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Silent Witch – Volume 3 Capítulo 18

Como os Cílios Funcionam

Capítulo 18 – Como os Cílios Funcionam

— Como uma vergonha para nossa família como você conseguiu entrar para o conselho estudantil?! Confesse já! Como diabos você conseguiu conquistar Sua Alteza?!

Isabelle Norton, filha do Conde Kerbeck, gritou com uma voz que ecoou pelo corredor, e então atirou sua xícara de chá no chão.

Monica engoliu em seco ao som do vidro se estilhaçando.

Isabelle também ergueu um bicho de pelúcia que estava exposto na mesinha de cabeceira, o balançou no ar, e o arremessou contra a parede, seguido de um som abafado.

— Ora, que olhar desafiador é esse? Parece que você não faz ideia da encrenca em que está se metendo. Então vou ensinar seu corpo a entender!

Isabelle então arremessou o bicho de pelúcia contra a parede com toda a força. Depois, enxugou o suor da testa com o rosto renovado. Sua expressão naquele momento estava repleta de um senso de realização, como a de um artesão que acabara de terminar um trabalho.

— Então, como foi minha atuação de vilã?

— Er…

Monica não sabia o que responder, mas Agatha, a criada de Isabelle que recolhia os cacos da xícara quebrada, assentiu com um sorriso.

— A senhorita está impressionante como sempre, Lady Isabelle! Sua atuação de filha vilanesca foi brilhante!

— Não é mesmo? Não é mesmo? Especialmente a parte de dizer “Vou ensinar seu corpo a entender!”, do último livro. Foi demais!

— Verdade! Eu também li! É a cena em que, bem quando a filha do conde ergue o garfo para arranhar o rosto da heroína, o príncipe vem em socorro dela!

— Sim! Aquela cena é absolutamente maravilhosa!

Monica, que não conseguia acompanhar a empolgação de Isabelle e sua criada, tomou um gole do chá que fora preparado para ela, e disse.

— Eu acho… que jogar sua xícara no chão… é um pouco exagerado…

Quando Monica olhou de relance para sua própria xícara, Isabelle estufou o peito com orgulho.

— Não se preocupe, ela já estava rachada, para começo de conversa! É por isso que eu sempre mantenho louça lascada em estoque!

— É-É mesmo?

— Ah, certifique-se de quebrá-la no mármore, não no tapete, para que o som ressoe melhor!

Depois de ouvir a explicação minuciosa de Isabelle, Agatha exclamou: “Como era de se esperar de Lady Isabelle! A senhorita realmente sabe como instruir!”, batendo palmas com um sorrisão.

Depois que Monica contou a Isabelle que fora nomeada tesoureira do conselho estudantil, Isabelle pulou de alegria. Em seguida, convidou Monica para tomar chá em seu quarto.

Como aluna abastada, Isabelle tinha seu próprio quarto no dormitório e trouxera três criadas. Entre elas, Agatha era a mais jovem, aparentemente uma companheira de leitura de Isabelle. Ela também cooperava com prazer na encenação de Isabelle do “papel de filha vilanesca”.

Será que está tudo bem tratar sua senhora como filha vilanesca?

Isabelle e Agatha pareciam estar realmente se divertindo, e Monica, secretamente, tinha dificuldade em compreender aquilo.

Qualquer um que passasse por aquele quarto pensaria, equivocadamente, que Monica fora levada para o quarto de Isabelle e estava sendo maltratada. Mas isso não arruinaria a reputação de Isabelle?

Apesar das preocupações de Monica, Isabelle colocou o bicho de pelúcia de volta no lugar e se sentou novamente na cadeira, com uma postura verdadeiramente elegante.

— Bem, então, Irmã Monica, deixe-me dizer de novo. Parabéns por se tornar tesoureira do conselho estudantil. Ser eleita membro do conselho apenas alguns dias depois de entrar na escola… como eu esperava, você é mesmo especial!

Isabelle guinchava enquanto colocava a mão na bochecha, mas Agatha olhou para o corredor e fez um sinal com os olhos para sua senhora, levando o dedo aos lábios.

— Minha senhora, psiu. Se falar muito alto, as pessoas no corredor vão ouvir.

— Ah, tem razão. Bem, isso pode ser menos apropriado, mas parabéns pela sua nomeação, Irmã Monica. Fiquei tão feliz quanto você.

Monica, que mexia distraidamente em sua xícara, disse “Obrigada…” com voz fraca.

Inclinando a xícara graciosamente, Isabelle sorriu com gentileza para Monica.

O gesto e o sorriso em seu rosto tornavam difícil acreditar que ela era a mesma pessoa que estivera balançando o bicho de pelúcia por aí. Era o sorriso de uma jovem dama perfeita.

— Irmã Monica, se tiver qualquer problema na vida escolar, por favor me avise. Por fora… talvez eu seja uma brilhante filha vilanesca que interfere na sua vida, mas, quando não há ninguém por perto, vou apoiá-la totalmente.

Monica assentiu vagamente, perguntando-se por dentro o que ela queria dizer com apoiá-la enquanto interferia em sua vida…

A resposta dela já era motivo de dor de cabeça, mas o que seus colegas de turma fariam seria pior ainda.

Na verdade, depois de ser arrastada por Cyril, o vice-presidente do conselho estudantil, Monica faltara às aulas o dia inteiro. Além disso, se seus colegas de turma soubessem que ela se tornara membro do conselho estudantil… ela nem conseguia imaginar o que fariam com ela.

Embora não sentisse frio, seu corpo estava tremendo, então ela tomou um gole de seu chá preto.

* * *

No dia seguinte, desde o momento em que Monica saiu do quarto, ela foi submetida aos olhares de todos ao redor no dormitório, no caminho para a escola, e na sala de aula. Aparentemente, as pessoas estavam cientes de que Monica se tornara membro do conselho estudantil recentemente.

O olhar deles, que até ontem fora de desprezo pela caipira, agora era de malícia misturada com inveja.

E era uma malícia e hostilidade que espetava contra sua pele.

Alguns cochichos tinham até irritação e zombaria misturadas.

Eu quero ir para casa…

Só de pensar nisso, ela quase chorou, mas alguém de repente tocou seu ombro.

Surpresa, seu corpo inteiro congelou e então começou a tremer intensamente.

Ela estava com medo de se virar. Aquilo devia ser o sinal para chamá-la antes de arrastá-la para os fundos da escola e despejar um balde de água nela… e agora, sua trança fora puxada, o que quase a fez chorar.

— Ei, você vai usar esse penteado hoje?

Quem encarava Monica com uma expressão descontente era Lana Colette. Hoje, seus cabelos estavam arrumadamente cacheados, caindo pelas laterais. Um enfeite de cabelo com motivo floral estava preso na base de seu cabelo.

Por outro lado, Monica estava tão deprimida por ter que ir à escola nessa manhã que não teve ânimo para praticar seu novo penteado.

Em momentos como esse, ela tendia a ser mais descuidada com a aparência, e suas tranças ficavam mais desleixadas do que o normal.

Ao ver as sobrancelhas de Lana se franzirem de descontentamento, Monica se desculpou rapidamente.

— D-Desculpa… eu não consegui praticar direito…

— Isso tem a ver com o fato de você ter sido levada ao conselho estudantil ontem?

— …….

— Ouvi um boato de que você se tornou membro do conselho estudantil. É verdade?

Em vez de usar o broche que a identificava como membro do conselho estudantil, ela o guardara dentro do bolso.

Os lábios de Lana se contraíram em desânimo, enquanto Monica, inconscientemente, colocava as mãos nos bolsos.

— Ah, você nem quer falar comigo?

— N-Não é assim… E-Eu…

Vendo Monica resmungar enquanto desviava o olhar, Lana disse brevemente: “Mão.”

Por que ela escondeu as mãos? Enquanto Monica alternava o olhar entre a própria mão e a de Lana, esta agarrou o braço de Monica distraidamente e imediatamente arregaçou sua manga. Monica engoliu em seco.

Será que a mão dela está machucada? Fizeram alguma coisa terrível com as mãos dela? Enquanto pensava nas coisas terríveis que Lana pudesse imaginar, ela fitou o pulso de Monica, e então soltou o ar, um tanto aliviada.

— Ufa, achei que sua mão estivesse machucada ou algo assim…

— Hã?

— O vice-presidente Ashley usou magia de gelo em você ontem, não foi? As algemas de gelo que fizeram para prendê-la. Foi por isso que achei que você pudesse ter sofrido queimaduras de frio…

Monica se emocionou, os olhos se enchendo de lágrimas.

No dia anterior, quando Cyril colocara as algemas de gelo nela, Monica erguera um feitiço defensivo o mais rápido possível, para não sofrer queimaduras de frio. No entanto, Lana, que não sabia disso, estava preocupada que Monica pudesse ter sofrido esse tipo de ferimento.

Era como se um dos medos que ela carregava até então estivesse derretendo em sua mente. Sem perceber, ela chorava enquanto fazia uma expressão de riso.

— Obri… gada…

Embora Lana tenha bufado, suas bochechas estavam levemente coradas.

— Bem, acho que vou ter que trançar seu cabelo de novo hoje.

— Rs, rs…

— Por que você está rindo desse jeito?! Pelo menos aprenda a trançar o próprio cabelo sozinha!

— Hm, tá bem…

Monica assentiu com a cabeça, sentindo-se estranhamente feliz.

— Então você teve uma amiga que fez seu cabelo ontem? Que mãos ágeis.

Aquela voz suave vinha de uma pessoa que ela ouvira tanto no dia anterior que já estava bastante enjoada dela.

Lana se surpreendeu ao ouvir aquela voz. Não só Lana, todos também se surpreenderam ao olhar para a pessoa que entrara na sala de aula.

Virando-se com uma expressão pálida no rosto, os olhos de Monica encontraram os de Felix, que sorria para ela.

Seus cabelos loiros e macios, brilhando ao sol da manhã, seus olhos azuis misteriosos, e seu rosto de traços delicados, faziam as garotas gritarem em vozes agudas.

As mais calmas não erguiam a voz, mas ainda assim olhavam para Felix com um olhar apaixonado. Apesar da surpresa, Lana também admirava a aparência de Felix.

— Bom dia.

— B-Bom d-diaaa—

— Peço desculpas por invadir tão de repente esta manhã. Eu só queria lhe entregar a agenda dos membros do conselho estudantil.

O ambiente se agitou diante das palavras de Felix. Até Lana encarava Monica de olhos arregalados.

Eu realmente quero desaparecer daqui agora mesmo…

Felix entregou um pedaço de papel com a agenda escrita a Monica, que parecia à beira da morte, antes de deslizar o dedo pela gola dela.

— Ah, cadê seu broche? Você não o está usando?

— B-Bem…

Monica tentou ignorá-lo virando a cabeça para o lado, mas Felix a segurou pelo queixo e a forçou a encará-lo.

— Tire seu broche.

Depois que Monica tirou o broche, amedrontada, Felix o pegou e o prendeu na lapela dela com a própria mão.

— Você não pode simplesmente tirá-lo sem permissão, está bem? Agora você é membro do prestigiado conselho estudantil, então deve manter uma aparência à altura disso.

Eu não quero ser membro do conselho estudantil. Mas, para cumprir esta missão, não tenho escolha a não ser fazer isso.

Mais do que isso, os olhares que se voltavam para ela pareciam tão espetantes.

M-Medo…

Além disso, a distância entre eles era tão pequena. Não, era pequena demais.

Por isso, para escapar daquela realidade, Monica começou a contar o número de cílios de Felix.

Um, dois, três, quatro… então ela pensou, Os cílios dele têm a mesma cor do cabelo, e, surpreendentemente, são bem compridos. Quantos palitos de fósforo caberiam ali? Dois, não… talvez três?

Junto com a contagem do número de cílios, Monica também pensou que, para que suportassem tais palitos de fósforo, também precisaria considerar a quantidade de cílios necessária, a resistência de cada um, e a densidade de seu crescimento. Sem contar que o ângulo dos cílios também era importante.

Ainda fugindo da realidade enquanto pensava em tudo isso, os longos cílios de Felix se ergueram diante dela, seguidos por seus olhos azuis brilhando de forma brincalhona, e então ele olhou para Monica.

— O que você está tramando, me encarando desse jeito?

— C-Colocando… p-palito de fósforo…

— Palito de fósforo?

— Eu estava pensando no melhor ângulo para colocar um palito de fósforo nesses cílios.

Seus colegas de turma, incluindo Lana, que assistiam com uma expectativa contida, disseram “Q-Quê… sua idiota…”, com o rosto pálido.

Mas o ombro de Felix tremia, depois de lutar para segurar o riso, e então ele tirou a mão da gola de Monica.

— Você devia pedir para sua amiga deixar seu cabelo bonito. Seu cabelo estava bem encantador ontem. Os laços também combinaram com você.

Felix penteou com os dedos um pouco do cabelo de Monica e lhe deu uma piscadela rápida.

— Bem, então, nos vemos depois da aula. Na sala do conselho estudantil.

Depois disso, Felix saiu da sala de aula.

Quanto a Monica, ela se sentou na cadeira, fraca, e soltou um suspiro profundo.

Ela estava tão cansada. A manhã mal havia começado, e ela já estava assim, exausta.

Agora ela só queria voltar para o quarto e se enfiar na cama… Enquanto pensava nisso, Lana empurrou o ombro de Monica e a sentou em uma cadeira. Seus olhos estavam em chamas.

— Er…

Monica olhou nervosamente para Lana, mas esta apenas bufou e ergueu o pente.

— Agora que minhas habilidades foram reconhecidas por Sua Alteza, não posso deixar você sair com um penteado inadequado, posso? Então se prepare. Vou garantir que seu cabelo fique super na moda, estiloso e fofo.

— Por favor, só faça igual a ontem.

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