhos de uma fera prestes a capturar a presa.

Eu, que nunca fui olhada assim por nenhum homem, o que deveria fazer!? O senhor Duke, olhando fixamente nos meus olhos, deslizou a mão devagar até minha bochecha.

— Ahhh, er, Sua Majestade, o rei…

Sem querer, mudei de assunto. O senhor Duke soltou meu corpo com uma expressão de decepção, mas com o rosto extremamente insatisfeito.

— Se acalma, minha razão.

O senhor Duke murmurou baixinho algo, mas não consegui ouvir bem. Normalmente eu nunca me arrependo do que digo, mas, só dessa vez, até uma vilã como eu sinto que fracassei.

— Alicia~

A voz do Jill veio do outro lado da porta, e ela se abriu devagar. A cabeça do Jill apareceu, espiando.

— Alicia? Está aí?

— Estou.

Pensei "salva!" e desci correndo da cama, indo até a porta. Atrás do Jill, também estava o Henry-nii-sama. Ah, parece que todos se reuniram. Assim posso ir embora logo!

— Duke, vou entrar.

O Henry-nii-sama disse isso, empurrando o Jill pra dentro do quarto. Não, seria melhor a gente sair do quarto…

— De novo dormindo desse jeito?

O Henry-nii-sama disse isso, meio resignado, olhando pro senhor Duke.

— Ah, Alicia, olha isso.

Dizendo isso, o Jill me mostrou, na palma da mão, um pequeno dentinho. Arregalei os olhos.

— Li num livro. Dizem que o dente guarda memórias.

O Jill me explicou isso como se tivesse lido na minha cara a pergunta "por que você quer isso?". É verdade, eu também já li algo parecido antes. Que por isso, é preciso cuidar bem dos dentes.

— Quer?

— Não quero, não.

Diante da minha resposta sincera, o rosto do Jill se iluminou.

— Posso ficar com ele?

— Pode. Mas… é dente, viu?

Olhei pro Jill com uma expressão intrigada. Que estranho, querer um dente que não tem valor nenhum.

— Tudo bem assim.

O Jill disse isso e sorriu, relaxando o rosto. …Que garoto estranho.

— Ei, aquele quadro grande pendurado no corredor, quem são as pessoas nele?

O Jill perguntou isso pro senhor Duke. Um quadro grande? O senhor Duke também ficou com uma cara intrigada. Será que ele está falando daquele quadro que eu vi quando me perdi antes?

— O quadro do meu pai e do meu tio?

Hã? Aquelas pessoas no quadro eram os irmãos do rei!?

Pareciam ter uma diferença de idade grande, então achei que fosse pai e filho. Mas, se for assim, é estranho, né. Normalmente, é o primeiro príncipe quem herda o direito ao trono. …Por que o pai do senhor Duke conseguiu se tornar rei?

— Ele morreu?

O Jill perguntou isso pro senhor Duke sem nenhuma hesitação. Obrigada, Jill. Era exatamente isso que eu também queria perguntar.

— Sei lá.

O senhor Duke sorriu como se estivesse disfarçando. …Ele com certeza sabe de alguma coisa. Mas, mesmo perguntando, não parece que ele vai contar.

O que será que ele está escondendo?

— Tenho mais uma pergunta pra fazer…

O Jill franziu a testa, olhando pro senhor Duke.

— O quê?

— Pelo que eu li nos livros, a Santa é uma figura lendária, não é?

— Sim, uma lenda.

O senhor Duke respondeu sem hesitar. Espera, a Santa é uma figura lendária!? Ou seja, a heroína, com certeza, vai ficar registrada na história!

Por que eu tive que nascer justamente na mesma era que a Santa? Por mais incrível que eu me torne como vilã, sempre vou ficar escondida na sombra da Santa. Não vou conseguir chamar os holofotes pra minha vilania.

— Alicia? O que foi essa cara difícil?

O Jill espiou meu rosto. Queria dizer nesse momento o que estou pensando, mas o senhor Duke não sabe que eu quero virar vilã.

— Não é nada.

Disfarcei com um sorriso.

Ah! Que droga. Só agora eu percebi isso…

Enquanto eu me lamentava por dentro, o Jill, do meu lado, murmurou baixinho.

— Se a Santa apareceu, ela vai se tornar a próxima esposa do rei…

Depois de voltar pra casa, me tranquei na biblioteca e comecei a treinar magia sem parar. Mas simplesmente não consigo subir de nível 80. Será que isso é o que chamam de estagnação…

— Você não tá bem, hein.

O Jill fica comigo enquanto eu treino magia. Bom, ele só fica sentado ao meu lado, lendo livro o tempo todo.

— Por que não dá certo? Simplesmente não funciona.

— Já é impressionante só por dominar o nível 80 nessa idade.

— Ainda não é suficiente pra ficar famosa como vilã da era da Santa.

Falei isso com firmeza. O Jill me olhou resignado e soltou um suspiro.

— Seja lá o que for, como o vovô também disse, não vá pensando em subir direto pro nível 100 assim de repente.

— Eu sei disso.

Lembrei das palavras do senhor Will. Nunca mais conseguir usar magia, né… Preciso subir de nível um por um, com calma.

Pensando nisso, quando eu já ia retomar o treino, as palavras que o Jill tinha dito no palácio voltaram à minha mente.

— Ei, Jill.

— O quê?

— A Santa se casa com o rei, é isso?

— Estava escrito num livro assim.

O Jill pegou o livro mais grosso que estava empilhado por perto e virou as páginas. Li o trecho que o Jill apontou.

"A Santa se une ao rei, tornando-se um símbolo de paz pro reino."

Ah, é verdade mesmo. A razão de existir da Santa já está totalmente definida. Então, afinal, a heroína e o senhor Duke estavam mesmo destinados a ficar juntos.

— É meio triste não poder mudar o próprio destino, hein.

Se a Santa e o rei não se derem bem, vai ser um problema. Na prática, a senhorita Liz e o senhor Duke parecem não combinar muito.

— O Duke mudou o próprio destino.

Dizendo isso, o Jill sorriu com os olhos brilhando.

— O senhor Duke mudou o próprio destino!? Jill, com base em quê você diz isso?

— Sabe, Alicia, mesmo sendo inteligente, às vezes você é meio boba, né. Você dormiu no quarto do Duke, não dormiu?

— Sim. Fiquei surpresa, mas não fiz nada de errado.

— Você tem consciência de que é uma das damas das Cinco Grandes Famílias Nobres?

— Sim, mas acho que vai ficar tudo bem. É o senhor Duke, sabe? Deve ter tratado como se estivesse só cuidando de uma irmãzinha.

O Jill arregalou bem os olhos, olhando pra mim. Se abrir mais os olhos que isso, eles vão saltar fora.

— A Alicia é bem desligada, hein.

O Jill murmurou baixinho.

…Desligada? É a palavra que eu menos queria ouvir. Que péssimo. Nunca imaginei que fosse o Jill a me dizer isso.

— Não posso deixar passar essa. Eu já percebi que o senhor Duke tem sentimentos por mim, viu. Mas casar com a Santa é uma coisa completamente diferente disso.

Encarei o Jill e disse isso numa voz mais baixa que o normal. Sei que provavelmente vou levar bronca por ficar tão brava com alguém mais novo do que eu, mas uma vilã tem pavio curto mesmo. E, além disso, a palavra "desligada" combina só com a heroína.

— Não fica tão brava assim. Só queria dizer que o Duke agiu de propósito, com plena consciência.

O Jill me disse isso sem se intimidar.

…Isso quer dizer que o senhor Duke, sabendo que a Santa e o rei precisam se casar, mesmo assim me deixou entrar no quarto dele? Não pode ser… Ou seja, ele está um passo à frente de mim?

— Você entendeu o que eu queria dizer?

O Jill espiou meu rosto atônito. Isso é grave. Se eu e o senhor Duke ficarmos noivos, a senhorita Liz vai parar de me dar ouvidos, não vai? Afinal, a senhorita Liz gosta do senhor Duke, não gosta? A senhorita Liz pode desistir de me confrontar e simplesmente me ignorar! Não vamos poder mais lutar em pé de igualdade. Isso seria um problema. Minha vilania só ganha destaque justamente por causa da existência da Santa. Ou seja, isso significa que meu sonho de virar vilã vai desmoronar em pedaços?

…Nem brincando. Eu vou virar uma vilã de respeito, custe o que custar. E, além disso, no calor do momento acabei dizendo ao Jill que o senhor Duke tinha sentimentos por mim, mas, no fundo do coração, acho que isso é impossível. Afinal, eu sou a vilã que implica com a heroína, sabe? E, além do mais, o senhor Duke nunca me disse que gosta de mim.

Então ainda está tudo bem… né?

— Ei, até quando você vai ficar aqui?

O Jill disse isso, meio entediado, abrindo um livro.

— Vou ficar aqui até dominar o nível 85.

Diante da minha resposta, o Jill fez uma cara de espanto.

— …Eu entendo que a Alicia esteja se esforçando, mas não adianta ficar teimando assim.

O Jill disse isso num tom calmo. O jeito de falar dele parece de alguém mais velho do que eu.

— Quando você vai de novo à casa do vovô?

Ah, é verdade, também preciso ir ver o senhor Will. Olhei pra janela. …Já está completamente escuro. Quando percebi, a luz da lua já iluminava a biblioteca. Quando será que essa lua apareceu? Ainda parece uma lua crescente. Quantas horas eu fiquei treinando magia?

— Jill, o sol sumiu.

— Alicia, o que você está dizendo? É óbvio que é noite.

O Jill me olhou com uma expressão intrigada. Mesmo treinando tanto assim, não avancei nada. Eu queria virar leão logo. Magia de nível 82, de transformação em animal.

— Amanhã a gente vai pra academia, né?

— Sim, vou.

Afinal, não teria motivo pra não ir.

— Então acho melhor dormir cedo, pela sua pele.

De alguma forma, o Jill parece meu responsável. …Como uma vilã pode ficar sendo cuidada assim!? Preciso virar uma mulher independente e autossuficiente.

— Tá bom, hoje vou dormir cedo mesmo, sem reclamar.

Disse isso sorrindo levemente pro Jill. Ele também assentiu satisfeito. Foi assim, sem nenhum progresso, que voltamos pros nossos quartos naquele dia… era pra ser assim.

— Alicia? Está acordada?

Ouço a voz do Otou-sama. Será sonho ou realidade?

— Ali? Posso falar com você um instante?

Ouvi a voz de novo. Levantei ainda meio sonolenta e abri a porta.

O Otou-sama fez uma expressão de alívio.

— Otou-sama, o que houve?

— Como assim "o que houve"? Ouvi dizer que minha filha foi sequestrada e ainda ficou ferida.

O Otou-sama levantou um pouco a voz. Ah, é verdade, eu tinha sido sequestrada. Os olhos do Otou-sama tinham raiva evidente. …Será que ele estava tão preocupado assim comigo.

— Que bom que você está bem.

Percebi a voz do Otou-sama tremendo um pouco. A mão que batia gentilmente nas minhas costas era grande e quente. A mão de um pai realmente dá segurança. Mas a mão do senhor Will também traz a mesma sensação de segurança. O Otou-sama se afastou de mim devagar. E, colocando a mão no meu ombro, olhando reto nos meus olhos, abriu a boca devagar.

— Alicia, você vai parar de ser vigilante da Kate Liz.

…Parar?

— Não quero que você corra mais perigo desse tipo. E se acontecer algo assim de novo?

Olhando pro Otou-sama, dava pra ver o quanto ele se preocupava comigo do fundo do coração. Mas não precisa se preocupar. Eu treino todo dia.

— Eu consigo me proteger sozinha.

Falei isso com firmeza.

— Você ainda é uma garota de treze anos.

O Otou-sama disse isso numa voz grave e carregada de autoridade. Ah, finalmente ele percebeu isso.

— A culpa é toda minha. Como a Ali tinha um talento especial, acabei pedindo várias coisas a você.

O Otou-sama disse isso franzindo a testa, com uma expressão de sofrimento.

— Não se preocupe, Otou-sama. Eu vou ficar bem. Já que aceitei o pedido, vou até o fim.

— Mesmo assim, não pode. Sei que é irracional, depois de eu ter pedido isso, agora dizer pra você parar de repente. …Mas, Ali, eu não quero que você se machuque mais.

O Otou-sama me olhava com uma expressão séria. Mas eu não pretendo recuar aqui.

— Eu não vou parar! Eu mesma escolhi este caminho, e decidi seguir até o fim. Essa decisão, ninguém pode mudar.

Levantei a voz. Senti o ar ficar mais denso.

Uma vilã nunca muda de ideia. Se eu fosse a heroína, talvez desistisse na hora, cedendo obediente…

— Eu quero que a Ali seja feliz.

O Otou-sama disse isso numa voz calma. Meu coração vacilou um pouco. Diante de um pai que se importa tanto comigo assim, será que está certo eu manter essa postura tão inflexível? …Mas eu tenho o sonho de me tornar uma vilã de respeito. Não vou deixar ninguém atrapalhar isso. Só isso, não importa o que o Otou-sama diga, eu não vou ceder de jeito nenhum.

— Otou-sama, eu… não vou parar.

Disse isso calmamente. O Otou-sama olhou fixamente nos meus olhos, e, depois de um tempo, soltou, meio a contragosto, um pequeno suspiro.

— Então, vou impor uma condição.

Aquela era uma voz com uma dignidade que eu nunca tinha ouvido antes. Endireitei a postura automaticamente.

— Tudo bem. Mas, se eu cumprir essa condição, prometa que vai me deixar continuar sendo vigilante da senhorita Liz.

— Entendido. Prometo.

Todas as palavras e gestos do Otou-sama estavam carregados de uma autoridade forte.

— Ali, a partir de agora, você não pode ver a Kate Liz até completar quinze anos. …Também não pode ver a família. Vai morar numa cabana no anexo desta mansão.

Os olhos do Otou-sama brilharam com intensidade.

— E, além disso, a condição é que você domine magia de nível 90 antes de completar quinze anos.

Como? Nível 90? Normalmente, aos quinze anos, se domina o nível 20 e entra na academia de magia, não é? A segunda condição é impossível de cumprir… ah, é isso mesmo. Ele quer me impor uma condição impossível de antemão, achando que assim eu desistiria de ser vigilante da senhorita Liz.

— Essa é a condição.

A voz grave do Otou-sama ecoou pelo quarto. Uma condição dessas é absurda demais. Mas, pra continuar sendo vigilante da senhorita Liz, parece que não tenho escolha a não ser aceitar.

Sinceramente, mesmo sem ser vigilante da senhorita Liz, eu ainda conseguiria implicar com ela. Mas, como vilã, uma vez que decido algo, preciso ir até o fim. Uma vilã pela metade não fica registrada na história. Não quero, de jeito nenhum, fazer um papel tão vergonhoso assim.

— Entendido.

Respondi com firmeza.

O Otou-sama provavelmente não esperava que eu aceitasse.

Depois não adianta se arrepender, viu? Vou fazer ele pensar "deveria ter imposto uma condição ainda mais difícil".

— …Uma cabana, viu?

— Sim, sem problema nenhum.

— Sozinha por dois anos, viu?

Uma vilã é sempre solitária. Isso também é um treinamento.

— Eu sei disso. Mas, por favor, me forneçam livros, pelo menos.

— Nível 90…

— Vou dominar.

Interrompi as palavras do meu pai e respondi com um sorriso radiante.


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