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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 117

A Papisa e a Negação de Deus

Capítulo 117 – A Papisa e a Negação de Deus

Como pode existir uma história tão absurda assim? Por que a Phillis tem que ser executada? Justo quando ela finalmente conseguiu agir pelos próprios pensamentos.

— E aí, quando é o dia da execução?

— Sim. Dizem que será realizada na madrugada de daqui a três dias. Parece que tem uma facção tentando impedir a execução, então não foi execução imediata.

Recebo essa telepatia do infiltrado em Ramish, a quem deixei um passarinho familiar. Quer dizer que a Phillis tem alguns aliados, então. Ainda bem que não foi execução imediata.

— Obrigado. Continue investigando; se tiver alguma movimentação, avise.

— Sim.

Encerro a telepatia. Bom, o que eu faço? Claro que não posso abandonar ela. Afinal, eu também tenho responsabilidade pelo que aconteceu com a Phillis.

— Francamente, é por isso que religião é complicado. Sempre acham que só eles estão certos.

A Elsie, com os cotovelos na mesa da sacada, nem tenta esconder a raiva. Já contei sobre a Phillis pra todo mundo, por enquanto. Omiti a parte de encontrar deus, mas. Falei como se ela tivesse mudado de fé por causa da minha persuasão, digamos, repensado e reconsiderado tudo.

— …E aí, o que vai fazer?

— Vou lá de frente mesmo. Pra pedir pra pararem a execução.

Respondo de forma direta à pergunta da Lindsey. Afinal, sou rei de um país, mesmo que só de nome. Não devem conseguir ignorar. Vou acertar as coisas com a tal Papisa. Acho que não tem problema salvar uma ex-padre.

— E se, mesmo assim, não pararem, o que este servo faz?

— Hmm, arrombo a cadeia e sequestro a Phillis?

— Isso vira problema internacional, viu?

De fato, a Yumina pode ter razão, mas acho que, como último recurso, é aceitável. Na real, meu país deve conseguir se virar bem sem depender de um país daquele.

Antes de perguntar ao deus, achava que talvez o tal deus da luz Rals existisse de verdade, então me continha um pouco, mas, sabendo que esse deus não existe, é outra história. Depende da atitude do outro lado, mas não preciso me segurar. Corte de relações diplomáticas, tudo bem por mim. Não preciso me forçar a manter relação nenhuma.

Viro o olhar pro Kōsaka-san, que aguardava ao lado.

— Afinal, tem algum problema se aquele país me odiar?

— Bom, por enquanto, nenhum. Só que pode mandar fiéis pra causar implicância.

Isso também é meio ruim, hein. Aliás, será que um fiel de um deus que se autoproclama de luz e justiça pode fazer esse tipo de coisa sinistra?

— "Se é pela justiça, tudo é permitido." Talvez seja esse o pensamento deles. Que palavra conveniente, francamente.

A Lu murmura isso, com uma cara de descrença. Falando nisso, alguém uma vez disse: é porque o mundo está cheio de "aliados da justiça" que a guerra nunca acaba.

— De qualquer forma, não dá pra deixar quieto. Vou dar uma passada lá.

— Então, a gente também…

— Não, dessa vez eu vou sozinho. Se formos todos juntos, não sei o que o outro lado pode aprontar.

Por precaução, decido levar só o Kohaku. Devem falar que, como rei, tenho pouco senso de gestão de crise, mas, sinceramente, não sei o que pode acontecer, e sozinho é mais fácil de me proteger.

Bom, será que o outro lado vai reagir como?

— O quê? Você é o soberano de Brunhild? Não tenho tempo pra lidar com idiota, volta logo pra casa!

Usando Babylon, chego até a frente do grande templo de Isura, capital da Teocracia de Ramish, e levo um fora, sem nem me deixarem entrar.

Bom, não é sem razão. Afinal, não tenho prova nenhuma.

— Bom, chama logo a Papisa ou alguém importante. Tenho um assunto pra tratar.

— Seu desgraçado! Chamando a Papisa sem nenhum tratamento?!

— Mesmo que você diga isso, eu não sou fiel, nem cidadão deste país, sabia?

Achei que estava falando com calma, mas o cavaleiro no portão fica bravo e saca a espada. Ei, ei, assim do nada?!

Desvio da espada que ataca e derrubo a arma dele com um golpe de mão. Com o barulho da espada caindo no chão, garan, mais cavaleiros do fundo do templo vêm chegando, um atrás do outro.

— O que foi?!

— É um invasor! Um sem-vergonha que insulta a Papisa e finge ser o soberano de Brunhild!

— O quê?!

Num piscar de olhos, sou cercado. Um, dois, três, quatro… são quase vinte pessoas. Que número pra enfrentar uma pessoa só. Isso não parece meio covarde demais pra fiéis de um deus da justiça? Ah, mas "aliados da justiça" costumam atacar um vilão sozinho em grupo mesmo. Será uma questão de teoria?

— Vou repetir mais uma vez. O soberano de Brunhild deseja um encontro com a Papisa de Ramish. Poderia me acompanhar até lá?

— Ainda insiste nisso?!

Sem hesitar, disparo uma bala de paralisia no cavaleiro que ergue a espada e avança. Vendo o cavaleiro desabar direto no chão, os outros hesitam por um instante, mas mesmo assim vêm com um grito de guerra pra cima de mim. Saco na mão direita a espada-arma Brunhild de mithril, na esquerda a Brunhild feita de chifre de dragão negro, e vou atirando nos cavaleiros que avançam.

Nem levou um minuto pra neutralizar todos. Escuta quando alguém fala, francamente.

— Que gente complicada, senhor.

— Sem dúvida.

Balanço a cabeça sem querer, concordando com o que o Kohaku, que vem trotando atrás de mim, diz. Mas o que eu faço, hein. Invadir assim sem permissão também… ah.

Aplico [Recovery] num dos cavaleiros caídos, tirando a paralisia dele.

— Deve ter um padre chamado Nest-alguma-coisa aqui. Chama ele. Se ele se recusar, é só falar que vou revelar o segredo da cabeça dele.

Aquele padre careca já me conhece, afinal. Pelo menos deve me tratar de um jeito razoável.

O cavaleiro, mesmo apavorado, desaparece pro fundo do templo. Depois de um tempo, o padre Nest aparece, trazendo atrás de si vários que parecem cavaleiros sagrados, vestidos de armadura branca de corpo inteiro. Ah, a peruca dele tá nova.

— Isso é… Vossa Majestade, soberano de Brunhild?! Por que está aqui?! Não, mais do que isso, o que significa essa situação?!

— Vim porque tenho um assunto com a Papisa. Essas pessoas me atacaram do nada, então só me defendi. Não escutam nada do que se fala.

Aponto pros cavaleiros caídos no chão e explico pro padre Nest.

— O senhor sabe o que fez? Derrubou soldados de outro país e tentou invadir o templo à força! Isso é um problema internacional.

— E sacar espada e atacar de repente o rei de outro país não é problema internacional? Você é que não sabe, não é?

Devolvo o mesmo tipo de olhar ao Nest, que me encara. Que saco. Esse aí com certeza me odeia. Bom, também não pretendo ser querido por ele. Deixa isso e me leva logo.

— O que estão fazendo.

Do fundo do templo, aparece um homem de meia-idade, vestindo um manto reluzente. Cabelo penteado pra trás, bigodinho fino. Parece um ditador de algum lugar. Só que esse aqui parece mais alto.

— Cardeal Zeon…

O padre Nest murmura isso, virando-se. Cardeal? Se não me engano, é a posição alta, logo abaixo da Papisa, com vários ocupantes?

— O que é esse aqui, padre Nest. Causar tumulto neste templo sagrado é francamente desagradável.

Estalando a língua, tsc, o cardeal vira o olhar pro padre Nest. Ora, ora, que atitude e tanto.

— E-esse aqui, não, esta pessoa é Vossa Majestade, o soberano de Brunhild. Deseja um encontro com Sua Santidade a Papisa.

— O quê…!

Ele arregala os olhos, olha pra mim, e depois me examina de cima a baixo, avaliando. Francamente. Será que deveria ter vindo com uma roupa mais apropriada, em vez da roupa comum do dia a dia? Da próxima vez, vou pedir pro Zanack-san costurar algo. Tem gente demais neste mundo que julga pela aparência.

— O senhor é mesmo Vossa Majestade, soberano de Brunhild?

— Sim.

— Qual seria o assunto que o rei de um país tem diretamente com a nossa Papisa? Se me permitir, eu mesmo posso ouvir.

— Gostaria de falar diretamente com Sua Santidade a Papisa. Poderia me acompanhar até lá?

Cruzo o olhar com o cardeal; os dois sorrimos, mas é um jogo de xadrez de intenções ocultas. De jeito nenhum dá pra confiar nesse aí. Mesmo que eu pedisse aqui pra parar a execução da Phillis, é bem duvidoso se essa palavra chegaria até a Papisa.

— …Por aqui.

Guiado pelo cardeal, entro no templo. Firmemente cercado pelos cavaleiros sagrados, sou levado a esperar num quarto. Durante esse tempo, recebo os olhares de fúria dos cavaleiros sagrados, sentado em silêncio numa cadeira. Completamente fora de casa, hein.

Não deve ser atacado bem aqui, mas nunca é demais ficar em guarda.

Depois de um tempo, o cardeal vem me buscar no quarto.

— Sua Santidade a Papisa vai recebê-lo. Por aqui, por favor.

Sou levado de novo pelo cardeal pelo corredor do templo. Um templo desnecessariamente grande, hein. Por fim, subimos uma escadaria longa, e, ao abrir uma porta luxuosa com bordas douradas, chego a um grande salão.

Na parede à esquerda, alguns vestidos com manto igual ao do cardeal Zeon e outros com manto de padre estão enfileirados; à direita, os cavaleiros sagrados estão enfileirados. Na frente, num degrau mais alto, uma velha de olhar afiado, vestindo um chapéu grande e comprido e um manto branco puríssimo, estava sentada. Essa é a Papisa, Elias Ortola, então.

— Seja bem-vindo ao meu templo, Vossa Majestade, soberano de Brunhild. Sou a Papisa, Elias Ortola.

— Muito prazer, Sua Santidade. Peço desculpas por essa forma de visita.

Digo isso e curvo a cabeça. Não tenho culpa nenhuma, mas é fato que derrotei os cavaleiros daqui.

— …Tenho várias coisas a dizer, mas, primeiro, vou ouvir o que tem a dizer. Por que veio ao meu templo?

— Gostaria que interrompesse a execução da padre Phillis Rugitto.

Ao pronunciar esse nome, o salão começa a se agitar, murmurando. A Papisa observa isso de canto de olho, e depois me encara firme.

— Que coisa estranha. Interferir na punição de um criminoso de outro país. Não parece nem um pouco a ação de um rei.

— …Criminosa, é? Qual seria o crime, afinal?

— Declarou publicamente que o nosso deus supremo, o senhor Rals, é um deus falso. Isso é uma traição imperdoável pra um padre. Além disso, também há suspeita de ela ser um Vampiro que atacou pessoas. Almas malignas das Trevas precisam ser purificadas.

Hã? A Phillis, Vampira? Como assim? Quer dizer que, sendo Vampira, ela escondeu isso e virou padre?

— Senhor. Não se deixe enganar. Aquela menina era, com certeza, humana. Isso eu sei pelo cheiro.

Chega essa telepatia do Kohaku. Digno do Kohaku. Mas tem algo suspeito nisso. Parece que a história foi montada de um jeito conveniente demais.

— Que história estranha. Se ela fosse Vampira, quer dizer que até agora não conseguiram perceber isso? Nem com o tal poder de deus?

— …O senhor Rals jamais perdoa o mal. O castigo divino sempre cai. Como desta vez.

Que castigo divino, uma ova. Não é só um jeito conveniente de calar a boca dela? Chego a desconfiar se essa velha já não sabe que um deus chamado Rals não existe.

— Mesmo assim, apareceram bastante vítimas, não é? Se o castigo divino tivesse caído mais cedo, essas pessoas não teriam sofrido, não?

— As vítimas devem ter acumulado algum tipo de pecado também. Quem tivesse fé profunda com certeza seria salvo.

Não dá pra conversar. Só motivo inventado depois, sem prova nenhuma.

— …Então, de jeito nenhum, não pretende interromper a execução da Phillis?

— O mal precisa ser julgado. E a alma, purificada. É justamente essa a salvação para ela.

…Aah. Já tá ficando ridículo demais isso. Não acreditar em deus é maligno. O que é conveniente, é mérito de deus. O que é inconveniente, culpa da falta de fé. E, com isso, pretendem tirar legalmente a vida de uma pessoa; fico sem palavras de tanta descrença.

— Ridículo. Vocês é que não têm salvação nenhuma.

— O quê…!

Com minha fala, todos ao redor congelam. Até a Papisa arregala os olhos. Chega de fingir educação. Já que não dá pra conversar, vou fazer do meu jeito.

— Afirmo com certeza. O deus da luz, Rals, não existe. É tudo um deus falso, inventado, e a Phillis só percebeu isso. Podem acreditar no deus que quiserem, mas parem de decidir que quem não acredita é maligno. Não pensem que só vocês são especiais.

— Seu desgraçado! Está zombando do nosso deus?!

Os cavaleiros sagrados enfileirados à direita estendem a mão pro punho da espada, todos de uma vez.

— Foi mal, então. Traz esse tal Rals aqui. Faço reverência no chão e peço desculpas.

Se conseguirem trazer, claro.

— Eu nego o deus de vocês. Nego essa doutrina que usa o nome de um deus pra fingir justiça e tentar matar uma garota inocente. Vou dizer mais uma vez. O deus de vocês não existe.

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