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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 107

A Aranha e o Material de Cristal

Capítulo 107 – A Aranha e o Material de Cristal

A festa de amizade também terminou sem problemas, e Brunhild recuperou a calma.

Com tanta coisa acontecendo, acabou atrasando, mas resolvi entregar à Lu, formalmente, o anel de noivado. Esse tipo de coisa precisa ser feito direito. Bom, atrasar e ainda por cima falar em "fazer direito" não faz muito sentido, mas.

Como se nem se importasse com isso, a Lu recebe feliz. É o mesmo design das outras, com o mesmo encantamento mágico.

— Com isso, finalmente posso dizer, de cabeça erguida, que sou noiva do Touya-sama.

Vendo ela olhando pro anel com uma cara de tanta felicidade, sinto até uma certa culpa… Devia ter entregado antes.

Sentado na mesa da sacada, dando uma espiada na Lu ao lado, a Leen chega até nós, trazendo a Paula.

— Apareceu uma Phrase. No meio do Grande Mar de Árvores. A tribo que mora lá mandou um pedido de socorro pra Mismede.

Nos levantamos das cadeiras de repente. Deixando a Lu, sozinha, sem entender nada, de boca aberta.

— E aí, o que aconteceu com a Phrase? Foi derrotada?

— Não, ainda está ali, destruindo as vilas da tribo. E, com todo o cuidado, matando todo mundo que entra na visão dela, humano ou demi-humano. Dizem que tem a forma de uma aranha grande.

Uma Phrase de aranha gigante, é. Se for isso, pode ser de nível intermediário, igual à manta da última vez, ou até superior. [Apport] não deve funcionar. Espero que dê pra esmagar com [Gravity].

— Vamos. Não sei se dá pra derrotar, mas não dá pra deixar quieto. E, além disso…

— Talvez dê pra encontrar aquele garoto, né.

Balanço a cabeça de leve com a fala da Leen.

Ende. O garoto misterioso que derrotou sem esforço nenhum a Phrase em forma de manta, que nos deu um trabalhão desgraçado. A frase que ele deixou, "Rei dos Phrase", ficou martelando na minha cabeça. O que será que significa, afinal…

— De qualquer forma, vamos até o Grande Mar de Árvores com Babylon.

— O monstro de cristal que destruiu a civilização antiga, é…

Durante o trajeto em Babylon, conto pra Lu, rapidamente, tudo o que aconteceu até agora. Afinal, o que é uma Phrase? A julgar por como surgem destruindo o espaço, talvez estejam seladas de algum jeito especial num espaço diferente. Esse selo estaria se rompendo aos poucos, e as Phrase presas há 5000 anos estariam começando a surgir por essas fendas… será isso?

Se acreditar na fala do Ende, o objetivo das Phrase é procurar o "Rei dos Phrase". Mas o que elas fazem é um massacre unilateral. Que sentido isso tem?

Afinal, o que aconteceu há 5000 anos? Quem aplicou o selo? De onde vêm as Phrase? Não entendo nada disso. Mas o Ende provavelmente sabe de tudo. Da última vez, perdi a chance de perguntar, mas, se encontrar de novo…

— Mestre, estamos sobre o destino, senhor.

Chamado pela Shesca, viro o olhar pro chão projetado no monólito. Derrubando as árvores do Grande Mar de Árvores, um monstro com oito pernas finas, feito uma aranha, espetava os moradores da tribo da floresta.

— É grande. Do mesmo tamanho da manta da última vez.

— Mas, diferente da última, já é uma bênção não voar, viu.

De fato. Da última vez, além de voar, era numa área de deserto, então já era difícil só de lutar. Dessa vez, tem lugar pra se esconder, e parece até vantajoso. Mas preciso tomar cuidado pra não ficar embaixo de alguma árvore gigante derrubada.

— De qualquer forma, vamos logo. Se não for rápido, aquela vila vai ser exterminada.

Ao teletransportar pro chão, as mulheres da tribo atiravam flechas e ativavam magia, resistindo à Phrase.

Magia não funciona nas Phrase. A própria magia é absorvida, junto com a energia mágica. Diferente da "Pulseira Suga-Magia", que não consegue absorver magia em si, ou da "anulação de magia" do [Demon's Lord], que só anula, essa habilidade incômoda converte a própria magia em energia mágica.

Mulheres de pele morena avançam com sabres curvos, mas vão sendo derrubadas, uma atrás da outra, pelos braços afiados que a Phrase estende.

— Itsu! Miyomana, takodjikashigarino!

Uma garota jovem da tribo parece estar dando alguma ordem, mas não consigo entender nada. Não é a língua comum?

Pelo visto, ela é a líder; seja lá qual for a instrução da garota, o esquadrão de arqueiras vai recuando aos poucos. Parecem estar ganhando tempo pra deixar os não combatentes fugirem.

Mirando nessa garota, a perna da Phrase-aranha se estende feito uma lança.

— [Accel Boost]!

Tiro a espadona de mithril do [Storage] enquanto corro pela floresta, e desvio a perna-lança que avança sobre a garota. Ergo no colo a garota, surpresa com o meu surgimento repentino, e dou um salto grande pra trás, me distanciando da Phrase.

Ponho a garota no chão e empunho a espadona de novo.

— Deixa isso comigo e vai se refugiar logo… ah, não entende a língua, né.

Aponto pro fundo da floresta, indicando pra fugir pra lá. Mas a garota estreita os olhos, séria, e avança pra cima de mim.

— Emou, oretototokoichimerako?! Sanato aneko, boko!!

— Não, eu já disse que não entendo.

Olhando pra garota, percebo que as mulheres dessa tribo são muito valentes. A garota diante de mim também segura um machado numa mão, e o corpo inteiro está pintado com tinta vermelha.

A pele morena tem um ar saudável, mas a roupa que cobre o corpo dela é meio complicada. Na parte de cima, só uma faixa cobrindo o peito; na parte de baixo, só uma tanga. Usa sandálias e algo parecido com braçadeiras nas mãos, mas é quase seminua. Parece ser uma tribo que vive bem longe do estilo de vida urbano.

E essa garota, deve ter mais ou menos a minha idade, mas, bem, tem bastante "coisa" ali. A faixa quase estoura de tão volumoso o que exibe, e meus olhos quase vão sem querer; desvio o olhar depressa.

— Emoumenaguriodo! Oachinakuohokakonoa! Keresorurize!

Ela dispara um monte de coisa, mas não entendo nada. Será que ela percebeu que eu tava dando uma olhadinha?

Por enquanto, empunho a espadona e avanço contra a Phrase-aranha. Miro numa perna só. No momento do golpe descendente, ativo [Gravity]. A espadona, virando arma de super peso, esmigalha a perna fina em pedacinhos.

— Pelo visto, dá pra resolver com [Gravity].

Mas a perna esmigalhada se regenera na hora. Deve ter absorvido a magia que a tribo lançou há pouco. No fim, pra derrotar essas coisas, só resta destruir o núcleo mesmo.

Os núcleos ficam alinhados em três, em espaçamento igual, no centro do corpo. Brilhando laranja, igual da vez da manta.

— Lindsey! Leen! Derrubem gelo em cima dessa coisa!

As duas, reagindo às minhas palavras, conjuram a magia de água [Ice Rock] e derrubam um grande bloco de gelo sobre a aranha. Por um instante, a Phrase afunda o corpo com o peso, mas tenta se sacudir pra tirar, girigiri. Só que não vai ser assim tão fácil.

Salto e piso em cima do bloco de gelo que caiu sobre a Phrase. Ativo [Gravity] e mudo o peso do bloco de gelo pra dezenas de vezes mais.

Com o som do corpo rangendo, gi, gi, gi, gi, gi, o bloco de gelo começa a rachar, paki, paki. Pelo visto, o gelo mágico não aguenta o próprio peso. Que resistência aguentar até aqui, hein.

Por fim, o gelo se estilhaça, e a Phrase, livre do peso, salta pra cima. Nesse exato momento, desço com força a espadona, com [Gravity] ativado, sobre a cabeça dela.

— Estilhaça.

Desfiro um golpe que quase afunda no chão, contra o corpo da Phrase-aranha. Gakyaaaan! Com um estrondo enorme, a Phrase-aranha se estilhaça. Do meio dos cacos espalhados, gaga-lá, com um estrondo, atiro na Brunhild os três núcleos que rolam pra fora e destruo todos.

— Fuu…

Consegui resolver. Muito mais fácil do que da última vez, incomparável. Graças a [Gravity]. Só que o difícil é não poder usar diretamente no corpo da Phrase.

— Emou… nonamenedo…?

A garota morena de antes murmura isso, com uma cara de descrença. Ainda não entendo nada do que ela fala, mas dá pra ver na expressão que ela está surpresa.

Olhando ao redor, dá pra ver vários feridos caídos. Isso não tá bom.

— Travar alvo. Feridos num raio de 500 metros. Ativar [Cure Heal].

— Entendido. Alvos capturados. Ativando [Cure Heal].

Um círculo mágico de luz surge acima dos feridos caídos, e uma luz suave despenca sobre eles. Assim que recebem a luz, os ferimentos dos feridos se fecham na hora, curados.

A garota, vendo isso, corre até a companheira caída.

— Resolveu bem fácil, hein.

A Leen se aproxima de mim, que desço saltando dos escombros da Phrase estilhaçada. É verdade mesmo. Parece até mentira o quanto sofremos da última vez.

A Leen pega pedaços espalhados da Phrase, um em cada mão, e bate levemente um no outro. Depois, batendo com força, eles se quebram fácil. O que ela está fazendo?

— Só tem resistência parecida com vidro, hein. Eu tava pensando se não dava pra fazer uma arma com esse caco.

Hm. De fato, se tiver uma arma daquela dureza, talvez a Elsie e a Yae também consigam exterminar Phrase. Mas, se a resistência cai tanto assim depois de morta, não tem valor como material. Será que serve pra substituir artesanato de vidro?

— Afinal, por que essas coisas são tão duras assim? Será que usam algum tipo de magia de defesa…

— …É isso! Magia de endurecimento por energia mágica! Se esse corpo tiver a característica de amplificar, acumular e liberar energia mágica…!

A Leen pega os cacos de novo, um em cada mão, e, enquanto injeta energia mágica nos pedaços, bate os dois com força. Um som agudo e claro, gakiiin, ecoa, mas os cacos não se quebram.

— Era isso mesmo. Esse material tem uma propriedade parecida com pedra mágica. E mais, a taxa de condução de energia mágica é muito melhor. A conversão de fórmula mágica é quase 100%. Nem acredito que a ligação por energia mágica mantenha uma resistência desse nível.

— Não entendi bem. Resume pra mim.

A Leen fala coisa difícil, mas, no fim, o que isso quer dizer?

— Ou seja, quanto mais energia mágica você injeta, mais esse pedaço absorve e gera uma dureza absurda. E, como consegue acumular energia mágica, mesmo que quebre, se autorregenera. Até a energia mágica acumulada se esgotar.

Uau. Quer dizer que, se fizer uma armadura com isso, dá pra ter uma armadura de dureza absurda, que se regenera enquanto a energia mágica não acabar.

Ao contrário, se fizer uma arma, dá pra ter uma arma indestrutível, enquanto a energia mágica não se esgotar.

O problema é o peso considerável, mas isso não tem nada a ver comigo, que consigo encantar [Gravity].

…………… Isso não é uma mina de ouro?

— Travar alvo. Restos da Phrase, incluindo os cacos. Ativar [Storage].

— Entendido. Capturado. Ativando [Storage].

Um círculo mágico se espalha pelo chão, sobre os restos e cacos da Phrase espalhados, e eles desaparecem, como se afundassem na água. Recolhimento concluído. Argh, se eu soubesse que tinha esse valor, teria recolhido também os das ruínas e do deserto. Que desperdício.

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