Capítulo 100 – A Fundação do País e a Construção do Castelo
Já se passou uma semana desde o tumulto da rebelião no Império. Sua Majestade o Imperador me elogiou como o herói que debelou a rebelião e salvou a capital imperial. Em termos de posição oficial, sou "um aventureiro de Belfast" que salvou "a capital imperial".
Aproveitando a ocasião, foi anunciada a amizade e aliança com Belfast, e, ao mesmo tempo, foi autorizada a fundação do "Principado de Brunhild", com território dividido dos dois países. O soberano sou eu mesmo.
Todo mundo pareceu surpreso com a fundação da nova nação, mas, no estado atual, é só uma planície sem nada. O interesse não durou muito. Bom, também não pretendo fazer nada com pressa, então tá tranquilo. Mesmo chamando de país, não tem nada lá, e também não tenho plano nenhum de mudar cidadãos pra lá. Vou pensar nisso como se tivesse ganhado uma terra gigante fora da lei. Talvez eu faça uma plantação ou um pomar, no máximo.
O anúncio do noivado com a Yumina e com a Lu foi adiado. Do lado de Belfast, minha posição muda dependendo de a criança que a Rainha Yuel vai ter ser menino ou menina. Por isso, o anúncio do noivado com a Yumina ficou adiado, e ficou decidido que também não seria bom anunciar só o da Lu.
O General Bazur e alguns oficiais do Exército foram executados. É totalmente crime de traição, então é meio natural, digamos assim. Quanto à "Pulseira Suga-Magia" e à "Pulseira de Barreira" recuperadas do general, são objetos que causaram um tumulto desse tamanho. Pode aparecer mais gente com a mesma ambição. Tanto Belfast quanto Regulus concordaram que aquilo só serviria como semente de conflito, então acabaram sendo destruídas.
Não era uma situação em que eu podia dizer "na verdade isso aí é herança de Babylon, e eu que tenho a posse". Cheguei a pensar em trocar por uma falsificação feita na "Oficina", mas enganar o Rei e o Imperador desse jeito também não é lá muito certo. Afinal, ainda que só de nome, eles vão virar meus sogros.
Amassei as duas pulseiras com [Gravity] na frente de Suas Majestades. Foi uma pena mesmo, hein…
Bom, com o território dividido e cedido pelos dois países, o país foi fundado.
— …No fim, você vai se mudar pra aquele país?
— Hã? Não tenho esse plano, não?
Respondendo à pergunta da Lindsey, bebo o chá preto que o Lime-san trouxe pra sala. É que é inconveniente, né. A capital é bem mais prática.
— Mas, mesmo estando tudo bem por ora, este servo acha que, de qualquer forma, o senhor vai acabar se mudando.
— Hã? Por quê?
— Bobo. Depois de anunciar o noivado com a Yumina e a Lucia, se você continuar morando aqui, vão achar que você tá do lado de Belfast, não vão?
Ah, é verdade. Do lado do Império, isso não deve ser lá muito legal. Bom, já que tenho [Gate], dá pra ir tanto pra capital de Belfast quanto pra capital imperial num instante, então também dá pra dizer que não tem problema.
— Então só resta morar em Brunhild mesmo. O que eu faço, hein… Será que teletransporto essa casa inteira pra lá?
— Não seria melhor deixar esta aqui como base na capital? Como embaixada do Principado de Brunhild.
Ah, pensando bem, é isso mesmo. A Yumina tem razão. Então, quer dizer que vou precisar construir um lugar pra morar lá.
— Será que compro uma mansão em algum lugar e teletransporto pra Brunhild? Não, talvez seja melhor teletransportar uma das casas vazias que tem em Babylon…
— Já que é pra fazer, que tal construir um castelo de vez? Afinal, mesmo que só de nome, o Touya-sama é o rei daquele país; em vez de procurar uma mansão, seria mais bonito poder deixar do seu próprio jeito.
— Ah, boa ideia. Um castelo bem branquinho e bonito seria ótimo.
A Yumina responde à sugestão da Lu, e as duas começam a se empolgar, todas animadas. Elas se dão bem mesmo, hein. Essas duas, talvez por serem da mesma idade, andam sempre juntas ultimamente. Como o nascimento e a criação também são parecidos, talvez se identifiquem em algo. É bem melhor do que se dar mal, então, pra mim, é um alívio.
— Castelo, hein…
Conecto o smartphone à internet e faço uma busca de imagens por "castelo". Pá-pá-pá! Várias imagens de castelos diferentes surgem projetadas no ar.
— …Touya-san, o que é isso?
— É um catálogo de castelos… tipo uma enciclopédia ilustrada, digamos.
Respondo de forma vaga pra Lindsey, e vou passando as imagens uma atrás da outra.
— Tem até castelo parecido com o de Ishen, viu.
Como busquei só por "castelo", também entraram castelos japoneses. …Mas tem castelo de todo tipo, hein. Até um castelo chamado "Castelo de Stäket" tem. Talvez seja um bom exemplo pra mim, que uso [Slip].
— Esse castelo aqui é branquinho e bonito, viu…
O que chamou a atenção da Lu foi o Castelo de Hluboká, da Chéquia. De fato, é branco e bonito, mas…
— Não, mas… né? Não é grande demais? Afinal, a gente nem tem vassalo nenhum. Sendo tão grande assim, não acaba sendo mais inconveniente…?
— Hmm, pensando assim…
— Vamos construir primeiro um castelo pequeno, e ir ampliando conforme for precisando.
Só que, mesmo decidindo isso, eu mesmo não sei construir um castelo. Bom, se tiver material, dá pra fazer pelo menos a aparência externa com [Modeling], viu? Dá um trabalhão, mas dá. Só que o interior e tudo mais já é impossível. Numa foto só dá pra ver uma parte. Talvez desse pra usar o Castelo de Belfast como referência, mas quanto tempo isso ia levar…
— Será que não tem por aí algum castelo desocupado, de bom tamanho, largado?
— Prevendo justamente isso, senhor!
Bam! A Rosetta, de macacão de trabalho, invade a sala correndo. Uoh, que susto!
— Chegou a hora! Chegou a hora de mostrar a capacidade da "Oficina", senhor!
Ela cerra o punho com força e ergue pro céu. Que animação toda é essa, hein.
— Além da função de duplicação, a "Oficina" também vem com função de auto-remodelagem, senhor! Dá pra escanear um alvo e remodelar do jeito que o senhor quiser, fabricando na hora!
Munfft! A Rosetta explica tudo de uma vez, respirando forte. Função de auto-remodelagem? Dá pra remodelar o que é escaneado?
— Bom, vamos, senhor! Pra minha "Oficina"!
Levando a Lu, que não conseguia esconder o espanto por ver "Babylon" pela primeira vez, todos entramos no cubo branquinho, a "Oficina". Do chão, pequenos cubos vão se empilhando um atrás do outro, e, num piscar de olhos, algo parecido com um monitor se forma diante da Rosetta. Do mesmo jeito, uma cadeirinha se forma atrás. A Rosetta se senta na cadeira e toca o monitor.
— Por enquanto, vou escanear o castelo deste país, senhor.
Já deixei a Babylon posicionada sobre o castelo com antecedência. Graças à função furtiva, ninguém percebe. Mas o fato de não projetar nem sombra é estranho, não importa quantas vezes eu veja… …Vou parar de questionar magia. Vou ficar careca de tanto pensar.
No monitor à frente, aparece o Castelo de Belfast visto do alto. Assim que uma luz verde envolve o castelo por um instante, algo como uma imagem tridimensional do castelo surge na tela.
— Escaneamento concluído. Passando pra auto-remodelagem, senhor. Tem algum pedido?
A Rosetta se vira e pergunta isso pra gente.
— Pedido, digamos assim… vamos ver. Antes de mais nada, não precisa ser tão grande assim. Dá pra tirar alguns quartos?
— Entendido, senhor.
A Rosetta estende a mão sobre a imagem tridimensional, e várias partes do castelo vão sendo bastante reduzidas, ficando mais compacto. O design também vai mudando.
— Ah, e essa torre também pode tirar. E deixa o pátio interno um pouco mais espaçoso desse lado.
Conforme meus pedidos, o castelo vai mudando de forma de novo. Então é isso que é remodelagem. De fato, isso é bom. Os ajustes finos e as transformações a "Oficina" faz automaticamente.
— Vocês têm algum desejo também?
— Vejamos… Gostaria que a sacada fosse maior.
— Este servo gostaria de um dojô espaçoso dentro do castelo.
— Ah, então eu também quero uma arena de luta coberta!
— …Gostaria que a biblioteca fosse dividida em várias salas.
— Gostaria que o fosso fosse um pouco mais largo, com uma ponte levadiça grande.
Recebendo os pedidos de todo mundo, um atrás do outro, a forma do castelo vai mudando. Já não sobra nenhum vestígio do Castelo de Belfast original. É completamente outra coisa. Fosso, portão, ponte levadiça — não só o castelo, mas os prédios ao redor também vão mudando.
— Está assim bom, senhor?
— Sim, sem problema. E aí? Como que fabrica isso?
— A gente vai até o local, fabrica as peças de acordo com esses dados, transforma o terreno e depois teletransporta e monta tudo, senhor. Em três dias já fica pronto, senhor.
Uma coisa desse tamanho em três dias, é. Que incrível, essa "Oficina". Se usar isso, não dava pra fazer até uma cidade rapidinho?
— Se os materiais estiverem prontos, senhor.
— ………Hã?
Material… quer dizer… é? Do castelo? Peraí, como assim?
— "Material do castelo" quer dizer matéria-prima mesmo? Tipo mármore, tijolo?
— Não só isso; é preciso reunir todo o material necessário, desde vidro até madeira, metais como latão e ferro, e tecidos como seda, algodão e linho, senhor.
— Como assim, dá conta disso?!
Faz ideia do trabalho que dá reunir tudo isso?! Se for assim, não muda quase nada em relação a simplesmente pagar e mandar construir o castelo normalmente! Economiza só na mão de obra! Não, pra construir um castelo, o custo de mão de obra sozinho já deve ser uma fortuna, mas mesmo assim!
— Ééé, isso precisa ser material novinho em folha?
A Lu pergunta isso pra Rosetta, timidamente.
— O material é desmontado e reconstruído, então não tem problema ser velho, senhor. Só que o que já apodreceu demais não dá pra reconstruir, é claro.
— …Nesse caso, deve haver uma grande fortaleza abandonada no norte do Império. Se recolher ela inteira, acho que dá pra usar bem como material…
Entendi! Se usar algo que já foi castelo, o material necessário diminui bastante. Mesmo que o tecido esteja arruinado demais pra usar, pedra, metal e vidro devem servir se forem reconstruídos. Se é um castelo abandonado, não deve fazer diferença se sumir. Vou pedir permissão a Sua Majestade o Imperador e ir logo até esse castelo.
É aquele ditado, "quando pensar, faça". Bem quando estou pronto pra agir na hora, a própria Lu, que fez a sugestão, me detém com uma cara de quem sente muito.
— Ééé… aliás… na verdade, sobre essa fortaleza… ela dizem que… aparece coisa lá…
— …O que aparece?
— Fantasma, senhor.
Ah, qual é. Um castelo mal-assombrado… é isso?