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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 126

A Fazenda e o Reencontro Familiar

Capítulo 126 – A Fazenda e o Reencontro Familiar

Mal tinha respirado aliviado por ter recebido a bênção da família da Yae, e já precisava ir fazer a mesma visita à família da Elsie e da Lindsey.

— A gente nem precisava, viu…

Por algum motivo a Elsie estava meio relutante, mas parece que já tinham mandado uma explicação básica por carta: que ficaram noivas, que a Elsie e a Lindsey são noivas do mesmo homem, e que esse homem é um Grão-Duque.

O tio da Elsie e da Lindsey (irmão mais novo da mãe delas, pelo visto) administra uma fazenda numa cidadezinha chamada Collette, no Reino Sacro de Refreese, perto de Belfast. As duas moraram lá até os 12 anos, mas saíram de casa pra se tornarem independentes. Parece que acharam que não podiam ficar pra sempre incomodando o tio…

O pessoal deste mundo se torna independente cedo, hein… No mundo de onde eu vim, tinha gente que passava dos vinte anos ainda vivendo às custas dos pais e nem achava estranho.

De qualquer forma, se a situação já foi comunicada, só falta ir cumprimentar. Sugeri irmos voando com a magia [Fly], mas fui vetado pelas duas, que disseram que dava medo. Sendo que acabei de aprender…

Sem jeito, uso a magia [Recall] pra pegar da Lindsey a memória da cidade de Collette e uso [Gate] pra teletransportar nós três.

Ao sair do outro lado, se estende uma plantação até onde a vista alcança. Aquilo ao longe, é um pomar? Dá pra ver umas frutas vermelhas nascendo. Apesar do clima bucólico, tem cercas de proteção espalhadas por vários lugares. Será que aparece javali ou macaco por aqui? Mais adiante, tem uma casa de telhado vermelho. Parece antiga, mas é bem grande.

— Quanto tempo, hein, esse lugar também.

— …Não mudou nada, né.

Guiado pelas duas, que olham a plantação com nostalgia, seguimos rumo à casa de telhado vermelho lá longe. Pelo visto aquela é a casa do tio.

Na plantação em frente à casa, tem duas pessoas trabalhando. Ao perceber a gente se aproximando, o homem de chapéu de palha levanta a cabeça e olha na nossa direção.

— …? Elsie? Lindsey?

— Quanto tempo, tio Joseph.

— …Quanto tempo.

A Elsie e a Lindsey levantam a mão em cumprimento. Reagindo a isso, a mulher ao lado dele também levanta o rosto.

— Elsie! Lindsey! Nossa, vocês voltaram?!

Com o rosto se iluminando, a mulher sai correndo da plantação. Uma mulher de uns vinte anos, cabelo castanho longo preso numa única trança, abraça a Elsie e a Lindsey. …Não me diga que essa é a tia?

— Voltei, maninha Emma.

— …Voltei, maninha Emma.

— Poxa, vocês nunca mais voltam! Sendo que prometeram voltar de vez em quando!

Percebendo que eu estava meio deixado de lado, a Elsie afasta a mulher que estava abraçando.

— Touya, essa é a maninha Emma. Filha do meu tio, nossa prima.

Prima, é. Entendi. Pensando bem, ela até se parece um pouco com as duas. Será que, daqui uns anos, a Elsie e a Lindsey vão ficar mais ou menos assim?

Enquanto penso vagamente nisso, o tio da Elsie e da Lindsey se aproxima, tirando o chapéu de palha. Olhos estreitos, cabelo grisalho, uns cinquenta e poucos anos. Com todo respeito, mas ele tem a cara mesmo de um fazendeiro do interior.

— Que bom que voltaram, as duas. Todo mundo vai ficar feliz. …A propósito, quem é esse aqui?

O tio olha na minha direção e pergunta pra Elsie e Lindsey.

— A gente escreveu na carta, né? Esse aqui é o Mochizuki Touya. O, o… o homem que vai virar nosso marido.

— …É o noivo.

As duas, completamente vermelhas, me apresentam pro tio. Ei, essa reação tá me deixando com vergonha também, viu!

— O da carta… espera, esse aqui é o do tal Principado de Brunhild que tá na moda ultimamente…

— Sou Mochizuki Touya, Grão-Duque do Principado de Brunhild. A Elsie e a Lindsey sempre me ajudam muito…

— HAAAAAA──────!!

Estendo a mão pra apertar, e o tio de repente se joga no chão em prostração completa. Ei, que reação é essa?!

— Aaah, poxa. Sabia que ia dar nisso.

— …Como esperado.

A Elsie e a Lindsey soltam um suspiro com um sorriso amarelo. Enquanto isso, o tio continua com a testa esfregando no chão em prostração. Enquanto fico sem saber o que fazer, a Emma-san, também com sorriso amarelo, começa a falar.

— Desculpa, o papai é fraco com esse tipo de gente, nobreza e afins. Parece que aconteceu alguma coisa quando ele era criança, e ele tem um trauma horrível com isso.

Não, "fraco" nada. Isso aí não parece nem de longe esse nível. Que trauma é esse, cara? Fico super curioso pra saber o que aconteceu quando ele era criança!

— M-muitíssimo obrigado por se dar ao trabalho de vir até aqui pessoalmente! N-não temos nada pra oferecer de hospitalidade, mas imploro que se digne a acalmar sua ira e conceder um tratamento generoso!

Errado, errado. O jeito de falar tá todo errado. Quão desesperado o cara tá? Olho pra Elsie e Lindsey, meio sem saber o que fazer, mas as duas só dão de ombros com sorriso amarelo. Ei, me ajudem, gente.

— Olha, pai, o Grão-Duque tá ficando incomodado, já levanta logo daí.

— A-ah, incomodando?! Não era minha intenção de jeito nenhum! De jeito nenhum! Imploro sua misericórdia e seu perdão!

Dessa vez ele se levanta de repente e começa a se explicar desesperadamente. Agora entendi bem o que a Elsie quis dizer com "a gente nem precisava fazer isso aqui". Que trabalheira!

Já chega, vou deixar ele de lado e conversar com a Emma-san.

— Vim aqui pra fazer uma visita formal por causa do noivado com essas duas. Será que atrapalhei?

— Não, não! O papai é assim, mas todo mundo vai ficar feliz. Por favor, venha conhecer a mamãe também.

"Todo mundo"? Sinto um estranhamento com a fala da Emma-san, e, nesse momento, a porta da casa se abre e várias crianças aparecem, uma após a outra.

— É verdade! É a maninha Elsie e a maninha Lindsey!

— Bem-vindas de volta!

— Uhuul! Maninha Elsie! Maninha Lindsey!

Uoou. As crianças vêm correndo em bando e se penduram nas duas. Um, dois, três… são seis! Dois meninos, quatro meninas.

Pra mim, de olhos arregalados, a Emma-san explica rindo.

— São todos meus irmãos. Do mais velho pro mais novo: Shina, Aren, Kurara e Kirara, Aran, e Rino. Na verdade, logo abaixo de mim tem outro irmão, o Aron, mas ele foi embora pra cidade ano passado, então não tá aqui agora.

Oito irmãos, sério? Se esforçaram bastante, hein… De fato, num ambiente desses, dá pra entender que a Elsie e a Lindsey achassem que não podiam depender demais deles. O gasto com comida também não deve ser pouco.

Fora o Aren e o Aran, são todas meninas, e a Kurara e a Kirara devem ser gêmeas. Dizem que família com gêmeos tende a ter mais gêmeos, será que isso vale também neste mundo?

De repente, olho pra casa, e uma mulher de corpo avantajado está saindo pela porta aberta.

— Ora, ora, não é a Elsie e a Lindsey? Voltaram, é?

— Tia Lana!

— …Voltei. Tia Lana.

Dessa vez, a Elsie e a Lindsey correm até a mulher que saiu da casa e se penduram nela. Essa é a tia, então. Corpo rechonchudo, cara de mãe destemida.

A tia Lana afaga a cabeça das duas que se penduraram nela, conversando com um sorriso, mas, ao notar meu olhar, se aproxima devagar.

— Então você é o Touya-san. Do jeito que tava escrito na carta das duas, você é um homem e tanto mesmo. Dá pra entender por que elas ficavam se gabando de você nas cartas.

— T-tia Lana!

— …A gente escreveu que era segredo…

Atrás da tia, as duas, de novo vermelhas, protestam. Fico curioso com o que estava escrito, mas melhor não insistir. Tenho a sensação de que ia sair pela culatra.

— Muito prazer, sou Mochizuki Touya.

— Sou a Lana, tia dessas duas. Mesmo sendo rei, você é bem humilde, hein.

— Ainda sou bem novato no cargo, viu. Não dá pra ficar bancando o arrogante assim.

Diferente do marido, ela parece ter uma personalidade que não se intimida com nada. Fala comigo super à vontade. Se juntasse o tio e a tia e dividisse por dois, dava um equilíbrio perfeito.

— Como tava escrito que iam se casar com um rei, eu tava preocupada, mas parece que foi preocupação à toa. Dá pra ver bem só de olhar pras duas.

— Fico feliz que a senhora pense assim.

Enquanto respiro aliviado por dentro com as palavras da tia Lana, um menino de uns sete anos (era o Aren?) puxa o avental da mãe do lado.

— Mamãe, esse aí é rei mesmo?

— É sim. É rei de um país chamado Brunhild, bem longe daqui.

— Se é rei, é forte? Consegue derrotar um Urso do Trovão?

— Urso do Trovão?

Urso do Trovão… Se não me engano, é uma fera mágica que dispara descargas elétricas do corpo? Se a memória não falha, deve ser uma fera de rank azul pra caçada. Como eu sou rank prata, fica dois ranks abaixo do meu.

— Tá aparecendo Urso do Trovão por aqui?

— Ah, teve gente que falou ter avistado um recentemente. Tem gente que viu um relâmpago brilhando na montanha, de madrugada. Andou destruindo plantação também, então os moradores daqui juntaram uma grana e acabaram de fazer um pedido de caçada pra Guilda de Aventureiros.

Destruindo plantação, é. Isso vira uma questão de vida ou morte. E não só isso, tem alta chance de atacar gente também. Não sei quantos tem, mas, se bem me lembro, eles não formam manada. No máximo, deve ser um casal e uns filhotes.

Só que existe uma subespécie de Urso do Trovão com pelo eriçado da cabeça até o rabo, tipo crista de galo, que é uma cabeça maior que o normal e parece ter a habilidade de comandar outros Ursos do Trovão. Se for esse o caso, existe a possibilidade de terem formado uma manada. Se for isso, vira caçada de rank vermelho, e não só azul.

— Quando fizeram o pedido pra Guilda?

— Faz três dias. Como esta cidade não tem Guilda de Aventureiros, mandamos o pedido pra Senka, uma cidade grande aqui perto. Deve chegar lá amanhã, mais ou menos.

Supondo que chegue amanhã e seja aceito, mais uns três dias pros aventureiros que aceitarem chegarem até aqui, é? Melhor resolver antes que o estrago se espalhe. Depois eu aviso a Guilda.

— Esse Urso do Trovão, eu mesmo vou lá derrotar.

— Você, rei? Vai dar conta?

— Mesmo sendo rei, sou aventureiro rank prata, viu.

Diante da cara de dúvida da tia Lana, tiro do bolso a carteira de Guilda prateada e mostro pra ela. Claro, não pretendo receber recompensa. Melhor derrotar logo, o quanto antes.

— …A gente também vai?

— Não, vocês devem ter bastante papo pra colocar em dia com o tio e a tia, então vou sozinho.

Recuso a proposta da Lindsey e flutuo no ar com a magia de voo. Ouvindo as crianças soltarem gritos de espanto, decolo de uma vez rumo à montanha onde dizem que o Urso do Trovão apareceu.

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