Capítulo 125 – O Convite e a Ordem dos Cavaleiros de Cristal
Como o número de membros da Ordem de Cavaleiros aumentou, construí mais um prédio dos cavaleiros. Não dá pra colocar homem e mulher juntos, né. Basicamente, todos vão morar aqui, mas quem quiser pagar do próprio bolso pode alugar um quarto na cidade abaixo do castelo.
E, por sugestão do velho Baba, construí um campo de treinamento no subsolo do castelo.
— Digo, aquelas mocinhas são capitã e vice-capitãs, né? Não dá pra mostrar pros novatos a gente, eu e o Yamagata, dando um baile nelas, né.
Pensando bem, é verdade. Aquelas três já ficaram bem fortes, mas ainda não conseguem competir de igual pra igual com o velho Baba e os outros. Se ficarem perdendo demais na frente de todo mundo, os novatos podem começar a desdenhar delas, ou até achar que o velho Baba e os outros serviriam mais pro cargo de capitão do que a Rain-san. Isso seria ruim.
Construí um campo de treinamento amplo e uma sala de musculação no subsolo, liberados só pro pessoal de nível mais alto. De quebra, preparei umas máquinas de treino que ninguém nunca tinha visto, tipo supino, esteira, bicicleta ergométrica, e todo mundo usava alegremente, tipo brinquedo novo. Mas exagerar vai dar dor muscular, viu.
Bom, hoje tenho um compromisso. A administração do principado já engrenou, mais ou menos, então achei que já tava na hora de deixar minha vida pessoal em ordem.
Bom, tipo, vou fazer o relato do noivado. Pros pais delas.
A Yumina e a Lu já fizeram isso, mas ainda não avisei os pais das gêmeas Elsie e Lindsey, nem os da Yae. Os pais da Yae eu já conheço, mas os pais das duas já faleceram, e os tios que fazem as vezes de pais delas administram uma fazenda no Império Sacro de Refreese.
Por ora, decido ir primeiro relatar aos pais da Yae. Abro um [Gate] e nós dois nos teletransportamos pra Oedo, em Ishen.
— Nossa, quanto tempo, Ishen também.
Sendo que quase metade dos meus cidadãos é de Ishen, é meio estranho, hein. Ao passar pelo portão do dojô de esgrima Kokonoe da família da Yae, a Ayane-san, a criada, nos recebe na entrada.
Ela nos leva direto pra sala onde estão o Jūbei-san e a Nanae-san, e, quando conto que fiquei noivo da Yae, os dois não parecem tão surpresos, apenas se entreolham em silêncio.
— Viu só? Aconteceu do jeito que eu falei, não foi?
— É verdade mesmo. Bom, já que é assim, cuide da Yae como cuida das outras noivas também, Touya-dono.
Os dois curvam a cabeça, e eu acabo curvando a minha também, sem querer. Que bom, escapei sem oposição. Tinha até imaginado, meio de brincadeira, um clássico "se quer minha filha, me derrote primeiro!".
— Mas quem diria que o Touya-dono ia virar senhor de um país inteiro. E a Yae, casando com esse rei… a vida realmente reserva surpresas, hein.
O Jūbei-san solta um suspiro cheio de emoção. De fato, eu mesmo nunca imaginei que ia dar nisso.
— Ei, Touya-san. Aquele país, Brunhild? Será que dá pra você nos levar até lá um pouquinho? Eu queria ver o país onde a Yae mora, viu.
— Ah? Tudo bem, mas ainda não tá muito desenvolvido, sabia?
Ela diz que tudo bem mesmo assim, então decido convidar todos pro meu país. Esperamos o Jūtarō-san, irmão mais velho da Yae, voltar pra casa, e, junto com a Ayane-san, que nunca tinha saído de Ishen, todos nos teletransportamos pra Brunhild.
— Bem-vindo de volta, Vossa Majestade~.
— Bem-vindo de volta!
Ao abrir a porta do castelo, a Cecile-san e a Rene nos recebem. O Jūbei-san, a Nanae-san, o Jūtarō-san e a Ayane-san ficam todos boquiabertos, olhando o interior do castelo.
— Essa é a família da Yae. Vão ficar um tempinho, cuidem bem deles.
— Ora, ora, a família da senhorita Yae~. Então, por aqui~. Vou levar vocês até o quarto~.
Guiados pela Cecile-san, todos são conduzidos, um atrás do outro, até os quartos de hóspede. Enquanto isso, vou preparar o almoço no refeitório. Depois, levo eles pra conhecer a cidade abaixo do castelo. Bom, não tem muita coisa pra ver, mas o Jūbei-san e o Jūtarō-san devem gostar mais do campo de treinamento, né?
Como esperado, o Jūbei-san e o Jūtarō-san pedem pra ir ao campo de treinamento, enquanto a Nanae-san e a Ayane-san preferem a cidade, então deixo a cidade a cargo da Yae e levo eu mesmo os outros dois ao campo de treinamento.
No campo de treinamento, os novos membros da Ordem de Cavaleiros estavam se esforçando no treino. Até agora sempre era a Rain-san e as outras duas levando surra do velho Baba e dos outros, então essa cena é meio nova.
Enquanto assistem ao treino, o Jūbei-san e o Jūtarō-san dizem que querem participar. Já que até a própria filha, a Yae, os chama de "loucos por esgrima", pai e filho, é uma consequência bem natural.
Chamo o velho Yamagata, que estava no campo de treinamento, e peço um treino simulado com o Jūbei-san. O confronto entre o capitão da linha de frente dos ex-Quatro Reis Celestiais de Takeda e o mestre de esgrima do território Tokugawa. Isso pode ser digno de se ver.
Assim que a luta começa, todo mundo fica hipnotizado com a troca de golpes de espada. O Jūtarō-san, ao meu lado, também acompanha sem desviar o olhar o confronto intenso dos dois.
Fico observando o duelo dos dois por um tempo, mas encerro num ponto adequado. Achei melhor deixar como empate. Assim que o duelo termina, todo mundo da Ordem de Cavaleiros se reúne em volta do Jūbei-san pra pedir ensinamentos. É bom ter vontade de melhorar.
O velho Yamagata, por sua vez, agora é abordado pelo Jūtarō-san. Claro, o Jūtarō-san nunca deixaria passar a chance de duelar com um dos ex-Quatro Reis Celestiais de Takeda.
Não tanto quanto o Jūbei-san, mas o Jūtarō-san dá um bom combate contra o velho Yamagata. Provavelmente é mais forte que a Rain-san e as outras. Bom, treinou esgrima desde criança e já foi pra guerra, então é meio natural mesmo.
Como os dois acabaram se misturando ao treino dos novatos, fiquei sem nada pra fazer. Podia deixar tudo com o velho Yamagata e voltar, mas, afinal, são meu futuro sogro e cunhado. Sair correndo assim seria meio insensível. Sentado no banco, observando o treino distraidamente, a Rebecca-san vem na minha direção.
— Parece que tá de folga, Touya-dono. Ah, será que devo te chamar de Vossa Majestade?
Ela diz isso com um sorriso maroto. Bom, tanto faz pra mim, mas talvez seja melhor alternar dependendo se é em público ou se tem outras pessoas por perto.
— Não esperava que a Rebecca-san viesse pra este país. Por que foi?
— Na verdade, eu sempre quis entrar numa Ordem de Cavaleiros. Mas cavaleira mulher só entra se for de nobreza ou tiver contato. Eu virei aventureira pra aprimorar minha técnica, mas, assim que ouvi falar desse recrutamento, entrei de cabeça sem hesitar.
Entendo. De fato, no recrutamento desta vez, teve bastante candidata mulher mesmo. Parece que o Logan-san topou por causa do convite da Rebecca-san, e, quando finalmente chegaram até este país de tão longe, nunca imaginaram que um conhecido tinha virado rei.
— O Will não veio, é?
— Aquele lá foi bem visto pelo vice-capitão Neil, de Belfast. Deve entrar na Ordem de Cavaleiros de lá. Além disso, a Wendy também tá naquele país, então não tem motivo pra se afastar.
Parece que o Will continua fazendo segurança também no café de leitura "Tsukuyomi", onde a Wendy trabalha.
Ah, pensando bem, agora que virei Grão-Duque, será que o "Tsukuyomi" passou a ser um negócio estatal? Será que dá pra administrar um negócio em outro país? Se fosse o rei de Belfast, imagino que ele daria a permissão numa boa.
Os relatórios de vendas e balanços mensais vêm todo mês pelo Espelho-Gate, e eu vou lá pessoalmente uma vez por mês pra pegar os lançamentos novos, e o negócio vai bem. Um dia desses acho que abro uma filial neste país também.
— Enfim, tenho um pedido pra Vossa Majestade, o Grão-Duque…
— Um pedido?
— Olha, tipo, algo que deixe claro que a pessoa faz parte dessa Ordem de Cavaleiros. Tipo armadura, escudo, espada. E uma bandeira também? Achei que seria bom ter esse tipo de coisa.
A Rebecca-san sugere isso, meio ruborizada. Ah, é verdade, não tínhamos nada disso. De fato, uma armadura e escudo iguais pra todos deixaria mais fácil de identificar, e ficaria bacana também.
— Hmm, de fato, patrulhando pela cidade, deve ser útil se der pra reconhecer na hora que é gente da Ordem de Cavaleiros.
— Não é?!
A Rebecca-san bate palmas, satisfeita por ter conseguido o que queria. Devia estar querendo bastante isso. Bom, como ela sempre quis entrar numa Ordem de Cavaleiros, deve ser um sonho ter uma armadura que pareça de cavaleiro de verdade.
— Então, vamos tentar fazer uma?
— Hã? Agora?
Ignorando a Rebecca-san surpresa, tiro um bloco de mithril de [Storage]. Com [Modeling], ajusto a forma geral primeiro, e depois vou transformando os detalhes. Como queria algo diferente da armadura comum deste mundo, fiz um design ao estilo das armaduras de anime ou de jogo.
Vou criando peitoral, ombreiras, caneleiras, gola, uma após a outra, colocando na Rebecca-san e ajustando o tamanho conforme vou transformando. Mantendo linhas femininas, dou uma forma que não atrapalhe os movimentos. Por fim, faço um elmo, deixando a parte da viseira transparente, pra manter um campo de visão amplo.
Peço pra Rebecca-san, já com a armadura branco-prateada completa, se movimentar de várias formas, pra confirmar se não tem nenhum problema. Como é de mithril, deve ser bem leve.
— Essa é boa! É leve que nem papel!
Enquanto a Rebecca-san confirma os movimentos, tiro dessa vez um fragmento de Phrase de [Storage] e, injetando um pouco de energia mágica enquanto transformo, crio uma espada, um escudo e uma bainha. Assim deve ficar mais duro que mithril. Claro, não dou o mesmo fio afiado da "Tōka" da Yae. Se for roubada, dá problema.
Por fim, aplico redução de peso com [Gravity] e finalizo. Espada e escudo tipo cristal. Podia ter feito a armadura assim também, mas uma armadura toda transparente ia ficar meio estranho. Adapto o escudo pra encaixar nas costas e a espada na cintura, e pronto.
— O que acha?
— Perfeito!
Enquanto a Rebecca-san, feliz, empunha o escudo e desembainha a espada, todo mundo do treino percebe e vem se reunir em volta.
Chamo o Logan-san, que estava no meio deles, e faço da mesma forma dessa vez uma armadura masculina. Ouço a opinião de todos e faço alguns ajustes, e, com os equipamentos masculino e feminino prontos, vou até a "Oficina" e produzo em massa pra todo mundo.
Como o formato já fica pronto pra reprodução em massa, é fácil, mas ter que aplicar sozinho todos os encantamentos… Bom, uso [Multiple] pra fazer tudo de uma vez. Também ajustei pra se adaptar automaticamente ao tamanho de quem veste, e coloquei o brasão de valquíria na espada e no escudo.
Pros de nível mais alto — capitã, vice-capitãs, chefes de esquadrão — deixo o acabamento um pouco mais luxuoso, pra diferenciar. Depois só falta fazer individualmente o dos demônios (o rapaz Vampiro pode ficar com o mesmo padrão), e pronto.
Afinal, é só um tipo de uniforme pra usar trabalhando na Ordem de Cavaleiros, então não devem usar em treino. Mesmo com a energia reduzida, se usarem em treino, a espada de Phrase acaba estragando a armadura de mithril.
Levo as armaduras produzidas de volta pro campo de treinamento. Todo mundo disputa pra pegar a armadura e vestir, conferindo a sensação com um sorriso no rosto. Uau, com armadura combinando, dá mesmo aquele clima de "Ordem de Cavaleiros".
Mais tarde, por causa dessa espada e escudo, a Ordem de Cavaleiros de Brunhild também passaria a ser chamada de "Ordem dos Cavaleiros de Cristal" — mas essa é outra história.