Switch Mode

Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 138

O Resgate e o Reencontro entre Mãe e Filho

Capítulo 138 – O Resgate e o Reencontro entre Mãe e Filho

Na Ilha de Parunie, a maior ilha do Oeste, o Reino de Paruhu ficava ao norte e o Reino de Riinie ao sul, dividindo a ilha ao meio.

Os dois países viviam trocando escaramuças de vez em quando, mas nunca a ponto de virar uma guerra de verdade. Escaramuça, depois trégua; escaramuça de novo, depois trégua de novo. As forças dos dois países eram praticamente equivalentes, e ambos sabiam que, se decidissem entrar em guerra de fato, mesmo vencendo, o próprio país sofreria danos enormes.

Só que, nos últimos anos, esse equilíbrio começou a ruir. O rei que governava o Reino de Paruhu morreu, e, logo em seguida, morreu também o primeiro-ministro dele, seu braço direito. Pra piorar ainda mais a sorte, uma grande onda de frio trouxe uma quebra de safra devastadora pra Paruhu. Riinie também sofreu com o frio, mas nada perto do estrago em Paruhu — e foi aí que o primeiro-ministro de Riinie, Waldock, decidiu que essa era a hora de agir pra unificar a Ilha de Parunie de uma vez.

O Waldock, que já vinha se preparando em segredo havia tempos, parecia disposto a declarar guerra a Paruhu e desferir um golpe devastador.

— Mas, normalmente, faz sentido mandar o segundo príncipe pra entregar uma declaração de guerra?

— A aparência oficial seria de entrega de uma carta diplomática; o conteúdo real, uma declaração de guerra. O roteiro deve ser: o outro lado se enfurece e mata o mensageiro, que por acaso é o segundo príncipe.

— Não é impossível, decerto. E, se este que vos fala fosse morto lá, dá pra imaginar perfeitamente o Waldock berrando, hipócrita, "não perdoem esse maldito Reino de Paruhu que matou o nosso pobre segundo príncipe".

O príncipe Claude riu, meio se autodepreciando, ao imaginar a maldade do Waldock. Aquilo era, no fundo, tudo que ele valia pro primeiro-ministro.

— De qualquer forma, vamos começar a agir. Príncipe Claude, deixa eu perguntar de novo: a partir daqui, vai ser confronto direto com o primeiro-ministro e o grupo dele. Tudo bem mesmo?

— Eu sei disso. Vou salvar minha mãe e vou enfrentar o primeiro-ministro.

No olhar que ele lançou pra mim, havia uma luz de decisão inabalável.

Primeiro, fomos até o marquês Coop, o ex-primeiro-ministro, que parecia disposto a nos ajudar. Sendo marquês, ele deveria conseguir convencer os outros nobres e organizar a facção do segundo príncipe, e, principalmente, dizia que queria saber da situação da mãe dele, presa.

A partir daqui, é preciso agir rápido.

— Que bom que o senhor tomou essa decisão, príncipe Claude. E, agora que temos a cooperação dos países do Oeste, não há mais nada a temer.

O marquês Coop se ajoelhou diante do príncipe Claude e curvou-se profundamente. Essa foi a primeira vez que vi alguém tratar o Claude como um príncipe de verdade. Deve ser porque, tão longe da capital assim, dá pra não se preocupar com os olhos do príncipe idiota. Na mansão do marquês Coop, com jeitão de casa rústica do interior, discutíamos os próximos passos.

— Falando em cooperação, prefiro evitar ao máximo causar dano a este país. Queria evitar, se possível, uma repressão pela força.

— Nesse caso, o essencial vai ser prender o primeiro-ministro e cassar o direito de sucessão do príncipe Zabun.

O marquês Coop se levantou e voltou o olhar pra mim. Mas será mesmo que esse homem já passou dos 60? Os músculos são um espanto. A calvície e a barba branca até condizem com a idade, mas o corpo robusto não parece nada de velho.

— Prender o primeiro-ministro eu acho que não vai ser tão difícil. O problema mesmo é a questão de cassar a sucessão do príncipe Zabun, acho.

— Não dá pra decidir a deserdação com base no que ele já fez até hoje?

A Yae fez uma pergunta bem razoável, mas o marquês Coop balançou a cabeça, sem força.

— Não temos provas concretas. O primeiro-ministro abafa tudo. E as vítimas devem ter medo demais da retaliação do primeiro-ministro e do príncipe Zabun pra testemunhar qualquer coisa. Sendo assim, só resta… o próprio rei ordenar pessoalmente a deserdação do príncipe…

Só que esse mesmo rei não consegue contrariar a rainha Dakia, mãe do príncipe Zabun. Por que será. Será que ele também tem algum ponto fraco em poder dela?

— No pior dos casos, dá pra ameaçar o rei e forçar a coroa pro príncipe Claude… quer dizer, aí a gente vira o vilão da história, né.

— …Se for necessário, não vou recusar fazer isso. Mesmo que, no futuro, eu seja lembrado como o príncipe que roubou o trono do próprio pai.

Bom, prefiro muito que não chegue a esse ponto. Mas, de qualquer jeito, precisamos resolver isso antes que estoure guerra com o Reino de Paruhu, ao norte. Hmm, no fim das contas, era exatamente como a Shesca e as outras disseram: bastava eliminar o príncipe idiota de uma vez que tudo se resolvia.

— Antes de tudo, o mais importante é resgatar a mãe do príncipe Claude.

— A rainha Eria está confinada na Fortaleza de Garia, em território do primeiro-ministro Waldock. Tenho um agente infiltrado lá, e ele confirma que a rainha Eria não tem doença nenhuma, como o primeiro-ministro alega. Mas o ambiente de lá não é nada bom. A qualquer momento, ela pode adoecer de verdade.

Se for como o marquês Coop diz, é melhor agir depressa. Decidimos ir logo pra Fortaleza de Garia.

Certo, de novo vou precisar usar [Recall], dessa vez pra pegar a memória do marquês. Por que diabos tenho que segurar a mão de um velho todo musculoso e encostar minha testa na dele.

Depois de pegar a memória, senti uma vontade repentina de um pouco de companhia feminina, e acabei abraçando a Elsie sem querer. Aah, que alívio…

Levei um soco.

A Fortaleza de Garia era razoavelmente grande, mas menor que o castelo de Brunhild. Tinha bem a cara de fortaleza de montanha, bloqueando a passagem de um desfiladeiro.

Na ponta da fortaleza, erguia-se uma torre alta, e no andar mais alto dela, dizem, ficava presa a rainha Eria, mãe do príncipe Claude.

Espreitando a fortaleza atrás de uma pedra, o príncipe Claude tomou a palavra.

— É um castelo bem sólido. Mas, com a magia de Vossa Majestade, dá pra ficar invisível e entrar sem problema. Depois de resgatar minha mãe, se a gente teletransportar direto pra fora do país, já fica tranquilo…

— Alvo travado: soldados da fortaleza. Ativar [Paralyze].

"Alvo capturado, encerrado. Ativando [Paralyze]."

Com um gemido curto de "Ugh!" e "Hah!", os soldados na frente do portão do castelo caem de uma vez. Isso já deve ter neutralizado a maioria. Pode ter algum com defesa mágica alta demais pra [Paralyze] afetar, ou algum com amuleto, mas, na pior das hipóteses, dois ou três.

— Bom, vamos indo então?

— ………………………

Chamei o príncipe Claude, que ficou de boca aberta, e comecei a andar. A Yae deu um tapinha leve no ombro dele, dizendo "não adianta se preocupar com isso, decerto" — um consolo meio sem sentido. Que consolo é esse.

Passamos pelos soldados caídos e entramos na fortaleza. Que segurança pesada, hein. Não é mais rigorosa até que a do palácio real?

Entrando, dava pra ver que tinha bastante gente ativa dentro da fortaleza mesmo — cavalariços, cozinheiros. Bom, faz sentido, já que eu tinha travado o alvo especificamente como "soldados".

Ainda assim, todos estavam em pânico, e nenhum veio na nossa direção. Alguns gritavam "É uma epidemia!" ou coisa assim. Bom, deve mesmo parecer isso.

Ignorando-os, entramos na torre. Que segurança impressionante, viu. Tirei as chaves de alguns soldados caídos numa sala grande do térreo, abri a porta e começamos a subir a longa escada em espiral de pedra, cada vez mais alto.

No meio do caminho, num quarto intermediário perto da escada, esbarramos de repente com uma mulher de cabelo preto, de uns vinte anos, vestida de empregada. Ah, [Paralyze] não devia funcionar nela também, já que ela claramente não parece "soldado".

— Quem são vocês!? Vou chamar os soldados!

— Sou Claude, o segundo príncipe deste país. Vim buscar minha mãe, que está aqui. Pode nos deixar passar?

— Príncipe Claude!?

A empregada de cabelo preto e comprido se ajoelhou no lugar e ergueu o rosto. Ué, será que essa pessoa é…

— Perdão pela falta de educação. Sou Angie, encarregada de cuidar de Sua Majestade a rainha Eria. Fui posta aqui por ordem do marquês Coop pra proteger a segurança de Sua Majestade.

— Então é você, a Angie. Já ouvi falar do marquês Coop. Muito obrigado por sempre me manter informado sobre minha mãe. Agradeço de coração.

— Que isso, imagine…

Então era isso mesmo. Essa é a pessoa que o marquês Coop tinha infiltrado ali.

— A rainha está lá em cima. Vamos, depressa…

— Quem são vocês!?

Um soldado desceu correndo pela escada de cima, brandindo a espada na nossa direção. Droga, então tinha soldado ativo por aqui também.

Fui puxar a Brunhild na cintura, carregada com bala de verdade, pra atirar na perna dele e neutralizá-lo, mas, mais rápido que isso, a Angie já tinha se lançado pra frente do soldado num instante, abaixando o corpo e desferindo um chute violento de baixo pra cima, direto no queixo dele. Uau, que golpe.

— A Angie é lutadora marcial, hein. E parece bem experiente, ainda por cima.

A Elsie murmurou baixinho. Uma criada guerreira, é. De fato, deve precisar desse nível de habilidade pra fazer um trabalho de infiltração desses.

— Certo, vamos.

A Angie tirou o molho de chaves do homem caído e subiu a escada. Nós a seguimos, tentando não ficar pra trás. Depois de subir mais um bocado, chegamos a um andar com uma portinha instalada. Não tinha mais escada além dali. Esse devia ser o andar mais alto.

A Angie destrancou a porta, e o príncipe Claude entrou correndo pra dentro. Lá dentro, sentada numa cadeira, tricotando, estava uma mulher de uns 40 e poucos anos. Ah, essa com certeza é a mãe do príncipe Claude. Os olhos são idênticos aos dele.

— Mãe!

— Claude…? É você, Claude? Claude!

Depois de tanto tempo, mãe e filho se abraçaram, chorando. Ouvi um "snif" vindo de trás e, quando me virei, a Yae estava com os olhos marejados. Chorou por empatia, é. Dá até pra entender o sentimento. A Yae é uma menina de coração mole assim mesmo.

Ofereci pra Yae o lenço que eu tinha no bolso, e ela enxugou as lágrimas com ele antes de assoar o nariz com um "boinc!" bem sonoro. Ei, o quê! Não precisava ser tão sem cerimônia assim!

— Claude, como você cresceu… até que enfim, tudo valeu a pena ter sobrevivido até hoje.

— Mãe, vamos sair daqui imediatamente. Vossa Majestade, por favor!

— Falow.

— "Vossa Majestade"?

Diante do olhar desconfiado que a rainha Eria lançava pra mim, abri um [Gate]. Cheguei a pensar em ir direto pra Brunhild, mas, por ora, conectei com a mansão do marquês Coop.

O príncipe Claude segurou a mão da mãe, ainda surpresa, e atravessou o [Gate]. Trouxemos junto a Angie, igualmente espantada, e nos teletransportamos pra mansão do marquês Coop.

Resgate concluído. Com isso, não sobra mais nenhuma corrente prendendo o príncipe Claude. Agora ele pode se erguer contra a facção do primeiro príncipe sem preocupação.

Bom, bom, agora é pensar em como preparar esse prato, hein. Pro cara que pensou em fazer da Sue uma escrava, não vou ter dó nenhuma. Ku ku ku.

— O Touya tá com cara de malvado.

— Deve estar tramando alguma coisa nojenta de novo, decerto…

Ah, que isso.

Comentários

Opções

não funciona no modo escuro
Redefinir