Switch Mode

Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 136

Riinie e a Reunião da Aliança

Capítulo 136 – Riinie e a Reunião da Aliança

A vida do segundo príncipe do Reino de Riinie, Claude Zef Riinie, dizem, foi sempre uma vida na sombra.

Quando ele nasceu, o pai já não estava mais ao lado da mãe, e os dois passaram a viver numa casinha afastada do castelo. Quando cresceu o bastante pra entender que era um príncipe, o irmão mais velho, que vivia implicando com ele de um jeito insidioso, já se metia em tudo. Dependendo do humor do dia, apanhava, levava chute, era insultado.

Ser insultado ele até aguentava, mas ver a própria mãe insultada era demais pra suportar — só que, quando tentava partir pra cima, cavaleiros da guarda ou filhos de nobres do séquito o continham na hora.

A mãe do príncipe Claude, mesmo sendo de origem nobre, era originalmente filha de uma família de comerciantes, adotada por um casal de barões do interior sem filhos. Por isso, o irmão sempre o desprezou como "o príncipe de origem baixa".

— Pra falar a verdade, eu queria sair de um país com um irmão desses. Mas não posso abandonar a minha mãe. Ele deve ter previsto exatamente isso. Fizeram um diagnóstico falso dizendo que ela estava doente, e a isolaram. Disseram que era pra não chegar perto, que talvez fosse contagioso.

Usando a mãe como refém, sem poder deixar o país, vivendo dias inteiros à mercê da vontade do irmão. Quando percebeu, a mãe já estava completamente aprisionada, impossível até de visitar.

— Mas ela tá viva, não tá?

— Está. Tem uma moça cuidando dela no local onde ela está confinada. Essa moça serve a um nobre a quem eu devo favores, e me passa notícias discretas sobre a minha mãe de vez em quando.

Mas, pô, chegar a esse ponto. Sem querer ofender, mas dá a impressão de puro ciúme de um irmão mais capaz.

— Meu irmão gosta de atormentar os fracos. Não me deixar ir embora também deve ser pra exibir minha situação miserável pros outros. Até essa história de agora, de me indicar como enviado pra fechar o noivado, deve ser só pra deixar claro que o irmão mais novo não passa de recadeiro dele.

Que retorcido. Um cara que eu nunca vi na vida, e já consigo detestar só de ouvir a história.

— Chegar a esse ponto… o rei de Riinie não fala nada sobre isso?

— Meu pai não consegue contrariar o primeiro-ministro Waldock. Acho até que, se ele resistisse demais, poderiam matá-lo. Os nobres que apoiavam meu pai foram sendo expulsos do castelo, um atrás do outro, e hoje ele praticamente não tem mais aliados.

A mão do príncipe tremia enquanto respondia à pergunta do duque. De fato, é perigoso. O primeiro-ministro deve estar louco pra trocar logo a cabeça do rei pelo primeiro príncipe, que carrega o sangue da própria família dele. Ei, espera aí.

— Será que essa proposta de casamento dessa vez não é…

— Provavelmente, a intenção é fazer a sucessão do trono junto com o anúncio do casamento.

Ahá, era isso, então. Talvez nem importasse quem seria a noiva. Não, pior ainda: pode ser que tenham escolhido justamente a Sue por ela ser uma pessoa fraca, incapaz de contrariá-lo. Marido e mulher e tudo mais, mas um sujeito com essa personalidade nunca ia permitir igualdade nenhuma. Se a Sue tivesse mesmo casado com ele, é bem capaz de ter acabado maltratada até morrer, disfarçado depois de "doença".

— Quando fui designado enviado dessa proposta de casamento, pensei justamente o contrário: que era uma chance. Ouvi dizer que o duque Ortlinde tinha relação próxima com o soberano de Brunhild, então pensei que talvez conseguisse, de algum jeito, um encontro com Sua Majestade. Nunca imaginei que meu desejo se realizaria tão rápido assim…

— E aí, você quer que eu ajude a salvar sua mãe, é isso?

— Sim! Eu imploro!

O príncipe Claude começou de novo a se prostrar no chão. Hmm, o que fazer? Bom, com [Gate] dá pra fazer isso sem dificuldade nenhuma. Salvar a mãe dele, tudo bem, mas será que depois disso não vai virar uma bola de confusão enorme…

— Permita-me dizer uma coisa a Sua Majestade, o soberano de Brunhild.

O duque, de repente, tomou a palavra. Quê? Com um tom de voz de repente formal. Bom, é verdade que falar informal na frente de um terceiro talvez não fosse muito apropriado.

— Acho que devíamos convocar uma reunião de emergência da Aliança do Oeste. Não só Belfast, mas considerando também a opinião de Regulus, Mismede e Refreese, seria o mais adequado pra lidar com isso.

Ei!? Vai aumentar o assunto desse jeito!? Bom, é verdade que eu também queria ouvir a opinião dos outros, mas!

— Se o príncipe Claude estiver mesmo decidido, acho que até uma intervenção estrangeira seria válida. Devíamos ajudar a depor esse primeiro príncipe tolo e colocar o príncipe Claude no trono.

Uepa!? Diante do duque, que sorria com um ar de malícia, eu e o próprio príncipe Claude só conseguimos arregalar os olhos de surpresa.

— …E foi assim que aconteceu.

Os líderes da Aliança do Oeste estavam todos reunidos na sala de reuniões do castelo de Brunhild. Além do Reino de Belfast, do Reino de Mismede, do Reino Sacro de Refreese e do Império de Regulus, desta vez a Teocracia de Ramish também tinha entrado pra Aliança.

Fiz um resumo da situação e agora era hora de discutir como lidar com esse país.

— Hmm, de fato, foi essa a informação que o nosso reino também obteve. Parece que o poder do primeiro-ministro em Riinie já supera até o do rei.

Sua Majestade, o Imperador de Regulus, murmurou isso.

— No meu caso, a gente não tem muita relação diplomática com Riinie, então não posso falar com tanta certeza.

O Rei Ferino de Mismede comentou isso, coçando o queixo. De fato, Riinie mantém relações frequentes com Belfast, Refreese e Regulus, mas, pra Mismede e Ramish, é um assunto meio distante. Nesse ponto, o nosso país também tá no mesmo barco.

— Mas, pessoalmente, me irrita esse tipo de conduta do primeiro-ministro e do primeiro príncipe. Quem sofre no final é o povo.

— De fato. Segundo o que ouvi, pra se preparar pra guerra contra o Reino de Paruhu, ao norte, vêm impondo impostos pesadíssimos há vários anos. Uma tolice e tanto.

A Papisa da Teocracia de Ramish balançou a cabeça de leve, soltando um suspiro.

— Mas colocar o príncipe Claude no trono é uma coisa, e outra é saber se o país vai conseguir se unir depois disso. No fim das contas, se quem cuida da política ainda for tudo gente puxa-saco do primeiro-ministro, duvido que alguém vá dar ouvidos à palavra do príncipe.

De fato, o que o Rei Sacro de Refreese falou faz sentido. Só trocar quem tá no topo não resolve. Precisa mudar desde a raiz.

— E aí, como é que fica?

Quando eu falei isso, o príncipe Claude, que tava meio pasmo, se sobressaltou e começou a falar às pressas. O olho mágico da Yumina já confirmou que, no fundo, ele não é má pessoa, e, mesmo que quisesse mentir aqui, não passaria pela Papisa.

— S-sim. Pretendo pedir ajuda das pessoas que foram afastadas da política, malvistas pelo primeiro-ministro. Nesses últimos dez e tantos anos, tem muitos nobres tratados com descaso e insatisfeitos, e há gente capaz que foi posta de lado. Afinal, hoje em dia, sem subornar o primeiro-ministro, nem consegue assumir um cargo.

Enquanto o príncipe falava, meio se autodepreciando, o Rei Ferino estalou a língua.

— Tá tudo podre mesmo. …Foi mal, falei besteira. Não foi minha intenção falar mal do seu país.

— Não, é a pura verdade mesmo.

O príncipe Claude baixou os olhos, com um sorriso amargo triste. Cada vez mais parece um adversário sem escrúpulo nenhum, o irmão dele.

— Não tem algum nobre influente que possa ficar do seu lado?

— Tem. O marquês Coop, que já foi primeiro-ministro. Ele tem grande confiança dos outros nobres do interior, e sempre me apoiou nos bastidores, de várias formas.

O príncipe Claude respondeu na hora à pergunta do rei de Belfast. Então não é que ele só tem inimigos. Se conseguir reunir do seu lado os nobres e figuras locais que se opõem ao primeiro-ministro, o país deve funcionar direito mesmo depois que o príncipe Claude subir ao trono.

— Antes disso, e o próprio príncipe Claude, como fica? Se o que importa é só salvar a sua mãe, também existe a opção de fugir do país com ela, sabe?

— …Não. Eu já vi, até hoje, várias pessoas sofrendo nas mãos do primeiro-ministro e do meu irmão. Sendo impotente, não consegui ajudar ninguém. Se, mesmo tarde, existe algo que eu possa fazer, quero levar isso até o fim.

— Isso significa se rebelar contra o atual Reino de Riinie, viu. Mesmo que o primeiro-ministro é quem detenha o poder de fato, isso também é, de certa forma, ir contra o próprio rei, seu pai. Tudo bem mesmo assim?

— Estou pronto pra isso.

Falou com firmeza total. Não é contra o rei diretamente, mas isso beira um golpe de estado. Bom, pretendo evitar ao máximo qualquer confronto armado.

— Então, como é que ficam os demais? Em relação ao pedido de Riinie… quer dizer, do príncipe Claude.

Enquanto eu perguntava, olhando ao redor da mesa redonda pros chefes de estado presentes,

— Nosso reino apoia o príncipe Claude. A corrupção de Riinie pode acabar prejudicando a gente também, mais cedo ou mais tarde.

— Da mesma forma.

O rei de Belfast levantou a mão primeiro, e logo em seguida o Rei Sacro de Refreese também concordou.

— Pro Império também não é um problema que dá pra ignorar. Não posso dizer que vamos agir com muito empenho, mas colaboramos na medida do possível.

Dizendo isso, o Imperador também se manifestou. O Império também sofreu um golpe recentemente e ainda não recuperou totalmente a força nacional. Não deve dar pra fazer muito esforço além disso.

— Nós não temos muita relação com isso, mas não vamos nos opor. Como um dos membros da Aliança, apoio. Não simpatizo nadinha com a Riinie de hoje.

— Nesse ponto, a Teocracia também. Vamos prestar ajuda ao príncipe Claude.

O Rei Ferino de Mismede e a Papisa de Ramish também concordaram. Com isso, todos os países da Aliança do Oeste se tornaram apoiadores da causa de colocar o príncipe Claude no trono de Riinie. Resta agora decidir como derrubar o primeiro-ministro e o resto do grupo dele.

Se der, queria evitar guerra ou tomada armada. Enquanto eu pensava em discutir esse ponto,

— "Bom, isso aí, o Touya-dono dá um jeito"

Ei, opa!! Jogaram tudo em mim de uma vez!! Bom, resgatar a mãe do príncipe Claude eu já pensava em fazer mesmo, mas!

— Perdão pelo incômodo! Conto com a ajuda de todos, por favor!

— Ah, não, bom, tudo bem, mas…

Diante do príncipe Claude, que abaixava a cabeça quase a ponto de se prostrar de novo, eu só conseguia sorrir sem jeito. Droga, sinto que não tenho a menor chance contra esse pessoal nesse tipo de coisa. Será que não é à toa que passaram tantos anos no cargo de chefe de estado. Espertos danados!

— Certo! Então fica decidido que a Aliança do Oeste apoia o príncipe Claude. Agora, resta só "estreitar os laços de amizade", não é mesmo?

— Ótima ideia.

— Já estava esperando por isso!

— Hm.

Com a fala do rei de Belfast, os monarcas todos se levantaram animadamente e saíram da sala de reuniões. Esse tal de "estreitar os laços de amizade" deles, no fundo, é só "ir brincar". E o destino já tá decidido: a sala de recreação.

Ficaram só eu, o príncipe Claude, e a Papisa, que não conhecia a sala de recreação.

— Bom, vamos, Santidade. Vou mandar preparar um chá e uns doces gostosos. Inclusive é o doce favorito d'"Aquele lá" também, sabe.

— Ah, isso sim eu quero provar.

Claro, "Aquele lá" é o Deus. De vez em quando eu levo até ele, tipo mimo, algum doce que eu mesmo faço. Não sei de onde ela farejou isso, mas até a Deusa do Amor aparece e come mais da metade sozinha.

Ao entrarmos na sala de recreação, parece que alguém já tinha achado o Frame Unit na hora, porque todo mundo tava lá montado, jogando. Devem ter aprendido o jeito de usar perguntando pra Rosetta e pra Monica, que cuidavam da manutenção.

E olha só, já dá pra jogar quatro pessoas ao mesmo tempo. Os quatro robôs mostrados no monitor externo estão em cores diferentes — vermelho, azul, amarelo, roxo —, mas não dá pra saber quem é quem. Todo mundo atacando na direção errada, perdendo o equilíbrio e caindo.

— Vossa Majestade, isso é…

— Ah, bom…

O príncipe Claude e a Papisa pareciam surpresos com tantas coisas novas que estavam vendo pela primeira vez. Bom, é natural mesmo.

— Aqui é a sala de recreação. Bom, é uma sala pra se divertir. Uma vez por mês, depois da reunião da Aliança do Oeste, todo mundo brinca aqui antes de voltar.

Ultimamente já não sei direito se eles se reúnem pra ter reunião ou pra brincar, mas isso é discutível. Pelo menos dessa vez foi uma reunião proveitosa, acho.

Mas, mesmo que a chegada dos Phrase ainda não seja certa, será que não devia começar a treinar pilotos nos outros países também?

Se, por acaso, um número absurdo de Phrase romper a barreira do mundo e aparecer, só Brunhild pode não dar conta de lidar com isso. Talvez valesse a pena emprestar Frame Units, pra já deixar todo mundo preparado. E também parece perigoso demais deixar que só o rei de cada país saiba pilotar.

Pensando nisso, pedi pra Shesca e pra Lapis-san trazerem uma refeição leve pra Papisa e pro príncipe Claude. Nossa, quanta coisa pra fazer. Acho que, entre todo mundo aqui, o rei mais atarefado sou eu mesmo.

Comentários

Opções

não funciona no modo escuro
Redefinir