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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 103

A Inauguração e os Primeiros Vassalos

Capítulo 103 – A Inauguração e os Primeiros Vassalos

— Quem diria que ficaria pronto em três dias mesmo…

— Este é o poder da "Oficina", senhor!

Munfft, a Rosetta estufa o peitinho magro.

O castelo branquinho e pequeno (mesmo assim, bem maior que a mansão de Belfast) que eu tinha visto no monitor da "Oficina" agora aparecia diante de mim, de verdade.

Como dizem que, mesmo desmontando e reconstruindo tecidos rasgados ou sujos, a resistência não se recupera totalmente, preparei tudo novo. Se fosse voltar até o casulo do bicho-da-seda, talvez desse pra conseguir de graça, mas comprar é mais rápido. Sinceramente, fazer a partir da matéria-prima é o auge da complicação. E também não estou apertado de dinheiro.

Bom, madeira eu fui procurar e cortar de carvalho e cipreste. Nesse caso, é mais rápido do que comprar.

Quanto ao vidro, pensei em tornar chapas de ferro transparentes, do jeito que fiz durante o tumulto no Império, mas, ao passar pela "Oficina", a magia se apaga, então acabei tendo que aplicar a magia eu mesmo em todas as chapas depois da construção. Bom, mas foi de uma tacada só, com o smartphone.

E foi assim, com um jeito e outro, que o castelo ficou pronto.

Atravessamos a grande ponte levadiça sobre o fosso enorme e seguimos pro interior da muralha. A água do fosso estava límpida e transparente, parecia estar sendo captada de um rio próximo. O sistema de purificação parece ser o mesmo dos canais que percorrem Babylon. Tem comportas rio acima e rio abaixo, e, quando parece que vai dar enchente numa chuva forte, dá até pra redirecionar o fluxo pra outra direção.

Ao atravessar o portão imponente e entrar dentro da muralha, se estendiam as instalações de defesa formadas por torres laterais e torres da muralha, a guarita dos porteiros, e um grande jardim. Nos fundos, seguia até uma área de treinamento e afins.

Subindo, mais adiante, uma grande escadaria de mármore imponente, aparece um jardim com uma fonte luxuosa instalada no centro.

Atravessando esse jardim e seguindo mais um pouco, finalmente aparece a porta de entrada pro castelo. Ao abrir a porta dupla grande e entrar, um teto altíssimo de pé-direito duplo e um lustre luxuoso se revelam, e uma grande escadaria rumo ao segundo andar se estende à minha frente. Coberta por um tapete vermelho, a escada se divide em dois no meio, esquerda e direita, e se conecta ao segundo andar.

Achando que a curva suave daquilo tinha algo familiar, percebo — nada de mais, é parecida com o Castelo de Belfast. Pensando bem, é óbvio. Afinal, este castelo foi baseado no Castelo de Belfast.

— É lindo. De alguma forma, dá uma sensação tranquila.

Parece que a Yumina também sente o mesmo. É natural, já que se parece com o lugar onde ela nasceu e cresceu.

Subo pro segundo andar, abro a porta grande de um quarto no fundo, e chego num lugar imenso, de teto altíssimo. No teto, uma clarabóia grande deixa a luz do sol brilhante despencar sobre um trono resplandecente, elevado por alguns degraus. Isso é a tal sala de audiências?

— Não é meio luxuoso demais, isso…?

Eu vou sentar ali? Eu?

— Já que é o lugar pra receber embaixadores de outros países que vierem visitar, precisa ser assim, senão o senhor vai ser subestimado. Precisamos mostrar bem a grandiosidade do Touya-sama.

Entendo o que a Lu quer dizer, mas… mesmo assim, dá vergonha, sei lá. Todo mundo me obriga a sentar pra testar, e sento, mas o desconforto não tem limite. Todo mundo ficou dizendo "oooh" e "nada mal", cada um do seu jeito.

Por enquanto, um país que ainda não tem nada assim nem deve ter embaixador. Nem vassalo eu tenho. Vai ficar sem uso por um tempo.

Depois disso, cada um foi livremente ver o próprio quarto e as instalações que chamaram atenção. Eu também dei uma volta pelo salão principal, salão de jantar, biblioteca, salão de música, campo de treino, pátio interno, mas não consegui ver tudo. Não é grande demais mesmo? Eu tinha pedido pra deixar bem menor que o Castelo de Belfast, hein.

Depois de ver o suficiente, todo mundo se acomoda em sofás, num salão grande de frente pra uma sacada ampla.

— Aah, é espaçoso mesmo, viu. A limpeza aqui deve dar trabalho, este servo acha…

— Não, apliquei [Protection] no castelo inteiro, então acho que não deve sujar ou estragar tão fácil. Só que poeira acumula mesmo, né…

Respondendo à Yae, viro a cabeça de lado, e vejo a Yumina e a Lu, saindo pra sacada, empolgadas admirando a paisagem lá fora. Que animação, hein… será que é isso que é juventude. Ih, que fala de velho, eu.

Enquanto relaxamos, o esquadrão de empregadas — Lapis-san, Cecile-san, Rene e Shesca — traz chá preto e docinhos. Atrás, o Lime-san também aguarda.

— Que castelo esplêndido, patrão. Quem diria que, antes de completar nem um ano a seu serviço, eu voltaria a servir num castelo de novo.

— Foi mal. Você tinha justamente saído de servir num castelo pra vir pra minha casa, mas…

— Não, não. Sinto o sangue dos dias de juventude fervendo de novo. Parece que vai ficar ainda mais movimentado daqui pra frente.

Dizendo isso, o Lime-san ri. Se ele mesmo não se importa, também vou parar de me preocupar com isso.

— Mestre, sobre o jardim com a fonte, seria possível eu fazer alguns ajustes?

A Shesca pergunta isso enquanto serve o chá. Talvez por administrar o Jardim Suspenso de Babylon, mexer em jardim deve ser fácil pra ela. Deixo o pátio interno com o Fullio-san e deixo a Shesca fazer o que quiser com o jardim.

— A propósito, este castelo tem uma sala de treinamento?

— Como assim tem?!

Essa aí não muda mesmo, francamente!

Pego a xícara de chá preto, e a Rene coloca o pratinho de docinhos. Depois daquilo, a Rene ouviu da própria Carol-san sobre sua origem. Mas não voltou pro Império, e declarou que continuaria vivendo aqui. Prometendo que, quando conseguisse organizar os sentimentos, algum dia conheceria a avó.

A Rene também já está bem à vontade na roupa de empregada, e parece já estar acostumada a ajudar todo mundo. De vez em quando erra alguma coisa, mas nada muito grave.

— Mas, patrão~. Se a gente também for morar aqui, não vai ser meio inconveniente~? Até pra fazer compra vai dar um trabalhão, viu~?

A Cecile-san pergunta isso pra mim, no tom sonso de sempre. De fato, num país que só tem castelo, não dá nem pra fazer uma compra sequer.

— Bom, pretendo conectar aqui com a casa de Belfast via [Gate], viu. Convenhamos, é inconveniente mesmo.

Pretendo criar aquele [Gate] com autenticação que eu já vinha pensando há um tempo. Vou programar [Search] com [Program] pra que só quem eu autorizar consiga passar. Precaução nunca é demais.

— Vou pedir pro Tom-san e pro Huck-san continuarem como porteiros da mansão, do jeito que estão. Pra avisar aqui se acontecer alguma coisa lá. A segurança daqui… bom, deixo o Cérbero no jardim, talvez.

— O cão de guarda mais forte, hein.

A Elsie ri. O guardião do inferno vira o cão de guarda do meu castelo. Ele tem faro bom, deve perceber na hora se tiver algum invasor.

Dava até pra chamar homens-lagarto ou lobisomens pra guarda, mas, chegando a esse ponto, tenho um pouco de hesitação, porque acho que iam começar a chamar isso de "castelo dos monstros".

— Ué? O que é aquilo… Não é filhote de cachorro. Urso… filhote de urso?

A Lu, na sacada, solta uma voz de estranheza. Urso? Não pode ser…

Vou depressa até a sacada e forço a vista na direção que a Lu está olhando. Lá, um ursinho de pelúcia caminhando com passinhos, ao lado da dona, de sombrinha bem preta, atravessando o portão do castelo.

— Francamente… desviei o olhar um tempinho e você já virou rei… que ascensão é essa. Mais do que surpresa, é decepção.

A Leen diz isso, sentada no sofá, bebendo chá preto. Ao lado dela, a Paula faz uma reverência exagerada de "hehê~" pra mim, e depois se aproxima esfregando as patinhas. Pra que serve esse [Program], afinal…?

— E ainda por cima, ficou até com a princesa do Império de Regulus? Que vida boa, hein.

A frase vem carregada de uma certa ironia. Não, na verdade foi o contrário: ganhei um país por causa de ter ficado com as princesas…

— Bom, foi mal incomodar você logo agora que acabou de fundar o país e tá ocupado, mas eu vim como embaixadora de Mismede pra este país. Cuida da minha moradia, viu.

— Hã?! Peraí, você não era a embaixadora residente em Belfast?

— Aquilo eu joguei nas costas de outra pessoa. Aqui parece mais interessante.

Sério isso… Não, tudo bem, mas será que dá pra trocar por um motivo tipo "parece interessante"…? Mas o Rei Ferino de Mismede deve mesmo aprovar isso na maior tranquilidade.

— E aí, tenho um pedido pessoal. Tem uns jovens que querem servir aqui; será que dá pra contratar?

— Servir… este país?

— Isso. O Principado de Brunhild.

Hmm… não dá pra dizer que tenho mão de obra suficiente, mas também não dá pra contratar assim, de qualquer jeito. Não tem garantia de que não vá se infiltrar alguém tramando algo. Hã? Ah, é verdade, tenho o olho mágico da Yumina. Com aquilo, dá pra identificar quem tem malícia ou intenção de fazer mal.

— Bom, pra conhecer, tudo bem. Onde estão essas pessoas?

— Deixei esperando fora do portão do castelo.

Levo a Yumina e a Leen e teletransporto pra frente da ponte levadiça; lá estavam três jovens. Bom, "jovens", mas eu tenho a mesma idade ou até um pouco menos. Os três, ao me ver, se ajoelham e curvam a cabeça. Aaah, levanta, levanta. Isso me deixa desconfortável.

Ééé, os três são ferinos. Um garoto coelho, uma garota loba, e… um garoto raposa. Ué? Esse garoto ferino-coelho… eu já vi em algum lugar… Ah!

— Ééé, você é o Rain-san, né?

— Quanto tempo, Touya-sama.

O garoto ferino-coelho, de cabelo ruivo e baixinho, sorri. Isso mesmo, é aquele que era subordinado do capitão Garun, o ferino-lobo, na viagem pra Mismede.

Ué? Mas, se é assim, ele é soldado de Mismede, né?

— Deixei o cargo de soldado de Mismede. Por favor, deixe-me servir a este país.

— Por que isso, hein… Você era do agrado do Garun-san e podia até subir de posto.

— Quando o Touya-sama derrotou o dragão negro, me emocionei de verdade, pensando que era uma pessoa incrível. Sabendo que era um país fundado por essa pessoa, não consegui mais ficar parado e pedi à Leen-sama…

Que desperdício. Sinto até uma certa responsabilidade… Ouvindo isso, a garota ferina-loba ao lado dá uma risadinha.

— Rain-chan, se acalma. O Touya-sama tá assustado.

— Ah… d-desculpa.

O Rain-san fica vermelho e abaixa a cabeça. Ao lado, a garota loba, de cabelo prateado preso num coque, curva levemente a cabeça.

— Meu nome é Norn. Meu irmão foi muito bem cuidado pelo senhor.

— Irmão?

— A Norn é irmã do capitão Garun.

O Rain-san explica isso pra mim, que fico confuso. Ah, então é isso…

Enquanto assimilo, o garoto raposa restante curva a cabeça. É um garoto de rosto firme e sério. Deve ter um ou dois anos a mais que eu. Também é alto. Sobre o cabelo loiro, orelhas de raposa se erguem, e um rabo felpudo balança.

— Sou Nicola Strand. Muito prazer. Vossa Majestade.

Dizendo isso, ele assume uma postura firme, ereto. Queria que parasse de me chamar de "Vossa Majestade"… Parece que eu vou ser o rei do principado, o soberano, mas, no mundo de onde eu vim, esse tipo de posição não existe. Bom, existia no mundo dos animes. Mas ele morreu pelo laser de uma colônia. Bom, é sem sentido trazer o senso comum de lá pra cá. Parece que também é diferente do "duque" do Duque Ortlinde. Vou parar de pensar demais nisso. Mais do que isso, o que me chama atenção é…

— Strand, quer dizer… tem alguma relação com a família da Olga-san?

— A Olga é minha prima do lado do meu pai. O comerciante Olba Strand é meu tio.

Ah, era isso mesmo. Quer dizer, no fim, esses três todos têm alguma ligação comigo. Pensando bem, faz sentido, hein. Mesmo tendo fundado um país, só quem teve contato direto comigo é que ia saber de mim, afinal.

— Esses três aqui têm habilidade à altura, e acho que combinam perfeitamente com a segurança deste castelo.

Ouvindo a recomendação da Leen, viro o olhar pra Yumina. Ela sorri em silêncio e balança a cabeça de leve. Parece que passaram na avaliação do olho mágico.

— Hmm… ainda não decidi nada. Não tem trabalho tipo Ordem de Cavaleiros ou Exército, então talvez peça pra fazerem serviço geral também. Se estiver tudo bem assim…

— Contamos com vocês!

A resposta é boa, viu. Por enquanto, quanto à moradia, uma guarita também não é lá essas coisas. Melhor separar homens e mulheres. Acho que vão morar no castelo principal mesmo. Se aumentar o número de gente, penso depois.

Se, com o tempo, virar algo organizado tipo uma Ordem de Cavaleiros, dá até pra construir um prédio próprio pra eles.

— Com só dois homens e uma mulher, ainda não dá nem pra chamar de Ordem de Cavaleiros. Mas talvez, com o tempo, vire algo de verdade… Hã?

Com minhas palavras, o Rain-san fica envolto num clima sombrio. A Norn-san dá um sorriso contraído, sem jeito, e o Nicola-san desvia os olhos descaradamente. Hã? O quê? Falei alguma coisa errada?

— Bobo. O Rain é uma garota.

— …………………….Ué?

Com essa fala jogada por trás pela Leen e a atitude da Paula, que aos pés dela tapa o rosto num gesto de "ai, meu Deus", um suor frio percorre meu corpo inteiro. Hã? Sério…?

Giro o pescoço, gigigigi, e olho pro Rain-san, que está caído, com as orelhas de coelho murchas. Ué, cabelo curto, com aquela cara de "belo garoto"… de fato, olhando bem, é meio andrógino, quer dizer, dá pra ver como mulher… é. Dá pra ver.

— …Sou mulher.

— Desculpa aíííí!!

Foi de um incidente sem precedentes — o soberano fazendo reverência no chão — que começou a história deste país.

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