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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 134

A Produção em Massa e a Proposta de Casamento

Capítulo 134 – A Produção em Massa e a Proposta de Casamento

Copiei na "Oficina" mais algumas unidades de treino do Frame Gear, pra que o resto do pessoal também pudesse treinar quando tivesse um tempo livre. Fiz oito no total e alinhei junto à parede da sala de recreação. Isso aqui virou uma casa de fliperama, hein. Bom, no fundo é a mesma coisa.

Curiosamente, quem mostrou mais facilidade de adaptação foram a Yumina e a Lindsey. Será que quem é bom em magia se acostuma mais rápido? Ainda que "se acostumar rápido" seja uma coisa; uma vez acostumados, quem se move com mais precisão continua sendo a Yae e a Elsie.

Deixei a imagem do Frame Unit visível pra fora também, via [Program]. A Rosetta integra a informação das duas unidades numa perspectiva de terceiro e projeta no ar com [Program]. Seria ótimo se desse pra mover o Frame Gear também só com [Program]. Talvez desse, com uma quantidade absurda de energia mágica e um input igualmente absurdo, mas a ursa Polar da Leen levou 200 anos só nisso. Não dá.

— Aaah, perdi de novo!

Uma das unidades da direita se abre, e de dentro pula pra fora a fera-humana loba, a nossa vice-capitã, Norn-san. Da unidade ao lado, sai a fera-humana raposa, também vice-capitã, Nicola-san.

— Você tem que considerar que o corpo não é o seu de verdade e se mover em função disso. Se você esquiva por instinto, um desvio pequeno vira ferimento fatal.

— Bu-bu. Eu não sou tão gorda assim.

Eu tava vendo pelo monitor externo, e ela tinha levado uma alabardada da Nicola-san bem na lateral do corpo. Tentou esquivar raspando, mas a diferença entre o próprio corpo e o da máquina decidiu o resultado.

A sala de recreação fica aberta pro pessoal da Ordem, por escala de dias, da tarde até a noite depois do treino. Achei que descanso também é necessário de vez em quando, e que, tendo diversão, o treino rende mais — bom, é uma espécie de recompensa.

O Frame Unit também passou a fazer parte da sala de recreação. Todo mundo ficou fascinado num instante com um brinquedo que nunca tinham visto, e passaram a disputar pra jogar.

É óbvio que não conto pra ninguém que aquilo é o Frame Gear. Todo mundo deve achar que tá só brincando, mas quem sabe a cara que fariam se soubessem que, na verdade, é treinamento militar. Mas, por ora, acho que tá bom assim. Se conseguirem se acostumar brincando, já é um baita ganho.

Pensando nisso, a capitã Rain-san entra na sala de recreação. Ultimamente ela finalmente parece ter pego o jeito do cargo de capitã.

— Ah, Rain-chan! Vamo jogar, vamo jogar!

— Ei. Já falei pra me chamar de capitã.

A Norn-san acena bem grande pra Rain-san assim que ela entra. O contraste com a Nicola-san, que franze a testa vendo aquilo, é engraçado.

Rain-san vem na minha direção com um sorriso amarelo pras duas.

— Vossa Majestade. O comerciante Olba-san pede audiência com o senhor.

— Ah, chegou, então.

Será que trouxe o material metálico que eu tinha encomendado? Com isso dá pra entrar na produção em massa do Frame Gear. Embora, no ritmo de uma unidade por dia, só pra equipar a nossa própria Ordem já deve levar uns três meses. É melhor começar logo.

Na sala de visitas, o Olba-san, que tava sentado, se levanta e tenta me cumprimentar, mas eu peço pra ele não se incomodar e sento no sofá de frente.

— Trouxe o material metálico combinado, senhor. Aqui está a relação. Por enquanto são cinco carroças, mas vou continuar entregando aos poucos.

Passo os olhos pelo papel que o Olba-san me entrega. Aço, cobre, prata, e uma pequena quantidade de ouro, mithril, oricalco, hihiirokane, com as respectivas quantidades anotadas. Isso é uma quantidade e tanto, hein.

— Trouxe tudo isso? Parece bem mais do que combinamos.

— É que todo produto que Vossa Majestade me ensinou virou moda, senhor. Vende em qualquer país que eu leve, e sou muito grato por isso. Como agradecimento, providenciei um pouco a mais.

Vendeu tanto assim? O poder das rotas comerciais dos mercadores é assustador. Deve se espalhar rapidinho de comerciante pra comerciante.

— Bom, tem uns mercadores que copiam produtos parecidos e vendem também, mas, nesse tipo de coisa, quem vende primeiro leva a melhor, senhor.

Será mesmo assim? Bom, bambolê e kendama qualquer um consegue copiar, então quem vende primeiro deve mesmo lucrar mais.

— Mas que quantidade tremenda de material metálico. Pra que o senhor vai usar, hein? Vai construir um castelo de ferro?

— Ah, bom, isso aí fica em segredo por enquanto. Ah, é verdade, o comerciante de roupas Zanack-san queria falar com o senhor. Parece que ele quer vender em grande escala as roupas que se usa nos jogos de beisebol… uniformes e bonés de time e tal.

— Ah, é? Isso é interessante. As coisas relacionadas a beisebol não têm dado erro nenhum até agora mesmo.

Junto com o Olba-san, que vai combinar negócios com o Zanack-san, sigo até o campo de treino onde o material metálico foi descarregado.

Pra não atrapalhar quem tava treinando, assino o recebimento pro pessoal da caravana que esperava num canto, e transfiro todo o material metálico carregado nas carroças direto pra "Oficina".

O modelo de produção em massa do Frame Gear já foi mandado pra "Oficina" também, então agora é só deixar a Rosetta começar a produção.

Só que "Frame Gear de produção em massa" é um nome difícil de falar, hein. Perguntei pra Rosetta qual era o nome oficial, e ela respondeu:

— É o FG-09, senhôr!

Bom, talvez não tenha jeito, já que acabou indo pro Depósito antes mesmo de entrar em uso oficial. Mesmo assim, é difícil de falar mesmo, preciso dar um nome pra isso. Hmm, já que é cinza, "Cinza"… não, isso parece nome de alienígena…

Vou chamar de "Chevalier", então. Já que significa "cavaleiro".

Por enquanto, deixando a produção com a Rosetta e o combustível com a Belflora, deve ficar tudo bem.

Depois de me despedir do Olba-san e do resto, finalmente respiro fundo e alongo os ombros no jardim interno, quando ouço um som de passos correndo apressados vindo por trás.

— TOUYAAAAAAAA!!

— Guhh!?

Um tackle violento me atinge na lateral do corpo bem quando eu me virava. Ai, dói!

A atacante sobe montada em cima de mim, que caí no chão, e me puxa pelo colarinho. Quem seria… ah, é a Sue! Desde quando ela tá em Brunhild?

A filha loira do duque Ortlinde me encara de frente, com os olhos arregalados.

— Touya! Faz de mim tua esposa também! Vamo casar!

— Hã!?

O que essa menina tá falando do nada?! Achei que fosse brincadeira, mas o olhar dela é sério. Essa menina tem mais iniciativa até que a Yumina. Afinal, ela é do tipo que faz viagem longa até terra distante só pra curar os olhos da mãe.

— O Touya gosta de mais novas, né?! Perguntei pra criada Shesca. Então eu sou a mais nova de todas. Sem problema!

— Essa criada idiota, o que ela andou enfiando na cabeça dessa menina?!

Tá certo que todo mundo que já tá noiva é mais nova que eu! Mas a Yae é só 1 ano, a Elsie e a Lindsey são 2 anos, e até a Yumina e a Lu, as mais novas, têm 4 anos de diferença!

— Senhorita, já chega. Sua Majestade está sem saber o que fazer.

De algum lugar aparece a Leim-san e me ajuda a soltar a Sue.

Então a Leim-san também veio. Ah, faz sentido. Não tinha como ela vir sozinha da capital de Belfast, por mais que seja a Sue.

— Afinal, o que aconteceu? Não tô entendendo nada.

— Na verdade, surgiu uma proposta de casamento pra senhorita Sue.

— Eu não caso com ninguém além do Touya! Recuso!

Proposta de casamento. Isso foi bem repentino. Não, pensando bem, na posição da Sue isso não é impossível, né? Se não me engano, a Sue já tem 11 anos, e a família real decide o parceiro até os 15, né? A Yumina também, com 12, já tá noiva comigo, mesmo que só formalmente.

— E quem é o pretendente?

— O primeiro príncipe do Reino de Riinie, Sua Alteza Zabun.

Riinie? Se não me engano é um país ao norte do Reino Sacro de Refreese, do outro lado do mar. O país do sul que divide ao meio a Ilha de Parunie, a maior ilha do Oeste. Vive em atrito com o Reino de Paruhu, ao norte. É um país que comercia não só com Refreese, mas também com Belfast e Regulus.

Ilustração do capítulo 134

— Só de ouvir assim, até que não parece uma proposta ruim.

— Que nada! Eu não vou me casar com um homem que nem conheço!

— O que o duque disse?

— Ainda não respondeu. Considerando o bem do país, não dá pra dizer que é uma proposta ruim.

Bom, né, um príncipe de um país inteiro. Se pensar em estreitar as relações entre Belfast e Riinie, essa proposta até que faz sentido. Deve virar um casamento político.

— Mas a Leim-san trouxe a Sue até aqui mesmo assim? O duque sabe disso?

— Sabe, sim. Por meio de um bilhete deixado pra trás, ao menos. É que a senhorita saiu correndo de casa… E, pessoalmente, eu sou contra essa proposta de casamento.

— Contra? Por quê?

Sendo primeiro príncipe, ele vai ser o futuro rei, né. Casando com ele, ela vira futura rainha, e a família ducal Ortlinde vira parente da realeza. Não parece haver motivo pra ser contra.

— A reputação do príncipe Zabun não é das melhores. Principalmente em relação a mulheres. Segundo informações da "Espion", a força de inteligência de Belfast, várias filhas de nobres de Riinie e criadas do castelo já foram forçadas por ele. Por isso, dizem, ele ainda não conseguiu suceder o trono mesmo já tendo passado dos 30.

— Pe-pe-pe, peraí! Passou dos 30!? Tanta diferença assim!?

Isso não é meio grave? Não importa como olhe, é diferença demais. Não que, lá no meu mundo antigo, não tivesse aquele tipo de programa de fofoca tipo "Casamento com diferença de idade! A parceira é 30 anos mais nova!", mas geralmente é homem de 50 e poucos com mulher de 20 e poucos. Um homem de 30 pegando uma noiva de 11? Isso é normal nesse mundo por acaso?!

— Isso é tipo aquilo? Só noivado por enquanto, e o casamento de verdade só quando a Sue crescer…

— Não. Disseram que querem o casamento imediato. Parece que ele se apaixonou pela senhorita Sushie numa festa de amizade no Reino Sacro de Refreese.

— Eu recuso!

Uaah. Talvez eu não tenha moral pra falar isso, mas fico meio incomodado. Um príncipe com fetiche por criança? Não, se ele também dá em cima de outras mulheres adultas, talvez não seja bem isso. De todo jeito, não parece ser uma pessoa admirável.

— Por isso, Touya, por favor, me aceita. Não precisa ser igual a Yumina-neesama. Só me deixa ficar do seu lado já tá bom. Não pode, Touya?

Não dava pra simplesmente arrancar a Sue, que se agarrava com força em mim, e fiquei ali parado sem saber o que fazer. Pelo menos, pelo que ouvi, não parece que a Sue seria feliz se casasse com esse príncipe. Mas, pensando em Belfast, também não parece ser algo que eu possa decidir sozinho.

— Bom, por ora vou consultar todo mundo, né…

O duque, o rei, e também as minhas futuras noivas.

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