Capítulo 99 – O Território e o Dinheiro do Casamento
— Não tem nada aqui, hein…
O que se vê é campo e floresta. E colinas, e montanhas ao longe. Perto, também corre um rio.
Viemos todos ver o terreno cedido pelos dois países, Belfast e Regulus, mas era uma terra sem nenhuma característica marcante. Bom, é bem melhor do que uma terra com características demais, né.
— Bom, então… Buscar. Mostrar bestas mágicas com possibilidade de fazer mal a pessoas.
— Entendido. Exibindo.
Pá! Surge o mapa da região, e, centrados na floresta, alfinetes vermelhos vão caindo, tototototó. Quanta coisa, hein!
Bom, é normal, já que é dois terços dos 23 distritos de Tóquio. E aí, o que eu faço com isso?
— Será que jogo uma magia de ataque em cima?
— Se for pra matar de uma vez uma quantidade dessas de bestas mágicas…
A Yumina franze a testa. Hmm, é verdade, ia virar um monte de cadáver, né… Mesmo que as carnívoras comam parte, se essa quantidade toda virasse carne de uma vez, normalmente não dava pra comer tudo. Ia virar um problemão com fedor de cadáver e tudo. Tem também a opção de mandar vivo pra outro lugar com [Gate], mas quem receber uma besta mágica que pode atacar gente também não ia gostar nada. Ah, teletransportar pro meio do mar também é uma opção.
— Mas algumas dessas bestas mágicas podem virar material, então seria um desperdício.
O que a Elsie diz faz sentido. Se dá dinheiro, é prejuízo não aproveitar. Teletransportar pro mar seria desperdício mesmo.
— Então vou chamar alguns com [Gate] e derrotar. Ah, nem precisa chamar, é só derrotar direto e teletransportar depois… E aí eu tiro o material… mas e os corpos, o que eu faço?
— Não seria melhor teletransportar, espalhado, pras florestas e montanhas por onde a gente já foi em pedido de extermínio? Vira comida pros animais de lá, e, se for floresta, também serve de nutriente pro solo.
Hmm, bom, não tem jeito mesmo. Parece mais fácil fazer do jeito que a Yae disse.
— Bom, então vamos. Travar alvo em tudo assim mesmo. Ativar [Shining Javelin].
— Entendido. Ativando [Shining Javelin].
— Finalmente acabou…
Ai, que saco. Ficar esfolando sem parar é cansativo demais. Como a parte de valor muda de besta pra besta, tem que ficar julgando toda hora se é presa, garra e tal. No meio do caminho, decidimos que só nós não daríamos conta, então trouxemos a Rebecca-san, o Logan-san e o Will da capital pra ajudar. Disse que metade do material esfolado ficaria com cada um, e eles ajudaram animados, o que foi uma mão na roda.
Do mesmo jeito, arrastei pra ajudar a Cecile-san, a empregada que também estava livre, o Fullio-san, o jardineiro, e, já que estava nessa, até o Lion-san, que estava de folga. Se fosse um bico, acho que foi um trabalho bem bem pago.
O Lion-san ficou esfolando, esfolando, esfolando sem parar; será que precisa de dinheiro pra alguma coisa? Com quase certeza, tem a ver com a Olga-san. Aliança de noivado, talvez?
Já a Lu, ao contrário, parece não estar acostumada com esse tipo de coisa, e tava tendo um certo trabalho, então ajudei e ensinei uns macetes. Fiquei surpreso de como ela pegou o jeito rápido, chegando logo a um nível razoável.
— Você é princesa, né. Deve ser sua primeira vez com isso, não é?
— Sim. Mas isso também é um aprendizado. Quero aprender de tudo um pouco e, logo, ser útil pro Touya-sama, igual às outras.

Dizendo isso com um sorriso despreocupado, faço um cafuné na cabeça da Lu, e ela cora, encabulada.
— Bom, agora não tem mais besta mágica perigosa por aqui.
Chamo o mapa de novo pra conferir. Por enquanto, nenhum alfinete caiu. De repente, me ocorre uma ideia, e busco também por seres humanos; descubro que, além de nós, tem um grupo de gente concentrado num canto da floresta. Será que mora alguém aqui? Ouvi dizer que esse lugar era perigoso demais pra ter gente morando.
— Pode ser… um bando de ladrões.
— Bando de ladrões?
O Lion-san murmura isso olhando pra tela.
— Dizem que ultimamente eles têm aparecido com frequência por essa região. Deve ser a base deles. Se não me engano, tem uma recompensa e tanto pela cabeça deles.
De fato, essa floresta é o lugar perfeito pra se esconder, já que ninguém se aproxima.
— …O que fazemos?
A Lindsey pergunta isso, mas não tem como deixar quieto. Afinal, mesmo que seja só de nome, este vai ser meu próprio país; se for mesmo um bando de ladrões, o melhor é exterminar logo.
— Bom, então vou lá.
— Posso ir junto?
Surpreendentemente, quem se ofereceu foi o Lion-san. Bom, não tenho motivo pra recusar. Deixo a seleção do material com o resto do pessoal e vou com ele até a base dos ladrões. É um lugar a menos de 30 minutos, então dá pra ir andando mesmo.
— E aí? Tá de olho na recompensa?
— Hã? Ah, haha. Notou mesmo, né?
O Lion-san coça a cabeça com um sorriso amarelo. Já na hora de esfolar dava pra sentir uma vibe forte de "quero ganhar dinheiro" vindo dele.
— Vai dar uma aliança de noivado pra Olga-san?
— Ah, não, essa parte já tá resolvida, já dei.
— Quê?!
Quem diria que já tinha pedido em casamento, isso me surpreendeu. O Lion-san, apesar de tudo, é sério, então deve ter sido um "namoro com foco em casamento" desde o início. Mas mesmo assim, não é rápido demais? …Ah, mas não sou eu quem tem moral pra falar isso.
— Ah… bom, parabéns então. Mas, aí, pra que precisa de dinheiro?
— Aah, é pra fundo de casamento, despesa de vida do começo, e, se der, gostaria de uma casa nova também…
O Lion-san dá um sorriso encabulado, mas parece feliz de algum jeito. Bom, entendo o sentimento. Mas, com tudo isso, realmente vai custar uma boa grana.
— Que tal pedir ajuda da família?
— Não, lá em casa o lema é "abra seu próprio caminho com as próprias forças", e do lado dela o credo é "dinheiro é coisa que se ganha com o próprio esforço"…
Aah… Militar de raiz e comerciante nato, né.
— Os dois moravam com a família, sabe. Eu sou o segundo filho, então, se for casar, preciso sair de casa.
— A Olga-san vai vir pra Belfast, né?
— Não dá pra eu herdar o negócio de comerciante dela, né. Mas, do jeito que as coisas estão indo, quem sabe quando vou conseguir trazer a Olga-san pra cá…
O Lion-san murmura isso soltando um suspiro. Hmm… eu podia até emprestar dinheiro pra ele, mas aí talvez o General Leon, pai dele, brigasse com ele por isso…
— Falando nisso, o que acontece com os bens que o bando de ladrões roubou?
— O que dá pra rastrear a origem volta pro dono. O resto vira posse de quem captura o bando. Senão, não tem vantagem nenhuma em exterminar bando de ladrões, e eles acabam ficando à solta por muito tempo.
— Quer dizer que, se o bando aqui na frente tiver bastante dinheiro guardado…
— Na verdade, é isso que estou esperando. Claro que o que dá pra identificar o dono, devolvo.
A não ser que seja algo bem especial, dificilmente dá pra identificar o dono, então ele deve ficar com quase tudo.
Seguindo o mapa, avançamos, e num canto da floresta aparece uma cabana malfeita. Deve ser a base do bando de ladrões.
— Quantos ladrões têm recompensa pela cabeça?
— Três. Um bando de três irmãos, ao que parece.
Conferindo o mapa, são três alfinetes. Parece que estão todos lá. O Lion-san saca da cintura a adaga que eu dei pra ele, e a lâmina se estende, virando espada longa.
Bom, então vou deixar isso com o Lion-san. Se eu participar também da caçada, a recompensa acaba tendo que ser dividida, né.
No fim, o bando de ladrões foi derrotado facilmente pelo Lion-san sozinho. Bom, "derrotado" é modo de dizer; foram só paralisados pelo modo atordoante da espada. Pelo visto, andavam ganhando um bom dinheiro, porque tinham bastante guardado. Com a cara toda satisfeita, o Lion-san amarra os ladrões e os leva pra capital atravessando o [Gate] que abri.
Junto o tesouro dos ladrões e guardo no [Storage] pra entregar pro Lion-san depois. Esmago a cabana da base com [Gravity]. Não quero que outro tipo esquisito venha morar lá de novo.
Ao voltar pro pessoal, a seleção do material já estava quase pronta. Junto cada parte num saco e guardo no [Storage]. Também escrevo o nome de cada um nos sacos da Rebecca-san, da Cecile-san e dos outros, e guardo. Convenhamos, essa quantidade toda seria pesado demais pra carregar andando.
De volta à capital, vou até o balcão de compra da guilda e abro o [Storage] no pátio pra vender o material esfolado. O funcionário responsável arregala os olhos com a quantidade absurda.
Enquanto esperam o valor da compra, levo a Lu de volta até a Prim-san, na recepção.
— Queria pedir o registro dessa menina na guilda. Ah, e também deve ter chegado um comunicado do Império.
— Ah, sim! Chegou, sim… Ééé, é verdade que você debelou sozinho a rebelião no Império?!
— Não foi exatamente sozinho, mas é verdade, sim.
— Uaaa… Então é verdade mesmo. O dono do "Tsukuyomi" é uma pessoa incrível, hein…
Ao lado da Prim-san impressionada, a Lu recebe explicações de outro funcionário da guilda. Pelo que fiquei sabendo, a Lu usa "duas espadas". Parece ter aprendido, num nível básico, junto com a Carol-san e as outras. Quanto a magia, parece que não tem atributo, então não consegue usar.
— Bom, então peço o cartão da guilda, por favor.
Entrego o cartão como a Prim-san pede. Ao receber, ela carimba o cartão, pom-pom, com um selo diferente do de sempre.
— O extermínio do demônio de alto nível desta vez foi confirmado pelo lado do Império. Como prova do extermínio de um demônio de alto nível, a guilda concede o título de "Demons Killer".
"Dragon Slayer", "Golem Buster", e agora "Demons Killer", é. Já acumulei bastante título, hein.
— Com isso, o senhor conquistou três títulos. E, como houve recomendação tanto do Reino de Belfast quanto do Império de Regulus, vamos promover o seu rangue. Parabéns.
— Hã? Sério?
O cartão da guilda devolvido estava prateado. Ooh, bonito. Pelo visto, já que o título em si é difícil de conquistar, e ainda por cima países se apresentaram como fiadores dessa força, a guilda não tem do que reclamar.
— Não, isso é incrível, viu?! Um aventureiro de rangue prata não aparece neste país há 18 anos!
…Sério? Pensando bem, é verdade que o mural de ouro e prata nunca tinha nada colado mesmo.
— Quando chega em rangue ouro ou prata, os pedidos já passam a vir quase todos diretamente da guilda, sabe.
Ah, é isso, então. Pedir pra rangue ouro ou prata não só significa um nível de dificuldade alto, como também deve limitar bastante quem consegue aceitar.
A Lu, com o registro concluído, me mostra o cartão preto da guilda, toda feliz.
Levo a Lu de volta ao pátio, e a avaliação da compra tinha acabado de terminar. A Rebecca-san e os outros, que já tinham trocado a própria parte por dinheiro, estão felizes com essa renda extra inesperada. A Cecile-san, o Fullio-san e os outros também estavam felizes. Bônus extra, né.
Peço pra separar e trocar por dinheiro a nossa parte e a do Lion-san, e, bem nessa hora, ele mesmo chega na guilda, então já entrego o dinheiro direto. Parece que ele conseguiu entregar o bando de ladrões sem problema. Como estava de folga, a recompensa também foi reconhecida como atividade particular, então conseguiu receber sem problema.
Separado do dinheiro da venda do material, entrego também o tesouro que o bando de ladrões tinha guardado. Ele também troca isso por dinheiro, e o Lion-san acaba com uma renda e tanto. Acho que já deve dar pro fundo de casamento.
Falando nisso, o que será que eu dou de presente de casamento pra ele? Vou combinar com todo mundo depois.