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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 135

O Primeiro Príncipe e o Segundo Príncipe

Capítulo 135 – O Primeiro Príncipe e o Segundo Príncipe

— Ah, tudo bem, né? Já é meio tarde pra reclamar disso.

— …Não vejo problema algum.

— Eu, sinceramente, já tinha um pressentimento de que ia acabar assim, decerto.

— Fico feliz em ganhar mais uma companheira.

— Viu, Touya-san? Falei que ia dar nisso.

Ei, opa? Por que todo mundo reage assim!?

Eu ia consultar a Yumina e as outras sobre a proposta de casamento da Sue, mas, assim que ouviram a Sue declarar "vim virar noiva também", todo mundo aceitou com uma tranquilidade quase resignada.

— Be-bom, essa parte deixa de lado por enquanto.

Não dá pra eu também simplesmente aceitar assim, tranquilo. O problema nem é esse, primeiro de tudo.

— O que eu quero saber é como recusar essa proposta do tal príncipe Zabun do Reino de Riinie.

— Então é só recusar dizendo que ela vai virar minha noiva, ué.

— Pro Reino de Belfast, isso pode virar um problema chato. Ouvi dizer que o príncipe Zabun tem um temperamento rancoroso. Na pior das hipóteses, se ele virar rei, pode até cortar relações diplomáticas com o nosso país. Isso seria um baita golpe pro reino.

A Leim-san franze a testa e fala isso. Não acho que ele chegaria a tanto só por vingança de ter sido recusado, mas.

De qualquer forma, que sujeito problemático pra ter posto os olhos na Sue. Eu também sou contra deixar a Sue casar com um príncipe idiota desses. Será que não tem algum jeito bom.

Seria ótimo se desse pra fazer o lado de lá desistir de querer a Sue como noiva.

— De qualquer jeito, a ideia é recusar. Só que, pensando no bem do país, não sei se cabe a nós, gente de fora, meter o bedelho…

Hmm, o que fazer. Cruzo os braços e suspiro, e a Shesca, ao meu lado, levanta a mãozinha.

— Se a gente simplesmente estancar a respiração desse príncipe, resolve tudo, senhor.

— Que coisa violenta!

O que essa criada-robô tá dizendo!? Tá certo que talvez resolvesse, mas ia criar um problema bem mais complicado ainda!

— Um príncipe idiota desses, cheio de anos e cheio de mimo, só traz malefício e nenhum benefício. Um homem de trinta e tantos, tarado, lolicon, que só brinca com mulher, é melhor simplesmente eliminar rapidinho, senhor.

— Não fala esse absurdo… Como é que você ia "eliminar", ein.

Olho torto pra Shesca diante da fala absurda dela, e as outras robozinhas ao redor começam a falar, uma atrás da outra.

— Vou fabricar um rifle de precisão, senhor!

— Cianeto de potássio, senhor!

— Um golpe de chave inglesa resolve, ô!

Fuzilamento, envenenamento, ou porrada até a morte, é. Que medo, parece que iam fazer mesmo de verdade…

Bom, deixa as bobinhas de lado.

— De qualquer forma, vamos primeiro até o duque. Contar o que a Sue sente e pedir pra ele pensar num jeito. Talvez a gente também consiga fazer alguma coisa.

— …Certo.

A Sue balança a cabeça em silêncio, concordando. Decidido isso, não tem tempo a perder. Abro logo um [Gate] pra mansão Ortlinde, na capital real de Belfast.

— Esse problema tá dando dor de cabeça em mim também, viu.

O duque solta um suspiro e afunda no encosto do sofá. Na sala de visitas da mansão ducal, só estamos eu e Sua Alteza o duque. Sou rei, tecnicamente, mas sem formalidade nenhuma entre nós. Numa ocasião oficial seria diferente, mas, a essa altura, já é tarde pra isso.

— Se eu penso na felicidade da Sue, essa proposta de casamento pode ir pro inferno. Ter essa cara de pau toda. Se esse príncipe idiota estivesse na minha frente, com certeza eu socava a cara dele.

Imagino que, na prática, ele não faria isso de verdade, já que viraria problema internacional, mas dá pra sentir uma raiva capaz disso. Bom, se ele estivesse na minha frente, eu também socava.

— Só que, pensando na relação entre os dois países, não é uma proposta ruim. Muito pelo contrário, é uma oferta que pode gerar um baita benefício pro nosso reino. Proposta de casamento de nobre inclui casamento político. E esse caso aqui é bem esse tipo, perfeitamente.

— A Yumina ainda tá noiva em segredo, sem os outros países saberem, né? Normalmente esse tipo de proposta não devia vir pra ela primeiro?

— Por ora, ela é a primeira na linha de sucessão ao trono. Devem ter pensado que não dava pra mandá-la casar pra fora do país. Na prática, já é como se ela tivesse casado há tempos, mas.

De fato. No estado atual, a primeira na linha de sucessão é a Yumina, o segundo é o duque Ortlinde, e o terceiro é a Sue. Só que, dependendo do bebê que vai nascer, se for menino, a Yumina vira segunda e o bebê vira primeiro; se for menina, a Yumina continua primeira e o bebê vira segundo.

Se a intenção deles fosse mesmo um casamento político puro, não fazia mais sentido esperar o bebê nascer pra fazer a proposta? Se a criança for menino, aí sim dava pra pedir a mão da Yumina.

Sendo assim, aquela história ganha um pouco mais de credibilidade, né…

— Dizem que ele se apaixonou pela Sue numa festa em Refreese…

— Que ódio. Eu nunca devia ter deixado ela ir numa festa dessas.

O duque cruza os braços e franze o rosto, com uma raiva impossível de disfarçar. Bom, dá pra entender o sentimento. Um homem de trinta e tantos se apaixonando por uma criança é um transtorno e tanto pros pais.

— Se, mesmo sendo trinta e tantos, ele fosse um homem íntegro, ainda dava pra considerar. Mas, quanto mais investigo, mais vejo que esse príncipe é um caso perdido. Não parece nem de longe uma pessoa capaz de fazer a Sue feliz.

Chamar um homem passado dos trinta de "criança-problema" até que soa estranho, mas, então era isso mesmo.

Pelo visto, esse príncipe é extremamente egoísta. Brinca com filhas de nobres e criadas que chamam sua atenção, e, se algum cavaleiro tenta repreendê-lo, arranja qualquer desculpa pra mandá-lo pra longe, pra alguma província. Extorque dinheiro de comerciantes, vive de farra e luxo, e depois calote na dívida. Se alguém contraria, a casa comercial é destruída. Chegou a se meter até com esposa de homem casado — e o marido, desesperado, se matou no dia seguinte. Será mesmo que foi suicídio…

— Como é que um príncipe desses ainda não foi deserdado?

— É o poder do primeiro-ministro de Riinie, o Waldock. O poder de Riinie tá praticamente todo nas mãos desse homem. Corre até boato de que o rei não passa de figura decorativa.

Esse tal de Waldock. Que nome que já parece de vilão de trama.

— Esse Waldock é primo da mãe do príncipe Zabun, a rainha Dakia. Usando esse parentesco como escudo, ele faz o que quer. A rainha Dakia mima o príncipe Zabun de um jeito absurdo, dá qualquer coisa que ele deseja. O resultado é esse príncipe idiota que temos aí.

Entendi. Quando uma única família começa a acumular poder demais, nunca dá coisa boa. Será que o rei de lá também não consegue erguer a voz contra a rainha? …Vamos evitar que isso aconteça no nosso país.

— E aí, essa proposta, o que a gente faz?

— …O que você acha que a gente deveria fazer?

Não vale responder pergunta com pergunta. Bom, pessoalmente sou totalmente contra. Como é que dá pra mandar a Sue casar com um cara desses.

— …A gente elimina ele?

— …Deve ser brincadeira, mas até me dá vontade.

— Imagino que sim.

Bom, é brincadeira, claro. Até eu já fui contaminado pela Shesca. Mas, se esse príncipe idiota virar rei, o Reino de Riinie não vai correr perigo? Ah, mas, se quem realmente segura o poder é o primeiro-ministro, talvez tanto faça quem seja o rei. Um príncipe idiota deve ser até mais fácil de manipular como fantoche.

— Se o senhor Touya aceitasse a Sue como noiva, ainda daria pra dar um jeito, sabe.

— E, nesse caso, o que aconteceria?

— Todo o rancor do príncipe idiota, rejeitado, cairia inteiro em cima de Brunhild.

— Isso é sacanagem!

De fato, o nosso país não tem relação nenhuma com o Reino de Riinie, então o estrago deveria ser pequeno, mas, mesmo assim, isso é forçar a barra demais.

— Não dá?

— Não é que não dá, é que… a Sue é praticamente como uma irmã caçula pra mim, ainda não consigo sentir esse tipo de coisa por ela. E, além do mais, eu já tenho cinco noivas.

— "Ainda" quer dizer que no futuro pode rolar, então? De resto, se você é o rei de um país inteiro, ter várias esposas não chega a ser problema, contanto que você tenha condição de sustentar todas direito. Tanto Sua Majestade o Rei Ferino de Mismede quanto Sua Majestade o Rei Sacro de Refreese têm concubinas, e o rei do Reino de Sandra, mais ao sul, tem 26 esposas.

Sério mesmo!? Isso já é um harém completo. Mas, bom, até o Xogunato Tokugawa tinha o Ōoku, com um monte de concubinas.

— Por outro lado, se você não tiver nenhuma concubina ou esposa secundária, corre o risco de problema de sucessão, como no nosso reino.

Hmm, deve ser verdade, mas… por outro lado, achei que ter demais também gera confusão de sucessão.

— Pra desmontar essa proposta de casamento… o resto seria… deixa eu pensar…

Depois de ficar um tempo em silêncio, pensativo, o duque finalmente fala, com peso na voz.

— Vai ser interferência bem direta nos assuntos internos de outro país, mas… tem um jeito: colocar o segundo príncipe no trono.

— Segundo príncipe? Tem outro príncipe além desse idiota?

— É filho de concubina. Vive isolado num anexo do palácio, levando uma vida discreta e sem prestígio, mas dizem que é uma pessoa e tanto. Bom, comparado com aquele príncipe idiota, qualquer príncipe mediano ia parecer excelente.

Mãe diferente, é. Quer dizer que ele não carrega o sangue da família do tal primeiro-ministro Waldock. Mas, dizendo assim, é surpreendente que tenha sobrevivido até agora. Se ele é um príncipe tão capaz assim, não devia ter gente querendo deserdar o primeiro príncipe e colocá-lo no lugar? Do ponto de vista do primeiro príncipe, ele não seria um estorvo?

— De fato, parece que teve nobre que sugeriu isso, mas o primeiro-ministro abafou o caso. A mãe do segundo príncipe também tá isolada, alegando doença, e ele não tem apoio nenhum. O que um príncipe desses conseguiria fazer — praticamente o mantêm largado, sem função.

Isso sim é triste. Tem 22 anos e ainda não casou, ao que parece. Isso é raro nesse mundo, inclusive pra família real — até no caso do príncipe idiota. Dizem que, passado os 20, já é considerado casamento tardio.

— Então, o plano seria colocar esse segundo príncipe no trono e forçar a deserdação do primeiro?

— Bom, é um jeito de pensar, digamos.

De fato, isso aí… é conspiração pura. Será que cabe a estrangeiro se meter nisso. Ainda mais eu, que, tecnicamente, também sou rei de um país.

Mas, sem chegar a "engolir o turvo junto com o limpo", talvez seja preciso pensar nesse tipo de coisa também, pra conduzir o próprio país a uma posição vantajosa.

De qualquer forma, não dá pra abandonar a Sue.

— O que Sua Majestade, o rei, tá dizendo sobre isso?

— Que é pra recusar na hora. Falou, com toda convicção, que vai fazer o país prosperar sem depender daquele reino de jeito nenhum.

O duque conta isso sobre o irmão com um sorriso amargo, mas orgulhoso. Digno de Sua Majestade, o rei de Belfast. Era isso mesmo que eu esperava. Corte de relações diplomáticas ainda nem é certo que vá acontecer, e, se acontecer, só depois que o príncipe idiota virar rei mesmo.

O lado de lá também deve ter benefício com o comércio com Belfast, e, se nem o primeiro-ministro for burro completo, não deve chegar a esse ponto.

— Então vai responder recusando mesmo?

— Isso. Vou decidir por essa via mesmo. Deve ter nobre reclamando pra cá e pra lá, mas, nesse caso, que mandem a própria filha em vez da minha.

De fato. Assim a Sue também fica tranquila. Enquanto penso nisso, batem na porta, e o mordomo Leim-san entra.

— Meu senhor. Chegou um enviado do Reino de Riinie.

— Perdeu a paciência e veio, é. Ótima hora, vou recusar oficialmente. Manda entrar.

— Às ordens.

Pensei em me retirar, achando que ia atrapalhar ali, mas o duque me pediu pra ficar.

Logo depois, entra na sala um jovem de uns vinte e poucos anos. Cabelo castanho-avermelhado comprido preso atrás, curva o corpo alto numa reverência.

— Sua Alteza, o duque Ortlinde. Peço perdão por vir sem aviso, mas vim buscar a resposta a respeito da proposta de casamento.

— Agradeço a visita. Por favor, entre.

Os dois se sentam frente a frente, num sofá um pouco afastado do que eu tava sentado. Da minha posição, o duque fica à direita, e o enviado de Riinie à esquerda — dá até a sensação de árbitro de futebol antes do início da partida.

O enviado de Riinie lança um olhar rápido na minha direção, mas, antes que perguntasse quem eu era, o duque já foi direto ao assunto.

— A respeito dessa proposta de casamento, é com grande pesar, mas vamos recusar.

— …Posso saber o motivo?

Ué? Achei que vi o rapaz sorrir de leve por um instante. Não parecia deboche nem nada assim, mais tipo um sorriso amargo. Como se já esperasse que fosse dar nisso…

— Na verdade, minha filha já tem outro destino de casamento decidido.

Bufh!? Que negócio esse cara tá dizendo!? Não pode ser…

— …Posso saber com quem ela vai se casar?

— Com o senhor que está aqui presente, Sua Majestade Mochizuki Touya, o soberano do Principado de Brunhild.

Ah, essa não!! Ele foi e me usou como desculpa! Se eu negar agora, o noivado vira mentira na hora, e não tem jeito, tenho que assumir mesmo! Fui pego numa cilada!

— Este é… Sua Majestade, o soberano do Principado de Brunhild…!?

O jovem enviado, de olhos arregalados, se levanta e cai de joelhos no chão. Ah, não, não precisa fazer isso… ele até se prostrou totalmente, esse homem!

— Nunca imaginei que fosse ter a honra de encontrar Sua Majestade justamente aqui… agradeço a Deus por isso!

Ei, ei, ei. Isso é exagero demais! Fico meio incomodado. O que que é isso, afinal!?

— Já ouvi falar bastante dos feitos de Sua Majestade, vindos de várias fontes. Perdoe a ousadia, mas é verdade que Sua Majestade domina magia de teletransporte?

— Hã? Ah, é, domino sim.

— Ohh… então, então, por favor, salve minha mãe!

Ei, ei, espera aí, não tô entendendo nada. Mãe? Quer dizer, por que ele já sabe que eu uso magia de teletransporte, também. Bom, deve ter vazado de algum lugar — do golpe no Império, das compras de mercadoria, ultimamente eu já parei de esconder tanto isso.

— Desculpa, mas conta tudo desde o início? O que que tá acontecendo?

— Sim… meu nome é Claude Zef Riinie. Sou o segundo príncipe do Reino de Riinie.

— "Quê!?"

A minha voz e a do duque saíram juntas, em uníssono. Segundo príncipe? Aquele filho de concubina, tratado com descaso, do qual ouvimos falar? Por que uma pessoa dessas viria como enviado… ah, é claro, é justamente por causa disso, né.

— Se você é o segundo príncipe, então sua mãe tá isolada por causa de doença, foi isso que ouvi dizer… Você quer que eu cure ela?

— Minha mãe não está isolada por doença nenhuma. Ela está APRISIONADA. Pelas mãos do primeiro-ministro Waldock!

Nos olhos do homem que se apresentou como Claude, o segundo príncipe, e que agora erguia o rosto, ardia uma raiva contida.

Ué? Isso tá tomando um rumo bem suspeito, hein.

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