Capítulo 2 – Each Thought
Enquanto a Merl e os Dragonia lutavam na Terra, a Lexia, a Kagurazaka Mai, e os outros que tinham ficado no Regal Kingdom desde o ataque recente do Avis estavam se divertindo.
— Mai! Vamos rápido!
— P-por favor espera, Lexia-sama!
Enquanto a Mai tentava acalmar a Lexia, que estava prestes a puxar a mão da Mai e sair correndo agora mesmo, a Luna suspirou e seguiu como escolta.
— Mai, desiste. Se a Lexia tá assim, não tem nada que a gente possa fazer.
— Eeh?
— Ei, Luna! Não fala de mim como se eu fosse um animal selvagem!
— Não é verdade?
— Isso não é verdade!
A Mai ficou desconcertada com a troca cômica repentina. Do ponto de vista da Mai, a Lexia é uma princesa, e ela não devia estar numa posição de andar pela cidade com ela assim.
— L-Luna-san. Tá tudo bem.
— Mmm, sério? Se a Mai diz isso, então…
— Mesmo assim, Mai! Que tom é esse?
— Eeh? T-tem algo errado…?
O rosto da Mai ficou pálido enquanto se perguntava se tinha feito algo errado quando o tom dela foi apontado de repente.
Mas…
— Só tem um problema! A gente é amiga agora, né? Se é esse o caso, por favor não usa uma linguagem tão formal assim; só me trata normalmente!
— Eh? N-não, mas…!
— Já disse que tá tudo bem, então tá tudo bem! Entendeu? Me responde!
— Eh, bem, um…
Mesmo sendo um pedido da Lexia, ela não conseguia quebrar o discurso formal dela tão facilmente assim. Ela tava lidando com realeza, afinal. Mas a Lexia continuou encarando o rosto da Mai como se estivesse planejando ficar ali até a Mai mudar o tom.
A Luna colocou quietamente a mão no ombro da Mai enquanto a Mai ficava confusa.
— Mai, desiste. Como eu disse antes, uma vez que a Lexia toma uma decisão, ela vai até o fim. Nossa… Que princesa egoísta.
— Do que você tá falando? Luna, eu sou uma princesa, lembra? Você devia ter mais cuidado comigo!
— É assim? Bem então, é isso que você quer, Lexia-sama?
— …Não seja tão má comigo. Prefiro a Luna de sempre.
Em resposta à atitude condescendente da Luna, a Lexia afiou a língua. Vendo a aparência da Lexia, a Luna sorriu amargamente e virou o olhar pra Mai de novo.
— Ela é assim, princesa. Claro, em público, você vai precisar usar linguagem e atitude apropriadas pra ocasião… mas pelo menos em outros lugares, você pode tratá-la como uma pessoa comum.
— S-sim…
— Claro, não só com a Lexia, mas comigo também. Não hesita em me chamar de Luna.
Não foi só a Luna que insistiu nisso, mas a Lexia também tava olhando pra ela com expectativa, e a Mai finalmente se rendeu.
— Entendido… Não, entendi. Tá bem assim?
— Sim! Isso é perfeito!
Com um grande sorriso no rosto, a Lexia puxou a mão da Mai de novo e começou a se mover.
— Melhor ainda, vamos lá!
— E-espera um pouco! Quando você diz pra ir rápido… quero que você me diga pra onde estamos indo!
— Ara? Não te contei?
— Não, não contou…
— …Essa é a Lexia de sempre.
— N-não é que eu seja sempre assim, sabia! Só aconteceu de eu esquecer!
A Lexia limpou apressadamente a garganta e contou de novo.
— Já que a Mai tem um poder especial como santa, achei que seria bom você se registrar como aventureira.
— Uma aventureira?
— Sim. Não existe isso no seu mundo? É um trabalho que envolve exterminar monstros, guardar pessoas, coletar ervas e outras coisas…
— É-é. Já ouvi falar de aventureiros, mas nunca ouvi eles fazendo alguma coisa com monstros e tal. Mas eu realmente posso virar uma?
— Claro! Além disso, você tem poderes especiais, não tem? Vai ser moleza!
— C-como assim, “moleza…”?
A bochecha da Mai tremeu diante das palavras excessivamente otimistas da Lexia.
— Bem, apesar do que a Lexia disse, concordo que a Mai devia se tornar uma aventureira. Tem muitos Evil Beasts no mundo, sem falar no Evil. Pra derrotá-los, uma identidade tipo ser aventureira seria útil. E acima de tudo, experiência lutando com monstros vai ser útil na batalha contra o Evil que eventualmente vai chegar.
— …Certo.
— É só, tá tudo bem? Você foi invocada como santa, mas te permitem trabalhar como aventureira nesse Regal Kingdom?
— Isso, esse país… Não, acho que é por causa das circunstâncias desse mundo que eu fui invocada aqui, e me permitiram fazer as coisas de forma bem livre, então deve tá tudo bem. Claro, se eu fosse sair sozinha, poderiam ter me impedido, mas com a Luna e os outros presentes… me permitiram me mover livremente por enquanto.
— Entendi. Você foi invocada pelo motivo egoísta deles, então é só natural que te deixem livre…
A Luna assentiu diante das palavras da Mai.
──Nesse momento, a Lexia e os outros não sabiam que o Avis, a perfeição definitiva do Evil, já tinha sido derrotado pelo Yuuya e os outros. Foi por isso que a Lexia e os outros ainda estavam fazendo preparativos constantes pra próxima batalha contra o Evil.
Mas essa batalha nunca chegaria.
— Ali tá! Essa é a Adventurer’s Guild!
— Isso é…
— Fumu, a atmosfera não é diferente da Adventurer’s Guild no Kingdom of Alceria.
Quando as três chegaram no destino delas, a Adventurer’s Guild, cada uma olhou pro prédio. No entanto, não tem sentido ficar parada pra sempre, já que a Lexia entrou rapidamente no prédio.
— Ei, Lexia! Tá tudo bem? Uma princesa não pode ficar tão desprotegida assim!
— Ela não vai nos escutar, sabia. Além disso, ela tá vestida como uma plebeia, e contanto que não seja o Evil ou o Holy atacando ela, posso protegê-la daqui.
— A Luna é incrível…
— Não muito. Vamos, devíamos entrar também.
Quando a Luna e a Mai entraram na guilda, encontraram ela lotada de aventureiros e muito animada.
— Heh… tem muita gente aqui.
— É. Mas é raro ver tanta gente num lugar assim… Será que é um fenômeno exclusivo desse país?
Enquanto a Luna torcia a cabeça e olhava ao redor curiosa, um homem bêbado com o rosto avermelhado se aproximou dela.
— Ei, garota. É sua primeira vez aqui?
— É. Isso é normal, esse lugar tá lotado de gente assim?
— Não? De jeito nenhum. Só tá agitado agora; tem uma montanha não muito longe daqui chamada [Sky Mountain] onde uma erva preciosa que só pode ser coletada uma vez a cada três anos tá sendo coletada, e todo mundo tá animado com isso.
— Erva?
— Nunca ouviu falar dela? Se chama [Hala Grass]…
— ──[Hala Grass]?
— Uau! O que você disse?
Quando o homem bêbado explicava pra Luna, a Lexia interrompeu com os olhos brilhando. Vendo a reação da Lexia, a Luna inclinou a cabeça ainda mais.
— Hmm? Nunca ouvi falar disso… Você conhece, Lexia?
— Claro que conheço! Mais importante, Luna, como você não conhece?
— B-bem.
O entusiasmo da Lexia era tão grande que a Luna ficou pega de surpresa. No entanto, a Lexia não se importou com uma situação dessas e continuou.
— Sabia? É um dos materiais necessários pra fazer a poção do amor perfeita que todo mundo persegue, sem nenhum efeito colateral! É uma erva fantástica que só pode ser coletada uma vez a cada três anos e raramente cresce em grupos!
— P-poção do amor?
— Nem sabia que existia uma coisa dessas…
A Luna arregalou os olhos diante do item inesperado, e a Mai percebeu de novo que estava num mundo diferente.
— Não posso deixar isso passar! Nunca pensei que essa temporada seria a hora de coletar o [Hala Grass]…! Luna, Mai! Vocês tão prontas? Vamos pegar um pouco agora mesmo! É por isso que vocês deviam ir se registrar como aventureiras!
— Eeh?
— Ei, Lexia. É fácil pra você dizer, mas…
— A gente tem que coletar o máximo possível pra fazer a poção do amor sem falhar… E quando eu der pro Yuuya-sama… Kyaa! É tão constrangedor ser um casal apaixonado!
— …Você não tá me escutando…
Quando a Luna tentou puxar a Lexia de volta do próprio mundo dela, o homem bêbado, ainda paralisado, riu desagradavelmente.
— Ei, ei, garotas. Vocês não vão desafiar isso sozinhas, vão? É um lugar perigoso, e é designado como uma área perigosa. Vocês, garotas, não podem ir lá sozinhas, sabia. Mas ei, tá tudo bem. É destino a gente ter se encontrado aqui. Eu cuido disso───.
— Cala a boca! Não precisamos de você, então vai embora!
— Eeeehhh?
O homem bêbado ficou surpreso com a dispensa repentina, mas foi dominado pela determinação feroz da Lexia e recuou apressado.
— Nossa… quem diabos é esse cara? Interrompeu nossa conversa…
— N-não, a gente tava conversando, e você que invadiu…
— Isso não importa! Vamos pegar o [Hala Grass], não importa o quê! Tá?
— E-espera! Você ouviu o que aquele cara disse, né? O lugar onde o [Hala Grass] tá localizado é dito ser uma área perigosa. É um lugar tipo───.
— Não é muito melhor que o Great Devil’s Nest?
— …..Certo!
A Luna gritou em desespero. No entanto, a Mai, que nunca tinha ouvido falar do Great Devil’s Nest, apressadamente as parou.
— E-espera um pouco! Por que eu me arriscaria indo pra um lugar dito perigoso? Quero ganhar alguma experiência em combate, mas meus poderes só funcionam contra o Evil, e nunca lutei com um monstro antes, então mesmo se eu fosse pra um lugar assim, eu seria inútil!
— Não se preocupa, Mai. Eu cuido dos monstros. E comparado ao ambiente do Great Devil’s Nest, qualquer lugar é tipo o paraíso.
— Com que tipo de lugar você tá comparando isso?
— Bem, isso não importa! Seja qual for o caso, preciso do [Hala Grass], então definitivamente vou lá! Tenho que conseguir, não importa o quê, pra virar um casal apaixonado quente com o Yuuya-sama!
— …Aquele cara também tá em apuros, hein?
A Mai não conseguiu evitar um olhar distante quando ouviu as palavras da Lexia.
— Agora, rápido, se registra como aventureira! Se a gente não se apressar, o [Hala Grass] vai ser completamente coletado!
— Eh? E-espera!
A Mai foi arrastada à força até o balcão de recepção. Depois disso, a Mai conseguiu se registrar como aventureira.
***
— É aqui que o [Hala Grass] tá localizado!
— Hah… hah… essa garota é tão descuidada sem nem saber das minhas dificuldades…
Depois que a Mai se registrou como aventureira, a Lexia e os outros imediatamente vieram até a entrada do Sky Mountain, onde se dizia que o [Hala Grass] crescia.
A Luna, que tinha lidado com os monstros que as atacavam um atrás do outro até chegarem na montanha, estava completamente exausta. Vendo isso, a Mai não conseguiu evitar abrir a boca.
— U-um, Lexia? A gente tem que fazer isso hoje também?
— Claro! Temos que coletar agora mesmo e fazer uma poção do amor pro Yuuya-sama!
— Não, acho que é mais pro bem da Lexia do que pro dele…
A Mai não conseguiu evitar dizer isso, mas não chegou aos ouvidos da Lexia agora.
A Mai, que decidiu que não tinha mais nada que pudesse dizer, ergueu a espada que tinha sido fornecida a ela pelo Regal Kingdom quando ela chegou nesse mundo.
— Realmente sou uma amadora quando se trata de lutar com monstros, como vocês provavelmente podem ver desde antes de chegarmos aqui. Essa espada também foi fornecida a mim pelo país, mas nunca segurei uma espada no meu mundo anterior.
— Não vou dizer que você não precisa se preocupar… mas devo conseguir ajudar você até certo ponto. Então você pode lutar com toda a força, Mai.
— Se você insiste, vou confiar na sua palavra… e treinar a mim mesma em combate.
Quando a Mai tomou a decisão, a Lexia não conseguiu mais aguentar a empolgação e finalmente entrou na floresta.
Enquanto a Lexia e a Luna, que já tinham experimentado o Great Devil’s Nest, não se sentiam sufocadas porque a atmosfera dessa floresta era esmagadoramente mais clara que no Great Devil’s Nest, a Mai sentiu uma sensação de opressão que nunca tinha sentido no Japão, e se sentiu meio sufocada.
Esse era um verdadeiro sinal de que os monstros que habitavam a floresta eram fortes. A onda de poder mágico vazando dos corpos dos monstros fez a Mai se sentir enjoada.
Enquanto cada uma delas avançava cuidadosamente pela floresta, a Luna disse quietamente a elas.
— Para.
— !
— …Tem um monstro.
Enquanto a Luna encarava afiadamente uma certa parte da floresta, um javali com presas magníficas pulou dos arbustos.
— Charge Boar, hein! Cuidado, é um monstro classe C.
Normalmente, não era o tipo de monstro que uma aventureira recém-registrada como a Mai teria que lidar. Mas já que a Luna, conhecida como assassina, estava ali, o perigo era minimizado.
Assim que avistou a Lexia e os outros, o monstro chamado Charge Boar disparou, acelerou, e avançou pra cima delas. A Luna balançou o braço afiadamente diante do ataque, e o Charge Boar parou de se mover como se o corpo dele tivesse sido preso em alguma coisa.
— Buruoo!
— Mai!
— Certo!

Ouvindo as palavras da Luna, a Mai imediatamente correu até o Charge Boar e baixou a espada na mão.
Quando foi invocada pela primeira vez pro outro mundo, ela hesitava em atacar, mesmo quando o oponente era um Evil Beast. No entanto, diante das pessoas do outro mundo que sofriam com o Evil, a Mai pensou que se ela não desse o melhor dela, as pessoas desse mundo estariam em perigo, e ela conseguiu deixar de lado a aversão dela a lutar.
Talvez esse aspecto mental também fosse um dos motivos pelos quais a Mai foi invocada pra esse mundo como “Santa.”
Enquanto a Mai atacava o Charge Boar em cooperação com a Luna, a Lexia também atacou o Charge Boar com uma faca de autodefesa.
— Eii! Iyaa!
No entanto, como princesa, a força da Lexia era fraca, e não parecia estar causando dano real. Com a adição do ataque da Lexia, que não tinha certeza se era pra ajudar, o Charge Boar finalmente desabou e desapareceu como uma partícula de luz.
— Aay! A gente derrotou ele!
— É-é. Conseguimos de alguma forma…
— Hmph. Deixando a Mai de lado, nem tenho certeza se a contribuição da Lexia vale a pena mencionar.
— O que você disse?
Como de costume, enquanto a Luna provocava as palavras da Lexia e a Lexia remoía isso, a Mai encarava as próprias palmas.
— “(Como esperado, não tô acostumada a lutar com armas… Mas tá tudo bem. Se eu der o meu melhor, as pessoas desse mundo podem ser salvas. Tenho que dar o meu melhor…)”
— Mai?
Então a Lexia, que percebeu algo errado com a Mai, olhou pro rosto dela preocupada.
— Eh? Ah, tô bem! Mais importante, vamos achar rápido as ervas que a Lexia tá procurando, tá? Quanto mais esperarmos, mais tarde vamos voltar.
— Ah, sim! Temos que achar rápido!
A Lexia e os outros começaram a busca pelo [Hala Grass] de novo.
— Fico surpresa em saber que a Mai e o Yuuya-sama são do mesmo mundo! Como é o Yuuya-sama no seu mundo?
— Eeh? Também não sei muito sobre ele…
A única vez que a Mai tinha encontrado o Yuuya foi no santuário onde ele e a Kaori tinham ido pro teste de coragem.
— Ara, entendi. Gosto de como ele é misterioso! Vou usar a poção do amor… pra conseguir o Yuuya-sama custe o que custar!
Enquanto procurava, a Lexia estava ardendo de amor pelo Yuuya.
— Pra fazer isso, tenho que achar o [Hala Grass] custe o que custar!
No entanto, não tem sinal nenhum do [Hala Grass] que a Lexia procura, e o tempo tá voando.
— Ei! A gente não consegue achar!
— Não preciso que você me diga isso. Você é quem sugeriu, né?
— Você também quer, não quer? A poção do amor!
— Eu não sou igual a você! Não preciso disso───.
— Se você tem a poção do amor, pode fazer o que quiser com o Yuuya-sama, sabia!
— …Tá bom, vamos achar.
— Luna?
A Mai rebateu à Luna, que imediatamente mudou de ideia.
Enquanto procuravam pelo difícil de achar [Hala Grass], a Luna percebeu um certo sinal.
— O que é… isso…?
— O que foi?
— Tem uma presença poderosa…! Lexia!
— Eh?
A presença forte que a Luna sentiu tava ficando cada vez mais perto da Lexia, ela chamou apressadamente, mas a fonte da presença de repente apareceu na frente da Lexia.
— ──Ara? Vocês, moças são…
— S-Sword Saint-sama!
A identidade da presença forte que a Luna sentiu era na verdade a da Iris, a Sword Saint. Além disso, atrás da Iris, também tinha o Usagi, o Kicking Saint.
(O que é isso? Garotinha. Você também tava aqui?)
— Ah, você é o mestre do Yuuya-sama… por que a Iris-sama e o Usagi-sama estão aqui?
A Lexia esqueceu do [Hala Grass] e perguntou surpresa. E o Usagi assentiu uma vez.
(É perfeito. Tenho que contar a vocês, garotas, sobre uma coisa.)
— Eh?
(Especialmente aquela garotinha ali.)
— E-eu?
A Mai, que não esperava ser chamada, gritou surpresa. Embora a própria Mai não soubesse muito sobre as duas pessoas que apareceram ali, sentiu pela atitude da Lexia que não eram comuns.
O que diabos uma pessoa dessas queria com ela…?
Enquanto a Mai esperava ansiosa pelas palavras do Usagi, o Usagi disse claramente a ela.
(Seu papel acabou.)
— Eh?
(Como eu disse, seu papel acabou.)
— …..
Não entendendo o significado das palavras do Usagi, a Mai ficou em silêncio. Então a Iris, que observava a cena, soltou um suspiro.
— Sabe… não tem como ela entender só com isso, né?
(Não sei. É só isso.)
— Você realmente é um pedaço de carne desmedido…
Soltando um suspiro diante do comportamento do Usagi, a Iris deu um sorriso amargo pra Mai.
— A única coisa é, o que ele disse é verdade. Você é a santa que foi invocada de um mundo diferente, né?
— S-sim. Dizem que fui invocada pra derrotar o Evil que existe nesse mundo…
— …Esse Evil não existe mais. Já foi derrotado.
— Eh?
— Não pode ser!
— …O que você disse?
A Mai ficou paralisada diante das palavras da Iris, e a Lexia e os outros arregalaram os olhos incrédulos. Então a Lexia rapidamente recuperou os sentidos e abriu a boca em pânico.
— P-por favor espera, Iris-sama! Foi derrotado, você diz…? Você quer dizer que aquele ser horrível foi derrotado?
— Sim, isso mesmo.
A Mai nunca tinha visto o Avis, então tudo que ela sabia era que existiam seres chamados Evil, mas a Lexia e os outros, que tinham visto o Avis pessoalmente e visto como ele tinha dominado a Iris e o Usagi com o poder incrível dele, mal conseguiam acreditar.
— Quem diabos derrotou ele? Será que foram a Iris-sama e os outros?
— Como esperado da Iris-sama! E o Usagi-sama também é muito forte, já que é o mestre do Yuuya-sama!
— Incrível… o poder daqueles chamados Holy é incrível…
O olhar da Lexia brilhou pra Iris e os outros. A Mai também tinha sido dita pelo rei do Regal quando foi invocada pra esse mundo que existiam pessoas chamadas Holy que se opunham ao Evil. Ela também sabia do fato de que eram, de fato, extraordinárias.
No entanto, a Iris e o Usagi se entreolharam e sorriram amargamente quando uma reação dessas foi direcionada a eles.
— Sinto muito em desapontar vocês quando estão nos elogiando assim… mas foi o Yuuya quem derrotou o Evil.
— “““Eh?”“”
— Pra ser mais precisa, foi a família do Yuuya.
Como a Iris explicou, a Mai inclinou a cabeça porque não sabia muito sobre o Night e os outros, mas a Lexia e os outros, que sabiam sobre o Night e os outros, arregalaram os olhos ainda mais.
— A-aquele Night e os outros… não, ou será que o Genesis Dragon deu uma força?
— Não, de jeito nenhum. Eu e o Usagi também testemunhamos o momento diretamente… e antes que percebêssemos, o Yuuya tinha adotado um pássaro azul como novo membro da família, e juntos, os três, incluindo o Night e o Akatsuki, derrotaram o Evil.
— I-isso é ridículo…
(…É realmente ridículo.)
Até o Usagi parecia meio cansado ao falar sobre isso, o que fez a Lexia e os outros perceberem que isso era a verdade.
E então──.
— C-como esperado do Yuuya-sama! Sabia que ele era diferente do resto de nós nesse mundo!
Como de costume, os olhos da Lexia brilharam diante das ações do Yuuya. No entanto, a Mai não gostaria que pensassem que todos os terráqueos conseguem fazer coisas malucas assim, então negou apressadamente.
— Não, eu não sou tão maluca quanto aquele cara! O resto das pessoas na Terra, incluindo eu, são normais!
— Terra?
(Hou? Isso soa como uma história interessante. Por favor continue.)
Então a Iris, que ainda não tinha ideia de que o Yuuya era do mesmo mundo que a Mai, inclinou a cabeça. Pelo contrário, o Usagi também a incentivou a continuar com um olhar curioso.
A Mai, que não conseguia recusar a insistência dos dois, contou a eles que o Yuuya era do mesmo outro mundo… e que ele tinha o poder de viajar de um lado pro outro entre os dois mundos.
— E-entendi… Ele não era um morador desse mundo, hein…?
(Mesmo se ele fosse, não conseguiria ter tanto talento assim. E mesmo naquele mundo, ele provavelmente não é normal. Tô certo?)
— Não é normal nem um pouco. Por favor não usem ele como padrão do nosso mundo. Um mundo baseado nele seria assustador demais.
Além do Usagi, que assentiu concordando com as palavras da Mai, a Iris ficou meio confusa.
— E-eu achei o homem perfeito pra mim, mas ele não é desse mundo… Mas pensando bem, Yuuya, você consegue ir e vir entre dois mundos, né? Mas isso é algo que pode ser feito indefinidamente? Ou é finito? Se for finito, em qual mundo ele vai acabar ficando…?
— Eh? Um… Iris-sama?
Quando a Mai chamou preocupada a Iris, que estava agindo estranhamente, a Iris de repente tomou uma decisão.
— Decidi! Vamos pra casa do Yuuya-kun agora mesmo falar com ele!
***
“Decidi! Vamos pra casa do Yuuya-kun agora mesmo falar com ele!”
(Hã?)
A decisão foi tão repentina que o Usagi não conseguiu evitar levantar a voz, mas a Lexia concordou rapidamente.
— Iris-sama! Eu também vou! Também tinha muitas perguntas que queria fazer! É só que eu tava procurando uma coisa aqui…
— E-espera um pouco, Lexia! Como esperado, ir pro Great Devil’s Nest sem o Owen e os outros é…
— Do que você tá falando? A Iris-sama e o Usagi-sama tão aqui, né? Não precisamos do Owen.
— …Você tem razão. Mas não fala isso na frente do Owen…
A Luna não conseguiu dizer nada à Lexia, que respondeu de forma tão direta. Na verdade, se a Iris estiver por perto, é certo que vai ser seguro, a menos que seja nas profundezas do Great Devil’s Nest.
— Além disso, a Luna também deve tá curiosa, né? Sobre o Yuuya-sama.
— …Bem, é.
— Então vamos!
Bem quando a história estava prestes a ser resolvida, o Usagi, que estava atordoado e escutava a conversa, apressadamente interveio pra parar isso.
(Espera um pouco! Iris, você esqueceu do nosso propósito de hoje? Além disso, achei que você tava procurando alguma coisa aqui…)
— Você tá falando de contar pro Magic Saint sobre o Evil, né? Isso pode esperar. Não é como se tivesse necessidade de se apressar já que não tem mais Evil por aí de qualquer jeito, e se alguém tiver problema com isso, eu corto eles. E além disso, já consegui tudo que vim buscar aqui, então tá tudo bem!
(Quando você conseguiu isso?)
— A-aaaahhh! [Hala Grass]!
Quando a Lexia viu a erva tirada da bolsa na cintura da Iris, ela gritou. Essa era a erva que a Lexia tinha estado procurando.
A Iris sorriu meio triunfante diante da aparência da Lexia.
— Fufu. Infelizmente, já coletei tudo que podia ser coletado nessa época do ano. Então você devia só desistir.
— Gnununu…
A Lexia olhou pro [Hala Grass] na mão da Iris com amargura, mas não conseguiu reclamar mais porque não queria perder a chance de ser levada pro Great Devil’s Nest se reclamasse ali.
Como esperado, a Iris sorriu amargamente diante da visão da Lexia e disse ao Usagi.
— Então, vamos pra casa do Yuuya agora mesmo! Tá tudo bem? Usagi.
(…Suspiro. O que quer que aconteça depois, não vou ajudar você.)
Enquanto dizia isso, o Usagi também parecia preocupado com o Yuuya, e junto com a Iris e os outros, seguiu pra casa do Yuuya.
***
Ao mesmo tempo, uma nave espacial enorme flutuava pelo espaço. A nave tinha o formato de um dragão e voava pelo espaço sem problema nenhum.
Essa nave espacial era a nave-mãe dos alienígenas Dragonia que atacaram a Merl. Dentro da nave espacial, um dos alienígenas Dragonia franziu a testa.
(…É hora do contato programado, por que ainda não tem contato?)
— …..
Os outros Dragonia enrijeceram diante do olhar rabugento dele. Ele usava roupas luxuosas, diferentes das dos outros Dragonia, e estava sentado de pernas cruzadas feito um rei.
Ele era o Draco III, o governante dos Dragonia.
O Draco III não tentou esconder o descontentamento e perguntou de novo.
(Tô perguntando. Por que não tem contato regular?)
— …..
No entanto, ninguém conseguiu responder às palavras do Draco III. As únicas pessoas reunidas ali eram os comandantes que lideravam as tropas, os guerreiros que representavam os Dragonia.
Originalmente, os Dragonia eram uma raça que se orgulhava de corpos poderosos e tecnologia excepcional, e estavam entre os mais poderosos do universo.
Eles estão aterrorizados pelo único da própria raça deles, o Draco III.
(Nesse universo, o menor atraso na comunicação pode levar à morte. Sempre disse a vocês pra ficarem alertas. Mas… que bagunça é essa? ──Me respondam.)
Naquele momento, uma pressão tremenda atacou os Dragonia presentes. A pressão invisível era tão pesada que parecia que a gravidade tinha sido aplicada, e todo mundo se ajoelhou, incapaz de permanecer de pé.
(Esse atraso na comunicação, você lidera o pelotão diretamente sob o Terceiro Corpo, né? Por que você não me responde?)
O Draco III virou o olhar pra um dos Dragonia ajoelhados. O Dragonia que ele viu baixou a cabeça e lutou pra falar.
(C-com todo respeito, meu Senhor. Não temos total certeza sobre essa situação…)
(Você não tem ideia nenhuma?)
A pressão aumentou. Enquanto sentia como se estivesse prestes a ser esmagado, o Drade, capitão do terceiro corpo, continuou desesperadamente.
(S-sim. Também ficamos suspeitos quando não teve comunicação durante o horário de comunicação regular, e tentamos entrar em contato com eles por vários meios. Mas não é que eles não respondam às comunicações; é que não conseguimos nos conectar com eles. Presumimos e verificamos várias coisas, incluindo diferenças de horário em longas distâncias. Mas…)
(Hou?)
O Draco III se recostou na cadeira e diminuiu a pressão que estava exercendo nos Dragonia. A liberação repentina da pressão fez os Dragonia recuperarem o fôlego enquanto faziam o melhor pra esconder isso do Draco III.
(Então você tá dizendo que nossos soldados Dragonia foram mortos?)
(…S-sim.)
(Fumu… Então eu pergunto, pra onde esses soldados estavam indo?)
(I-isso é… um planeta remoto chamado Terra, no universo 983.)
(Terra? Nunca ouvi falar. O que os leva até lá?)
(Aparentemente, eles estão a caminho de lá porque receberam um sinal eletromagnético que parece ser a planta técnica de uma arma desenvolvida pelos alienígenas de Amel.)
(O quê?)
O Draco III ergueu as sobrancelhas diante das palavras do Drade.
(Uma arma de destruição daqueles malditos alienígenas de Amel. Entendi… Então? Presumo que eles conseguiram recuperar isso?)
(N-não… um… não consegui entrar em contato com eles desde então…)
(O que você disse?)
O rosto do Draco III se contorceu de descontentamento de novo. Os Dragonia enrijeceram, imaginando se seriam submetidos a uma pressão intensa de novo, mas o Draco III só bufou infeliz.
(Num planeta remoto assim, existe uma entidade que consegue competir com a gente…)
(E-eu só tô falando de uma possibilidade. Não tem ninguém melhor que nós, os soldados de Dragonia…)
(A possibilidade não devia ser descartada tão facilmente assim. Entendeu? Se vamos continuar sendo os mais fortes, não devemos ignorar nem a menor possibilidade. Fiquem alertas.)
(S-sim. Vou ter isso em mente…)
(Então eu comando você. Vá até esse planeta e procure qualquer traço dos soldados desaparecidos.)
(Ha!)
O Draco III assentiu satisfeito enquanto olhava pro Drade, que se curvava profundamente e aceitava as ordens dele.
(Umu. …Ah, sim. Se o planeta puder ser usado de alguma forma, você pode conquistar essa Terra. Nesse caso, seria problemático perder tempo reconstruindo. Não destruam demais o planeta com os ataques de vocês.)
(Entendido, senhor.)
O Drade imediatamente se retirou e saiu, chamando seus homens pra segui-lo.
(Comandante! Tudo pronto!)
(Entendi. Vamos partir imediatamente. O rei nos deu permissão. Essa é a primeira invasão em muito tempo. Faz meus braços tremerem.)
Enquanto o Drade tremia na frente do Draco III, ele ainda era um dos homens mais poderosos do universo, e sorriu ferozmente. Seus subordinados sorriram também, cativados por isso.
──Num lugar desconhecido pro Yuuya e os outros, uma nova existência começou a se mover.