Capítulo 129 – O Beisebol e o Campo de Beisebol
Já faz um bom tempo que soltei os batedores, mas não chega nenhuma informação relevante. Mesmo enquanto fico aqui parado, a barreira do mundo pode estar se rompendo.
Mesmo dizendo que o deus administra o mundo, é covardia demais esperar que ele perceba uma única página, dentro de um livro, dentro de uma estante do próprio quarto dele, sendo roída por um inseto. Também não dá pra ficar olhando pra aquela página o tempo todo.
— Não dá pra usar a magia de busca pra localizar o "Rei" dos Phrase?
Solto um suspiro de "lá vem de novo" diante da sugestão da Elsie.
— Já falei um monte de vezes. Coisa que eu nunca vi, que não sei as características, uma coisa vaga desse jeito não aparece na busca. Se pelo menos tivesse uma forma, ou algo que desse pra identificar com certeza, seria diferente. E, além disso, se está dentro de um humano, não dá pra saber só pela aparência.
Minha magia de busca, [Search], não é exata. Ela depende do meu próprio critério de julgamento. Por exemplo, digamos que tenha duas pessoas na minha frente. Uma é mulher, e a outra é um homem perfeitamente travestido de mulher. Se eu lançar a magia de busca, os dois vão ser julgados como mulheres.
Claro, se o travesti tem uma aparência tipo "ei, ei, por qualquer ângulo isso aí é homem!", aí sim é buscado corretamente como um homem e uma mulher. Ao contrário, se tiver uma mulher robusta, que só parece homem por qualquer ângulo, vai ser buscada como dois homens…
Ou seja, a busca só funciona no meu próprio critério. E é bloqueada por barreiras fortes também. Mas "algo parecido" ou "algo com essa cara" pode ser localizado. Só que, sem saber como é o núcleo do "Rei", não tem como eu saber "algo com essa cara". Além disso, se eu acabar acreditando que até uma pedra qualquer é "isso é o núcleo do Rei", o resultado da busca vai encher o mundo inteiro de "núcleos do Rei".
— Não dá pra esperar que tudo saia do jeito conveniente assim.
Murmuro baixinho, sentado num banco no canto do campo de treinamento, usando [Modeling]. Bom, vai ser o que tiver que ser. Fico pensando nisso enquanto transformo o couro de vaca que tenho nas mãos.
— Vossa Majestade? O que é isso, senhor?
Sem perceber, o Logan-san apareceu na minha frente. Segurando uma espada de madeira numa mão, enxuga o rosto encharcado de suor com uma toalha. O olhar dele está fixo no artigo de couro que eu estava fazendo nas mãos.
— É uma luva. Tô pensando em ensinar beisebol pras crianças da cidade.
— Luva?
— Serve pra pegar a bola… Bom, mais rápido mostrar na prática mesmo.
Tiro uma bola que já tinha feito, jogo contra a parede do castelo e pego a que volta com a luva. Não usava luva desde o ensino fundamental, mas o corpo lembra, hein.
— Isso aqui é pra segurar a bola assim… Originalmente, é um jogo de nove contra nove.
— Ah, é…
Faço mais uma luva, dou pro Logan-san e a gente troca umas bolas devagar. No começo ele deixava escapar, mas rapidinho pegou o jeito e já conseguia pegar tranquilamente. No geral, o pessoal deste mundo aprende rápido mesmo, hein.
Os soldados que já tinham terminado o treino ficaram olhando com inveja pro nosso joguinho de bola, então fui na "Oficina" copiar bolas e luvas e distribuí pra todo mundo. O vice-capitão Nicola-san deu um sorriso amarelo, mas, como era horário livre depois do treino, não disse nada. Foi mal.
Ééé, dois, quatro, seis… É, tem gente suficiente. Que tal a gente jogar beisebol de vez, então? Pra todo mundo, um respiro, digamos assim, uma diversão não faz mal.
Levo quem não tinha compromisso depois disso e monto um campo de beisebol na planície a oeste do castelo. Bom, "monto", mas foi só fazer as bases, o box do rebatedor e o monte do arremessador.
Preparo novos tacos, luva de apanhador, protetores, e vou ensinando as regras básicas pra todo mundo. Sinceramente, eu mesmo não sou tão entendido assim, então decido pesquisar os detalhes na hora, conforme aparecer.
De qualquer forma, o melhor jeito de aprender é jogando mesmo. Faço o papel de árbitro, observando, e a partida começa.
Por um tempo, foi um caos. Sequência de bola pegando no batedor e strikeout no ar. Ponto até saía, mas tudo por base cheia forçada. Mas, talvez por causa da esgrima, logo passaram a acertar a bola direitinho no taco, começando a mandar rebatidas boas, e aí o descuido na defesa passou a chamar atenção.
Bola passando por entre as pernas, erro, montanha de bola caída. Mas, à força de repetir, foram ficando bons em pegar direito. Isso até me surpreendeu um pouco. Sabia que essa galera, cujo trabalho basicamente é malhar o corpo, tinha uma capacidade física alta até certo ponto, mas mesmo assim.
Como já virou uma partida decente de assistir, decido usar [Gate] pra chamar as crianças da cidade e mostrar a partida pra elas. Ensino as regras por cima e, de quebra, faço uma arquibancada.
— Rebateu, rebateu!
— Corre!!
— Vai que dá!!
Ao lado das crianças, que logo ficam entretidas torcendo, o pessoal da Ordem de Cavaleiros também grita apoio pro time de cada um.
— O que você tá fazendo, joga pra primeira base, seu idiota!
— Aah! Olha bem a bola, cara! Vai balançar o taco nessa aí?!
— Troca de lugar comigo aí!!
Mas era quase só vaia mesmo. Aprendam com a pureza das crianças, vocês aí.
Como não ensinei as regras detalhadas, virou tipo "erra e troca com outro". Bom, era de se esperar mesmo.
— Bom, o principal é que tão se divertindo mesmo.
Enquanto todo mundo fica absorto na partida, eu vou terminando o campo aos poucos. Rede de proteção atrás do home, cerca do campo externo, placar — tudo vai ficando pronto, um atrás do outro, e assim surge um campo de beisebol bem decente.
Como já tá escurecendo, decido encerrar por hoje. Deixo o conjunto completo de equipamento de beisebol sob a guarda da Ordem de Cavaleiros, liberado pra usar no horário livre junto com o campo. Faço um conjunto também pras crianças que vieram assistir. Um tamanho menor, próprio pra criança. Como tem terreno de sobra, dá pra jogar beisebol de quintal em qualquer lugar.
A partir do dia seguinte, os membros da Ordem de Cavaleiros de folga ou que já tinham terminado o treino passaram a jogar no campo. Parece que formaram vários times e competiam entre si, disputando resultados. Mas, o fato de os nomes dos times serem tipo "Griffons" ou "Salamanders", nomes de feras mágicas, me faz pensar que não é tão diferente assim da Terra.
O chato é que, quando dá problema de regra, todo mundo vem me perguntar. Preciso pesquisar na internet a cada vez e resolver. Um dia desses acho que vou fazer um livro de regras pra este mundo. Podia até transcrever com [Drawing], mas converter pra escrita daqui também dá trabalho, e deve ter termo tipo "americano" ou "na Major League" que provavelmente ninguém entenderia.
Com o tempo, os moradores da cidade também começaram a se interessar por beisebol, passaram a assistir às partidas, e apareceu gente querendo começar a jogar também. Com isso, precisa de equipamento, e o Olba-san, o comerciante de Mismede, sentindo isso na hora, veio negociar comigo o direito de venda.
Bom, se ele mesmo produz, não tenho motivo pra recusar, então aceito, do mesmo jeito que com o beigoma: uma porcentagem de margem paga ao país. Na época, achei que ia dar até pra ganhar uma graninha se pegasse moda em outros países e o equipamento vendesse.
Na reunião mensal da Aliança do Oeste, os reis de cada país se interessaram com o clamor que vinha de fora. Assim que mostrei a eles a partida de beisebol, causa daquele clamor, todos ficaram viciados na hora.
Pediram insistentemente o conjunto de equipamento de beisebol, e, assim que forneci pra cada país, cada um formou os próprios times, e o negócio pegou moda de um jeito inesperado. Hoje em dia, parece que já jogam beisebol em vários países.
Nos dias de folga, formam times com os amigos que se dão bem e disputam partidas contra outros times. Virou um entretenimento onde família e outros amigos assistem e torcem. Será que, daqui a pouco, vai até surgir um beisebol profissional?
Sinceramente, eu nem imaginava que ia dar nisso, mas parece que o Olba-san já previa até certo ponto.
— Mas, realmente, nunca se sabe o que vai fazer sucesso, hein…
— Eu, assim que ouvi que Vossa Majestade tinha começado, já tinha certeza absoluta de que ia fazer sucesso, viu.
O Olba-san, na minha frente na sala de visitas, responde com uma cara toda contente. É verdade. Eu tinha esquecido da avidez do povo deste mundo por entretenimento. Este mundo não tem muitos tipos de esporte. Jogo de bola, então, especialmente. Será que, colocando "diversão" em primeiro plano, é garantia de venda?
— Então, se surgir mais alguma coisa, gostaria que a minha companhia comercial tivesse a chance de vender.
— Hmm… bom, tenho umas coisas que devem vender, sim.
— Ora, ora. Isso é interessante.
Tive a impressão de que os olhos do Olba-san brilharam agora. Que espírito comercial forte, hein. Ah, é isso.
— Em troca, sei lá se é bem uma troca, mas será que dá pra conseguir material metálico… ferro, cobre, prata, mithril, oricalco, hihiirokane, esse tipo de coisa, mais barato?
— Material metálico, senhor? Bom, vamos ver… até dá pra conseguir por algumas rotas, mas quanto o senhor precisa?
— Ainda não sei quanto vou precisar. Vamos ver, quando eu ganhar com o equipamento que vou fornecer daqui pra frente, gostaria de receber essa parte em material metálico.
Material pra virar matéria-prima do Frame Gear, nunca é demais ter. Acho que vale a pena guardar enquanto dá tempo. Se for juntar só na hora do aperto, não sei se vai dar pra reunir a quantidade necessária.
— Parece que tem algum motivo por trás, mas vou deixar de investigar a fundo. Afinal, isso aqui também é negócio, e eu tô na posição de quem lucra com isso.
— Fico agradecido de ouvir isso. Bom, quanto aos produtos: como brinquedo, tenho ioiô, bambolê, perna de pau saltitante, kendama, esse tipo de coisa.
— Nunca ouvi falar de nenhum desses brinquedos. Pode explicar em detalhes?
Faço um ioiô pra mostrar na prática pro Olba-san. Plástico seria o ideal, mas, como não tem, faço de madeira mesmo. Demonstro os outros também, um por um, ensinando como brincar.
Por ora, vou conseguir material pro Frame Gear com essa receita. Usar o imposto de todo mundo, convenhamos, me deixa meio sem graça. Depois, quem sabe, caço mais um Golem de Mithril também. Dessa vez acho que dá pra derrotar numa boa. Bom, vou indo aos poucos.