Capítulo 106 – A Festa de Amizade e os Fogos de Artifício
— Oooh! Não sei bem o que é, mas parece divertido!
Assim que entra na sala de jogos, o Rei de Belfast vai depressa até a mesa de pinball. Sem querer perder, Sua Majestade o Rei Ferino de Mismede vai até a pista de boliche e ergue a bola.
— Que pesado! Que negócio é esse, bala de canhão? Tem três buracos aqui…
O Rei Sacro e o Imperador, que entram atrás dos dois, olham em volta pra todos os lados, curiosos com o ambiente.
— Tudo isso é só pra diversão mesmo… Dá até uma sensação de extravagância.
Atrás de Sua Majestade o Imperador, que murmura isso, entram, um atrás do outro, as respectivas famílias e as escoltas.
No início, era pra ser só a família, mas, convenhamos, os súditos ficam preocupados, então autorizei alguns guardas.
De Belfast: Sua Majestade o Rei, a Rainha Yuel, o Duque Ortlinde, a Duquesa Ellen, a Sue.
Do Império de Regulus: Sua Majestade o Imperador, o príncipe herdeiro Lux, a princesa consorte Sara.
Do Reino Sacro de Refreese: Sua Majestade o Rei Sacro, a Rainha Zelda, a princesa Liliel, o príncipe herdeiro Lidis.
Do Reino de Mismede: Sua Majestade o Rei Ferino, a Rainha Tirie, o primeiro príncipe Remza, o segundo príncipe Alba, a primeira princesa Tia.
Só isso já dá um total de 17 pessoas. E, além disso, cada um com alguns guardas.
De Belfast, o vice-comandante Neil e o Lion-san; de Regulus, o comandante da Ordem de Cavaleiros do Império, o Gaspar-san de um olho só; de Mismede, o capitão da escolta Garun-san; da escolta de Refreese, só gente que eu não conhecia. Uns cinco de cada país, então deve dar uns 20 no total?
Claro que confisquei as armas deles, e, entre nós, deixei programado pra ativar [Paralyze] caso alguém tente usar magia de ataque.
As escoltas também parecem sem palavras diante de instalações que nunca viram. Nossos três cavaleiros ficam de prontidão na sala de jogos, como segurança, digamos. Parecem bem tensos. Bom, não tem jeito. A segurança do próprio castelo está tranquila, já que tem o Cérbero, os grifos e os pégasos no jardim.
— Sejam bem-vindos à minha sala de jogos. Preparamos uma boa variedade aqui pra todos se divertirem à vontade. Se perguntarem pro nosso pessoal, explicamos como jogar cada coisa.
Além da Elsie, da Lindsey, da Yae, da Yumina e da Lu, todo o esquadrão de empregadas de casa se enfileira. Lapis-san, Cecile-san, Rene, Shesca, e, como reforço, a Silvie-san e a Belue-san do "Tsukuyomi"; e ainda vesti a Rosetta, que normalmente anda de macacão, com uniforme de empregada pra ajudar. Claro, quem coordena tudo é o nosso mordomo perfeito, o Lime-san.
— Além disso, ali temos comida, bebida e docinhos preparados. Fiquem à vontade.
Num canto da sala de jogos, preparei uma mesa grande com cadeiras, além de poltronas reclináveis e cadeiras de massagem. Sobre a mesa, uma variedade de pratos e doces.
Os reis se espalham cada um pro jogo que mais interessa, recebendo explicações de todo mundo. As rainhas e as princesas, o pessoal feminino, parecem mais interessadas nos doces, e se reúnem por lá.
— Uorya!
Sua Majestade o Rei Ferino já joga a bola de boliche com toda força. Só que, contrariando o esforço, foi parar direto na canaleta. O Príncipe Remza e o Príncipe Alba também foram de canaleta juntos. O Príncipe Remza deve ter uns 9 anos, o Príncipe Alba uns 6. Aqueles dois também são ferinos-leopardo-das-neves, hein.
No air hockey, Sua Majestade o Rei de Belfast e o Duque Ortlinde travam um confronto acalorado entre irmãos.
Na mesa de mahjong, é o confronto pai e filho: o Imperador de Regulus contra o príncipe herdeiro Lux, e o Rei Sacro de Refreese contra o príncipe herdeiro Lidis.
O príncipe herdeiro Lidis tem 12 anos, se não me engano. Parece bem mais maduro do que a idade, mas, sendo irmão daquela irmã fã de rosas, deve ser difícil. E o príncipe herdeiro Lux continua com pouca presença, como sempre… Aliás, quem diria que essa pessoa já era casada, que surpresa.
Perto da mesa de mahjong, a Lapis-san está lá pra responder perguntas. Como tem uma tabela de mãos ao lado da mesa, não deve ter problema.
As escoltas também pareciam se divertir vendo o jogo dos reis.
Na mesa de comida, as rainhas saboreavam os pratos. Parecem estar aprovando, no geral.
A Sue, a princesa Liliel e a princesa Tia pareciam estar jogando um jogo de baralho tipo "cara de pau" na mesa de cartas, junto com a Rene, os quatro. A princesa Tia deve ter uns 10 anos, já que é da mesma idade da Sue.
— Mas que cena inacreditável, hein…
O vice-comandante Neil, ao lado, murmura isso baixinho. Quem reage é o Gaspar-san, comandante da Ordem de Cavaleiros do Império.
— De fato. Até pouco tempo atrás, eu achava impossível os reis dos países do oeste se reunirem num só lugar. E agora estão todos aqui jogando juntos.
Os dois observam, com um sorriso amarelo, os próprios soberanos curtindo a sinuca. Sendo ambos reis, nem ganhando nem perdendo carregam ressentimento; vão passando pra outra diversão, um atrás da outra.
— Touya-dono, o que é aquilo?
Sua Majestade o Rei Ferino aponta pra uma mesa cheia de buracos, encostada na parede da sala. Falando nisso, em Mismede já sabiam completamente que eu uso [Gate]. Pelo visto, já desconfiavam, mas, no fim, a Leen achou melhor contar do que deixar aquela desconfiança pairando pra sempre. Bom, chegando a esse ponto, já não faz mais diferença.
Sua Majestade o Rei Ferino pega o pequeno martelo macio instalado na mesa e espia dentro dos buracos.
— É pra bater nas toupeiras que saem daqui e competir por pontos. Ah, não precisa bater com toda força, viu.
É o famoso "bate-toupeira". Assim que o jogo começa, o Rei Ferino vai batendo nas toupeiras com uma reação absurda. Digno de raça guerreira… a visão dinâmica dele não é brincadeira. Mas ainda é fácil demais!
— Unh?!
No meio do jogo, as toupeiras entram no modo velocidade máxima e saem várias vezes mais rápido. No fim, Sua Majestade o Rei Ferino termina a batalha com 92 pontos.
— Argh, de novo!
O Rei Ferino fica competitivo e passa a bater nas toupeiras com toda força. Mesmo eu tendo dito pra não bater com toda força. Bom, fiz a estrutura da mesa e as toupeiras bem resistentes, então não deve quebrar.
Viro o olhar pra mesa de comida, e as rainhas conversavam animadas enquanto comiam sobremesa.
Deixo aquele lado com a Cecile-san e o Lime-san, e vou ficar de olho por aqui.
— Vossa Majestade de Brunhild, como se joga isso aqui?
O que o Príncipe Remza e o Príncipe Alba, de Mismede, perguntam é sobre um cubo grande e quadrado, colocado no canto do quarto. Das seis faces, só uma é transparente; é um trampolim. Uma coisa que, por magia, permite pular nas seis faces.
— É pra entrar dentro e pular à vontade. Aguenta até dois adultos, então pode experimentar.
Os irmãos leopardo-das-neves atravessam a pequena entrada e entram, começando a pular alegremente, pom-pom. Aos poucos, começam até a fazer estrelinha e giro no ar. A capacidade física dos ferinos é assustadora…
— Ooh, parece divertido. Mas deve ser meio pesado demais pra mim…
Sua Majestade o Imperador ri, observando as crianças pulando.
— Tem uma cadeira ali que alivia o cansaço do corpo, viu. No começo, pode doer um pouco, mas aos poucos vai ficando gostoso e tira o cansaço.
— Oh?
Guio Sua Majestade o Imperador até a cadeira de massagem e ativo com magia. Os roletes embutidos no assento e as bombas presas nos pés esticados começam a massagear devagar. O Imperador, que a princípio fez uma cara meio contraída, depois de cinco minutos já fecha os olhos, com uma cara de gostoso.
— Oh, fuuu… Isso é bom… isso é muito bom!
— Se apertar o botão do apoio de braço, para, viu.
— Ah, tá bom…
Não sei se ele está ouvindo ou não, mas, com Sua Majestade quase derretendo de tão relaxado, deixo esse aviso e me afasto do local.
Lá adiante, o Rei Sacro de Refreese e o Rei Ferino de Mismede se divertem com minigolfe. Ao lado, o Duque Ortlinde e o príncipe herdeiro Lux jogam pingue-pongue, e, mais ao fundo, o Rei de Belfast e o Gaspar-san jogam sinuca. Ei, ei, pode um guarda ficar brincando assim?
— Foi Sua Majestade, o Rei daqui, que convidou, e Sua Majestade o Imperador autorizou. Que inveja do Gaspar-san. Eu também queria jogar.
Dizendo isso, quem chega ao meu lado é o Lion-san. Talvez aquilo também seja trabalho. Sinuca de recepção? Falo com o Lion-san, que observa com inveja.
— Se tiver um dia de folga, eu convido, viu. Ah, e, quando casar com a Olga-san, que tal comemorar aqui?
— Sério mesmo?! Ah, que ótimo, tô ansioso! Todo mundo da Ordem de Cavaleiros vai ficar feliz também!
Vai convidar a Ordem de Cavaleiros também, é? Bom, normal isso acontecer. Isso vira quase um salão de recepção de casamento. Mas o clima deve ser mais de segunda festa.
Depois de já ter brincado bastante, os homens começam a voltar a atenção pra comida. Ao contrário, as rainhas agora vão pros jogos. Mesmo assim, evitando os do tipo esportivo, como trampolim e boliche, ficando mais com baralho, mahjong, pinball e afins.
— Bom, aqui, incluindo todas as escoltas, o nosso Brunhild tem um presentinho.
Depois de já terem jogado de tudo e o ambiente ter se acalmado, falo com os convidados. As empregadas começam a distribuir um cartão pra cada um. Nele, 25 números escritos aleatoriamente. Digo pra girar a sorte e dobrar o número que sair. Ou seja, é bingo.
Retiro o pano que cobria o canto do quarto e revelo os prêmios diante dos convidados. De espada, lança e machado, a enfeites entalhados, acessórios com pedra mágica, brinquedos e pelúcias — uma boa variedade. E as armas também não são armas comuns. São peças únicas com um efeito especial concedido via [Enchant]. Bom, são raras, mas não tão poderosas assim.
— Bom, vou girar. …Oito! O primeiro é oito. Quem tiver o oito no cartão, dobre esse número. Quem completar cinco na vertical, horizontal ou diagonal, ganha um prêmio.
No fim das contas, tem presente pra todo mundo. Só que é por ordem de chegada.
Depois de girar algumas vezes, aparece gente perto de completar.
— Dois… dois…
— Sai o 14! 14!
— 51… por favor, sai~
Recebendo esses olhares suplicantes, giro a máquina de bingo.
— 32! É o 32!
— Completei!
Quem grita é o Gaspar-san, comandante da Ordem de Cavaleiros do Império. Confiro o cartão que ele entrega, checo se não tem problema, e o levo até os prêmios.
— Bom, qual você escolhe?
— Pode ser qualquer um?
— Sim. Só que apenas um, viu?
Depois de pensar bastante, o Gaspar-san escolhe uma lança. Uma lança com decoração vermelha.
— Essa lança se chama "Lança das Chamas": dizendo uma certa palavra, uma bola de fogo dispara da ponta.
— Impressionante…!
— Vou te ensinar a palavra do encantamento depois. Se disparar aqui, dá problema.
Provocando uma risadinha, entrego a lança pro Gaspar-san. O comandante da Ordem de Cavaleiros do Império volta pro lugar dele, feliz, com a lança na mão. Sua Majestade o Imperador, ao receber a lança pra ver, observa com admiração.
Bom, aquilo consome bastante energia mágica, então uma pessoa comum já fica exausta depois de uns três disparos. Mas, dependendo de como usar em combate, pode virar a carta na manga do golpe final.
— Bom, vamos continuar. O próximo é… quinze! É o 15!
O jogo de bingo segue sem problemas, e todo mundo consegue um prêmio, com a cara toda satisfeita. As senhoras também pareceram gostar dos acessórios e enfeites que ganharam. A pelúcia foi parar com a princesa Tia, de Mismede. É uma pelúcia programada com [Program] pra repetir a mesma palavra que se fala com ela. Uma pena que a voz seja a da Robozinha Rosa.
— A noite já avançou. Por fim, vamos encerrar mostrando algo que preparei como atração.
Levo todo mundo até a sacada do castelo. Lá se estendia um céu noturno sem lua. Como aqui não tem nada além deste castelo, está completamente escuro.
De repente, uma flor grande desabrocha no céu noturno, com um estrondo. Por um instante, as escoltas se preparam pra reagir, mas eu ergo a mão pra detê-los.
— Aquilo se chama fogos de artifício. É algo pra ver e curtir; dizem que, em Ishen, soltam no verão.
Confirmei com a Yae, e fogos de artifício realmente existem em Ishen. Só que não tão chamativos quanto esses; mais parecidos com foguetinho, dizem.
Os fogos se espalham pelo céu noturno, um atrás do outro. Só entre nós, na verdade, não estou soltando de baixo. A Rosetta está soltando os fogos de cima, de dentro de Babylon, invisível pela função furtiva. Já programei com [Program] pra explodir antes de chegar ao chão. É mais fácil assim do que soltar de baixo.
Flores grandes se abrem em sequência, vistas da sacada. Nossas empregadas distribuem champanhe pra todos que estão admirando, e, bebendo, continuam olhando os fogos no céu noturno. As crianças também olhavam pra cima, animadas com os fogos.
E assim, a festa de amizade de Brunhild se encerrou com grande sucesso.
Por fim, quando ofereci presentear cada país com um item entre os que jogamos hoje, os quatro países pediram a cadeira de massagem. Realmente, ser rei deve cansar mesmo, hein…