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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 104

As Montarias e o Rei Sacro

Capítulo 104 – As Montarias e o Rei Sacro

Os três que se tornaram novos soldados do nosso Principado de Brunhild tinham uma habilidade e tanto — não à toa, recomendados pela Leen.

A Rain-san se destaca na espada, a Norn-san nas duas espadas, e o Nicola-san na alabarda, aquela lança-machado. Fiz todos lutarem contra a Yae, e não senti muita diferença de nível. Com isso, dá pra ter expectativa, acho.

— Vossa Majestade, este castelo não tem cavalo?

— Cavalo?

O Nicola-san, com aquele jeito de falar formal de sempre, diz isso, e eu percebo que este castelo não tem cavalo nenhum. Afinal, toda locomoção é por [Gate]. Na capital eu usava bicicleta, então nunca senti necessidade.

— Será que é necessário, cavalo?

— Se for lutar como cavalaria. É melhor não haver combate nenhum, mas, numa emergência, a diferença entre ter treinado e não ter é do céu ao chão.

De fato. O trabalho dos soldados é lutar. Não devia economizar em investimento pra isso.

— E, com cavalo, dá pra fazer ronda dentro do país também. A gente também quer conhecer o relevo do país.

O que a Rain-san diz também faz sentido. Falando nisso, essa pessoa fala de si mesma como "eu" (masculino), né… Não é à toa que confundi com homem.

Mas, cavalo, cavalo, hein.

— Já que é pra fazer, que tal chamar uma montaria mais prática?

— Hã?

Deixo o Nicola-san de lado, sem entender minha intenção, e concentro energia mágica, desenhando um círculo mágico no chão.

— Trevas, venha; o que busco é o soberano dos céus: [Griffon].

A névoa negra que surge dentro do círculo mágico se dissipa, e ali estava um grifo de pé.

— Uaaa!

— Incrível…

— Isso é…

Os três reagiram de formas diferentes, mas todos ficaram de olhos presos no grifo diante deles.

— Ééé, você é… o Paul, não, o John, né. Escuta, John. A partir de agora você é o parceiro do Nicola-san aqui. Se dá bem com ele, viu.

— Quaaa.

O John dá um grito curto e caminha até o Nicola-san. Com um pouco de hesitação, o Nicola-san toca no John e acaricia as costas dele.

— É dócil. Parece até que entende palavras.

— Não fala, mas entende palavras, sim. Afinal, é uma besta invocada. Acho que é mais fácil de lidar do que um cavalo normal. Bom, por enquanto, que tal montar?

Sem arreio nenhum (não sei se é o termo certo, já que não é bem um cavalo), o Nicola-san toma coragem e monta ágil nas costas dele; o grifo John começa a andar devagar.

Quando o Nicola-san dá o comando, o John acelera o passo. Do passo normal pro trote, do trote pro galope, e por fim bate as asas e sai correndo pro céu. Talvez por cuidado, faz um giro numa altitude não muito alta e volta a descer pro chão.

— E aí?

— Não… é incrível, Vossa Majestade. Ainda tenho um pouco de medo da altura, mas vou superar isso, com certeza.

Dizendo isso, sai correndo de novo pro céu. Nada melhor do que ele ter gostado.

— Vossa Majestade! Eu também! Eu também quero um desses!

A Norn-san avança pra cima de mim. Aliás, até ela já começou a me chamar de Vossa Majestade. Atrás dela, a Rain-san também estava igualmente animada.

Não precisa vir com tanta pressa assim, eu vou invocar direitinho.

Hmm, mas outro grifo também não tem muita graça. Já que são garotas, vou chamar algo mais a ver.

— Trevas, venha; o que busco é o cavalo celeste que corre pelos céus: [Pegasus].

Do círculo mágico, com a névoa dissipada, surgem dois cavalos brancos de asas alvíssimas.

— Uaaa! Uaaa! Lindo!

A Norn-san se aproxima de um deles e acaricia as costas. A Rain-san também toca timidamente na asa do outro.

— Vou botar o nome de Anne e Diana, talvez. Anne fica com a Norn-san, Diana fica com a Rain-san.

Bruuum, sacode o pescoço como quem concorda, e a Anne abaixa a asa e o pescoço, convidando a Norn-san a montar. Assim que ela monta, do mesmo jeito que com o Nicola-san, a velocidade vai aumentando aos poucos, até levantar voo pro céu. Sem querer ficar pra trás, a Rain-san também monta na Diana e alça voo.

Depois de dar uma volta completa sobre o castelo, os três voltam a descer. Deixando os três de lado, ainda empolgados, tiro couro de besta mágica do [Storage] e fabrico selas, estribos, freios e rédeas com [Modeling], entregando pros três.

E, aproveitando pra praticar e se acostumar a montar, ordeno que passem a tarde dando uma volta pra conhecer o país. Se acontecer alguma coisa, é só pensar direcionado à besta invocada; mesmo à distância, dá pra fazer telepatia comigo, então não tem com que se preocupar.

Bom, na prática, isso quer dizer que a tarde é livre. Mas o Nicola-san parece ter levado isso a sério, como se fosse uma missão. Que sério, hein.

Deixando a ronda com os soldados de casa, eu tinha coisa a fazer também.

No primeiro andar do castelo, reformo um quarto no fundo e instalo um espelho de corpo inteiro, grande o suficiente pra uma pessoa passar. E, ao lado, instalo uma placa de metal.

— Touya-nii-chan, o que é essa placa de metal?

— Ao tocar nela, o [Gate] se abre. Claro que só quem tem autorização consegue atravessar, e também fica registrado quem usou recentemente.

Dou uma explicação simples pra Rene, que olha o espelho com estranheza. Não é um sensor de toque, mas, só com [Search], corre o risco de julgar apenas pela aparência. Se alguém usar disfarce ou magia de transformação, existe a possibilidade de deixar passar sem perceber. Ao tocar nisso, fiz pra autenticar por impressão digital, vibração de energia mágica, esse tipo de coisa.

— E também dá pra especificar o destino. Bom, ainda só tem dois: a mansão de Belfast e o café de leitura.

Instalei espelhos parecidos nos dois lugares. Já que os dois são em Belfast, não faz muita diferença, mas. Será que, com o tempo, compro uma casinha em Mismede ou Regulus também? Não, será melhor pedir aos reis pra ceder como embaixada?

Hmm, do lado do Imperador tudo bem, mas, do lado do Rei Ferino, ainda não conversei sobre o [Gate]…

— Por enquanto, vamos testar. Rene, tenta tocar a mão nessa placa de metal.

— Assim?

A Rene, obediente, ergue bem a mão e encosta na placa de metal. Será que coloquei alto demais? Assim que a Rene toca, a placa brilha, e o nome dela surge ali.

Aí o espelho brilha de leve, e o [Gate] fica pronto.

— Aí, diz o destino.

— Hã? Ééé, a mansão de Belfast!

Reagindo à fala da Rene, o espelho brilha ainda mais forte. Com um gesto de incentivo, a Rene entra no espelho e desaparece do quarto. Certo, sucesso.

Eu também toco na placa de metal pra segui-la. Por segurança, só quem toca consegue atravessar, então cada pessoa precisa tocar individualmente. Nunca se sabe se algum vilão vai ameaçar alguém pra forçar a abertura do [Gate].

Ao atravessar o espelho, saio num quarto da mansão de Belfast. Ué? A Rene não está.

Abro a porta e saio pro corredor; ouço a voz da Rene do lado da entrada. Hã? Visita?

— O que foi?

— Ah, Touya-nii-cha… patrão. Dizem que é uma carta do palácio real.

O Tom-san, porteiro, vem até a entrada e me entrega a carta. Deixei o Tom-san e os outros usarem livremente o anexo que o Fullio-san e a Claire-san usavam, já que se mudaram pro castelo.

Lendo a carta que me entregaram, pedem pra eu ir até o palácio real de Belfast.

Que assunto será?

— Oh, oh, oh. Então você é o famoso Mochizuki Touya-dono! Não, já devo chamar de Sua Alteza, o soberano?

— É…

Um senhor careca, apresentado por Sua Majestade o Rei de Belfast, à minha frente. É aquele ator de Hollywood que fez o detetive com mais azar do mundo, esse tipo de cara. Difícil de acreditar, mas essa pessoa é o Rei Sacro Rigu Reeku Refreese, do vizinho de Belfast, o Reino Sacro de Refreese — que surpresa. Quer dizer que é o pai da princesa Liliel, a autora de romances de rosa.

— Já ouvi bastante sobre seus feitos, pelo Rei de Belfast, viu? Mas parar uma rebelião no Império sozinho é uma loucura, hein!

— Ah, bom, desculpa aí…

Não tinha motivo nenhum pra pedir desculpa, mas acabou saindo sem querer.

— …Entendi. É como o Rei de Belfast disse. Parece que você não tem nenhuma ambição estranha.

— Ambição… como assim chegou nesse assunto?

— Um homem que enfrenta sozinho o exército da capital imperial e uma legião de demônios, vence com folga, e ainda se casa com as princesas de Belfast e de Regulus. Pra outros países, isso não é nada menos que uma ameaça.

Aah… Visto de fora, é isso mesmo. De fato, não tem como não desconfiar. Mesmo que eu não tenha essa intenção.

— Bom, mesmo assim, não acho que outros países vão fazer algo tão arriscado quanto pisar no rabo de um tigre. Se te deixarem furioso e o país for destruído, perde todo o sentido.

— Eu não faria isso, não.

Não dá pra dizer que "nunca" com certeza absoluta. Se, por exemplo, algum país mandasse um assassino e matasse a Yumina, em vez de mim, não tenho confiança de que conseguiria perdoar. Ia arrastar o mandante pra fora e fazer ele desejar estar morto.

Do meu lado, não tenho intenção de fazer nada. Mas, mesmo declarando isso, humano é assim, não acredita fácil.

— E, sendo assim, o Reino Sacro de Refreese quer aprofundar a amizade com o seu país. Originalmente, o ideal seria que aceitasse também uma filha nossa como esposa, mas…

— Vou dispensar, com todo respeito. Não, sério mesmo!

Aquela princesa, não quero. De verdade, não quero.

— Bom, a nossa já tem destino de casamento decidido pra outro país, então. Não dá pra desfazer isso. É uma pena, mas.

Longe de ser uma pena, é um alívio e tanto. Dá pra imaginar o sofrimento do futuro marido dela, e sinto vontade de torcer por ele sem querer. Ela disse que escrever livros era segredo até do pai, então ela deve estar bem disfarçada de gatinha inocente. Uma máscara bem grossa.

— E aí, quanto a isso: já que o castelo de Brunhild também ficou pronto, será que você nos convida? Não como um encontro político, mas como monarcas que querem aprofundar amizade.

— Convidar quer dizer, os reis da Aliança do Oeste?

Só convidar um rei já dá trabalho, e agora todo mundo? Fico com cara de dúvida, e o Rei de Belfast responde com uma expressão maliciosa.

— Sim. Belfast, Refreese, Mismede e Regulus. Reis se dando bem entre si é uma coisa boa, não é?

— …E qual é a verdadeira intenção?

— "Até rei quer relaxar de vez em quando!"

Ah, qual é.

— De vez em quando, quero esquecer a posição de rei e relaxar, me divertir. O Touya-dono deve conseguir organizar algum tipo de diversão assim, não é?

Não, de fato, eu venho de uma potência de entretenimento incomparável a este mundo, que tem poucas diversões. Mas, mesmo assim, convidar reis não é um trabalhão? Comida, segurança, recepção — não dá pra fazer nada pela metade.

— Não precisa pensar difícil assim. Basta convidar normalmente, como se recebesse amigos.

Sua Majestade o Rei Sacro fala isso, mas ainda vai dar trabalho. Ué, isso não é um negócio em que só eu não ganho nada? Bom, dar uma boa impressão pros outros países também não é ruim, mas…

Podia ter recusado, mas dá pra ver claramente que os olhos dos dois estão cheios de expectativa. Aah, francamente.

— Entendido. Vou convidar. Mas nada de trazer conflitos entre nações ou intenções políticas, viu?

— Claro que sim. E, mais uma coisa, dá pra levar a família junto?

— Sem problema. Só peço que fiquem em uns cinco, incluindo o rei. É que também não temos mão de obra suficiente aqui.

Não dava pra aguentar se viesse a família inteira em bando. Ai, ai, isso vai deixar as coisas movimentadas.

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