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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 102

A Verdadeira Identidade e a Verdade do Caso

Capítulo 102 – A Verdadeira Identidade e a Verdade do Caso

Fazendo um barulho de "gatcha-gatcha", a armadura avança na minha direção, erguendo a espada.

— Luz, perfure; lança sagrada radiante: [Shining Javelin].

A lança de luz atravessa a armadura e segue atravessando até a parede. A armadura se estilhaça em pedaços, espalhando fragmentos pelo entorno.

— Maldito… invasor que profana meu castelo, receberá o castigo divino… vou matar… matar… se não quiser morrer, saia deste castelo…!

Uma voz ecoa no quarto, sem se saber de onde. Aliás, "se não quiser morrer, saia" é um espírito maligno bem gentil, hein. Esse tipo de coisa normalmente não devia ser sem discussão nenhuma, sem ouvir ninguém?

— Se sairmos quietinhos, você não vai nos fazer mal?

— Isso mesmo… se sair, não faço nada…

— Recuso.

Digo isso enquanto disparo, do mesmo jeito de antes, uma lança de luz na parede. Com um estrondo, um buraco enorme se abre na parede, e dá pra ver bem lá fora, com a chuva caindo forte.

— Kohaku, Sango, Kokuyō, avisem a todos pra evacuarem pra fora. Vai virar combate com o fantasma.

— Às ordens. Deixe as senhoras conosco.

— Aqui também entendido, viu~

Mando essa telepatia pro Kohaku e os outros, e disparo mais uma lança de luz. Na hora, a parede é atravessada até o quarto vizinho. Como estou disparando evitando os pilares principais, não deve ter perigo do teto desabar tão cedo.

— S-seu desgraçadooo! O-o que você tá fazendooo!

— De qualquer jeito, vou demolir isso aqui. Já que vira escombro mesmo, não tem problema.

— N-não pode ser… demolir este castelo?! Isso é um problema… n-não, para com issooo! Eu amaldiçoo, mato de maldição!

Tem algo estranho. Pra um espírito maligno, falta força, e desde agora há pouco não tem nada parecido com um contra-ataque.

— Ei, fantasma. Você é fantasma mesmo?

— G-glup. É-é isso mesmooo! Sou o fantasma que assombra este castelooo!

Ele acabou de fazer "glup", né. Isso se fala normalmente?

— Então, quer dizer que, se eu destruir este castelo por completo, você desaparece, né.

— Isso mesmoooo! Ah, n-não. Não é isso! Mesmo destruindo, não desapareço, n-não desapareço!!

O personagem desmoronou completamente, cara. Até a Elsie, que estava com medo até agora, está de boca aberta.

— Ei, fantasma. Você é quem, afinal? Se explicar direito, eu ouço. Senão, sem discussão nenhuma, este castelo vira um monte de escombro.

— …………………….

O fantasma não responde. Não sei quem é, mas é certo que está apegado a este castelo. Achei que tinha margem pra conversar.

— Se não tem nada pra falar, então isso aqui vira escombro…

— Aaaah! E-espera, espera! Entendi, entendi já…! Vou explicar direitinho, então venham até o patamar…

— O patamar?

Saímos do quarto do senhor, todo destruído, e voltamos pro patamar por onde já passamos. Continuava lá pendurado o quadro da mulher de vestido verde-esmeralda. Olho de novo pra essa mulher, agora de pé, fora da cadeira. …É grande mesmo, hein.

— …Ué?

— O que foi?

Não, esse retrato… É isso mesmo, não tem como esse ser a esposa do senhor assassino. Igual ao retrato de antes, os senhores já mudaram três vezes. Quem ia deixar pendurado o retrato da esposa de um senhor anterior? E mais, a mulher desse quadro… ela estava "sentada" na cadeira agora há pouco, né?!

Bem quando percebo esse fato, a mulher do quadro começa a se mexer, coloca a mão na moldura, passa por cima dela e sai atravessando pro "lado de cá".

— Ei-lô… pronto.

— Q-quê, quê, uma pessoa saiu do quadro?! Fa-fantasma?!

A Elsie se agarra em mim de novo. Sinceramente, a dor já está superando a sensação boa e macia, então já queria que ela parasse…

— Não sou fantasma, viu. Eu sou uma criatura mágica. Esta "moldura" é meu corpo verdadeiro, e este corpo aqui é uma ilusão.

Criatura mágica? Quer dizer um ser vivo gerado por magia? Coisas com uma vida temporária insuflada por magia, tipo Homúnculo e Golem, entram nessa categoria também, né. Mas uma moldura de quadro?

— Entendi, de fato, não tem como não confundir com fantasma. E aí? Por que tentou nos expulsar?

— É porque fico num apuro se profanarem este lugar, que nem os bandidos que vieram antes. Já que esta moldura é meu corpo verdadeiro, se ela for destruída, eu desapareço…

Falando nisso, os bandidos tinham feito ninho aqui algumas vezes tentando usar como base… Foi ela que expulsou eles?

— E aí, foi você também que matou os senhores um atrás do outro?

— N-não fui eu, viu! Eu não matei ninguém! O primeiro já estava doente e morreu de repente no meio da noite, o segundo foi só um acidente de queda de cavalo. O terceiro, o senhor e a esposa dele começaram uma briga de casal, e o senhor acabou esfaqueado. Bem ali perto.

Ela diz isso apontando pro lugar onde a Elsie está. "Hii?!", solta a Elsie um gritinho, dando um passo pra trás.

Então não foram todos mortos pelo fantasma do senhor assassino.

— Depois disso, ninguém mais veio. Algumas vezes vieram bandidos e destruíram o interior do castelo meio de gozação, e eu fiquei com medo de que quebrassem minha "moldura" também…

— Então você fingiu ser fantasma pra expulsar todo mundo.

A mulher da "moldura" balança a cabeça, concordando.

— Antes de mais nada, quem te criou?

— Eu sou uma das criaturas mágicas criadas por uma Doutora, na era da civilização antiga. Ah, a Doutora é uma mulher, meio excêntrica, mas um gênio e tanto…

— …Pera um pouco.

Doutora, mulher, excêntrica, gênio. Com esse tanto de palavra-chave ruim junta, só consigo imaginar o sorriso maroto daquela pessoa.

— …E o nome dessa Doutora?

— Doutora Regina Babylon, viu.

— Aquela desgraçada!

Não é bem "desgraçado" no sentido literal, mas! De novo?! Por que essa Doutora fica espalhando confusão por aí?! E ainda por cima, como assim, todo o ônus cai em cima de mim?! Aaah, francamente!!

………Não, não, calma. Vamos organizar a situação.

— Entendi que você é um ser criado pela Doutora Babylon. E aí, por que você tá aqui?

— Ééé, eu fiquei guardada por muito tempo num depósito que flutua no céu, mas a pessoa que administra lá é meio desastrada, e um dia… hmm, uns 320 anos atrás, talvez, essa pessoa acabou quebrando uma parede do depósito, sabe. Nessa hora, eu e mais alguns outros itens mágicos caímos pro chão. Por sorte, estava voando bem baixinho, e embaixo era uma montanha nevada, então não quebrei…

— …Esse depósito é o "Depósito"?

— Ora ora? Você sabe bastante, hein?

De novo isso. Foi nessa hora que a "Joia da Imortalidade", a "Pulseira Suga-Magia" e a "Pulseira de Barreira" também caíram, então. A origem de tudo é essa administradora desastrada… Preciso encontrar ela de qualquer jeito e dar uma bronca. Pelo visto, o "Depósito" ainda está voando, então talvez eu acabe indo lá algum dia.

— Só com a "moldura", eu não conseguia usar nenhum poder mágico, então fui recolhida por um alpinista, tratada como uma simples antiguidade e fui passando de mão em mão até chegar aqui. O senhor da época colocou o retrato da esposa falecida dele dentro de mim, e aí, finalmente, consegui usar magia. Só que, andando por aí escondida à noite com essa aparência, aos poucos aquele senhor foi ficando estranho…

Bom, é claro. Se o fantasma da amada esposa falecida aparece toda noite, é normal enlouquecer.

— Aí, ele começou uma pesquisa estranha, e eu ficava achando que as pessoas do castelo iam sumindo aos poucos, até que os cavaleiros da Ordem vieram atacar, e o senhor acabou executado. Depois veio um novo senhor, e fui ver o rosto dele de noite, curiosa de como ele era, mas ele de repente parou de se mexer e morreu. O senhor seguinte também me viu, saiu correndo de cavalo e nunca mais voltou. O último senhor, a esposa dele falou algo tipo "seu infiel! Trazendo mulher pra casa!" e ele acabou esfaqueado.

— Isso quer dizer que…

— Não fala, Elsie.

Interrompo a fala da Elsie, que ia dizer alguma coisa. Até eu já percebi que tudo isso é culpa dela. O primeiro senhor foi levado à loucura, iludido pela ilusão da esposa falecida. O segundo, parada cardíaca de susto num corpo já debilitado. O terceiro, queda de cavalo por fugir apavorado achando que era fantasma. O último, um crime cometido pela esposa que a confundiu com uma amante.

…É grave demais. E ainda por cima, ela nem tem consciência disso.

— Aconteceu alguma coisa?

— Não… Bom, voltando ao assunto, este castelo vai ser demolido.

— O quêêê?! Isso é cruel, viu?!

— Escuta até o fim. Em troca, vou te oferecer uma moradia bem melhor. Lá você fica segura e pode viver livremente. O que acha?

— Sério mesmo?! Se for assim, não tenho nenhuma reclamação…

Certo, negociação concluída. Peço pra ela voltar pro quadro na hora e retiro a moldura. Falando nisso, tirando o primeiro senhor, é estranho ninguém ter jogado ela fora. Normalmente, não acho que alguém deixaria pendurado o retrato da esposa de um senhor anterior.

— Cheguei a quase ser jogada fora algumas vezes, mas parece que o pintor que fez este quadro era famoso, então ficavam falando algo tipo que o valor ia subir e tal.

Entendi. Então o valor como obra de arte era alto. Nesse caso, acho que vou tirar esse quadro e vender. Eu também não quero ficar com o retrato da esposa de um senhor assassino. Se colocar outro quadro qualquer no lugar, não deve ter problema.

Ao voltar pra entrada, todo mundo já estava reunido. Explico a situação rapidamente e revelo a verdadeira identidade do fantasma. Mesmo sendo herança da civilização antiga, causou um transtorno e tanto, mas não adianta reclamar disso agora.

Já que o problema foi resolvido, abro logo um [Gate] e teletransporto o castelo inteiro pra Brunhild. Convenhamos, era a primeira vez fazendo um teletransporte tão grande assim, então fiquei um pouco ansioso, mas não houve problema.

Depois disso, vou até a "Oficina" falar com a Rosetta, e parece que ainda falta material. Principalmente vidro e tecidos, além de um pouco de madeira; será que só resta bancar isso do próprio bolso como despesa necessária? Vidro talvez dê pra conseguir em algum depósito de material descartado, mas tecido acho melhor ser novo mesmo. Parece que desmontar e reconstruir também tem limite.

— Assim que reunir tudo, vou transportando o material aos poucos pra "Oficina", reconstruindo e montando no local conforme os dados, senhor. Falando nisso, onde vai ser o lugar, senhor?

Afinal, esse tipo de coisa fica melhor no centro do país, então indico um ponto perto do meio. O terreno de Brunhild não tem muito relevo. Isso até facilita o desenvolvimento, mas, por enquanto, não tenho outro plano além de construir o castelo, então nem no meio deve atrapalhar. Se surgir algum problema, é só teletransportar o castelo inteiro de novo.

Dizem que, assim que reunir o material, fica pronto em uns três dias, então vou me esforçar pra juntar o resto.

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