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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 122

A Nova Magia e a Magia de Voo

Capítulo 122 – A Nova Magia e a Magia de Voo

— Eu queria voar pelo céu.

— Ah, mas falar assim, viu…

Tomando chá preto na varanda, a Leen franze a testa. Já tinha pensado nisso durante o caso de Ramish outro dia, e antes disso, durante o golpe no Império: às vezes a gente enfrenta inimigo que voa. Nessa hora, poder voar ou não faz uma diferença enorme.

Invocar um [Griffon] e lutar montado nele até é uma opção, mas voar por conta própria deve ser mais prático de várias formas. Foi por isso que perguntei à Leen se existia alguma magia assim.

— Dá pra usar magia de Vento pra se lançar pelo ar, mas provavelmente não vai conseguir se mover livremente, viu? Originalmente é uma magia pra arremessar o inimigo longe. É mais "ser arremessado" do que "voar" mesmo.

— Hmm, isso não rola muito bem… Vai ter que ser magia de atributo nulo mesmo, né?

— Deve ser. Só que, infelizmente, eu não conheço nenhuma.

Pergunto se até um povo das fadas, tão versado em magia, tem magias que não conhece, e ela explica que não tem sentido, já que é impossível aprender magia de atributo nulo de outra pessoa. Ah, é mesmo. Magia de atributo nulo é individual. Mesmo que outra pessoa saiba dela, normalmente não dá pra usar. Não adianta nada pesquisar uma magia dessas.

Então só resta pesquisar em textos que registrem magias de atributo nulo. Comprei do livreiro tudo que tinha de enciclopédias de magias curiosas, tipo dicionários grossos, e juntei tudo na biblioteca do castelo. Esses livros trazem explicações sobre magias de atributo nulo de todas as épocas e lugares. O conteúdo varia de magia inútil a magia realmente prática. Essa aqui de "fazer a formiga andar em linha reta", pra que serve isso?

— Maninho Touya… a gente vai mesmo procurar em tudo isso?

Pensei em pedir ajuda pra Rene, que estava de mãos livres, mas ela fez uma cara de "eca" só de ver a grossura de um volume. Pois é…

O problema chato desse tipo de livro é que, como cada editora (ou editor) é diferente, as magias listadas se repetem um monte. Você acaba vendo a mesma magia de novo e de novo em livros diferentes.

— Bom, vamos procurar por enquanto. De tarde parece que a Shesca e a Rain-san também vão ajudar.

Sento numa cadeira da biblioteca e, junto com a Rene, vou passando os olhos página por página nos livros. O que estou procurando, a princípio, é "magia de voar pelo céu", mas pedi pra ela marcar também qualquer magia parecida ou que parecesse útil.

Provavelmente deve ser algo como [Flight] ou [Fly], por aí, mas só ficar chutando o nome da magia no ar não ativa nada. Sei lá por quê. Será que preciso reconhecer direito que a magia realmente existe, ou é que eu preciso entender ela pra funcionar?

De vez em quando penso que essa minha habilidade deve ser tipo um poder de cópia. Tipo, duplicar uma magia que já existe e fazer dela minha.

Mas não acho nada. De vez em quando encontro magia interessante, sim. Essa aqui, [Taboo], que impede a pessoa de falar uma palavra específica, acho até engraçada, mas não sei onde usar. Ah, tipo, se eu proibir a palavra "bola de fogo", será que o inimigo fica sem poder usar aquele feitiço? Só que parece que é uma palavra por pessoa, então talvez o efeito não chegue a tanto.

— Maninho Touya, e essa aqui?

— …Não, essa pode deixar.

Na página que a Rene me mostrou tinha [Mosaic]. Pra que serve isso, cara… Pelo visto é uma magia que atrapalha a visão, mas só vem imagem obscena na cabeça. Mosaico é um estilo de decoração com padrões, não é? Por que logo esse efeito?

[Sleep], que faz o alvo dormir; [Silence], que apaga qualquer som à escolha; [Shield], que ergue uma barreira invisível contra ataques.

Achei algumas que parecem úteis. O [Silence] só faz o som parar de ser ouvido, parece não ter efeito de impedir feitiço. Bom, é natural, já que não impede de conjurar, só impede de ouvir.

Mas a principal mesmo, essa eu não acho…

— Ah.

Paro de virar a página. [Levitation]. Magia que faz um objeto flutuar. Mas só até a altura que o conjurador consegue alcançar com a mão, é? Uns dois metros? Parece útil pra carregar coisa pesada, mas já tenho [Storage] pra isso. Ah, mas [Storage] não guarda seres vivos, então deve ser útil pra transportar pessoa ou animal.

— [Levitation].

Testo num livro em cima da mesa. O livro grosso e de aparência pesada flutua suavemente no ar. Ooh, flutuou mesmo. Tento mover o livro pelo ar. Hm, se move com liberdade. De fato, parece não subir além da altura que minha mão alcança.

Testo [Levitation] na Rene, e parece que, com a força dela, ela não consegue se mover livremente no ar. Ela faz movimentos tipo nadando, mas avança bem pouco. Mas, se avança um pouquinho, será que, com algo tipo um leque, ela consegue avançar de verdade?

Faço ela "voar" pelo quarto, e a Rene ficou toda contente, mas será que isso conta como "voar" mesmo?

Só sobe até uns dois metros de altura, e a velocidade é tipo a de andar mesmo. Ah, mas, se eu usar [Enchant], será que dá pra fazer um tapete mágico tipo Mil e Uma Noites?

— Bom, por enquanto vou guardar essa aqui.

Dependendo de como usar, é uma magia que serve pra várias coisas.

Depois disso, de tarde, a Shesca e a Rain-san vieram ajudar. Com a velocidade dobrada, procurando os quatro juntos, foi a Shesca que achou, depois de umas duas horas.

— [Fly]. Sem dúvida, é essa. Flutuação e propulsão por energia mágica. Parece consumir bastante energia mágica, mas provavelmente vai dar certo.

Quem conseguia usar essa magia conseguia voar livremente por uns três minutos. Mas, quando a energia mágica acaba, é queda de cabeça pro chão, é? Bom, no meu caso, em emergência dá pra escapar com [Gate], então acho que vai dar um jeito. Energia mágica pra um [Gate] de uma pessoa só recupera em uns três segundos.

Primeiro, é testar. De qualquer jeito, vamos tentar.

Vou até o campo de treinamento do castelo e concentro a energia mágica. Além da Rene, da Shesca e da Rain-san, o Nicola-san e a Elsie, que estavam treinando, e até o velho Yamagata vieram assistir, mas tento não ligar. Concentração, concentração.

— [Fly]!

Meu corpo flutua suavemente uns um metro. Oooh! Fico girando de direção ali mesmo. Hm, se move do jeito que penso. Vou tentar voar um pouco mais alto. Assim que penso isso, "gyaa", subo de uma vez uns bons dez e tantos metros. Ei, ei, ei!

Ainda não peguei o jeito certo. Parece que tô pilotando um controle remoto que nunca usei. Mas que altura, hein. Tento ver até onde consigo subir, mas no meio do caminho começa a esfriar e paro. Também fica difícil de respirar.

Agora tento ver quanta velocidade consigo. Mas essa também paro no meio. A resistência do vento é absurda. Chega a não dar pra manter os olhos abertos. Hmm, o que eu faço… Ah, é só erguer um [Shield]? Testo, e ficou bem confortável. É, dá pra voar numa velocidade e tanto.

Agora é manobra fina. Tento dar cambalhota no ar, parada brusca, mergulho brusco, subida brusca, voo em zigue-zague, um monte de coisa. Tá ficando divertido. Beleza, agora vamos de cambalhota tripla!

— E aí, se empolgou, passou mal e desceu, é isso?

— Sem desculpa…

Estou desmoronado, com a cabeça no colo da Elsie, à sombra de uma árvore. Já melhorei bastante, mas, nossa, passei por um perrengue… Pensando bem, eu quase nunca andei em brinquedo de parque tipo montanha-russa. Não fazia ideia de que ia sentir isso… É aquilo, já tinha pensado quando atravessamos o grande rio Gau: não é porque não enjoo de navio que não vou enjoar de outra coisa.

Sei lá por que, mas [Recovery] não funciona nesse tipo de enjoo. Da última vez que testei no velho Baba, bêbado, ele voltou à sobriedade de um jeito engraçado. Bom, bebedeira e enjoo de movimento são coisas diferentes mesmo. E o velho Baba, depois de ficar sóbrio, voltou a beber de novo.

— E fora isso, não teve problema nenhum?

— Acho que, por ora, tá tudo bem… Só que, se voar muito alto, fica frio.

Ah, é mesmo, tinha a magia [Warming] pra evitar o frio… Mas, de qualquer forma, o ar fica rarefeito, então não preciso forçar voar tão alto.

Como não dá pra ficar com a cabeça no colo dela pra sempre, me levanto. Ultimamente já nem fico tão sem graça com esse tipo de coisa… Será que não parecemos um casalzinho bobo pros outros?

— Ei, Touya. Se você lançar essa magia de voo em mim, eu também consigo voar?

— Não, acho que não rola. Não é magia que dá pra usar em outra pessoa. Tipo, o seu [Boost] você não consegue lançar na Lindsey, né? É a mesma coisa.

— Ah é…

A Elsie solta um suspiro de decepção. Ué, será que ela queria mesmo voar?

— Se eu te pegar no colo, dá pra voar, sabia?

— Ah, isso é… meio vergonhoso…

A Elsie fica remexendo, vermelha, olhando pra baixo. Colo de cabeça tá tudo bem, mas isso não? Não entendo o critério dela.

— Ah, mas, se eu combinar com [Levitation], dá pra voar assim também, né? Não que você consiga voar livremente sozinha, mas…

Testo levantando a Elsie no ar com [Levitation]. Ela se assusta com a surpresa e se debate, mas depois de um tempo parece se acalmar, então continuo subindo. Como esperado, parou na altura que minha mão alcança.

— [Fly]!

Aqui, uso a magia de voo. Conforme eu subo, a Elsie também sobe. Como esperado. Dá pra subir e descer junto com a minha altura. Se eu prestar atenção direito, dá pra levar voando alguém que eu levantei com [Levitation].

Continuo voando assim e pouso na varanda do castelo. É, sem problema nenhum. A Elsie solta o peito, aliviada.

— Fica balançando, dá medo se a gente não tá acostumada. Acho que passo sem voar mesmo, viu.

Ih. Bom, se cair pode morrer, e ter outra pessoa controlando em vez de você mesma acaba dando essa sensação mesmo.

De qualquer forma, atingi o objetivo, e agora dá pra lutar em pé de igualdade até com monstro voador. Afinal, não dá pra garantir que não vá aparecer algum Phrase voador, tipo aquele tipo arraia.

— Vou voar mais uma vez.

— Dessa vez procura não enjoar, viu.

Com a Elsie me acompanhando com o olhar, dou uma volta pelo céu acima do castelo e vou voando ao longo da estrada principal. Vendo de cima, dá pra perceber como a cidade se espalhou bastante. É algo que emociona.

Ainda tem mais cara de rua de comércio do que de cidade propriamente dita, mas tudo bem. Pouso num beco onde umas crianças brincam de beigoma.

— Uwaa!? O quê, é Vossa Majestade! Que susto!

— Você veio voando pelo céu?!

— Demaaais!

O olhar de admiração das crianças é meio gostoso, viu. Não que eu vá me empolgar tanto com isso.

— Ah!? Essa loja acha que serve isso pro cliente e ainda resolve tudo só com um "desculpa"!?

Uma voz masculina grossa ecoa pela rua. Espio da esquina do beco onde estavam as crianças pra rua, e parece que tem confusão do lado do café.

Dois homens grandalhões com pinta de guerreiro estão pressionando a garçonete na varanda do café.

— Tem bituca de cigarro dentro da comida, ô! Como que eu vou pagar por uma porcaria dessas!

— E como você vai se responsabilizar por isso, hein!? Ainda bem que a gente percebeu, viu, porque se a gente tivesse comido, podia ter passado mal! Tá entendendo, hein!?

Que tipo mais mal-encarado. Parecem uns bandidos mesmo. Aquilo ali é implicância pura e simples.

Vou até a frente da loja e falo com a garçonete.

— O que houve?

— Ah…! E-esses senhores disseram que tinha bituca de cigarro na comida… mas é mentira! Este estabelecimento não tem nenhum funcionário que fume!

— É isso que ela diz, viu? Não foi algum de vocês que deixou cair sem querer?

Falo isso protegendo a garçonete atrás de mim, e os dois com pinta de guerreiro chutam a cadeira e viram os olhos pra mim.

— Hã!? Ei, moleque. Falou bem grande da boca pra fora, hein.

— Deve estar mesmo louco pra apanhar…!

Os dois vêm andando na minha direção estalando os dedos. Aqui vai ficar meio no caminho.

Agarro o braço dos dois e jogo eles, plaft plaft, bem no meio da rua principal.

— Gué!?

— Obuh!?

Como aliviei o peso deles com [Gravity], voam bem longe. Os dois, sem entender direito o que aconteceu, se levantam — um pega um machado, o outro uma espada grande, e vêm pra cima de mim.

— [Slip].

— Ugya!

— Guhē!

Os dois bandidos escorregam e caem espetacularmente. Aumento o peso deles com [Gravity] direto ali, deixando os dois incapazes de se mexer. Agacho perto dos dois, imobilizados pelo próprio peso, e falo com eles.

— Ugigi…!

— Esse tipo de coisa acontecendo no meu país me incomoda, sabia? Como Grão-Duque, isso não dá pra deixar passar.

— "!?"

Quando revelo minha posição, os dois arregalam os olhos, com cara de choque total. Sério, que gente mais incômoda. Bom, o que eu faço agora?

Ah, é mesmo, o meu país não tem nada tipo cadeia. Já que é assim, vou aproveitar pra construir uma.

Tiro um bloco de ferro de [Storage], monto uma cela de uns três tatames de tamanho, confisco o equipamento e os pertences dos dois e os jogo lá dentro. "Cela", mas na verdade é uma caixa de ferro com só um lado transparente. Sem grade nenhuma. Tem um buraquinho de ventilação no teto, direitinho.

Bom, hora de receber o castigo. Assim que fecho a porta, os dois começam a gritar, soltando urros. Bom, acho que estão gritando, pra ser exato. Ficam se contorcendo, tapando os ouvidos. Mas o som não chega até fora. Porque bloqueei com [Silence].

— A-ah, Vossa Majestade? O que tá acontecendo lá dentro…

— Hm? Ah, só tô fazendo eles ouvirem "som", só isso.

— Som?

— Tipo, som de unha arranhando lousa, som de garfo raspando louça, esse tipo de coisa, sem parar.

— Nossa…

A garçonete se afasta um pouco assustada, mas, bom, vou tentar não ligar.

Depois de um tempo, finalmente chegam os guardas correndo. Deixei configurado pra parar o som quando abrir a porta, então digo pra soltarem os dois num momento adequado e entrego a chave.

Ainda tem muita coisa pra fazer, hein. Com gente desse tipo por aí, preciso deixar a segurança do país mais firme ainda. Já tá na hora de criar oficialmente uma Ordem de Cavaleiros, né.

Pensando nisso, decolo de volta rumo ao castelo.

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