Capítulo 3 – Ouma’s Wish
— Hmm… Un?
— Acorda. Yuuya, você tá bem?
— Yuti…?
— Woof.
— Buhi?
— Pii.
Quando acordei, a Yuti tava olhando bem no meu rosto. O Night e os outros também tavam perto dela. Quer dizer, será que eu tinha dormido…?
Tentei me levantar, mas meu corpo tava fraco demais. Então o Ouma-san, que também tava dormindo perto de mim junto com o Night e os outros, abriu um dos olhos.
— Não força demais. Sua força vital consumida pelo [Holy King’s Authority] voltou ao normal, mas seu vigor físico ainda tá esgotado. Pode descansar um pouco.
— Ouma-san? [Holy King’s Authority]…?
Bem quando eu tava prestes a dizer alguma coisa, lembrei do que tava acontecendo!
— Ah, é, a casa… tá…?
Olhei ao redor, mas era a mesma casa de sempre… cheia de memórias do meu avô, meu lar precioso.
— H-hã? Se bem me lembro, o teto da casa tava…
Por causa da batalha feroz entre a Merl-san e os alienígenas Dragonia, o teto dessa casa devia ter voado longe ou sofrido algum outro incidente desastroso, mas não tinha sinal disso.
— Se é sobre a casa, não se preocupa. Fiz a garotinha ali consertar.
— Garotinha?
Perguntei de volta, e o Ouma-san apontou com o rosto pra um certo ponto. Ali, no canto do quarto, tava a Merl-san sentada de joelhos em seiza.
— Me-Merl-san?
— (…Sinto muitíssimo.)
Ela colocou lentamente as mãos no chão e curvou a cabeça profundamente. Era uma forma de desculpa conhecida como “Dogeza.” Eh — Dogeza?

— Merl-san!
Quando entrei em pânico com o dogeza repentino dela, a Merl-san continuou naquela posição.
— (Na minha pressa de alcançar meu objetivo, danifiquei algo importante pra você. Peço desculpas por isso. Como forma de desculpa, usei meu nanomáquina pra restaurar tudo perfeitamente.)
— Nanomáquina?
Fiquei só maravilhado com as palavras da Merl-san. C-consegue fazer coisas assim com nanomáquina também…?
— Falando nisso, onde tão aquelas pessoas?
— Recuaram. Então pode ficar tranquilo — disse o Ouma-san.
— E-entendi… mas Merl-san, por favor levanta a cabeça! Contanto que você tenha restaurado tudo ao estado original, não me importo mais com isso!
— (…Muito obrigada…)
Depois das minhas palavras, a Merl-san finalmente levantou a cabeça. Acordar desse jeito não faz bem pro meu coração. Ao invés disso, eu não sabia que existia o conceito de dogeza no espaço também…
Soltei um suspiro de alívio quando a Merl-san levantou a cabeça, mas então lembrei que ainda não tinha me apresentado.
— Ah sim, ainda não te disse meu nome, né? Meu nome é Tenjou Yuuya. Essa é minha família: Night, Akatsuki, Ciel, Ouma-san, e Yuti.
— Woof.
— Fugo.
— Pii.
— Hmph.
— ? Cumprimento?
Os quatro, Night, Akatsuki, Ciel, e Ouma-san, pareciam entender do que eu e a Merl-san távamos falando, mas a Yuti não conseguia entender o que a Merl-san falava. Quando eu apontei isso pra ela, ela pareceu sentir pela atmosfera que tava sendo apresentada à Merl-san e curvou a cabeça.
A Merl-san curvou-se como sempre pra Yuti e eu, mas por algum motivo, quando ela viu o Night e os outros, ela se encolheu. Fiquei imaginando se algo tinha acontecido. Fiquei um pouco preocupado com a reação dela, mas decidi contar a ela sobre a planta técnica, que era o propósito original da Merl-san.
— E-então, a planta técnica, né? Não tem problema nenhum em te devolver, vou preparar agora mesmo.
— (Agradeço, mas não posso voltar pra Amel mesmo depois de receber a planta técnica.)
— Eh?
Congelei diante das palavras inesperadas dela.
— (Eles… minha nave espacial foi destruída num ataque dos alienígenas Dragonia. O exterior e outras partes da nave podem ser reparadas com o nanomáquina que eu tenho, mas quando o motor foi destruído, toda a energia de combustível que tava na nave vazou e desapareceu. Então, não tinha como eu trazer a planta técnica de volta agora.)
— E-entendi… você entrou em contato com seus amigos?
Quando perguntei isso, a Merl-san balançou a cabeça fracamente.
— (…Usei demais esse dispositivo na batalha de agora há pouco. Não teria problema manipular a informação desse único planeta, mas perdi a capacidade de me comunicar através dos espaços…)
Manipular a informação desse único planeta não é problema? A tecnologia espacial é assustadora, né?
— Então, o que você vai fazer?
— (Tenho tentado descobrir se existe alguma energia nesse planeta que possa ser usada como fonte de força, o chamado poder mágico… Esse planeta é um planeta raro no universo onde o poder mágico não existe, e tô em sério apuro…)
— Magia? Se você tem magia, consegue ir pra casa?
Então… eu tenho bastante poder mágico, graças ao meu level-up no outro mundo e aos circuitos mágicos que herdei do Sábio-san.
— (Não é suficiente só ter poder mágico como energia. Preciso de um dispositivo pra armazenar o poder mágico… No entanto, nenhum material desse planeta consegue reter poder mágico.)
Parece que não vai ser tão fácil assim. De qualquer forma, seria um problema pra Merl-san se ela não conseguisse fazer nada sobre isso.
Enquanto nós dois ponderávamos, o Ouma-san, que tinha estado dormindo indiferente, abriu a boca enquanto bocejava.
— Fuwahh… Do que vocês tão preocupados?
— Eh?
— Se não tem um na Terra, por que não vai pro outro mundo pegar um?
— Ah!
— (Aquele mundo?)
A Merl-san não parece entender do que o Ouma-san tá falando… É verdade que se não existe uma coisa nesse mundo, pode ser achada no outro mundo. Pensando bem; o [Magic Stone] parece ser uma massa de poder mágico.
Uma vez decidido isso, quanto antes melhor, então guiei a Merl-san até o depósito onde ficava a [Door to the Other World].
Enquanto nos aproximávamos do depósito, a Merl-san encarava o dispositivo preso no braço dela enquanto suava frio.
— (O-o que é esse campo de força…! Não importa como eu sinta isso, a quantidade de poder que um único indivíduo consegue liberar… ou até um único planeta, excede a quantidade de poder que pode ser liberada por um universo inteiro!)
— H-hã… Mesmo que você diga isso… mas eu também tenho a planta técnica da Merl-san aqui.
— (Que tipo de lugar você colocaria isso?)
Não sei se esse quarto é tão perigoso assim. A única coisa que percebo é que é um lugar com uma certa atmosfera…
Mas parece que só eu sinto isso assim, e até o Ouma-san concordou com ela balançando a cabeça.
— Seu comportamento na frente de um lugar onde tanto poder tá girando ao redor é embotado demais, Yuuya.
— É-é assim?
Mas tudo nesse lugar foi coletado pelo meu avô, e eu não sentia nada sobre isso. Porque tenho certeza que meu avô nunca foi pro outro mundo, e diferente de mim, ele provavelmente era uma pessoa normal.
Mas já que távamos no depósito, dei à Merl-san o objeto cúbico que ela tava procurando.
— Essa provavelmente é a planta técnica que a Merl-san tava falando, né?
— (…Realmente foi guardada num lugar tão ridículo. Além disso, o sinal era tão complicado… que era impossível identificar a localização detalhada. Se foi colocado num campo de força tão avassalador assim, nosso equipamento ficaria embaçado.)
— Eeh? Mas e-essa planta técnica consegue destruir um planeta, né? Como uma mera casa pode ter mais poder que isso?
— (…Se convertêssemos a força girando ao redor desse quarto em energia, poderia facilmente apagar dezenas de milhares de universos.)
— De jeito nenhum!
Fiquei instantaneamente com medo desse quarto. C-como esse quarto pode ser tão perigoso assim? N-não, isso é absurdo. Nunca tive problema nenhum antes, então deve ser imaginação da Merl-san. Deve ser isso. Não, é o que eu decidi. Sim, essa conversa acabou!
Pra me distrair, andei mais fundo no depósito e cheguei na frente da porta.
— Essa é a porta que leva ao outro mundo.
— (…O material e a fonte de poder são desconhecidos… Nem é matéria escura… Não acredito que algo tão incompreensível assim exista…)
Ela disse um monte de coisas que eu não entendi, mas do meu ponto de vista, o dispositivo da Merl-san também é incompreensível o suficiente, então acho que estamos quites.
Assim que abri a porta e me mudei pro outro mundo, os olhos da Merl-san se arregalaram ainda mais.
— (Espaço… não, o movimento entre mundos! Além disso, que abundância de poder mágico é essa…!)
— U-um… acho que esse mundo provavelmente tem o que você tá procurando, Merl-san…
— (…Sim, isso mesmo. Se o ambiente é tal que consigo sentir o poder mágico tão fortemente, a possibilidade é alta o suficiente. Você tem alguma ideia do que pode ser?)
— Deixa eu ver; acho que as pedras mágicas que você ganha quando derrota os monstros nesse mundo são realmente uma massa de poder mágico… O que você acha?
Enquanto dizia isso, tirei uma das pedras mágicas da minha caixa de itens. Esqueci de que tipo de monstro eu peguei ela, mas já que é uma pedra mágica classe S, tem chance dessa aqui até ser suficiente.
Eu não sabia o que fazer com as pedras mágicas até agora, então tenho usado a função da porta pra trocar elas por dinheiro, mas ultimamente tenho guardado algumas.
Depois de receber a pedra mágica de mim, a Merl-san começou a operar o terminal e investigar alguma coisa.
— (…De fato, esse material parece conter poder mágico, mas não é suficiente pra ser usado como combustível…)
— Eh, não é suficiente?
— (Não é suficiente de jeito nenhum… Pelo que você me contou, isso é algo que você consegue de uma única forma de vida, né? Não tem como uma mera forma de vida carregar energia suficiente pra viajar pelo espaço…)
— I-isso também é verdade.
Quando pensei de novo, pode ser verdade. Não tenho certeza. No entanto, não tem nada que consiga conter mais poder mágico que uma pedra mágica classe S.
Já ouvi falar de monstros classe SS, SSS, EX, e L do Mestre Usagi antes, mas nunca lutei com um.
Pra mim agora, acho que talvez eu conseguisse derrotar um classe SS mais ou menos, mas… o Avis varreu as profundezas do Great Devil’s Nest, então nem sei se existe algum monstro assim. Falando nisso, o Mestre Usagi disse que o Evil é classe L, e o Avis é a perfeição definitiva desse Evil… então em que classe ele estaria?
Bem quando pensei que tinha achado uma solução, outro problema surgiu. No entanto, o Ouma-san, que apresentou a ideia de ir pra esse mundo, não pareceu particularmente incomodado com isso.
— O quê, a pedra mágica do Yuuya não é suficiente? Se é esse o caso, você vai ter que ir buscar aquela coisa.
— Aquela coisa?
Torci a cabeça, sem saber do que diabos o Ouma-san tava falando, mas a Yuti, uma habitante original desse mundo, também não parecia saber e torceu a cabeça também.
— Pergunta. A pedra mágica do Yuuya, a de alta pureza. Se for mais que isso, seria classe SS ou algo assim. Você sabe onde eles vivem?
— Eu sei. Bem, não vamos mirar em monstros classe SS ou EX dessa vez. Se ainda não for suficiente, seria trabalho demais. Mas se é algo que eu conheço, com certeza consigo pegar. É um pouco chato, mas tá certinho… pro treino do Yuuya.
— Eh.
Tenho um mau pressentimento com a palavra “treino” que saiu da boca do Ouma-san.
I-isso é estranho… depois de termos derrotado o inimigo definitivo desse mundo, o Evil Avis, ainda tenho que treinar…
Mas parece que não ouvi errado, e o Ouma-san sorriu maliciosamente.
— Hmm. Normalmente não tenho nada pra te contar, mas… é pelo bem do meu mestre. Vou ficar feliz em te ensinar algo especial. No entanto, mesmo assim, é importante lembrar que ninguém conseguiu ir e voltar daquele lugar exceto o Sábio, e o mais importante, ninguém tinha a habilidade de chegar lá… Bem, tenho certeza que o Yuuya vai ficar bem.
— Você tem alguma prova disso?
Onde fica esse lugar que só alguém do nível do Sábio-san consegue ir? Provavelmente, a atmosfera desse lugar sozinha é mais perigosa que o Avis.
— Tem certeza que é seguro? Não quero ir pra lugar nenhum perigoso demais…
— Hou, tá tudo bem então? Se você não for lá, aquela garotinha nunca vai conseguir voltar pro planeta natal dela, sabia?
— Ugh…
— (…..)
Quando olhei pra Merl-san, ela tava me olhando com um olhar meio ansioso.
Eu tava muito relutante em fazer qualquer coisa perigosa, mas quando pensei na Merl-san, não conseguia dizer isso, e tudo que consegui fazer foi arregalar os olhos.
***
Confiando nas palavras do Ouma-san sobre uma fonte de energia que ele conhecia que poderia alimentar a nave espacial da Merl-san, eu queria ir lá agora mesmo, mas não podia agora.
Amanhã era o primeiro dia de aula desde as férias de verão. Enquanto as próprias férias de verão continuariam por mais um pouco, tinha lição de casa pra entregar nesse dia, então não tinha como eu faltar.
Felizmente, eu tinha terminado minha lição de casa cedo pra poder sair com a Kaori e os outros na praia, então não precisava me preocupar com isso.
…Parece que faz um tempo desde que vi todo mundo. Antes das férias de verão, a gente se via todo dia, mas com as férias de verão, isso parou, e me senti um pouco triste.
Então quando o dia de escola acabou, pedi ao Ouma-san pra me levar até o lugar onde ficava a fonte de energia… Pra minha surpresa, o Ouma-san fez uma barganha aqui.
— Posso te contar sobre isso, mas se é só isso, não tem benefício nenhum pra mim. Então, portanto, se você quer a fonte de energia pra aquela garotinha, vai ter que me fazer um favor.
— F-favor? O que exatamente é…?
Enquanto eu me enrijecia involuntariamente com a menção de um favor do Ouma-san, o Genesis Dragon, os olhos do Ouma-san se abriram de repente, e ele disse.
— ──Me tira dessa casa na Terra!
— …..Eh?
Diante das palavras inesperadas do Ouma-san, não só eu congelei, mas a Yuti e os outros também. Sem prestar atenção nenhuma na nossa situação, o Ouma-san começou a reclamar feito criança.
— Porque não é justo! Night, Akatsuki, Ciel, e Yuti! Além disso, tenho certeza que aquela garotinha ali também pode curtir a Terra! E mesmo assim, eu sou o único que fica em casa… Não é justo, não é justo!
— Não é justo, você diz…
— Woof…
— Fugo.
— Pii.
— …Confusa. A dignidade do Genesis Dragon tá arruinada.
Como a Yuti disse, o Ouma-san tava feito uma criança mimada agora, não importa como eu olhasse pra ele. O Night e os outros também tavam confusos e desanimados com o comportamento do Ouma-san.
Então o Ouma-san percebeu nosso olhar e nos deu um olhar de desaprovação.
— O que foi? Vocês. Tem algum problema com isso? Eu nunca posso andar por fora da casa na Terra como vocês fazem, posso? Hmm?
— Isso é…
— Enquanto vocês se divertem na Terra, eu passo meus dias nessa casa só dormindo… Isso não é diferente da minha vida antiga!
Isso também é um problema pra mim. Se possível, eu gostaria que o Ouma-san desse uma olhada pela Terra, mas não importa como eu olhe pra ele, a aparência do Ouma-san é a de um dragão.
— M-mesmo que você coloque dessa forma, o Ouma-san é um tipo de criatura que não existe na Terra, então sua aparência é só…
— Aparência? O que tem de errado com isso?
— Q-quero dizer, suas asas?
Se ele não tivesse asas, ele não pareceria mais um lagarto monitor…? Não, hã? Não sei. Não tem ninguém perto de mim que tem um lagarto monitor, então não sei!
Fiquei pensando sobre isso por um tempo, e então de repente percebi algo.
— C-certo! O principal motivo pelo qual o Ouma-san não consegue sair de casa é que ele parece um dragão por causa das asas.
— Hmph. Sou um Genesis Dragon. É natural que eu pareça um dragão, não é?
— Mas se você conseguir esconder essas asas… t-talvez a gente consiga disfarçar…?
— Por que você tá ficando cada vez menos confiante?
Não, tudo bem ter uma ideia, mas não sei se é uma boa ideia de jeito nenhum.
— P-por favor espera um momento! Então, vou preparar uma coisa pra você.
Depois de avisar o Ouma-san, saí correndo pra comprar uma coisa. Meu destino era a loja de animais onde eu tinha comprado a coleira do Night antes.
Trinta minutos depois.
— C-comprei!
— Hou? Não sabia que existiam coisas na Terra que conseguem disfarçar minha aparência.
— S-sim. Aqui tá!
Estendi o item que eu tinha comprado pro Ouma-san.
— …..O que é isso?
— …..É roupa.
— …O quê?
— U-um… É roupa de pet.
Sim… o que eu dei ao Ouma-san foi uma pequena peça de roupa feita pra cachorro ou gato de estimação.
Dessa forma, as asas do Ouma-san poderiam ser escondidas pela roupa…! Não, pode ter bastante desconforto na região das costas dele, mas não tem mais nada que eu possa fazer sobre isso!
Pra pelo menos minimizar o desconforto, escolhi a roupa tipo moletom grosso. No entanto, o Ouma-san começou a tremer na frente da roupa que ofereci a ele…
— N… não seja ridículo! Por que eu tenho que usar uma coisa dessas? E é pra pets!
— M-mas, não consigo pensar em outra forma de disfarçar a aparência do Ouma-san… O Ouma-san quer olhar ao redor sozinho, não quer? Provavelmente já percebeu isso.
— Claro!
— Ou pelo menos… se você só quer dar uma olhada na paisagem de fora, pode usar o cloak of disguise que dei ao Akatsuki, ou talvez eu consiga te colocar numa bolsa ou algo assim e te carregar enquanto você fica quieto.
— Ugh… isso não é suficiente pra curtir o tanto quanto eu quero…
Sim, tinham várias formas de esconder a aparência dele.
No entanto, o Ouma-san não queria fazer isso; ele queria dar um passeio e curtir a Terra normalmente. Ele talvez quisesse sair pra comer alguma coisa, mas se ele tivesse que se esconder, não conseguiria comer o que a gente comprasse imediatamente.
O Ouma-san ficou incomodado com minhas palavras, mas rosnou na frente da roupa de pet à frente dele.
— Ughhhh… mas… não tem como eu vestir isso, não importa o quê!
— É-é assim?
O que eu comprei foi um moletom de pet — era rosa e tinha um símbolo de coração fofo nas costas.
— Não é algo que ficaria bem em mim, não importa como você olhe.
— Não acho isso. Mas, olha, já que temos aqui, por que você não experimenta?
— O quê? N-não, não quero usar uma coisa tão fofa assim!
— Mas você não vai conseguir sair sem isso, sabia?
— Não, uma cor ou padrão diferente serviria!
— Bem, bem, você devia tentar vestir primeiro.
— E-ei, para com isso! Whoaaaaa!
Segurei o Ouma-san se debatendo nos braços e o vesti com a roupa que eu tinha comprado.
Então…
— É uma humilhação… pra mim, o Genesis Dragon, ser vestido assim…!
O Ouma-san agora tava vestido com um moletom rosa. O tamanho parecia ficar certinho, mas as asas nas costas ainda empurravam contra a fantasia e pareciam meio desconfortáveis, mas era… aceitável.
— Você não precisa ficar tão sombrio sobre isso… Fica bem em você, sabia? Né, gente?
Quanto a mim, fiquei encantado com o novo lado fofo do Ouma-san, então perguntei a todo mundo isso───.
— W-woof…
— Bu-buhi…! Fugo, fugo!
— Pi! Pii!
— …Silêncio. Vou me abster de comentar qualquer coisa sobre isso.
— H-hã?
O Night e a Yuti pareciam meio perplexos enquanto o Akatsuki tava rindo, e os olhos do Ciel brilhavam como se dissesse, “Ouma-san, isso é ótimo!.” Hmm, achei que tinha ficado bom nele. Acho que não tenho senso de estilo nenhum.
— B-bem, tá tudo bem. O propósito é dar um passeio pela Terra. Roupa é só um detalhe trivial.
— …Sinto que tô sendo manipulado, mas que seja. Suspiro… nunca pensei que acabaria usando algo assim… Não sei se devia ficar impressionado com o Yuuya por fazer isso comigo sem medo…
O Ouma-san soltou um suspiro e então continuou como se tivesse recuperado a compostura.
— Bem, tá bom. Posso sair com essa roupa, né?
— Isso mesmo. Bem, tem algumas outras coisas que você deve ter cuidado, tipo falar em público, usar magia, se descontrolar, voar, etc… Mas quanto à questão mais importante, acho que sua aparência tá boa.
— Hmph. Se você diz que isso não é suficiente, não vou te guiar até o lugar onde fica a fonte de energia que eu conheço.
— I-isso seria um problema…
Atualmente, o Ouma-san era o único que sabia onde uma fonte de energia pra nave espacial da Merl-san podia estar localizada. Seria difícil pra mim e pra Yuti acharmos ela no outro mundo sozinhos.
Então, a Merl-san, que tinha estado observando quietamente nossa troca, ergueu a mão.
— (Um, sei que não devia usar demais, mas já que o Ouma-san tá nos guiando até a localização da fonte de energia… se a identidade dele for descoberta na Terra, posso usar meu terminal pra apagar todos os registros dele da Terra.)
— …Quanto mais escuto sobre isso, mais incrível parece.
A própria existência da Merl-san, incluindo as memórias de todo mundo e registros eletrônicos, foram apagados só operando o terminal no braço dela.
— Mas se a Merl-san tá disposta a ir tão longe assim, então podemos sair com o Ouma-san com mais segurança.
— Ah, que ótimo! Então vamos imediatamente───.
— Ah! Mas não podemos ir agora, sabia? Amanhã é o primeiro dia de aula, então preciso me preparar pra isso… Além disso, o Ouma-san gostaria de sair de manhã, não gostaria?
— Mmm. Isso também é verdade.
Decidi sair com o Ouma-san, mas primeiro tenho que preparar o jantar. Então o Ouma-san queria comer curry, então decidi ir às compras pelos ingredientes.
Nesse momento, a Merl-san expressou interesse pela Terra, então decidiu dar um passeio ao redor antes do Ouma-san.
…Bem, o Ouma-san reclamou na hora, mas era realmente difícil levar o Ouma-san conosco pro supermercado, então pedi pra ele ficar em casa mais uma vez.
***
— E-ei, olha…
— O que é, o que é?
— O que aconteceu? Hã…
— Um…
— (Hmm? O que é?)
Quando pensei sobre isso, percebi que a Merl-san tava vestida de um jeito que não parecia terráqueo, e o cabelo dela tava todo brilhante. Especialmente agora que era de noite, o brilho do cabelo dela se destacava ainda mais, chamando o olhar de muitas pessoas na rua.
Fico pensando se foi uma boa ideia trazer ela junto…? Ela definitivamente se destacava, e… a roupa dela parece um collant de corpo inteiro, então acho que é bem perigoso.
No entanto, a própria Merl-san não parecia particularmente preocupada com os olhares das pessoas ao redor e tava totalmente indiferente.
— Um, você tá bem? Tá se destacando…
— (Fico pensando o que me faz me destacar?)
— Eh? Um… quer dizer, o jeito que seu cabelo tá brilhando…?
— (Hã… É um fenômeno bem comum no planeta Amel… Você tá certo; os terráqueos não brilham. Por que será?)
— Por que, você diz?
Nunca pensei que seria perguntado isso! P-por que a gente não brilha…?
Já que a pergunta foi feita tão seriamente, não consegui evitar pensar seriamente, mas não consegui chegar numa resposta. O espaço é incrível.
Enquanto íamos em direção ao supermercado, atraindo a atenção das pessoas ao redor, de repente fui abordado por uma voz.
— Ora, ora? Yuuya-san?
— Eh? Ah, Kaori!
E então encontrei a Kaori, que provavelmente tava voltando das compras. Mas diferente de antes, a Kaori tava cercada por um grupo de mulheres que tinham algum tipo de presença misteriosa.
— Um, quem são essas pessoas ao seu redor?
— Ah… esses são os guarda-costas que meu pai preparou pra mim.
— Guarda-costas? Aconteceu alguma coisa?
Quando perguntei isso a ela, a Kaori ficou sombria por um momento e então imediatamente sorriu vagamente.
— N-não, nada em particular… Mas meu pai tem enfrentado algumas perturbações ultimamente, então ele designou eles como meus guarda-costas.
— E-entendi…?
Se você me perguntar, a Terra também tem sido perigosa… ultimamente? Bem, por minha causa, alienígenas têm visitado a Terra, então realmente virou uma bagunça. Sinto muito por todo mundo na Terra.
Além disso, pra gente rica como a Kaori, pode ter perigos escondidos na vida cotidiana deles que eu não entendia. Teriam ameaças, sequestros, pedidos de resgate, e assim por diante… Isso é só o esperado. Mas isso não é um drama, no entanto.
A força de uma pessoa não pode ser conhecida sem usar minha skill [Identification], mas as mulheres designadas como guarda-costas da Kaori pareciam ter… uma presença forte.
Então a Kaori se aproximou de mim um pouco confusa.
— Então, um… quem é aquela mulher?
— Ah… essa é a Merl-san.
— Merl… um, ela não é desse mundo, é? Ela é do outro mundo?
A Kaori sentiu algo e perguntou isso com voz baixa, mas respondi com um sorriso amargo.
— Isso… Ela não é nem da Terra nem do outro mundo; ela é uma alienígena.
— Eh?
A Kaori arregalou os olhos e encarou a Merl-san como se não esperasse aquela resposta.
— E-ela tá vestida com um design meio de ficção científica mesmo… M-mas, ela é realmente uma alienígena?
— É. Pra ser honesto, eu mesmo ainda não acredito muito nisso… mas aparentemente, ela é.
A Kaori ficou surpresa com minha explicação.
Então, a Merl-san, que tinha estado olhando ao redor enquanto eu falava com a Kaori, torceu a cabeça e falou comigo.
— (Por que você não termina suas compras logo? Acho que sua família tá esperando por você…)
— Ah! Isso mesmo. Até mais, Kaori!
— Eh? S-sim…
Depois de me despedir da Kaori, me apressei em direção ao supermercado.
— …Yuuya-san, seu círculo de conhecidos se expandiu pro universo…
A Kaori, que tava nos observando de longe, murmurou algumas palavras, mas elas não chegaram aos meus ouvidos.
— Ojou-sama. Acho que é hora de voltarmos. Também tem o assunto da carta de ameaça…
— …Sim, isso mesmo. Agora que resolvi meus assuntos, vamos pra casa. Suspiro… espero que a Kasumi também esteja bem…
***
— (! I-isso é… tão delicioso!)
— F-fico feliz em ouvir isso.
— Compreensão. Mesmo que eu não entenda uma palavra do que você acabou de dizer, eu entendo. A comida do Yuuya é deliciosa.
— Que ótimo. A comida desse mundo é realmente empolgante. Repete, por favor!
— Sim, sim.
Enquanto preparava mais uma porção de curry pro Ouma-san, refleti sobre os acontecimentos de hoje.
Depois de amanhã é o dia que vou pro outro mundo, então surgiu a questão do que fazer com a Merl-san a partir de hoje. Originalmente, ela poderia ter ficado na nave espacial em que veio, mas o ataque dos Dragonia tinha desativado os motores, então ela teve que ficar na minha casa até voltar pro planeta dela.
Felizmente, minha casa era grande o suficiente só pra mim, e tenho bastante espaço, então não é um problema.
Fiquei pensando se havia alguma diferença entre a Merl-san e as pessoas da Terra em termos de comer e dormir, mas parecia que ela conseguia comer as mesmas refeições que todo mundo e tinha o hábito de dormir num futon.
Bem, parecia que os futons não eram iguais às camas e colchões que ela tava acostumada, mas com o item de drop, o [Paradise Futon], qualquer um consegue ter uma ótima noite de sono, então não tem problema.
Então, dito isso, eles ainda tavam comendo o curry que eu tinha feito pra eles, e a Merl-san tava levando o curry até a boca com um brilho nos olhos.
— (Nunca comi nada tão delicioso quanto isso antes. A Terra… pode ser um planeta remoto, mas é realmente um lugar maravilhoso.)
— Haha… Um, que tipo de comida você costuma comer, Merl-san?
— (Eu? Isso mesmo… Bem, se eu fosse comparar com o que a gente come no nosso planeta, diria que é mais como um bloco de comida nutricional ou suplemento.)
— Eh… é isso mesmo que você come?
— (Sim. Apesar do sabor, eles fornecem todos os nutrientes e calorias necessários.)
Que decepção; eu tava meio interessado na culinária espacial.
No entanto, como eu podia meio que imaginar pelos collants justos como os usados pela Merl-san e pelos alienígenas Dragonia, quanto mais a ciência e a tecnologia avançam, mais tudo muda pra uma forma mais eficiente.
Como resultado, cozinhar virou só uma forma de preparar nutrientes…
— Deixa eu ver… ainda tem bastante curry pra todo mundo, então não hesita em comer.
— (Sim!)
Assim como pensei quando conheci o Ouma-san, as empresas de comida japonesas são realmente incríveis. Foi o que pensei.