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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 114

O Pião de Batalha e as Armas de Cristal

Capítulo 114 – O Pião de Batalha e as Armas de Cristal

— Aaah, perdi de novo!

— Vossa Majestadeee, agora eu! É minha vez!

Risadas de crianças ecoam num canto da estrada. A criança adversária pega o pequeno pião de ferro que foi lançado longe. É o beigoma que fiz como brinquedo pras crianças.

Ensinei como brincar, e as crianças dominaram o jeito de girar num piscar de olhos. Numa arena de balde coberto com pano, travam batalhas acaloradas.

Naturalmente, eu sou o mais forte, e, sem perceber quando, virou o objetivo das crianças me derrotar na brincadeira. Aliás, ainda estou invicto. Fuhaha, não subestimem a habilidade que meu avô me ensinou.

— Por hoje é só. Olha, vou dar um beigoma pra cada um de vocês, então por hoje encerramos aqui.

— Sério?!

— Eeeba!!

— Quando eu crescer, vou virar vassalo de Vossa Majestade!

Ganhar um vassalo por um beigoma só, que barato. Enquanto vejo as crianças se afastando felizes, percebo alguém conhecido parado ali.

De aparência, um cavalheiro sorridente, corpulento, de barba branca. Mas, da cabeça, orelhas de raposa se erguem, e um rabo grosso e comprido balança.

— Não é o Olba-san? Quando chegou aqui?

— Há quanto tempo, Touya-dono. Não, Vossa Majestade, soberano de Brunhild.

É o Olba-san, comerciante de Mismede. Pai da Olga-san e da Alma, e tio do Nicola-san, nosso cavaleiro.

— Ah, quem diria que o próprio soberano estaria brincando com as crianças assim, na beira da estrada. Acabei parando pra observar, sem querer. Mas…

Rindo, o Olba-san pega um beigoma da arena de balde coberta com pano.

— Este aqui é um brinquedo que nunca vi antes. E ainda por cima é simples de fazer. O que acha, será que posso vender isso pela minha empresa?

— Pode, sim. Não é algo que eu mesmo inventei, e não tem técnica de fabricação secreta nenhuma. Ah, se possível, gostaria que o preço fosse algo que dê pra comprar até com mesada de criança.

— Margem pequena, volume grande, é. Hmm. Assim, talvez só vendam uma unidade por criança e depois pare de vender. Nesse caso…

Digno de comerciante. Já começou a calcular lucro e prejuízo. Se não vender bastante a preço baixo, não vira lucro. Não tem sentido se não houver vantagem em fabricar. Normalmente, se quebrar, a pessoa compra outro novo, mas é um beigoma. Não quebra assim tão fácil. É verdade, então…

— Coleção… a graça de colecionar, que tal adicionar essa característica? Por exemplo, ter cores diferentes, ou gravar o brasão da família, emblemas, símbolos de dragão ou de ordem de cavaleiros. Se fizer vários tipos diferentes, não dá vontade de colecionar?

— Entendi! Assim, dá vontade de querer vários, um só! Vontade de completar a coleção… aproveitar isso, não, é uma ótima jogada!

"Aproveitar", hein. Soa meio malicioso, isso. Se despertar o instinto colecionador, não tem limite. Bom, as crianças, que usam mais pra brincar mesmo, se contentam com um só; quem vai colecionar deve ser adulto, então deve ter dinheiro.

— Este país é maravilhoso, viu. Está transbordando de sementes de negócio. E, ainda por cima, quase nenhum comerciante percebeu esse valor ainda — isso é ainda mais maravilhoso!

Uau, o olhar dele já virou o de comerciante mesmo. Pelo visto, a "Companhia Strand", do Olba-san, quer abrir uma filial aqui. Parece que ele veio pedir a permissão e dar uma olhada no local dessa vez. Como a "Companhia Strand" é de comércio exterior, a partir de agora vai ficar mais fácil conseguir produtos de vários outros países, e dá pra pedir a exportação daqui também. Não custa nada dar a permissão.

Chamo o senhor Naitō e o sobrinho, Nicola-san, pra cuidarem da divisão de terreno da filial e dos detalhes finos. O Nicola-san vai como escolta, oficialmente, mas é uma consideração, já que ele deve ter bastante assunto pra conversar com o tio.

Decidi deixar o beigoma livre pra ele fazer o que quiser. Afinal, dizem que vão contribuir com 10% das vendas pro país.

Não imaginei, na época, que o protótipo de beigoma que eu tinha feito acabaria sendo negociado depois entre nobres por um preço absurdamente alto.

— Hmm, então dá pra manter a dureza com energia mágica. Se, no caso de quebrar, se regenera com essa energia mágica, então, se eu programar com [Program] pra absorver energia mágica externa…

Ultimamente, tenho fabricado armas com os cristais de Phrase que consegui. Digamos que é um item que converte energia mágica em dureza. Quanto mais energia mágica injeto, mais a dureza sobe. E ainda por cima, quando fica em forma de lâmina, até o poder de corte muda. Então era isso que dava aquele fio afiado nos braços de lâmina das Phrase.

Injeto uma quantidade considerável da minha própria energia mágica pra aumentar a dureza do cristal. Uso essa energia mágica pra elevar dureza e poder de corte, reproduzindo assim as habilidades das Phrase, como a de regeneração.

— Bom, e assim, fiz. Esta é a primeira katana. O nome é "Tōka".

— Tōka…

A Yae saca da bainha branca a lâmina incolor e transparente. Uma lâmina translúcida, feito vidro, cristal ou gelo. Recebendo a luz de fora da "Oficina", brilha cintilante, faiscando.

— Também fiz pra absorver automaticamente energia mágica externa, principalmente do ar, então acho que dificilmente a energia mágica se esgota. Se achar que o corte ficou pior, é só injetar energia mágica, que deve voltar ao normal.

Só de encostar a lâmina de leve no bloco de ferro preparado pro teste, o próprio peso já corta feito papel, com facilidade. Um fio de corte assustador.

— Com isso, dá pra cortar até aquelas Phrase. Touya-dono, muito obrigada, viu.

A Yae guarda a "Tōka" na bainha de cristal, também feita de cacos de Phrase, e sorri feliz pra mim. Ouvindo isso, sinto que valeu a pena fazer.

Atrás da Yae, toda sorridente, quatro rostos de boca emburrada.

— …Também tenho pra todo mundo, então para com essa cara.

Primeiro, pra Lu, já que usa duas espadas, duas espadas do tamanho de uma katana curta. Basicamente igual à "Tōka" da Yae.

Pra Yumina e Lindsey, não é uma arma direta, mas entrego balas de cristal feitas de cacos de Phrase. No instante do impacto, uma explosão de [Explosion] pra trás faz a bala se cravar na Phrase feito uma cunha. Mesmo que o [Explosion] em si não tenha efeito na Phrase, usar como propelente da bala não tem problema. A ponta é afiada pra cravar com firmeza, e a energia mágica aumenta ainda mais isso. A referência foi aquela arma fictícia que crava estaca de ferro com força usando explosivo, o tal "pile bunker".

Depois, a manopla da Elsie; essa é justamente uma arma que aproveita a dureza, e, além disso, pensando em como concentrar a força num único ponto, virou um acessório com uma protuberância cônica malvada na frente do punho. Pra concentrar força num único ponto, um chifre pontudo e afiado de cada lado. Sinto que, socada com aquilo, qualquer coisa se destrói…

Normalmente, dá pra deslizar pro dorso da mão, e, trazendo pra frente do punho, entra no modo de esmagamento.

— Por precaução, fora de combate isso é perigoso, então deixa nesse estado desativado…

Gogaaan!!

Antes mesmo de terminar de falar, ela já esmigalhou a pedra de jardim colocada no terreno da "Oficina". Aah, francamente! Entendo que ela queira testar, mas, se a Rosetta ver isso, vai chorar.

— Incrível, hein. Fácil de esmagar, mais do que o normal.

— Claro, foi feito pra isso… aah.

Olhando pra pedra de jardim quebrada, penso em que desculpa dar pra Rosetta, mas, do outro lado, ouço o som de árvores caindo, uma após a outra.

— Um fio de corte e tanto.

— Incrível! Uma árvore tão grossa corta feito nabo!

A Yae e a Lu, felizes, se empolgam com katana e duas espadas em mãos, mas, vendo as duas árvores grandes caídas, percebo que desculpa nenhuma vai adiantar mais. Vou levar bronca quietinho… Foi mal, Rosetta. Estranho, por que sempre acaba assim?

A Yumina e a Lindsey também começam a carregar as balas de cristal na arma, mas essa parte eu paro, convenhamos. Não posso deixar o estrago aumentar mais. Minhas noivas têm muita gente do time combativo, viu. Francamente.

Depois de testar o desempenho das armas, por enquanto, voltamos pro castelo, e a Lapis-san vem correndo até nós, com uma cara de afobação. Será que aconteceu alguma coisa?

— Patr… não, Vossa Majestade. Chegou um embaixador de outro país. Peço que troque de roupa pro traje formal e vá logo até onde está o Kōsaka-sama.

Hã? Um embaixador de outro país? Que estranho, é a primeira vez que acontece algo assim. De qual país será o mensageiro, afinal…?

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