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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 123

O Recrutamento da Ordem de Cavaleiros e a Decisão do Capitão

Capítulo 123 – O Recrutamento da Ordem de Cavaleiros e a Decisão do Capitão

— Bom, é isso, tô pensando que já tá na hora de criar a Ordem de Cavaleiros.

Assim que jogo isso na mesa, o Kōsaka-san, sentado à mesa redonda da sala de reuniões junto com todo mundo, se levanta.

— Falando dentro do que dá pra fazer sem forçar o orçamento atual do país: primeiro, temos 30 voluntários que já eram do exército Takeda. Esses já são nossos subordinados de origem, então a identidade de todos já está bem clara. Vamos dividir 15 para cada um, sob o comando do Baba e do Yamagata. Além disso, tem uns 10 do esquadrão secreto de ex-ninjas Takeda liderado pela Tsubaki. E, pro recrutamento novo, um quadro de 60 pessoas, mais ou menos. Pra começar, esse total de uns 100, o que acha?

Sessenta novatos, é. Bom, pra começar deve tá de bom tamanho. Também não é como se fosse uma cidade grande.

Na sala de reuniões, além de mim e do Kōsaka-san, estavam reunidos o Baba, o Yamagata e o Naitō (ex-Quatro Reis Celestiais de Takeda), a Tsubaki-san (chefe dos ninjas), e ainda a Rain-san, a Norn-san e o Nicola-san, os três cavaleiros. Desses, o Kōsaka-san, o velho Naitō e a Tsubaki-san, a rigor, não fazem parte da Ordem de Cavaleiros. Mas pra decidir esse tipo de coisa, é melhor ter eles por perto.

— E os requisitos pra se candidatar, como vai ser?

Respondo à pergunta do velho Baba, que se pronuncia.

— Bom, vamos ver… primeiro, obviamente, criminoso e procurado, reprovado direto. Sem distinção de gênero. Sem distinção de raça. Sem distinção de status ou idade.

— Se abrir um recrutamento assim, não vai vir gente demais?

O que o velho Yamagata tá dizendo até faz sentido, mas não dá pra saber onde vai ter gente boa, e acho que, por enquanto, recrutar bastante gente não é ruim.

Nosso trabalho é encontrar as joias no meio dessa mistura de joia e pedregulho.

— A propósito, e o capitão, como vai ser?

O velho Naitō levanta a mão de leve e fala. Capitão da Ordem de Cavaleiros, é. Dou uma olhada de relance no velho Baba e no velho Yamagata, e…

— A gente passa, viu. Coisa chata desse tipo. Chefe de esquadrão já é o suficiente pra mim.

— Eu também. Não combina comigo.

Ah, imaginei. Já tinham falado isso antes. Sendo que eram generais em Takeda, até que podiam topar, mas parece que já tiveram o suficiente. Sendo assim…

— Vai ter que escolher entre os três, então.

— Nós?!

A Rain-san se levanta, com as orelhas de coelho esticadas de susto. A Norn-san e o Nicola-san também arregalam os olhos. Afinal, esses três — feras-coelho, feras-lobo e feras-raposa — são, por enquanto, os únicos cavaleiros oficiais do meu país.

— Bom, não tem mais ninguém, né.

— M-mas ainda é cedo demais pra gente virar capitão!

A Rain-san sacode as duas mãos, apavorada. Os outros dois ao lado também balançam a cabeça concordando.

— Hmm, bom, é só umas cem pessoas, então até dá pra cada um formar um esquadrão e eu assumir o comando em caso de emergência. Mesmo assim, acho que vai ter hora que eu não vou tá por perto, então ainda acho necessário ter um.

— Mas…

De qualquer forma, precisa de um capitão. Mesmo sendo um grupo pequeno, ainda é uma Ordem de Cavaleiros, afinal. O problema é como decidir… Os três têm lá seus prós e contras.

O Nicola-san é sério, mas inflexível; a Norn-san é simpática, mas relaxada; a Rain-san dá conta de tudo com competência, mas é um pouco tímida.

— Bom, vamos fazer assim: um de vocês vira capitão e os outros dois viram vice-capitães.

Assim que eu decreto isso, o Nicola-san levanta a mão.

— Eu indico a Rain pra capitã.

— A-ah, eu também~. Acho que a Rain-chan é boa escolha.

— Quê?!

A Rain-san encara os dois com uma cara de "traição!". Se os dois indicam ela, não vai ter briga, o que é ótimo pra mim.

— O-o que os dois tão falando?! O Nicola serve muito mais pro cargo do que eu!

— Não, pensando com calma, você é melhor. A Norn é relaxada demais, então dá problema como capitã. Ela também tem mania de matar aula. Eu não consigo ter flexibilidade de pensamento e, provavelmente, seria duro demais com os subordinados. Isso é ruim pra capitão. Dizem que, pra fazer as pessoas obedecerem, precisa de doçura e rigor — e, sem dúvida, eu sou do tipo rigor. Pra capitão de Ordem de Cavaleiros, o ideal é ser do tipo doçura, tanto quanto possível.

Hmm, tá se avaliando bem objetivamente, hein. É aquilo, dá pra imaginar o Hijikata Toshizō, do Shinsengumi. É a posição do tal "vice-comandante demônio". Sustentando o comandante Kondō Isami, enquanto, ao lado dele, disciplina os membros com rigor implacável. De fato, acho bom ter alguém assim.

— Então, a Rain-san vira capitã. É assim, então.

— Sem objeção.

— Peraí, esperem aí!!

Nesses últimos meses, treinados quase todo dia pelo velho Baba e pelo velho Yamagata, cruzando espadas e aprendendo com os feras do Reino de Belfast e do Império de Regulus, os três ganharam força a olhos vistos. O talento deles já era bastante bom, e, sendo feras por natureza, a capacidade física deles já é excepcional de base.

E, de certa forma, essa pode ser a escolha ideal. Se uma fera e mulher, como a Rain-san, é a capitã, dá pra mostrar que, neste país, raça e gênero não importam.

— Calma, calma, mesmo se dizendo "capitã", em outros países isso seria mais ou menos nível de comandante de pequeno esquadrão, então não precisa ficar tão tensa. Vocês dois, apoiem ela como vice-capitães, por favor.

— Sim, senhor.

— Pode deixar comigo~.

O Nicola-san responde com toda a seriedade, e a Norn-san responde rindo alto. A própria Rain-san se afunda na cadeira, sem forças, murmurando "Ééé…". As orelhas de coelho dela caem murchas.

Fico meio sem graça, mas não tem jeito, ela vai ter que se virar. Eu também vou apoiar o máximo que der.

Depois é só fazer uns panfletos e pedir pra colar em vários lugares. Se deixar na Guilda de Aventureiros de Belfast e de Regulus, deve chamar bastante atenção.

Depois disso, conversamos todos juntos e ficou decidido que a seleção seria daqui a um mês.

E, um mês depois.

— Hã?

— Como eu disse. Pra um quadro de 60 vagas, mais de 1000 candidatos apareceram. Isso foi inesperado.

Acabo perguntando de novo, sem querer, com o número que o Kōsaka-san informou. Mais de 1000, sério assim? De fato espalhei panfleto de recrutamento em vários lugares, mas não esperava que viesse tanta gente. Claramente é mais gente do que o número de habitantes do país.

— Por que foi acontecer isso…

— Vossa Majestade é o único aventureiro de rank prata em Belfast, o herói que sufocou o golpe em Regulus, e o matador de dragão em Mismede. Devem ter vindo atraídos por essa fama. Claro, também pode ter algum curioso ou espião de outro país no meio.

Entendi. Bom, quanto mais, melhor, não? Reunir gente de vários tipos deve ajudar a lidar com qualquer situação com mais flexibilidade.

— E como Vossa Majestade pretende fazer a seleção?

— Hmm, o que eu faço, hein? Na verdade, ainda não decidi.

Não tenho a menor ideia de que critério usar pra escolher.

— Vai depender do tipo de pessoa que Vossa Majestade considera adequada pra nossa Ordem de Cavaleiros de Brunhild. Se acha que força é o mais importante, basta fazer todos lutarem e contratar os 60 primeiros colocados.

Fala isso na maior naturalidade, hein. Por mais capacidade que tenha, se for só um valentão bruto, não quero. Pensando assim, o ideal, primeiro, é alguém capaz de pôr o povo deste país em primeiro lugar. Devem ter vindo pra cá com toda sorte de intenções, mas isso aí eu não abro mão.

Mas entrevistar um por um vai levar tempo demais. O que eu faço, hein.

— Candidatos à Ordem de Cavaleiros de Brunhild, venham por aqui, por favor! Um de cada vez, por favor, na ordem!

No balcão de recepção montado diante do portão do castelo, os candidatos preenchem uma ficha com nome, gênero, raça, idade, terra natal, uma auto-apresentação e afins, e recebem da Lapis-san, na recepção, um crachá com um número. Depois disso, recebem um carimbo com o mesmo número nas costas da mão, e por hoje é só isso. A seleção fica marcada pra depois de amanhã.

Pedimos pra usarem o crachá no peito ou em algum lugar visível, hoje e amanhã, sempre que saírem.

Na verdade, isso já é a primeira seleção. O aviso já foi espalhado entre todo o povo, e eles ficam encarregados de anotar o número do crachá de quem causar má impressão durante a estadia. Também pedimos pra anotar o motivo, então, se, por exemplo, alguém fizer bagunça numa loja ou dar em cima de uma funcionária, na hora vira relatório.

Quem for esperto, no momento que recebe o crachá, já deve sacar o que isso significa.

Isso não é um "jeito de encontrar quem é adequado" pros meus cavaleiros. É um "jeito de encontrar quem não é adequado". Quem, sem nem pensar no significado do crachá, incomoda gente que pode vir a ser justamente quem ele teria que proteger, é um problema e tanto.

Além disso, uso [Mirage] nos ninjas subordinados à Tsubaki-san, transformando eles em feras ou demônios, e mando eles vagarem pela cidade. Também não quero gente que discrimina ao ver esse tipo de gente. Um terço dos candidatos são desses povos-demi, então, se aprovados, obviamente vão virar colegas desse tipo de gente. Então quem discrimina, tipo "só porque é fera" ou "só porque é demônio", só traz malefício, nenhum benefício.

Além disso, convoco umas cem familiares em forma de gato e solto pela cidade. As informações que eles pegam são reportadas a mim uma por uma.

— Tem um cara enchendo o saco de um mercador viajante, nya. Crachá número 685.

— Tem um bando bebendo numa loja e fazendo escândalo, nya. Mesmo o funcionário avisando, eles não param, nya. Crachás 812 a 815.

— Fui atingido de repente por uma pedrada, nya… Crachá 258.

Já apareceram, hein. Mas registrar tudo isso sozinho vai ser difícil demais… Vou pedir ajuda ao Kohaku. Já que ele é o rei das feras, consegue receber a telepatia dos gatos também, e peço pra Rene e o Lime-san anotarem.

Com mais de 1000 pessoas, convenhamos, a pousada da Mika-san sozinha não dá conta de jeito nenhum. A maioria acampa do lado de fora da cidade mesmo. Como não tem animal perigoso por aqui, nesse ponto pelo menos fico tranquilo.

Mas veio gente de todo tipo, hein. Eu também me disfarço com [Mirage] e saio inspecionando a cidade. Como é sem distinção de gênero, tem bastante aventureira mulher também. Como era de se esperar, feras e demônios parecem formar grupos separados entre si.

Humanos que discriminam feras ou demônios eu não quero, mas, ao contrário, feras ou demônios que têm hostilidade contra humanos também não quero. Cada um pode ter suas razões, mas não é gente de que meu país precisa.

Bom, acho que assim já elimina o pessoal do nível mais baixo, mas ainda vai precisar peneirar mais.

A propósito, propus a ideia de lançar [Paralyze] em todo mundo e aprovar quem tivesse alta resistência mágica e saísse ileso, mas foi rejeitada por todo mundo. Disseram que isso não tem muito a ver com qualificação de cavaleiro. Bom, realmente não tem nada a ver com ser bom ou mau caráter.

Essa parte fica por conta do olho mágico da Yumina mesmo. Quando o número diminuir um pouco, vou pedir a ajuda dela.

Ah, vai ser corrido isso aqui.

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