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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 148

O Golem Dourado e a Garota Misteriosa

Capítulo 148 – O Golem Dourado e a Garota Misteriosa

— Uhaa… Todo dourado, hein…

Numa garganta em meio a uma montanha íngreme, várias dezenas de quilômetros a oeste de Oedo, em Ishen, lá estava ele.

Um pouco maior que o golem de mithril, o corpo todo dourado reluzia, brilhando sob a luz do sol que entrava pela garganta. Então esse é o golem de oricalco. É do mesmo tamanho de um Frame Gear mais ou menos.

Será que esse aqui também tem o núcleo central no tórax, igual ao golem de mithril?

Corpo tipo pedra bruta, cheio de saliências, mãos e pés grandes. Pernas curtas, tronco longo. A aparência é igual à do golem de mithril, então talvez o núcleo esteja mesmo no mesmo lugar.

— Bom, por ora, se destruir o tórax deve resolver. [Slip].

BUUUM! Com um estrondo tremendo, o golem dourado caiu de costas.

— [Gravity]

Aproveitei o momento pra fixá-lo no chão com magia de peso. Tirei do [Storage] um fragmento de Phrase, moldei numa esfera do tamanho de uma bola de beisebol, carreguei com energia mágica e transformei numa dureza ainda maior que o oricalco.

— [Gate]

Conectei com [Gate] o espaço bem acima do tórax do golem ao chão logo à minha frente, e joguei dentro a esfera de cristal, já com [Gravity] aplicado.

No instante em que atravessou o [Gate], a esfera, agora pesando centenas de toneladas, caiu sobre o tórax do golem, e um som de destruição, "BLAM!", ecoou pelo ar, silenciando o golem de oricalco.

Isso sim é a combinação tríplice de [Slip], [Gravity] e [Gate]. Brincadeirinha.

Por precaução, me aproximei do golem com cautela e confirmei que ele estava completamente inativo. Então mesmo o núcleo central estava no tórax.

Abri o [Storage] e guardei o golem de oricalco. Certo, missão cumprida.

Um farfalhar veio do meio do mato, e um veado saltou pra fora. Até num vale de montanha tão remoto quanto esse tem veado, é?

O veado nem me deu atenção e seguiu andando pro lado do rio adiante. Será que não tem medo de humanos?

Veado, é. Será que levo carne de veado de lembrança? Não, não, matar assim de repente um veado tão puro, que nem desconfia de humanos, dá uma certa resistência.

Olhando na direção que o veado tinha ido, na beira do rio, tinha algo caído. O que é aquilo?

Fui me aproximando pra confirmar, e, aos poucos, fui entendendo o que era, e apressei o passo. É uma pessoa. Tem uma pessoa caída ali.

— Ei! Espera! Você tá bem!?

Corri apressado até a margem, e parecia ser uma garota. Idade parecida com a Elsie ou a Lindsey. Cabelo comprido, branco puro, roupas em farrapos. O corpo inteiro coberto de hematomas e cortes — será que foi arrastada pelo rio?

Ao erguer a parte de cima do corpo dela pra tirá-la da água, percebi que a perna direita estava estranha. Será que estava quebrada? Ao levantar o que parecia ser uma hakama, vi que a perna estava decepada abaixo do joelho. Olhando de novo, a mão direita também estava faltando, a partir do pulso.

Olhando com mais atenção, as costas também estavam cortadas fundo. Isso… parece ferimento de espada…

Cheguei a achar que já estivesse morta, mas ela ainda respirava, fraquinho, mas de verdade. Talvez tenha chegado até aqui antes de se afogar.

Ah, isso não importa agora, tratamento vem primeiro!

— Luz, venha; cura da deusa: [Mega Heal].

Ao lançar a magia de grande cura, os ferimentos do corpo se fecharam na hora, e os hematomas desapareceram. O ferimento da perna também fechou, mas a parte decepada continuou faltando. Aproveitei pra lançar [Recovery] também. Se ela tivesse recebido algum veneno, seria perigoso.

— …Uh…

— Ei, você acordou!?

Os olhos violeta dela, entreabertos, me encararam.

— …Ah…

A garota tentava dizer alguma coisa, mas as pálpebras se fecharam de novo, e ela desmaiou outra vez.

— Droga… vou levar pra "Ala de Alquimia" de Babylon. Se não me engano, a Belflora disse que consegue até regenerar membros. Talvez a perna volte ao normal.

Peguei-a no colo e teletransportei direto, com [Gate], até a "Ala de Alquimia".

— …E aí, essa garota?

— Tá dormindo dentro da cápsula de regeneração da "Ala de Alquimia". Por enquanto, a Belflora e a Lu estão cuidando dela.

Respondendo à Lindsey, me recostei fundo na cadeira. Eu também queria ficar acompanhando, mas fui expulso pela Yumina e pela Lu. Não é como se eu quisesse ver ela nua, boiando na solução da cápsula… Não é, viu.

Na prática, parece que ela estava a um passo da morte. Se tivesse demorado mais dois ou três minutos, provavelmente não teria sobrevivido. Será que foi aquele veado que me guiou até ela?

— Quanto tempo até a regeneração terminar, decerto?

— Parece que fica pronta amanhã.

— Recuperar um braço e uma perna perdidos em só um dia… isso é incrível, viu.

De fato. Que assustadora, a tecnologia de Babylon. Será que dá até pra fazer clone ou homúnculo de verdade… ah, espera, já fazem mesmo…

Fico olhando fixamente pra Shesca, que enche minha xícara vazia com mais chá. No caso delas, tem parte mecânica também, então, tecnicamente, seria ciborgue? Ser de vida mecanizada? Não, isso ia soar mais tipo robô que transforma em carro. Hmm… fico curioso.

— …O olhar quente e desejoso do Mestre me atravessa, senhor. Isso deve ser uma ordem implícita de "hoje à noite, vou te atravessar com todo o meu desejo"…

Ah, sei lá, tanto faz. Essa maid-robô toda avariada.

Deixei aquela idiota se contorcendo, abraçando o próprio corpo de propósito, e fui até a "Oficina". Preciso entregar o oricalco que consegui pra Rosetta.

Ao teletransportar pra "Oficina", a Rosetta estava fazendo o ajuste final de um cavaleiro pesado recém-terminado. Deve dar trabalho ajustar as configurações toda vez que termina uma unidade, hein.

— Ei, trouxe o oricalco.

— Rápido assim, senhor. Achei que ia demorar mais, e parei a produção em massa, senhor.

Tirei o golem de oricalco do [Storage]. Guardei um pedaço pra mim — o punho da mão direita, cortado a partir do pulso.

Com isso, dá pra continuar a produção em massa.

— Isso é… não precisava tanto assim, senhor…

— Ah? Sério?

— Só usamos um pouco no reator, senhor. Bom, não atrapalha ter sobrando, e ainda não sei quantas unidades vamos produzir mesmo, senhor.

Dizendo isso, ela abriu o chão da "Oficina" e guardou o golem de oricalco.

— E, Mestre, sobre o equipamento do cavaleiro pesado. A espada é padrão, mas, como equipamento adicional, tá bom escudo, maça, martelo de guerra, lança de investida, lança comprida e machado de guerra, senhor?

— É, mais ou menos isso mesmo. Magia não funciona contra Phrase, então vai virar combate corpo a corpo mesmo.

Ataque que aproveita o peso, tipo o martelo de guerra, é mais eficaz. Também queria uma arma de ataque a distância, mas, nesse tamanho, se for fazer arma de fogo, a quantidade de pólvora ia ficar absurda. Ah, espera aí.

— Dá pra fazer tipo arco e flecha?

— Não é impossível, senhor, mas acho que não teria muito efeito contra a dureza do Phrase, senhor. Se disparar bem de perto, talvez tenha algum efeito, senhor.

Isso não teria sentido de ataque a distância. Hmm, não rola então.

— Então, mesmo não sendo arma de longo alcance, faz também uma bola de ferro grande presa numa corrente, pra girar e atacar.

— Uma bola-corrente estrelada, senhor. Entendido, senhor.

Achei que uma "morningstar" de verdade era mais tipo taco com pregos, mas… bom, tanto faz. Deve ser assim mesmo nesse mundo.

Saí da "Oficina" e fui até a "Ala de Alquimia" ver como estava a garota que resgatei em Ishen.

Claro que, de novo, não me deixaram entrar, por causa da Lu.

— O ferimento dela deve estar curado até amanhã. Só que, se ela vai recuperar a consciência, isso já não sei dizer…

— Hmm… espero que não tenham gravado nela algum trauma estranho…

Pelos ferimentos que vi, aquela garota deve ter sido atacada por alguém. Espero que o terror da morte, naquele momento, não tenha deixado alguma marca profunda na mente dela.

— Ah, e, Touya-sama, isto aqui.

O que a Lu me entregou era uma medalha de uns dez centímetros de diâmetro. Uma medalha prateada brilhante, com um cordão.

— Ela tinha isso pendurado no pescoço. Talvez sirva pra identificar quem ela é.

Na medalha, havia gravado um padrão complexo, e o entalhe fino mostrava um nível técnico elevado. Ao virar, o verso não tinha nada, completamente liso. No padrão da frente, o centro parecia representar um sol… será? Não entendi muito bem. Não parece ser brasão de família também.

Por ora, decidi guardar comigo. Não havia mais nada a fazer, então voltei pro castelo. Andando pelo corredor, a Lapis-san veio na minha direção.

A Lapis-san e a Cecile-san já serviam desde a época da casa em Belfast, e, agora, oficialmente se tornaram parte de Brunhild.

Até então, sob o pretexto de guarda-costas da Yumina, elas eram membros da "Espion", a agência de inteligência de Belfast, mas, com o meu noivado oficial com a Yumina, renunciaram ao cargo lá e passaram a ser contratadas oficialmente como criadas nossas. Por isso, o cargo atual da Lapis-san é chefe das criadas do palácio real de Brunhild.

— Vossa Majestade, eu queria falar uma coisa.

— Sim. O que seria?

— Na verdade, eu queria pedir um aumento no quadro de funcionários do castelo. Sinceramente, só eu, a Cecile, a Rene e a Shesca-san não damos conta direito de tudo, desde o atendimento até a limpeza…

Entendi. Faz sentido mesmo. De fato, cuidar de nós, atender visitas, limpeza, lavanderia, tudo isso com só quatro pessoas é demais. Sei que o pessoal de inteligência da Tsubaki-san ajuda às vezes, mas eles têm o próprio trabalho.

— Entendido. Vou aumentar o quadro. Quantas pessoas seriam necessárias?

— Entre criadas, equipe de cozinha, atendimento e lavanderia, uns 10, no total. Dessas, a equipe de cozinha ficaria sob o comando da Claire-san, chef de cozinha, e o atendimento sob comando da Cecile.

Isso é um aumento e tanto, hein. Bom, dentro do razoável.

— Todo o pessoal será indicado pela Guilda das Criadas. Peço só que Vossa Majestade faça a entrevista final. A Rene e a Shesca-san ficarão dedicadas basicamente ao cuidado pessoal de Vossa Majestade.

Hmm. A Rene tudo bem, mas a Shesca me deixa com um certo receio. Bom, dizendo de outro jeito, é questão de saber se dá pra colocar essa maid safada diante de visitas.

— E, além disso, todos vão receber também treinamento em técnicas de combate. Conto com sua autorização.

— Técnicas de combate!? Precisa disso!?

— Nunca se sabe quando e onde um invasor pode estar escondido. Quem entra em pânico sem conseguir lidar com isso não merece ser chamado de criada. Só é uma criada de verdade quem consegue lidar com qualquer situação.

Dizendo isso, a Lapis-san curvou a cabeça. Que profundo, esse caminho da criada… Aliás, lembrei que a Angie-san, que conheci em Riinie, também era lutadora marcial. Será que aprender técnica de combate é um requisito básico pra ser criada?

Bom, tendo gente confiável assim, sou grato, então autorizo.

Só que fiquei curioso se a Rene também vai participar disso. Resolvi perguntar sobre isso, já que tava curioso.

— A Rene já recebe instrução da Cecile. Em luta com adaga, dificilmente algum vagabundo comum seria páreo pra ela.

Que educação é essa!? Sem eu perceber, ela já foi treinada tanto assim?… Que medo.

Sinto que minha visão de mundo sobre criadas mudou de vez.

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