Switch Mode

Isekai de Cheat Skill – Volume 8 Capítulo 4

Capítulo 4 – First Walk

💗 Apoie o Nihon Project

Vire um apoiador mensal e ajude a manter as traduções saindo, com prioridade de capítulo e outras recompensas.

Apoiar no Apoia.se

Capítulo 4 – First Walk

No dia seguinte.

Quando cheguei na Ousei Academy pro primeiro dia de aula, todo mundo me cumprimentou com a mesma atitude animada. Enquanto eu me sentava depois de cumprimentar todo mundo um por um, o Ryo e o Kurata Shingo-kun vieram até mim.

— Yuuya! Bom dia!

— B-bom dia, Yuuya-kun.

— Ah, Ryo e Shingo-kun! Bom dia pra vocês dois.

— Há quanto tempo… parece estranho, mas faz um tempo desde que saímos juntos na praia. Tá curtindo suas férias de verão?

— É. Como vocês dois tão indo?

— Fui pra casa da minha avó e fui numa festa de parente, então não consegui sair muito. Bem, fico feliz que todo mundo tá bem.

— E-eu tenho jogado com o pessoal do clube de jogos. Também teve muito anime no verão…

— Entendi; vocês dois tão se divertindo.

No meu caso, nem encontrei meus pais, muito menos parentes, então é difícil dizer. Fico pensando o que todo mundo tá fazendo agora. Deve ser difícil, especialmente pro Youta e pra Sora…

Enquanto eu pensava nisso conversando com o Ryo e os outros, a Kazama Kaede entrou animada.

— Bom dia! Há quanto tempo, gente! Como vocês tão?

— Bom dia, Kaede. Um monte de coisa aconteceu depois que fomos na praia, mas tô bem.

Ilustração

— Hã? Fiquei um pouco curiosa com a parte do “monte de coisa.” Né, Yukine?

— …Bom dia.

— Ah, Rin-chan! Yukine-chan!

Então, a Kanzaki Rin e a Hyoudou Yukine se reuniram ao redor da minha carteira, e ficou meio animado.

…Acho que é muito bom.

Nunca tive o prazer de conversar com ninguém na escola desse jeito antes, mas é realmente divertido colocar o papo em dia sobre o que tá acontecendo com todo mundo e ter conversas casuais assim.

Bem quando pensei que a batalha contra o Evil tinha acabado e eu podia passar meu tempo em paz, agora tô enrolado numa briga espacial.

Aliás, pedi pra Merl-san ficar em casa hoje. Realmente não quero tirar os olhos dela por muito tempo, mas acho que não tem jeito.

Agora que tô tentando trazer algo do outro mundo pra usar como combustível pra nave espacial, não deve ter problema em particular.

Além disso, tem o Night e os outros.

Enquanto eu pensava nisso, a Kaori apareceu na nossa sala.

— …Ah, gente!

— Eh? Kaori! Bom dia.

— Sim, bom dia! Encontrei o Yuuya-san por acaso ontem, mas faz um tempo que não vejo todo mundo.

Depois que a Kaori terminou de cumprimentar todo mundo, ela me perguntou em segredo.

— Aliás, um… aquela mulher que tava com o Yuuya-san ontem, ela ainda…?

— Hmm? Sim, a Merl-san ainda tá na minha casa. Acho que ela vai ficar na minha casa até a nave espacial dela ser consertada… Bem, ouvi dizer que o Ouma-san sabe onde achar algo que pode ser usado como combustível pra nave espacial, então acho que não vai demorar.

— É-é assim? Um… não aconteceu nada, aconteceu?

— Hmm…?

O que é… aquilo que bagunçou minha casa? Ou é o próprio ataque alienígena?

Tem muita coisa maluca acontecendo perto da minha casa no momento…

Enquanto eu ponderava o significado da pergunta da Kaori, a Kaede percebeu o que a gente tava fazendo.

— Ei, ei, do que vocês dois tão falando? Parece que vocês tão sussurrando um pro outro…

— Eh?

— Oyaoya? Será que vocês dois tão namorando escondido?

— Eh? S-sério!?

A Rin comentou escandalosamente, e a Kaede, que levou as palavras a sério, gritou chocada.

— I-isso não é verdade! Tenho um conhecido ficando na minha casa agora, e a Kaori acabou encontrando essa pessoa ontem, então a gente só tava falando sobre isso.

— I-isso mesmo!

A Kaori também disse isso, e por algum motivo, a Kaede mostrou um profundo alívio.

— F-fico tão aliviada… só tava───.

— Só?

— N-não é nada! Ahahaha.

Ela parecia meio distraída, mas se a Kaede diz isso, é melhor não perguntar mais. Em contraste com a Kaede, a Rin mostrou um olhar deliberado de decepção.

— O quê? Que chato.

— Mesmo que você diga que é chato…

— …Mas, quem é essa pessoa que tá ficando na sua casa?

Quando a Yukine soltou isso, a Kaede retomou a conversa de novo.

— I-isso mesmo! A pessoa que tá ficando lá no momento, p-poderia ser… uma mulher…?

— Eh? I-isso… um… como eu digo isso…?

— Ah… Yuuya? Você não consegue mais disfarçar isso, consegue?

— De jeito nenhum!

— A-acho que consigo encobrir isso…

O Ryo e o Shingo-kun tinham um sorriso amargo no rosto… mas eu não percebi que eles já sabiam antes de eu tentar enganá-los…

— Um… bem, ela tá temporariamente na minha casa agora, do mesmo jeito que a Yuti tá na minha casa.

— Ah. Você quer dizer aquela nova aluna transferida de quem todo mundo tá falando?

— I-incrível, né? Ela foi popular no ensino fundamental no primeiro dia dela, e agora ela é popular no ensino médio também…

— Eh, o que aconteceu com a Yuti?

— E-então o Yuuya-kun que mora com ela nem sabe sobre isso…

Bem, tem um certo ar de estranheza sobre a Yuti, e as habilidades físicas dela, como discípula da Bow Saint, são excelentes em muitos aspectos.

Ultimamente, a Kaori tem ensinado ela o senso comum do nosso mundo, então ela não age mais de forma escandalosa, mas mesmo assim, as partes naturais que ela mostra num momento inesperado fazem as pessoas se sentirem mais à vontade com ela.

De qualquer forma, fico feliz que todo mundo parece ter aceitado ela.

Uma vez que a conversa saiu do assunto, rapidamente perguntei a todo mundo sobre isso.

— Bem, vocês disseram antes que tavam se encontrando com parentes, mas mais alguém visitou vocês ou saiu com vocês?

A Kaori então respondeu minha pergunta com uma expressão feliz no rosto.

— Ah, minha irmã caçula tá voltando pra casa amanhã!

— Eh, sua irmã caçula?

— Kaori, você tem uma irmã caçula?

Não só eu, mas todo mundo também parecia nunca ter ouvido falar disso e ficaram surpresos com as palavras da Kaori.

— Sim! Minha irmã caçula tem seguido minha mãe no exterior a trabalho, e ela tá atualmente estudando numa escola no exterior…

— Sua mãe também trabalha no exterior, hein…

— …Quanto mais escuto sobre isso, mais parece uma família incrível.

— É realmente incrível.

Quando a Kaede e os outros murmuraram isso sinceramente, a Kaori continuou apressadamente.

— N-não! Meu pai e minha mãe são realmente extraordinários, mas eu não chego nem perto! Minha irmã também tá se esforçando no exterior, e como irmã mais velha, não posso perder!

Acho que já é incrível ela conseguir pensar assim, mas acho que essa é a força da Kaori.

Quando os membros da família são realizados, é natural pensar que você também é ótimo. Acho que é difícil pensar em si mesmo como separado da própria família. É algo que eu gostaria de aprender.

A Kaori tinha estado falando animadamente sobre receber a irmã de volta, mas a expressão dela de repente ficou sombria.

— Hmm? O que foi?

— Não, é só que… tô realmente feliz que minha irmã caçula tá voltando pra casa, mas ultimamente meu pai tem recebido muitas cartas de ameaça.

— Cartas de ameaça?

Todos ficamos surpresos com o conteúdo inesperado. Cartas de ameaça não são… perturbadoras demais?

— Sim. Exigia dinheiro… Se meu pai não pagasse, a vida da filha dele estaria em perigo…

— I-isso tá tudo bem?

— Tá tudo bem porque nada aconteceu ainda, mas… por causa disso, temos aumentado o número de guardas ultimamente.

— Ah, entendi…

Não é à toa que tinha tanta gente guardando a Kaori ontem.

Felizmente, dei à Kaori um anel de crise, que pode ser difícil de usar na escola, mas se ela usar regularmente, ela vai conseguir se transferir pra minha casa instantaneamente se algo der errado. Enquanto isso, ela deve ter cuidado enquanto tá na escola.

— Então, pra garantir, eu realmente não quero que minha irmã caçula volte pra casa… mas já que a gente não consegue se ver muito frequentemente, e já que ela é mais briguenta que eu… ela não quer perder pras ameaças…

— S-sua irmã é bem incrível…

Ela não queria ser derrotada pelas cartas. A Kaori também tem um caráter forte, mas ela nunca se sentiu particularmente determinada, o que é estranho. Em termos de personalidade, a Kaori é como o Tsukasa-san? Os dois parecem ser calmos e controlados.

— Quando minha irmã tá voltando, meu pai preparou guardas apropriados no aeroporto, então contanto que nada aconteça com ela antes de chegar no aeroporto, acho que ela vai ficar bem…

A Kaori parecia meio inquieta, mas parecia estar realmente ansiosa pra ver a irmã dela e parecia feliz. Espero que tudo fique bem.

Enquanto todo mundo dava notícias um pro outro, a hora da chamada tava se aproximando, então eles voltaram pras respectivas salas e carteiras pra se preparar pras aulas.

***

— Yuuya! O que você tá fazendo? Vamos rápido!

— P-por favor espera um minuto!

O dia depois do dia de aula. Como prometido, eu ia sair da casa na Terra com o Ouma-san de manhã.

Já que o Ouma-san finalmente conseguiu sair, sugeri que a gente saísse todos juntos, incluindo o Night e os outros, mas eles decidiram ficar em casa dessa vez pra que o Ouma-san pudesse curtir a Terra à vontade.

Parece que a Yuti tinha feito uma promessa com a amiga dela no dia de escola, e ela ia passar o dia com a amiga. É exatamente como pensei ontem — fico feliz em ver que ela tá fazendo amigos.

No entanto, a Merl-san queria observar a Terra de novo, então nós três — Ouma-san, Merl-san, e eu — decidimos sair dessa vez. Se as pessoas descobrissem a identidade do Ouma-san, a Merl-san apagaria as memórias e informações delas, então era bem tranquilizador tê-la por perto.

Segurei apressadamente o Ouma-san, que tava prestes a sair correndo imediatamente, e avisei ele mais uma vez.

— Ouma-san! Você não pode falar quando estamos lá fora!

— Hmm? Eu sei. Só vou precisar fazer isso de qualquer jeito.

— Eh?

O Ouma-san de repente virou o olhar pra Merl-san e pra mim e fechou a boca.

Mas───.

— Tá tudo bem falar assim, né?

— Whoa!

Isso é… isso é uma forma de telepatia…?

Que surpresa, a voz do Ouma-san ressoou diretamente na minha mente!

O rosto do Ouma-san tava cheio de orgulho enquanto ele olhava pra nós, que estávamos surpresos.

— Fufun. Assim, consigo falar sem usar a boca, sabia?

— I-isso mesmo. …Aliás, a gente também consegue falar um com o outro pela mente?

— Sim. Dessa vez, lancei um feitiço no Yuuya e na garotinha, então não vai ser problema pra gente se comunicar mentalmente enquanto tamos lá fora… Mas, diferente de mim, se vocês passarem o tempo em silêncio, as pessoas vão olhar estranho pra vocês, não vão?

— I-isso também é verdade.

Se a gente só tiver conversas na mente, do ponto de vista das outras pessoas, tamos só andando em silêncio. Independente de falar com o Ouma-san ou até com a Merl-san, vai parecer estranho pras pessoas ao redor se a gente não falar com elas também.

Por enquanto, só vou falar com o Ouma-san quando precisar, e vou tentar manter a conversa por telepatia.

— Bem, tanto faz. O problema tá resolvido agora, né? Vamos, bora lá!

— O-Ouma-san!

Assim que saímos de casa, de repente percebo que as pessoas ao redor tão olhando pra Merl-san de novo.

…Bem, isso é óbvio. Pra todos os efeitos, ela tá usando uma roupa avançada bem longe da moda moderna…

— Um… Merl-san. Fiquei pensando sobre isso ontem… É possível trocar essa roupa?

— (Por quê? Esse equipamento é um dos mais avançados disponíveis no universo…)

— N-não, um, quero dizer, na Terra, você ficaria bem chamativa com essa roupa…

— (Fumu… Do meu ponto de vista, a aparência dos terráqueos é muito mais primitiva e desatualizada.)

Que diabos. Da perspectiva espacial, nós é que somos desatualizados. Não sei o que é moda no espaço.

— (…Bem, acho que tudo bem. Agora, gostaria de coletar um pouco de dado sobre a roupa por aqui…)

Quando a Merl-san tocou o terminal no braço dela várias vezes, teve um som eletrônico leve, e então de repente, a roupa da Merl-san começou a brilhar!

— Espera… Merl-san!

— (Não se preocupa. Vou apagar instantaneamente as memórias de qualquer um que testemunhar essa cena.)

— Assustador!

Como esperado, a tecnologia espacial é assustadora! Tenho medo de manipulação de memória e tudo mais.

…Não tem efeito colateral nisso, né? Tô ficando com bastante medo.

Enquanto eu tava aterrorizado com a tecnologia alienígena, o brilho da roupa da Merl-san finalmente diminuiu, e ela se transformou numa roupa que parecia algo que uma mulher normal usaria.

— (Acho que é assim. Coletei informação da rede da Terra, então acho que não parece estranho…)

— S-sim. Acho que você não vai ter problema nenhum parecendo assim… Não sabia que a tecnologia espacial conseguia fazer isso.

— (Não é problema. Esse terminal coleta informação, e os nanomáquinas vão automaticamente trocar minha roupa pra combinar com a informação.)

— E-entendi. Aliás, você já apagou as memórias da pessoa que tava observando você se transformar?

— (Sim. Como lembrete, a tecnologia de manipulação de memória da Amel é muito avançada, então manipular memórias e informação não vai ter efeito negativo em nada.)

— E-entendi.

Graças a Deus! Tava pensando o que eu faria se ela dissesse que isso teria algum efeito colateral!

…O que posso dizer? A tecnologia da Merl-san e do povo dela parece já ter pisado no reino dos deuses, e de fato, quase qualquer coisa que acontece no mundo poderia ser resolvida com a tecnologia deles.

No entanto, se a Merl-san e o povo dela continuarem travando guerra com o planeta Dragonia, vai ser terrível se a Terra se envolver nisso…

Independente disso, a Merl-san agora tá vestida de um jeito apropriado pra andar pela Terra. Mas o cabelo dela ainda emite fosforescência, então não posso dizer que ela se misturou completamente com as pessoas da Terra…

— Ei, o que vocês tão fazendo? Vamos nos mexer!

Enquanto conversávamos sobre a roupa da Merl-san, o Ouma-san impaciente nos apressou. Nós o seguimos enquanto ele começou a correr.

— ──Oh!

Os olhos do Ouma-san brilharam com o ambiente desconhecido.

— Esse é o mundo onde o Yuuya vive, hein… A arquitetura e a roupa são diferentes daquele mundo.

— Bem, é. Especialmente porque o Japão é propenso a terremotos, muitos dos prédios são projetados pra resistir a terremotos…

— Terremoto?

— Hmm? Não existe isso no outro mundo? É tipo o chão tremendo…

— Mm? Claro, o chão treme quando eu ando nele… ……

— Não, não é bem assim… É porque as placas se sobrepõem no fundo, e o impacto delas se movendo faz o chão tremer. É um tipo de desastre.

— Ah, então existem desastres naturais assim…

Parece que não tem terremotos no outro mundo, e o Ouma-san nunca tinha ouvido falar disso. Era a mesma coisa pra Merl-san, que tava escutando a conversa com muito interesse.

— (Entendi. É um desastre exclusivo desse planeta?)

— É-é, é isso que é…? Bem, não sei sobre outros planetas, então não posso ter certeza…

— (Certo… No nosso planeta, tem um desastre chamado “tempestade estelar” que acontece periodicamente.)

— Tempestades estelares?

— (Sim. Acho que é o mesmo que um tornado na Terra, mas é um desastre onde asteroides à deriva no espaço passam por perto numa espiral, girando em alta velocidade.)

— Assustador!

Acho que eu seria moído só de tocar nisso. Você tá bem com isso?

A escala dos desastres no espaço também é bem diferente… Claro, terremotos também são apavorantes, mas…

Enquanto continuávamos com essa conversa, o Ouma-san reagiu a um carro andando na estrada.

— Mm? Yuuya, o que diabos é isso? Não sinto magia nenhuma nessa coisa.

— É um carro, sabia. Não é movido a magia; é movido a um combustível chamado gasolina.

— Como pode ser movido por outra coisa que não seja magia…?

— (Bem, é uma fonte de energia meio primitiva, né? Hoje em dia, o predominante é usar luz estelar como energia ou até poder mágico…)

— Heh… aliás, a nave espacial da Merl-san não funciona com essa luz estelar?

— (Sim, infelizmente… Não tenho as peças em mãos.)

Aparentemente, isso não vai funcionar.

Enquanto eu conversava com a Merl-san e admirava a tecnologia alienígena, de repente percebi algo e perguntei ao Ouma-san na minha mente.

— Falando nisso, Ouma-san, você não tá interessado no planeta da Merl-san e na nave espacial?

Sim, o planeta da Merl-san é definitivamente mais civilizado que a Terra, e acho que seria muito mais divertido do que ver a civilização da Terra…

Então o Ouma-san bufou.

— Hmph. Seria mentira dizer que não me incomoda, mas… é chato.

— C-chato?

— O planeta da garotinha avançou pra um nível de civilização que acho difícil de imaginar. A tecnologia no planeta dela tá perto do reino dos deuses.

— (Certo. Acredito que a maioria das coisas pode ser feita. Com nossa tecnologia, poderíamos estender a expectativa de vida das pessoas da Terra em mil anos, e não existe morte por doença no nosso planeta.)

— Eeh?

M-mil anos, você diz…? E não existe morte por doença?

O espaço é incrível.

— Não tem mais nada interessante nisso. Em comparação, essa Terra onde o Yuuya vive é uma civilização que minha imaginação mal consegue acompanhar, e cada coisinha nela é muito interessante.

— E-então é assim…

Não sei sobre isso, mas acho que uma TV que consegue projetar imagens à distância tá só dentro do limite da imaginação do Ouma-san. É uma coisa difícil de entender. Do meu ponto de vista, todas as coisas na Terra são naturais e convenientes, mas da perspectiva da Merl-san, elas devem ser todas ineficientes e inconvenientes. Ainda assim, da perspectiva da Merl-san, essas inconveniências podem ser primorosamente interessantes. É um reino que não entendo mais.

Então com isso em mente, o Ouma-san e a Merl-san continuaram a andar felizes, reagindo a tudo que viam, mas a figura do Ouma-san parecia se destacar, e as pessoas na rua olhavam pra ele com os olhos arregalados.

— Whoa? O-o que é isso? Esse pet…

— Wa… eh? Esse é o cara que apareceu na revista, né?

— Eh? Ah, é!

— Que animal é esse?

— Não sei? Parece um lagarto monitor, talvez?

— Entendi… um lagarto… monitor, hein…? Não sabia que existiam répteis parecidos com dragão assim…

— Quero dizer, sair pra passear com um lagarto assim é raro. Bem, um lagarto desse tamanho provavelmente precisa ser levado pra passear.

Eles olhavam pra ele curiosos, mas felizmente, eles não pareciam ficar enojados com ele, o que foi um alívio. Algumas pessoas não gostam de répteis. Bem, não sei se o Genesis Dragon pode ser classificado como réptil.

Bem quando eu tava prestes a me tranquilizar, uma das pessoas olhando pra mim de repente abriu a boca com desagrado.

— Não traz seus pets pra cidade. Você tá me incomodando…

— Ah?

Naquele momento, os olhos do Ouma-san de repente se afiaram, e ele tentou colocar uma pressão tremenda na pessoa que tinha acabado de murmurar aquelas palavras!

Fiquei tão em pânico que imediatamente o parei na minha mente.

— Para, Ouma-san, para! Você tá disfarçado de lagarto agora! E mesmo assim, se você perder o controle aqui, vai arruinar tudo!

— Mas, Yuuya. Aquele humano disse que eu tava incomodando…

— Eu entendo como você se sente, mas você tem que ter paciência aqui!

— Mm… tô irritado, mas… vou deixar passar só dessa vez…

Depois de um último olhar de raiva, o Ouma-san virou a cabeça pro outro lado.

Então, parece que minha contenção foi um pouco tarde demais, e o homem que tinha feito o comentário antes se afastou rapidamente com o rosto pálido. Sinto muito mesmo…

— Ah! É um lagarto!

— Eh?

— Mmm?

Enquanto continuávamos nosso passeio, atraímos a atenção das pessoas ao redor. Um grupo de crianças da creche, que também pareciam estar de passeio, notou o Ouma-san e ergueu a voz.

As crianças se aproximaram do Ouma-san sem medo.

— O-o que é?

— É o Lagarto-san!

— Incrível! Legal!

— É tão grande!

A professora da creche curvou a cabeça em desculpas pro Ouma-san perplexo, que de repente foi cercado por crianças.

— S-sinto muito! As crianças…

— Não, não, tá tudo bem.

— Ei, ei! Posso tocar?

— Eu, eu! Eu também vou tocar!

Então as crianças gritaram pra tocar no Ouma-san, e a professora parecia cada vez mais incomodada.

Eu os observei e falei com o Ouma-san na minha mente.

— Ei, Ouma-san. As crianças querem te tocar, tá tudo bem?

— O quê? Por que eu deveria permitir isso?

— Mas olha as crianças. Olha os olhos delas; tão tão animadas…

— Ugh?

Como eu disse, as crianças tavam morrendo de vontade de tocar no Ouma-san, e os olhos delas brilhavam enquanto o encaravam.

Como esperado, o Ouma-san não conseguiu suportar o olhar puro das crianças e assentiu relutantemente.

— Eei, não tem jeito… No entanto, vocês têm que moderar isso! Ainda quero curtir a Terra!

— Obrigado.

Agradeci ao Ouma-san e disse à professora da creche.

— Tá tudo bem tocar nele. Mas por favor não sejam muito brutos.

— Sinto muito mesmo… Olha, gente. Vamos revezar acariciando ele com cuidado.

— “““Sim!”“”

As crianças responderam animadamente e se revezaram tocando o corpo do Ouma-san.

— Whoa! Tão macio!

— Tão legal! Parece um dragão!

— É tão grosso!

— E-ei, já chega, né? Né?

— Bem, bem. Só mais um pouquinho.

— Não, mas… Ei, criança! Não aperta minha cauda tão forte! Ah, não toca no meu chifre assim descuidadamente! Você vai se machucar! Ei, não se empolga tanto!

O Ouma-san arrogante e convencido vacilou na frente das crianças. Depois que as crianças ficaram satisfeitas com alguns toques, elas sorriram.

— Obrigada, Onii-chan!

— Tchau, tchau, Lagarto-san!

— Sinto muito mesmo… Muito obrigada.

— Não, não. Fico feliz que elas curtiram também.

Depois de acenar tchau pras crianças e pras professoras da creche, que se curvaram repetidamente, o Ouma-san se deitou no lugar, parecendo exausto.

— A-aquelas crianças são destemidas… Nunca pensei que elas seriam tão sem reservas comigo…

— Mas elas não eram fofas?

— …Bem, acho que sim. Diferente daquelas pessoas feias que envelheceram desnecessariamente, as crianças são puras e boas. Bem, tem uma certa imprudência que vem com ser criança.

Mmm, idade desperdiçada é… não que não existam adultos assim, mas.

Alguns momentos depois, o Ouma-san se levantou e começou a andar de novo, recuperando a compostura.

— Agora, ainda vamos. Me segue de perto!

— Sim, sim.

A Merl-san e eu seguimos o Ouma-san enquanto ele continuava seu caminho.

***

Mesmo depois que nos separamos das crianças da creche, fomos frequentemente abordados por pessoas que queriam saber mais sobre o Ouma-san.

Algumas delas eram conhecedoras de répteis, e perguntavam ansiosamente sobre o Ouma-san, que obviamente não era uma criatura da Terra, mas essas pessoas tinham as memórias sobre o Ouma-san apagadas pelo terminal preso no braço da Merl-san.

Se não fosse controlado, poderia levar a situações problemáticas tipo, “Nova espécie descoberta!” e fiquei grato por isso porque teria acabado sendo problemático. A tecnologia espacial é realmente incrível.

Enquanto tudo isso acontecia, decidimos fazer uma pausa num café perto dali.

O Ouma-san queria um bolo, então comprei um e coloquei na frente dele.

Teve um problema com mostrar o Ouma-san comendo o bolo, então fiz ele usar um manto pra se esconder. No entanto, da perspectiva das outras pessoas, ia parecer que o bolo no chão tava desaparecendo sozinho. Claro, me certifiquei de que o bolo não ficasse visível pros outros.

— Não entendo por que tem que ser escondido da vista… Umu, delicioso!

— (É realmente delicioso. Em termos de nutrição, é ineficiente, e comer demais disso pode ser prejudicial pra saúde, mas em termos de sabor, é muito bom.)

Ilustração

— F-fico feliz que você tá gostando.

O Ouma-san continuou comendo o bolo, com a boca coberta de creme.

— Então, o que você quer fazer depois disso? O lugar é… Bem, não acho que você saiba nada sobre a Terra, mas você quer ir a algum lugar?

— Umu, é… Preferia ir a um lugar com bastante gente.

— Eh, um lugar com bastante gente?

— É.

Fiquei surpreso com o pedido inesperado do Ouma-san. Sempre tive a impressão que ele odiava estar em lugares lotados.

— Hmm? Não me entende mal. Também não gosto de lugares barulhentos.

— E-então por quê?

— É simples. Achei que seria divertido ir a um lugar onde muita gente desse mundo se reúne.

— Entendi…

No momento, eu tava dando um passeio pelo meu bairro, mas como o Ouma-san disse, se a gente fosse a um lugar com bastante gente, teria bastante coisa pra fazer. Não sei no que o Ouma-san tá realmente interessado, mas se ele quer ir, eu só vou junto.

— Entendo. Então, vamos a um lugar com bastante gente.

— Umu!

Se fosse realmente o caso, eu podia levar ele a um parque de diversões, um zoológico, ou um aquário, mas como esperado, é meio longe da minha casa, então vou deixar pra lá dessa vez. Além disso, mesmo se a gente conseguisse entrar no parque, não tem garantia de que eu conseguiria levar o Ouma-san pra todas as atrações.

Então retomamos nosso passeio, e como o Ouma-san pediu, chegamos numa área central movimentada…

— O-oh! O que é toda essa gente aqui? Tem um festival acontecendo?

— Não, é assim todo dia.

— Todo dia? Por quê?

— P-por quê, você pergunta…?

Bem, pensando puramente sobre isso, é porque tem várias instalações de compras aqui?

Tava pensando seriamente sobre o motivo de ter tanta gente nesse lugar, e então o Ouma-san falou na minha mente de novo.

— Ei, Yuuya! O que é isso?

— Eh? Ah, isso é uma tela grande.

O que interessou o Ouma-san foi a TV grande embutida na parede do prédio. Parecia estar transmitindo notícias no momento.

— Hoho… esse é o tipo de coisa que se pode achar na Terra.

— (Quando a tecnologia fica um pouco mais avançada, vira um holograma.)

— O que é isso?

— (É uma tecnologia que cria imagens tridimensionais ao invés de só projetar numa tela assim.)

— …Ainda não entendo sua tecnologia. E não interfere no meu prazer de assistir ao show.

— (…S-sinto muito.)

A Merl-san desviou o olhar meio desconfortável enquanto o Ouma-san a encarava.

Da perspectiva da Merl-san, o cenário aqui provavelmente tá cheio de coisas desatualizadas.

Enquanto eu pensava sobre isso, o Ouma de repente me perguntou.

— Aliás, Yuuya. O que é um sequestro?

— Eh?

Fiquei sobressaltado com a palavra ultrajante repentina, mas o Ouma-san continuou encarando a tela grande.

— O que era aquele sequestro na… tela grande? A única coisa que apareceu lá foi algo sobre sequestro. É só isso que vão mostrar?

— N-não, não é bem assim, mas…

Quando virei minha atenção pra tela grande, o apresentador de notícias relatou que um dos aviões com destino ao Japão tinha sido sequestrado.

— Notícia de última hora. Atualmente, um avião programado pra chegar no aeroporto XXX foi sequestrado───.

— Sequestrado.

— Sério? Isso não é ruim?

— Quero dizer, isso é possível mesmo?

Enquanto as pessoas ao redor olhavam pra cima na notícia na tela grande, tive um mau pressentimento sobre isso.

Então o apresentador confirmou meu mau pressentimento.

— ───Os sequestradores estão exigindo um resgate da família Houjou, uma das famílias mais ricas do Japão, pelas pessoas a bordo do avião.

— !

Houjou…? A família da Kaori!

Se bem me lembro, ela disse que a irmã dela devia voltar hoje, mas… será que…

Enquanto eu ficava paralisado com o conteúdo da notícia, o Ouma-san me perguntou de novo.

— O que tá acontecendo? Yuuya. E o que é sequestro, afinal?

— …Tem aviões que voam no céu carregando pessoas nesse planeta, e criminosos os sequestram.

— Entendi… Em outras palavras, o avião foi sequestrado e tá em apuros agora. Então por que você tá tão pálido?

— É que… o avião que tá sendo sequestrado agora parece ter a família da Kaori, que o Ouma-san também já conheceu antes, a bordo…

Quero ir ajudar ela de alguma forma. Mas como eu faço isso…?

Não tenho como voar no céu. Tem uma chance de eu usar magia, mas mesmo enquanto eu tô tomando o tempo pra fazer isso…

— No que você tá pensando? Você devia só ir.

— Mas como eu chego no céu…?

— Yuuya. Quem você acha que eu sou?

— Eh? ──De jeito nenhum!

Enquanto meus olhos se arregalavam de surpresa, o Ouma-san sorriu maliciosamente pra mim.

— Bem ─ vamos curtir o céu azul da Terra…!

***

──A Houjou Kasumi estava encarando um dos sequestradores na frente dela.

Contrastando com a imagem limpa e arrumada da Kaori, o corte de cabelo curto da Kasumi com pontas repartidas pra fora dava uma impressão meio animada.

Em contraste, os sequestradores todos usavam máscaras de esqui e estavam armados com armas.

— …Vocês sabem quem eu sou?

— É, claro que sei quem você é. Você é a filha de uma das famílias mais ricas do mundo, a família Houjou, que se ramificou em vários campos no Japão, incluindo administração escolar, né? E a culpa é do seu pai por ignorar todas as cartas de ameaça que mandamos pra ele. Então, se sequestrarmos você, podemos coletar o dinheiro do resgate.

— Não vai ser tão fácil assim.

— Hmph. Que coisa mal-educada de se dizer pra uma garota rica.

— Isso já é suficiente pra gente como vocês.

— ───Não nos irrita demais, tá? Se você quer voltar pra casa inteira, quero dizer.

— !

Com a arma apontada na cabeça dela, a Kasumi quis gritar, mas ela segurou e encarou o sequestrador na frente dela. Ela morava no exterior com a mãe e só tinha a chance de ver o pai Tsukasa e a irmã Kaori algumas vezes por ano, quando eles tiravam férias.

Embora o Tsukasa tivesse dito pra ela não voltar dessa vez por causa das cartas de ameaça que tinham sido enviadas pra casa deles, ela não queria perder essa rara oportunidade de ver a irmã mais velha, então ela embarcou no avião pro Japão.

Claro, ela tinha contratado uma escolta pra garantir que tudo ficasse seguro no avião…

No entanto, os sequestradores se passaram não só por passageiros mas também por membros da tripulação, e neutralizaram as escoltas da Kasumi uma atrás da outra.

Normalmente, a Kasumi tinha um temperamento forte como o da mãe, mas agora ela tava quieta. Era difícil pra uma estudante do ensino fundamental como a Kasumi permanecer forte numa situação onde até os adultos tavam com medo.

O homem segurando a arma na cabeça dela bufou enquanto a Kasumi encarava o criminoso com toda a força dela.

— Hah. Isso foi fofo. Na melhor das hipóteses, você pode ser uma refém pra gente ganhar dinheiro.

Então outro homem fez uma pergunta.

— Ei, se a gente conseguir o dinheiro, será que vamos mesmo devolver ela? Quero dizer, ela é tão fofa quando você olha o rosto dela; que desperdício, né?

— !?

O homem soltou um suspiro enquanto a Kasumi se enrijecia com o olhar desagradável que de repente foi direcionado a ela.

— Hmph… Não entendo como você consegue desejar uma criança assim. Bem, não tô dizendo que vou devolver ela quando a gente conseguir o que quer. Depois de conseguir o que a gente quer, você pode fazer o que quiser com ela.

— Hyahh! Tô ficando animado!

A Kasumi se enrijeceu cada vez mais contra o homem que dava a ela o olhar mais vil. Enquanto os sequestradores continuavam o ataque desprezível deles, a Kasumi fechou os olhos e rezou pra ajuda chegar.

— (Pai, Nee-chan, me ajudem…!)

Foi então que a Kasumi de repente percebeu a janela atrás dela.

— (Se eu pudesse só pular por essa janela…)

Mesmo sabendo que era impossível, ela não conseguia evitar pensar sobre isso enquanto olhava pela janela… Foi quando aconteceu.

— …..Eh?

Do lado de fora da janela, ela viu duas pessoas, um homem jovem, e uma mulher, que estavam paralelos ao horizonte.

— Eh, wa… Eh?

Isso é no céu, né? Por que tem gente? O que tá acontecendo mesmo?

A Kasumi tá confusa.

Um deles, o jovem, notou a Kasumi e acenou a mão pra ela com um sorriso amargo.

A Kasumi balançou a cabeça em pânico quando o jovem acenou a mão, pegando ela de surpresa.

O que tá acontecendo? Tinha um homem muito bonito e uma mulher com cabelo estranho do lado de fora da janela, mas… será que é alucinação minha?

Enquanto a Kasumi continuava confusa sozinha, o avião de repente balançou forte.

— Kyaa!

— O-o que?

— Ei, só pilota essa porcaria direito!

Os sequestradores também gritaram com o balanço repentino quando um deles veio correndo da cabine.

— E-escutem! Não sei por quê, mas o avião pousou!

— Hã?

— O que você quer dizer com pousou…? Tamos no céu!

— M-mas é verdade! Não consigo controlar o avião de jeito nenhum, e ele não se move do lugar como se tivesse pousado!

Os sequestradores correram imediatamente até a janela pra olhar pra fora.

Então───.

— O-o que diabos é isso…?

— Ei, ei, que terreno acidentado é esse?

— Isso nem é terra? É roxo escuro e… não parece certo pra mim!

O tumulto se espalhou não só entre os sequestradores e a Kasumi mas também entre os outros passageiros, levando a um enorme alvoroço.

— Tsk… Ei, seus desgraçados! Vão lá e calem a boca dos passageiros!

— C-certo.

No momento em que os sequestradores tentaram correr até o lugar onde os outros passageiros estavam───.

— Guaaaaahh?

— Wa?

Um dos sequestradores, que devia estar indo em direção aos passageiros agora mesmo, foi jogado pra trás com força.

Enquanto todo mundo ficava confuso com a situação incompreensível, um homem se aproximou da Kasumi.

Era───.

— Ah, o cara de antes!

— Ah, sim.

Quando a Kasumi apontou pra ele, ele sorriu como se estivesse com problema.

***

──Isso foi antes de eu invadir o avião correndo.

Nos mudamos do centro da cidade pra um parque perto dali. Com um sorriso travesso no rosto, o Ouma-san propôs uma ideia ridícula: ele voltaria ao tamanho normal dele e nos faria montar nas costas dele e então voaria até embaixo do avião sequestrado.

De fato, se ele fizesse isso, poderíamos voar pelo céu sem problema nenhum, mas a existência do Ouma-san definitivamente seria exposta…

— Do que você tá se preocupando? A máquina daquela garotinha consegue apagar memórias humanas de qualquer jeito.

— (Sim, consigo apagar.)

— Como você consegue ser tão casual assim?

Claro, não importa se não tem efeitos colaterais! Mas não fala sobre apagar memórias tão facilmente assim!

— M-mas se os sequestradores perderem o controle e derrubarem o avião…

— Então eu só ia manter ele nas minhas costas.

— O quê?

Quando congelei diante dessa afirmação ultrajante, o Ouma-san continuou.

— Você lembra por que eu tô desse tamanho, primeiro lugar, né?

— S-sim. É o efeito do [Pill of Large and Small Changes]… Ah!

— Você percebeu? Tomando aquela pílula, consigo ficar até maior que meu tamanho original. Se eu fizer isso, vou conseguir colocar o avião nas minhas costas.

A forma original do Ouma-san já era mais que grande o suficiente, mas se ele ficasse ainda maior… não consigo imaginar como seria.

— Claro, se eu só colocar nas minhas costas, o vento vai soprar ele pra longe. Vou usar minha magia pra manter ele no lugar.

— Ouma-san, você é incrível!

— Fuhahaha! Eu sei, eu sei! Sou o Genesis Dragon, afinal!

— Ah, isso mesmo!

— Você tá esquecendo isso?

Não, não é que eu esqueci disso, mas… não tive muita chance de ver do que ele é capaz como o Genesis Dragon.

— B-bem, isso não é bom? Então vamos direto nessa!

— Mm… Parece que você meio que evitou a pergunta de alguma forma… mas tudo bem. Então, se afasta um pouco…!

Quando o Ouma-san tirou a roupa de pet, ele cresceu cada vez mais no lugar.

As pessoas ao redor arregalaram os olhos diante do tamanho enorme do Ouma-san, já que ele não tava mais tentando se esconder das pessoas.

— O-o que é isso?

— O que diabos tá acontecendo aqui?

— N-não pode ser? Um dragão?

— Ei… tira uma foto!

Enquanto todo mundo corria pra tirar fotos e vídeos, a Merl-san pulou nas costas do Ouma-san já aumentado e disse simplesmente.

— (Tá bom, vou apagar então.)

— Eh ── ah…

— H-hã…?

Os olhos das pessoas por perto gradualmente ficaram vazios, e elas começaram a encarar vagamente. Eh, não tem efeito colateral mesmo, né? Isso realmente tá tudo bem, né?

— O que você tá fazendo? Sobe nas minhas costas agora.

— (Isso mesmo. A consciência deles tá nublada pelos efeitos da manipulação de memória agora, mas se eles acordarem de novo, vou ter que apagar as memórias deles de novo…)

— E-entendi!

Mesmo que não tenha efeito colateral, não seria bom ter sua memória manipulada repetidamente.

Rapidamente pulei nas costas do Ouma-san, e ele sorriu.

— Agora que você tá a bordo. Então───

— P-por favor espera! Se eu não me segurar direito, o vento vai───

Bem quando pensei que o Ouma-san tinha acabado de abrir as asas… já távamos acima das nuvens.

— N-não pode ser…

— Hmph. Não sou só um dragão qualquer que você acha por aí. Não é grande coisa voar assim pelo céu.

— (I-incrível…)

Não senti o movimento enquanto voávamos pro céu, e num instante, távamos acima das nuvens.

A Merl-san parecia estar surpresa e pasma com isso.

— (Q-quem diabos é o Ouma-san exatamente…? Como ele consegue voar tão alto num instante…?)

— Hmm. Não tem como os outros medirem quem eu sou, sabia? Mais importante… consigo ver agora.

— Eh?

As palavras do Ouma-san chamaram minha atenção e olhei pra frente pra ver um avião.

— Esse é o avião que foi sequestrado?

— Isso mesmo. Ouma-san, você consegue voar ao lado dele? Gostaria de checar a situação lá dentro pela janela…

— Tá bem.

O Ouma-san silenciosamente acelerou e instantaneamente ficou ao lado do avião. O voo foi tão suave que não senti o menor solavanco.

— Como tá? Como é lá dentro…?

— Um…

Quando olhei pela janela, vi um grupo de homens usando máscaras de esqui, segurando armas, e andando por aí, indicando claramente que eram criminosos.

— …É, parece que eles estão nesse avião───

Bem quando eu tava prestes a dizer isso, vi uma garota me notar do lado de fora da janela e me encarar maravilhada. A garota parecia tão espantada que sorri e acenei a mão levemente.

A garota fez o mesmo e acenou de volta, mas então imediatamente balançou a cabeça. Aparentemente, ela não conseguia acreditar no que tava vendo. Acho que isso é compreensível. Se eu tivesse no lugar dela, também duvidaria dos meus olhos e do meu cérebro.

— Hmm? Ei, Yuuya. Qual é o resultado?

— Ah, desculpa! Esse é o avião certo!

— Entendi. Então vou usar magia de contenção imediatamente pra prender esse avião nas minhas costas…!

Assim que disse isso, a figura do Ouma-san cresceu cada vez mais até ficar tão enorme que parecia uma ilha.

Então, apesar de ser tão gigantesco, ele se moveu bem embaixo do avião sem fazer barulho nenhum e então flutuou até o céu pra colocar o avião nas costas.

O Ouma-san ativou a magia dele pra prender o avião nas costas.

— …Umu. A contenção foi completada sem problema nenhum. Você cuida do interior.

— E-entendido!

Tive a ajuda do Ouma-san até esse ponto. Não posso falhar na minha parte.

Enquanto me aproximava do avião pra embarcar, percebi algo.

— …Como eu tô supostamente entrando nesse avião?

Isso mesmo; não tenho nenhuma forma de entrar no avião.

Se eu simplesmente arrombasse a porta, conseguiria entrar, mas se fizesse isso, tem a chance da pressão do ar ou algo assim sugar as coisas pra fora da cabine, tipo nos filmes.

Já que a Merl-san e eu conseguimos ficar de pé nas costas do Ouma-san sem problema nenhum, parece que o Ouma-san cuidou da pressão do ar e da pressão do vento, mas quero ter certeza.

Então, a Merl-san abriu a boca.

— (Você só precisa entrar nesse avião, né?)

— Eh? Ah, sim. Você consegue fazer alguma coisa sobre isso? Mas mesmo se você fizer, gostaria de garantir que não tenha perigo nenhum pros passageiros lá dentro…

— (Por favor deixa isso comigo. A tecnologia da Amel tá bem à frente da desse planeta.)

A tecnologia espacial é tão incrível. Não, nesse caso, é o planeta Amel que é incrível? De qualquer forma, só posso agradecer à Merl-san pela tecnologia dela.

Quando a Merl-san operou levemente o terminal no lugar, algo tipo um vórtice apareceu no portão de embarque do avião.

— (Se você mergulhar por isso, consegue entrar.)

— Muito obrigado!

Enquanto agradecia à Merl-san, entrei apressadamente no avião e tentei chegar até os homens com máscaras de esqui que eu tinha visto antes.

Enquanto fazia isso, andei pelo corredor de passageiros, e os olhos de todo mundo se arregalaram com o aparecimento repentino de mim e da Merl-san.

— O-o quê?

— De onde vocês vieram?

Então, um dos homens de máscara de esqui apareceu do outro lado do corredor.

— O quê? Ei, por que vocês tão andando por───

O homem disse alguma coisa enquanto erguia a arma, mas não escutei ele até o fim. Fechei a distância entre a gente e desferi um golpe de palma no corpo do homem.

— Guaaaaahhhh!

— O quê?

O homem foi jogado longe, quebrando as paredes do avião e caindo numa certa área. Tinham outros homens de máscara de esqui que pareciam estar com o homem, assim como uma garota.

— Ah, o cara de antes!

— Ah, sim.

A garota apontou pra mim e gritou, ao que respondi erguendo a mão.

Mas quando os homens me viram, todos ergueram as armas de uma vez. Então, um deles puxou a garota mais perto e apontou a arma pra ela.

— Ei, não se mexe!

— …..

— Quem é você…? Você é algum tipo de força especial? Você tem muita coragem de vir aqui com só duas pessoas, hein? Não sei como você chegou aqui, mas você precisa se desarmar e colocar a cabeça no chão. Se você não fizer isso, essa mulher vai───

Enquanto o homem dizia isso, ele aproximou ainda mais a arma da garota, e o rosto da garota se contraiu de medo.

Naquele momento, liberei todo o poder do [Magic Attire], do Evil e do [Holy King’s Authority]. Num instante, me aproximei do homem que segurava a garota como refém, e o joguei pra longe e peguei a garota nos meus braços.

— Gugyaaahhh!

— Eh?

— Você tá bem?

A garota não parecia entender o que tinha acontecido e me encarou atordoada, mas eventualmente, ela percebeu a situação dela e assentiu enquanto o rosto ficava vermelho.

Hã? Essa garota parece meio parecida com a Kaori…

— Será que você é a… da Kaori?

— Eh!? V-você conhece minha irmã?

— Ah, não… ahahaha.

A garota que ouviu meu murmúrio arregalou os olhos e me encarou. Fiquei só surpreso que escapou da minha boca.

Ri diante da reação da garota como se fosse pra encobrir isso, mas eu tinha que lidar com essa situação primeiro. Mas por enquanto, fico feliz que ela tá bem.

— Merl-san, posso pedir pra você cuidar dessa garota?

— (Sim, vou cuidar dela.)

Deixei a garota aos cuidados da Merl-san e virei meu olhar pros sequestradores, que estavam atordoados não só com o resgate instantâneo da refém mas também com a derrota dos companheiros deles.

— Vocês são os únicos que sobraram…?

— O quê? E-ei, seus caras! Matem eles agora!

— M-mas o resgate…

— Não importa! O plano falhou! Vamos eliminar todos eles! Só faz isso!

— C-certo!

Os homens pegaram o que parecia ser metralhadoras e atiraram sem piedade em nossa direção.

Eles atiravam descontroladamente sem se importar com os outros passageiros ou com o avião, e se continuassem, poderiam quebrar as janelas do avião e causar dano aos outros passageiros.

Então cuidadosamente recuperei todas as balas que tinham sido disparadas.

Agora que ativei meu [Magic Attire], o Evil, e até o [Holy King’s Authority], a velocidade das balas tá bem lenta, e tenho bastante tempo pra recolher elas sem causar dano ao meu redor.

Os homens continuaram atirando as balas deles, e quando finalmente ficaram sem munição, os rostos deles ficaram pálidos.

— E-ei, o que tá acontecendo com… por que os passageiros e o avião tão ilesos…!

— E-ele não é humano… isso não é o mundo de mangá…!

Posso realmente ser irracional da perspectiva deles. Mas se eu consigo salvar a vida de alguém, não me importaria com o método.

— ──Haah!

Joguei fora as balas que tinha recolhido no lugar, e dessa vez coloquei os homens inconscientes um atrás do outro e finalmente consegui restringir eles, incluindo os sequestradores que estavam na cabine.

***

— I-tô tão cansado…

Depois que todos os sequestradores foram contidos, e o avião foi assegurado com segurança, rapidamente voltei com a Merl-san até o Ouma-san e saímos do lugar.

— Ah, Merl-san, desculpa, mas você pode por favor apagar a memória de todo mundo lá sobre o Ouma-san?

— (Sim. Vou cuidar disso.)

— Muito obrigado! Fiu… que alívio.

Isso deve cuidar da limpeza.

O Ouma-san parecia estar mais satisfeito com a viagem aérea do que esperado, e depois de derrotar os sequestradores, voltamos e decidimos descansar em casa.

— Não esperava me mexer tanto…

No final, como resultado de colocar a segurança da garota como prioridade máxima, até ativei o [Holy King’s Authority] mesmo não tendo mais Evil.

— Mas nunca pensei que veria a irmã da Kaori numa situação dessas.

Fico feliz que consegui salvar todo mundo, incluindo a irmã da Kaori, graças a eu ter ativado o [Holy King’s Authority].

Enquanto eu relaxava em casa, a Yuti voltou de brincar com as amigas hoje.

— Voltando pra casa. Cheguei.

— Ah, bem-vinda de volta.

— …Pergunta. Yuuya, você tava num avião hoje?

— Eh?

Quando congelei com a pergunta inesperada, a Yuti continuou.

— Eu assisti. Quando tava brincando com a Haruna e os outros, ouvi a notícia. O sequestro de um avião já era um grande alvoroço, mas agora um único rapaz derrotou os sequestradores e resolveu o problema.

— O quê?

Isso é ridículo! A Merl-san com certeza tem as memórias relacionadas ao Ouma-san───.

— A… Aaaahhh! Merl-san, quando eu digo “relacionado ao Ouma-san,” isso não me inclui?

Enquanto eu gritava, a Merl-san se aproximou de mim, torcendo a cabeça.

— (Tem algum problema?)

— Um, você apagou a memória relacionada ao Ouma-san, né?

— (Sim, isso mesmo. Apaguei completamente todas as memórias relacionadas ao Ouma-san.)

— Sobre o Ouma-san, você diz…? P-poderia ser, porém, que sobre a Merl-san e eu…?

— (Hmm? Não apaguei isso.)

— Eu sabia, aaaaahhh!

Em outras palavras, ela apagou as memórias relacionadas ao Ouma-san, que conseguiu prender o avião nas costas e voou graciosamente pelo céu, mas ela não apagou a memória relacionada a mim, que lutei com os sequestradores dentro do avião.

— Merl-san! Por favor apaga essa memória também, agora mesmo!

— (…Isso vai ser difícil.)

— …..Eh?

— (Memórias e registros precisam ser apagados o mais rápido possível depois do evento ter acontecido. Dessa vez, não dá mais pra apagar já que bastante tempo já passou…)

— N-não pooode seeer!

Tava esperando um pouco mais de ajuda da tecnologia espacial…!

— Convencida. Eu sabia que era o Yuuya.

— Ugh… O-o que eu faço… Mas, agora que penso sobre isso, eu me movi pra um lugar onde os passageiros estavam bem cedo, então eles não viram meu rosto tanto assim… né?

As únicas pessoas que viram meu rosto são os sequestradores que derrotei e a irmã da Kaori, que resgatei. V-vai ficar tudo bem. Acredito que não vai ser grande coisa…!

Mesmo sentindo no fundo que já era tarde demais, disse isso a mim mesmo.

***

— ──Kasumi!

— Pai, Nee-chan…!

Ilustração

Quando a Houjou Kasumi chegou em segurança no aeroporto, tinha muita gente lá, incluindo a polícia e a mídia. No meio de tudo isso, a Kasumi encontrou o pai Tsukasa e a irmã Kaori primeiro e correu até eles.

O Tsukasa abraçou a Kasumi fortemente.

— Que bom… que bom mesmo…

— É-é… desculpa por preocupar vocês…

A Kasumi, que normalmente era animada e determinada, tava bem sombria nesse momento.

No entanto, o Tsukasa balançou a cabeça lentamente e sorriu calorosamente.

— Não, só tô feliz que a Kasumi tá segura.

— É…

— Aliás, ouvi dizer que um rapaz derrotou os sequestradores?

Quando o Tsukasa perguntou, os olhos da Kasumi brilharam como se a tristeza anterior tivesse sido mentira.

— Sim, sim! É incrível! Um Onii-san muito bonito e uma Onee-san de cabelo estranho apareceram do nada, e o Onii-san derrotou os sequestradores num instante!

— U-ugh… É difícil de acreditar, mas os outros passageiros também disseram que viram um rapaz e uma garota.

O Tsukasa só conseguiu gemer diante da situação irreal. Mas a Kaori teve uma ideia de quem seria o rapaz e murmurou pra si mesma consternada.

— Uma mulher com cabelo incomum…? Não me diz que… Yuuya-san…?

— Aquele Onii-san era tão legal! Será que a gente consegue se encontrar de novo?

— Eh?

A Kaori reagiu às palavras da Kasumi, que foram murmuradas de um jeito meio sonhador.

— Hmm? Nee-chan, o que foi?

— Eh? N-não é nada! Mais importante, tô muito feliz que a Kasumi tá segura…

— É, valeu, Nee-chan.

A Kasumi sorriu constrangida enquanto abraçava a Kaori, e disse animadamente.

— ──Cheguei!

— “““Bem-vinda de volta!”“”

Dessa forma, a felicidade da família Houjou foi preservada graças aos esforços do Yuuya.


💚 Gostou do capítulo?

Um PIX rápido ajuda demais a manter o site no ar. Arrecadado esse mês: R$ ...

Fazer um PIX

Comentários

Opções

não funciona no modo escuro
Redefinir