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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 119

O Segundo Advento e a Coisa que se Move

Capítulo 119 – O Segundo Advento e a Coisa que se Move

— Estava assistindo o tempo todo?

— Fiquei um pouco curioso. Aí vi que a mocinha tinha sido capturada, e senti uma certa culpa de ter feito besteira desnecessária. Mas também não posso ajudar diretamente.

Bom, entendo o sentimento. Dá até pra dizer que foi por causa do deus ter incentivado ela de forma estranha que chegou a esse ponto.

De repente, olho pra Phillis e pra Papisa, e a Phillis está prostrada, curvando a cabeça no chão, enquanto a Papisa está de olhos arregalados de surpresa.

— Ééé… Vossa Majestade, quem é esta pessoa?

— É deus, viu.

— De… deus?!

O olhar da Papisa vai vertiginosamente entre mim e o deus, alternando. Ué? Está surpresa, mas parece não acreditar muito? Ah, ela acabou de usar o olho mágico. Parece ter percebido que não é mentira, mas parece confusa.

— Ah, é, deus. Faz aquele negócio brilhante, sabe.

— Hã? Você não me disse pra não fazer isso da última vez?

— Assim fica mais fácil de entender, né.

O deus murmura "hm", e, na hora, começa a emitir uma energia divina ofuscante. Uau, vem forte. Isso é a dignidade de um deus, é. Deve ser aquilo de auréola; a aura não é brincadeira. Uma luz que convence, sem motivo nenhum, de que essa pessoa é deus.

Sua Santidade também se prostra na hora, no chão, igual à Phillis ao lado.

— Já tá bom?

— Sim, já basta.

A pressão de luz desaparece. Mas, hein. Por que eu tenho resistência a isso, comparado com essas pessoas? Será também graças ao "aumento de base" que o deus fez em mim?

— O que foi?

— Não, é que fico pensando por que, mesmo vendo essa luz, eu não fico desse jeito. Fez alguma coisa?

Inclino a cabeça, observando as duas prostradas.

— Falando nisso, é estranho mesmo. Se um humano recebe energia divina, geralmente fica assim. Mas eu não fiz nada de especial…… ah!

— ………O que foi esse "ah"?

Você acabou de fazer uma cara de "ferrei" total agora, né! Fez, né! Ah, desviou os olhos! Não assobia, esse jeito de fingir que não é nada tá muito ultrapassado!

— …Deus?

— Aah… éé, quer dizer… espera um pouco.

O deus ergue a mão direita sobre a cabeça, e algum tipo de poder é liberado. O que foi isso?

— Parei o tempo dessas duas também. Se ouvirem, dá trabalho, né.

É mesmo? Bom, difícil dizer, já que as duas estavam prostradas o tempo todo mesmo.

— E aí? Como assim?

— Aah… você morreu uma vez no seu mundo original. E eu te ressuscitei, né.

— Sim.

Que conversa é essa agora. É por isso que estou vivendo bem, assim.

— Normalmente, ao restaurar um corpo morto, o comum é reparar as partes danificadas do corpo e as partes faltantes do corpo espiritual usando material do próprio mundo. Mas fiquei apressado quando você morreu, viu. Chamei seu corpo pro mundo dos deuses, digamos o domínio divino, antes de te ressuscitar.

— …Quer dizer, como assim?

— A substância que forma seu corpo é substância do domínio divino, ou seja, pra simplificar, é próxima do corpo de um deus.

Hã?! Que negócio é esse?!

— Mas eu canso se correr, e me machuco também, viu? Mesmo dizendo que é próximo do corpo de um deus…

— Ah, é que ainda não faz nem um ano que você renasceu, então é assim mesmo. Não lembra de mais nada diferente das outras pessoas?

Me lembro. A quantidade de energia mágica, a magia de atributo nulo. Aquilo não era feito do deus…? Não, no fim, é culpa do deus mesmo.

— Foi por descuido. Haha ha.

— Não é "haha ha", não… E aí? Tem algum efeito colateral?

— Não tem nada de mais, não. Pode pensar que ganhou um corpo resistente. Talvez desperte algum poder estranho, mas, se isso acontecer, me avisa.

Poder estranho, que negócio é esse?! Espero que eu não acabe emitindo aquela luz ofuscante também…

…Bom, tanto faz. Contanto que não morra nem tenha efeito colateral nenhum. Se eu conseguir viver como sempre, não tem problema.

Ah, falando nisso.

— Deus, você conhece as Phrase?

— Phrase? Que negócio é esse?

Não sabe mesmo, hein. Disse que quase não dava uma olhada neste mundo até me mandar pra cá. Como o deus disse, mesmo que este mundo estivesse a ponto de ser destruído, o básico é que os próprios humanos deste mundo dessem um jeito.

Mas, se o deus não interferiu em nada, quem afugentou as Phrase há 5000 anos…?

O deus ergue a mão direita de novo e libera o poder. Deve ter feito o tempo das duas voltar a andar. O Kohaku continua parado. Sinto pena, parece que ele tá sendo deixado de fora…

— As duas, ergam o rosto. Mocinha. Foi mal ter chegado a esse ponto.

— N-não! Por favor, não se preocupe!

— Parece que a Papisa aí também acabou envolvida. Desculpa aí.

— Ah… é uma honra excessiva demais…

As duas finalmente erguem o rosto. A Phillis, já sendo a segunda vez, está tensa, mas parece normal. Já Sua Santidade, dos dois olhos, azul e verde, escorrem lágrimas em cascata. Bom, não é sem razão.

— Ouvi a conversa. Deve ter sido difícil até agora. Deve ter sido duro viver carregando esse segredo. Já tá tudo bem agora.

— Que palavras generosas demais…

— "Tudo bem", o que você pretende fazer?

Será que o próprio deus vai dizer "não existe deus da luz nenhum, a organização religiosa está dissolvida"? De fato, isso parece ser o jeito mais rápido, mas.

— Isso aí, olha, o Touya-kun deve resolver, né?

Vai jogar tudo pra mim, é?! Isso não é irresponsabilidade demais?! Não, quer dizer, originalmente não devia mesmo pedir ajuda de um deus, mas!

— Hmm… não é como se bastasse derrotar os cardeais. Se contar a verdade pro povo, com certeza vira pânico.

Antes disso, é bem provável que nem acreditem. Já dá pra prever que eu seria chamado de mentiroso.

— Bom, o povo não tem culpa nenhuma. Não importa como começou, eles só acreditam no deus da luz mesmo. Aquele pensamento de "em nome da luz e da justiça, destrua o mal, seja lá qual for" parece exagero demais, mas.

— Este país já não consegue existir sem um deus. Se pelo menos conseguíssemos mudar a doutrina…

A Papisa murmura isso, abaixando a cabeça.

Mas mudar a doutrina não é tão fácil assim, não. É praticamente descartar metade da fé que sempre tiveram. O que eu faço, hein… Seria bom se acontecesse algo que mudasse o jeito de pensar deles. Se o deus aparecer aqui, na frente dos fiéis, aí já é interferência total. No fim, só resta nós resolvermos isso mesmo…

— Bom, isso deixo com o Touya-kun. Mais do que isso, acho melhor dar um jeito naquele que tá aí embaixo.

O deus bate com o pé no chão de pedra da masmorra, tan-tan. Embaixo? Ouvindo isso, a Papisa fica com o rosto tenso.

— Já tinha percebido… Que o espírito das Trevas que o senhor Ramires, fundador deste país, invocou… ainda está debaixo deste templo.

— O quê?!

Desde a fundação, mil anos, é?! Mesmo sendo espírito, é igual a besta invocada, né? Pra se manter neste mundo, não precisa de energia mágica de algum lugar? Não, pra começo de conversa, por que o espírito das Trevas ainda está aqui?!

— O senhor Ramires, fundador da Teocracia de Ramish, acabou sendo dominado pelo espírito das Trevas ao contrário, com a mente corroída. E o senhor Ramires, já fundido com o espírito, foi selado nesta terra pelos cardeais da época. Isso também foi conveniente pros cardeais. Porque a característica do espírito de interferir na mente não se perdeu, e podia virar poder pra organização religiosa, neste país. Nem vivo, nem morto, o senhor Ramires continua até hoje como o alicerce da organização religiosa.

A Papisa conta isso como se estivesse confessando diante do deus.

Que história. Então esse segredo foi passado adiante desde os cardeais daquela época. Agora entendo bem a estranheza dessa organização. Se a energia mágica está fundida com o invocador, não tem problema mesmo. Mas duvido muito que tenha uma consciência normal.

— Em quem tem resistência mágica forte, tipo você e essa mocinha aí, o poder do espírito das Trevas não alcança, mas pras pessoas comuns não é assim. Até hoje, sem perceber, devem estar sendo puxados pela consciência desse tal Ramires.

— Então, se der um jeito nesse espírito das Trevas…

— Pelo menos a devoção excessiva deve desaparecer. Daí em diante, depende do sentimento e pensamento de cada um.

Entendi. Primeiro, cortar a raiz, então. Mesmo assim, deve ter gente do tipo "tudo é permitido pela justiça!" mesmo assim.

— Mas talvez seja melhor se apressar, hein? Mesmo falando em selo, já está bem desgastado. O poder das Trevas está vazando.

— É verdade. Por causa disso, está acontecendo um fenômeno de pessoas terem a força vital sugada por toda a capital. Oficialmente, é atribuído a vampiro, mas…

Então essa é a verdade por trás do caso do vampiro. Mas sugar força vital não é ruim? Isso quer dizer que está acumulando poder…

— Por enquanto, vou dar um jeito nesse espírito das Trevas… Tem alguém que possa ficar do lado de Sua Santidade?

— Alguns cardeais também desejam reforma, igual a mim. É minoria, comparado com a facção do Cardeal Zeon e companhia, mas…

Mesmo assim, é melhor do que não ter ninguém. Acho melhor esconder a origem do país, mas o ensinamento que faz interferência mental via espírito das Trevas, ou executa sem hesitar quem nega o deus, que nem a Phillis, está errado.

— Bom, então tudo bem deixar o resto com você? Vou ficar de olho por um tempo, então conto contigo, Touya-kun. Tchau.

— Quê?! Vai jogar tudo pra mim mesmo?! P-pera…!

Sem tempo nem de reclamar, o deus desaparece com as partículas de luz. Escapou! Droga, empurrando um trabalho complicado desses pra mim! Podia ajudar um pouquinho, pelo menos!

O tempo volta a andar, e o Kohaku fica de boca aberta, confuso.

— Senhor. Senti uma sensação estranha agora…

— Não liga. Não faz mal nenhum.

— Certo…

Deve ser porque a percepção do Kohaku não conseguiu acompanhar a mudança de posição e postura, entre antes e depois do tempo parar. Explicar também dá trabalho, e prefiro que ele não ligue pra isso.

— …Sinto como se tivesse tido um sonho…

— Eu também senti isso, Sua Santidade.

Talvez por causa da felicidade de ter se encontrado com o deus, a Papisa murmura isso como quem acalma um sentimento agitado, e a Phillis dá uma risadinha, vendo aquilo.

Nessa hora, uma sensação arrepiante atravessa minhas costas. Uma sensação ruim, como se algo estivesse se mexendo. Vindo de baixo… não pode ser.

— Isso parece que virou uma situação meio ruim, hein. O selo do espírito das Trevas tá quase se soltando.

— Não pode ser?!

O rosto da Phillis fica pálido. E, do subsolo, começa a ecoar um rugido baixo da terra. Cada vez pior. De qualquer forma, preciso escapar daqui!

Atravesso a grade deformada com [Modeling], levando a Phillis e a Papisa, e subimos a escada. O rugido da terra continua durante isso, parecendo ficar cada vez mais forte. Se não tomar cuidado, essa masmorra vai desabar!

Ao sair pro corredor com portas dos dois lados, confiro se não tem outro prisioneiro, por precaução, mas, felizmente, não tinha ninguém, então seguimos correndo escada acima.

— Quem é você?! Como saiu da masmor… uraaa?!

Ao chegar no topo da escada, dou de cara com o guarda e acabo disparando uma bala de paralisia nele, sem querer. Droga. Não dá pra deixar ele aqui, que complicação!

— Kohaku! Volta pro tamanho original!

— Às ordens.

A Papisa se surpreende com o Kohaku, que de repente fala e cresce, mas não tenho tempo pra explicar. Ponho o guarda paralisado nas costas do Kohaku, e escapamos do subsolo.

Corremos pelo corredor do templo, e, ao chegar num lugar parecido com um pátio, a noite já tinha caído completamente. A lua estava alta. Ao checar a hora, já tinha passado da meia-noite.

Até aqui não tinha barreira erguida, então uso [Gate] pra teletransportar até o centro da cidade.

O rugido da terra já estava virando algo que dava pra chamar de terremoto, e a cidade estava lotada de moradores que perceberam que não era algo normal. Pelo visto, o povo deste país não tem nenhuma imunidade a terremoto.

Enquanto desço o guarda das costas do Kohaku, as pessoas ao redor percebem Sua Santidade. Convenhamos, a Papisa deve ser famosa mesmo, porque num piscar de olhos já é cercada por toda a cidade. Já bastava o rugido da terra, então devem estar apavorados demais.

— Sua Santidade! O que está acontecendo, afinal?!

— Fiquem calmos. Antes de mais nada, por segurança, afastem-se daqui…

Bem quando a Papisa começa a explicar pra se refugiarem, com um som de explosão tremendo, parte do templo na colina explode pelos ares. De dentro da poeira que se levanta, algo sai rastejando. O que é aquilo?!

Falando de forma grosseira, um gigante. Mas aquilo não tem forma humana nenhuma. Pele completamente negra, dois chifres retorcidos. Inúmeros bracinhos pequenos crescendo da lateral do corpo, seis tentáculos se estendendo das costas. Na parte de baixo, várias pernas tipo polvo se esticam; sem olhos, só uma boca enorme rasgada na horizontal.

— Go, ga, gu, ga, gaaaaaaa!!!

Aquela coisa solta um grito de guerra sinistro, que parece ecoar do fundo da terra. O ar treme. O grito, que ressoa por toda a capital, era suficiente pra jogar as pessoas no fundo do poço do terror. Começam a tremer e desabar, um atrás do outro. Será a habilidade de interferência mental? Talvez esteja amplificando o sentimento de medo.

"Magatsukami", deus da desgraça. Essa palavra me vem à cabeça. Aquilo é o que restou do espírito das Trevas e do invocador antes chamado Ramires, fundidos. Um monstro que renasceu depois de mil anos.

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