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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 101

O Castelo em Ruínas e o Fantasma

Capítulo 101 – O Castelo em Ruínas e o Fantasma

Dizem que aquela fortaleza já foi morada de um senhor feudal. Muito estimado pelo Imperador da época, esse senhor era, ao que consta, uma pessoa séria, querida pelos moradores da região, famosa por políticas generosas e bom governo.

Só que, num certo ponto, a personalidade desse senhor mudou completamente. Sua esposa amada faleceu. Depois disso, o senhor passou a se trancar no castelo, e, aos poucos, começaram a acontecer incidentes no feudo. Um atrás do outro, moradores começaram a desaparecer. E um dos moradores presenciou o próprio senhor sequestrando uma jovem da aldeia. Pra confirmar o que estava acontecendo, os moradores foram todos juntos até o castelo.

Só que não tinha guarda nenhum no portão do castelo, que deveria estar de vigia. E mais, dentro do castelo, não tinha ninguém, nem empregado, nem cavaleiro, nem servo. Os moradores, já desconfiados, viram na masmorra pilhas e pilhas e pilhas de cadáveres abandonados. O que o senhor vinha fazendo era pesquisar a magia secreta da "ressurreição dos mortos", pra trazer de volta a esposa amada. Empregados e outros que estavam no castelo viraram cobaia desse experimento, e, quando eles se esgotaram, ele passou a sequestrar moradores ao acaso pra continuar a pesquisa.

Os moradores, que fugiram por um triz, denunciaram tudo à capital imperial. O Imperador da época mandou soldados na hora, e o senhor foi capturado sem resistência. E foi executado ali mesmo.

Mas essa história não termina aí. Depois, novos senhores foram destacados pro castelo, mas o primeiro morreu de doença, o segundo caiu do cavalo numa cavalgada e morreu, o terceiro foi esfaqueado pela própria esposa — foram morrendo, um atrás do outro. Sem que ninguém soubesse dizer de onde veio, começou a circular o boato de que era maldição do antigo senhor. O quarto novo senhor se recusou a morar no castelo, e, no fim, o castelo ficou abandonado, largado.

Como era de se esperar, as vilas ao redor foram decaindo, e ninguém mais se aproximava. E esse castelo passou a ser cobiçado como esconderijo de bandidos e salteadores. Mas nenhum deles conseguiu continuar morando nesse castelo. Os bandidos capturados diziam todos, em uníssono:

— "Naquele castelo mora um fantasma."

— Então é aquele castelo ali…

— Parece que essa história é de uns cem anos atrás.

Castelo amaldiçoado, hein… É uma história bem comum, e talvez até desse medo se eu tivesse vindo de madrugada, mas, de dia, convenhamos, não dá medo nenhum. O céu está limpo, sem uma nuvem sequer. Refrescante.

Vieram os de sempre da turma da guilda, a Lu, que se juntou recentemente, e o trio de bestas invocadas Kohaku, Sango e Kokuyō. Vendo o castelo velho, erguido de forma sinistra à nossa frente, cruzo os braços sem querer. De fato, tem uma vibe de que pode aparecer alguma coisa.

— Já tenho permissão de Sua Majestade o Imperador, né?

— Sim. Disse que era livre pra demolir ou reconstruir, do jeito que eu quisesse.

Certo. Então vou levar o castelo inteiro sem cerimônia. Como é um castelo um pouco maior que o que a "Oficina" projetou, acho que não vai faltar material. Bom, se faltar, aí compro a diferença.

— Então vou abrir um [Gate] grande e teletransportar o castelo inteiro pra Brunhild.

— …Espera. Antes disso, acho melhor confirmar o interior do castelo. Pode ser que bandido, besta mágica ou morto-vivo tenham feito ninho aqui.

— E fantasma também, né.

A Elsie provoca, rindo, o conselho da Lindsey. Parece que ela não acredita na história de que aparece fantasma. Só que, apesar disso, o rosto dela parece meio contraído.

De fato, se tiver algum intruso lá dentro, é um problema. Por precaução, talvez seja melhor explorar o castelo pra confirmar.

Atravessamos o portão do castelo, entramos e chegamos ao saguão de entrada. Na penumbra, dava pra ver de leve teias de aranha e móveis cobertos de poeira.

— Bom, vamos nos dividir em três duplas e dar uma olhada geral. Se tiver alguma coisa, é só avisar pelo Kohaku ou pelo Sango. Yumina e Lu com o Kohaku, Lindsey e Yae com o Sango e o Kokuyō, e a Elsie vem comigo.

— Ah, é, boa ideia. E-então a gente começa por ali!

A Elsie, meio atrapalhada, sai andando rápido pra dentro. Mas logo estanca de repente e se vira pra mim.

— O-olha! Vamos, Touya!

Vendo isso, a Lindsey ri baixinho. Pelo visto, a irmã gêmea mais nova percebe tudo. Corro até a Elsie e sigo andando ao lado dela. Todo mundo também se espalha pelo castelo. Olhando pela janela, parece que as nuvens começaram a aparecer. Estava tão claro até agora mesmo.

— E aí, será que a Elsie-san tem medo de fantasma?

— Q-quê?! O-o que você tá falando?! Fa-fantasma, fantasma nem…!

— Ah, tem uma sombra branca atrás de você…

— Aaaaaaaaaah!?

A Elsie grita e se agarra em mim. Ai, dói, dói! Mais do que gostoso, dói! Isso não é um "abraço de urso"?!

— Foi… foi mal… era só cortina… me solta…!

— …Cortina?

Diante da Elsie, que se vira, uma cortina amarelada e esfarrapada balançava com a corrente de ar. Vendo aquilo, a Elsie solta o braço na hora e me liberta.

Uohh… achei que ia quebrar minha coluna…

— É-é só cortina, hein…

A Elsie solta um suspiro de alívio, levando a mão ao peito.

— Então tem medo mesmo.

— Ngh…

Ela se vira pra mim com o rosto todo vermelho. Abrindo e fechando a boca, parece estar procurando alguma desculpa.

— …Todo mundo tem uma coisa ou outra que dá medo, não tem?

— Bom, é verdade, mas… achei surpreendente.

— Eu tenho medo de coisa que não dá pra socar…

A Elsie vira o rosto pro lado, emburrada. O rosto ainda está vermelho. O motivo do medo é bem a cara dela, de um jeito engraçado.

Seguro a mão dela assim.

— Hyaa…?!

— Bom, não é algo pra esconder tanto assim. Se tem medo, eu seguro a sua mão desse jeito.

— ………Tá bom…

A Elsie balança a cabeça de leve. De mãos dadas, seguimos sentindo o ambiente ao redor, olhando quarto por quarto, confirmando se não tem ninguém. Esse castelo é bem espaçoso mesmo, hein. Cheio de poeira e teia de aranha por todo lado. Com tanta poeira e teia de aranha assim, será que realmente não tem nada nem ninguém aqui? Bem quando começo a pensar isso, algo se mexe com um estalo num canto do quarto.

— Hii?!

A Elsie se agarra no meu braço. Duas coisas macias se pressionam com força contra o meu braço. Boa jogada!

O rato que criou essa felicidade passageira sai correndo, esgueirando-se pra algum lugar fora do quarto.

— Era rato, hein…

— Rato não te dá medo, então.

Normalmente eu acharia que uma garota teria medo de rato e barata também, mas as garotas deste mundo são todas durões, de modo geral. Talvez uma coisa dessas não abale elas.

— Vamos dar uma olhada no segundo andar.

Ao subir a escada, no patamar tinha um retrato grande pendurado. Uma jovem na casa dos vinte, de vestido verde-claro, sentada numa cadeira, sorrindo. Será que essa é a esposa do senhor assassino? Aquele que tentou trazer ela de volta mesmo cometendo um massacre… Bom, de fato, é bonita. …E grande, também.

— O que você tá olhando?

— Hã? Ah, nada!?

A Elsie me lança um olhar de suspeita, e eu desvio os olhos. Ela não perde nem pra Yumina nem pra Lu, mas será que se incomoda por ser um pouco menor que a irmã? Não precisava se incomodar. Pelo toque de agora há pouco, posso afirmar com segurança que é o suficiente, viu?

Puxo a mão da Elsie como quem foge e sigo pro segundo andar. Olhando pra fora pelo corredor do segundo andar, o céu estava ainda mais nublado. Estava tão claro até agora mesmo.

— Kohaku, Sango, Kokuyō. Como tá aí? Alguma coisa diferente?

— Nada, senhor. Aqui, nada.

— Aqui também nada, viu.

— Só apareceu um punhado de rato. Que decepção.

Parece que do outro lado também não tem novidade. São seis pessoas rodando pelos quartos; se tivesse bandido, já teria fugido ou atacado. Além disso, pelo que vimos passando pelos quartos até agora, de jeito nenhum parece que alguém entrou ou saiu daqui há muito tempo. Afinal, até o corredor está cheio de poeira. Nossas pegadas ficam bem marcadas nela. Fosse animal ou pessoa, se tivesse algo aqui, devia deixar rastro.

— Então era boato mesmo?

— É verdade, né, fa-fantasma não existe mesmo, né?

— Hã? Tem o Wraith, chamado de "espírito vivo", o Phantom, chamado de "espírito ilusório", o Specter, chamado de "espírito maligno"… esses aí devem ser o que geralmente se chama de fantasma, foi a Lindsey que me contou ontem…

— Auauauá, não-tô-ou-vin-do-nadaaa!

A Elsie tapa os ouvidos pra não escutar o que eu falo. Que criança.

Parece que, neste mundo, mesmo que monstros espirituais tipo Wraith e Phantom sejam reconhecidos, ainda não foi comprovado se eles nascem de gente morta. Já Zombie, Ghoul e esse tipo de morto-vivo estão bem comprovados. Hã?

Aah, finalmente começou a chover. Olho pra fora, e a chuva já caía, fina. Será que não vai vazar água aqui? Não, já se passaram cem anos, então provavelmente vai vazar mesmo.

Avançamos pelo interior do castelo, agora incomparavelmente mais escuro do que quando entramos, com a Elsie grudada no meu braço, ainda mais firme que antes.

Por fim, no fim do corredor, surge uma porta dupla grande. Será o quarto do senhor?

Giro a maçaneta cheia de poeira e abro a porta, com um rangido "gigigigi".

É um quarto bem espaçoso, com o teto alto. Provavelmente, antigamente pendia dali um lustre luxuoso, mas agora está caído no chão, espalhado em pedacinhos. Deve ter enferrujado a ferragem. Ao lado da lareira, parcialmente desmoronada, tem algo parecido com um baú, e, em cima dele, vasos velhos enfileirados. No canto do quarto, uma armadura enferrujada, criando um clima difícil de descrever.

— Tem um clima meio ruim aqui…

A Elsie se agarra em mim, tremendo de medo. Mesmo com medo, ela tá sendo bem ousada, hein…

Na parede do quarto, tinha mais um retrato pendurado. Dessa vez, um homem robusto de barba, vestindo algo parecido com uniforme militar. E, ao lado, uma mulher de aparência discreta, num vestido discreto, acompanhando em silêncio. Será que é o tal senhor assassino? Não, não é. Os donos desse castelo mudaram mais três vezes depois disso. Provavelmente esse aqui é o último, o terceiro senhor.

De repente, sinto algo estranho.

…Ué? Não tá esquisito? Se essa é a esposa do terceiro senhor… ela não é grande.

— …Aconteceu alguma coisa?

— Não, aquele retrato de agora há pouco, no patamar da escada… não é essa pessoa aqui, né?

— Pensando bem…

Bem quando viro o olhar pra examinar o retrato de novo, a porta, que devia estar aberta, se fecha de golpe com um estrondo: Bam!

— Hyauuuu?!

A Elsie se agarra em mim com força, me abraçando apertado. Dói, dói, dói! Não me diga que ela tá usando [Boost]?!

— Será que foi o vento que fechou…?

— V-vento?

Sendo tão velho assim, tem corrente de ar, e não seria estranho se alguma parede tivesse um buraco em algum lugar. Hã?

Aguço os ouvidos, e ouço um som, cataclac, cataclac. Rato de novo?

Não, esse som é… os vasos? Os vasos tremem em vibrações pequenas. Não é terremoto nem nada, os vasos tremem sozinhos.

Por fim, um vaso salta com força e vem voando na nossa direção.

— Argh!

Desvio segurando a Elsie, e o vaso se choca na parede e se estilhaça. Isso é aquilo?! O clássico das histórias de fantasma, o tal Poltergeist?!

Outro vaso vem voando do mesmo jeito. Dessa vez, derrubo com a Brunhild. Aí, dessa vez, canetas e tesouras que estavam sobre a mesa, e livros que estavam na estante, vêm voando na nossa direção, um atrás do outro. Derrubo e corto tudo isso. Infelizmente, a Elsie não serve de nada nessa situação. Bem quando acho que o fenômeno de poltergeist já se acalmou, a armadura enferrujada do canto do quarto saca a espada e começa a se mexer.

— Ah, qual é…

Sem perceber quando, misturado à chuva forte que cai lá fora, um relâmpago pisca, e um trovão retumba em altíssimo volume.

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