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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 156

A Magia de Absorção e a Chegada da Irmã

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Capítulo 156 – A Magia de Absorção e a Chegada da Irmã

— Então, vou lá.

— Falow.

No campo de treino do jardim interno, a Lindsey apontava pra mim um bastão de mithril com pedras mágicas encaixadas. Entre a vermelha, a azul e a amarela na ponta do bastão, a pedra vermelha começou a brilhar cada vez mais forte.

— Fogo, venha; projétil vermelho: [Ignis Fire].

Da ponta do bastão, uma bola de fogo do tamanho de uma bola de beisebol pequena veio voando na minha direção. Magia de atributo Fogo, de nível básico.

Fixando o olhar nela, elevei minha energia mágica e ativei a magia nula que acabei de aprender.

— [Absorb]

A bola de fogo se dissolveu como neblina antes de me atingir. Nenhum dano nenhum. Mais uma bola de fogo veio voando. Mas essa também se dissipou da mesma forma. Hmm, a duração dura um bom tempo. Consome bastante energia mágica, mas, como absorve a magia disparada e converte em minha própria energia, o gasto líquido acaba sendo um pouco menor.

— Agora, tenta com magia de nível avançado.

— Entendido.

A Lindsey ergueu o bastão de novo.

— Fogo, venha; pilar de fogo do purgatório: [Inferno Fire].

— [Absorb]

Três colunas gigantes de fogo, em espiral, avançaram na minha direção, vindas de três direções diferentes. Mas, assim que entraram num raio de 2 metros ao meu redor, se dissiparam na hora.

Hmm? De fato, minha energia mágica se recuperou, mas na mesma quantidade de antes. Será que, independente da potência da magia adversária, só recupera uma quantidade fixa?

Anula a magia, devolve pra energia mágica bruta, e "absorve" uma parte disso.

Isso é o mesmo efeito da "Pulseira Suga-Magia" usada no golpe de estado do Império. Se usar [Enchant], provavelmente dá pra criar um artefato parecido.

Cheguei a pensar em fazer uma armadura anuladora de magia, achando que seria bem útil, mas, perguntando pra Lindsey, parece que, se a qualidade da energia mágica absorvida for diferente, causa um estado de embriaguez chamado "intoxicação mágica". Então essa ideia não deve dar certo.

Parece que, se uma pessoa sem o atributo Fogo absorver energia desse atributo, ocorre uma reação de rejeição. Pra mim, que tenho todos os atributos, isso nunca foi problema. Nesse ponto, a "Pulseira Suga-Magia" acaba levando vantagem.

Mesmo a Lindsey e a Yumina têm só três atributos. A Leen, que possui seis (todos, exceto Trevas), talvez conseguisse absorver de quase tudo. Com [Transfer], dá pra transferir energia mágica de uma pessoa pra outra, mas aquilo é uma magia nula em si — a energia transferida ainda não tá "tingida" de nenhum atributo, então é possível fazer isso.

— Já que não é ativação constante, não adianta nada se me pegarem de surpresa, né.

— Qual é o alcance do efeito, mesmo?

— Hmm, uns 2 a 10 metros de raio, acho? Ué, pensando pelo lado contrário, se eu já tiver alcançado alguém dentro desse raio, será que a pessoa fica impedida de conjurar magia?

Testei deixando a Lindsey ao meu lado, ativei [Absorb], e pedi pra ela conjurar uma magia. Ativou por um instante, mas se apagou na hora. Entendi, então dá pra usar assim também. Claro, assim que a Lindsey saiu do raio, a magia dela voltou a funcionar normal.

Seria bom se existisse alguma magia que bloqueasse completamente a magia do adversário. [Silence] só impede de ouvir o som — ainda dá pra conjurar o feitiço normalmente. [Taboo] bloqueia uma palavra específica se eu já souber de antemão qual magia a pessoa vai usar, mas, em combate real, não serve pra nada.

Não, se eu souber qual magia o adversário domina, dá sim pra usar. Por exemplo, se fosse duelar com a Elsie, proibindo a palavra "[Boost]" já me daria uma vantagem e tanto.

De qualquer forma, contra Phrase, magia não funciona mesmo.

Por ora, o experimento acabou. Agradeci à Lindsey e ia voltar pro castelo, quando o Kohaku mandou uma telepatia.

《Amo, tem uma visita no castelo…》

《Visita? Quem?》

《Bom, é uma pessoa que diz ser irmã do Amo.》

《Hã?》

Irmã, como assim. Eu não tenho irmã nenhuma. Aliás, não tenho irmão nem irmã nenhum. Tenho uma prima mais velha do lado da minha mãe, e um meio-irmão do lado do meu pai, de um casamento e divórcio rápidos, mas nenhum dos dois estaria aqui neste mundo.

《Como é essa pessoa?》

《Bom. Cabelo rosa, parece ter uns cinco anos a mais que o Amo… e-espera, o que…!》

《Ei, ei, o que a Kohaku-chan tá fazendo. Ah, é telepatia? Deixa eu falar com o Touya-kun também. Alô, alô, tá me ouvindo?》

Misturada à telepatia do Kohaku, chegou a voz de uma mulher jovem, claramente se divertindo à toa. Aquela voz eu conhecia. Não pode ser… por que você tá aqui!?

Levei a Lindsey junto, abri um [Gate] e corri direto pro castelo.

— Sou a Karen Mochizuki, irmã do Touya-kun, tá?

Ela cumprimentava todo mundo com uma calma total. O que essa pessoa tá dizendo, hein. Não, será que ainda dá pra chamar de "pessoa"?

Me aproximei discretamente e falei baixinho.

— …Por que a senhora tá aqui, Deusa do Amor!?

— Não é isso, é Karen, tá? Ah, ou pode me chamar de "irmã" também? Aliás, me chama de "irmã".

Responde a pergunta, porra!

— Que bom te ver de novo depois de tanto tempo. Abraço, tá?

— Uhff!?

De repente, fui abraçado. Peraí, todo mundo tá vendo! Olhei de relance pra Yumina e as outras, mas todo mundo observava com um sorriso enternecido. Devem estar achando que é um reencontro emocionante entre irmão e irmã, depois de muito tempo. A Yae até tava chorando. Por que, hein?

— Bom, então, cunhada, vamos nos retirar por aqui. Vou preparar um jantar especial hoje à noite, então espere com expectativa.

— Ah, que bom, mal posso esperar, tá?

Como um gesto de deixar irmãos a sós, todo mundo foi se retirando do salão em fila. A porta se fechou, e sobramos só eu e a Deusa do Amor.

— E aí? Que história é essa!? Por que a senhora desceu à Terra!?

— Descer não pode? Tá?

— Descer não é o problema! Não, sei lá se é ou não! Mas por que eu virei sua irmã e…

— Ah, isso foi só uma ideia da hora, tá.

Ela riu, tipo "kekeke", e se sentou no sofá. Fiquei meio esgotado e me sentei também. Não dá certo… essa pessoa, não, essa deusa, é do tipo que eu não sei lidar bem.

— No fim, por que a senhora desceu?

— Bom, deixa eu ver… é captura, tá.

— Captura?

— A gente, deuses de nível inferior, tem, abaixo de nós, um nível ainda mais baixo, chamado de "deuses subordinados". Um desses deuses subordinados fugiu e desceu pra este mundo. Vim capturar ele.

Deuses subordinados, é. Um nível abaixo dos deuses inferiores. Pelo que ouvi, parece que existe uma hierarquia entre os deuses, e o deus subordinado fica na posição mais baixa dentro dessa categoria divina. E dizem que esse tal fugiu e desceu pra este mundo.

— A senhora falou que ele "fugiu". Ele cometeu algum crime no Reino Celestial?

— Nada. Por isso, não sei mesmo. Não sei por que ele desceu pra este mundo. Descer sem a permissão do Deus do Mundo já é, tecnicamente, um crime, mas, só por descer, não chega a ser um problema tão grande. Só que é proibido interferir neste mundo usando o poder de deus subordinado. É isso que me preocupa.

Num sentido amplo, acho que vocês já interferem bastante também, viu. Lembro que, antes, você fez de propósito eu esbarrar na Yumina e as outras se trocando.

— Com a gente, tudo bem. Pra dar um exemplo, somos tipo motoristas com carteira de habilitação de verdade. Mas o deus subordinado é tipo uma criança que saiu dirigindo na rua sem nem ter licença provisória, sem instrutor, sem nada de treino. É bem perigoso, tá.

Meio que entendo, meio que não. Bom, dá pra entender que dirigir sem habilitação é errado.

— Então captura logo esse aí. Antes que vire um problemão.

— Era essa a intenção. Só que, quando desci pra este mundo, não senti nem um pingo de presença divina dele. Provavelmente, ele se transformou em alguma coisa deste mundo.

— Transformou?

— Virou pessoa, animal, ou algum artefato divino, árvore sagrada, esse tipo de coisa — se misturando com o mundo. Sendo assim, não dá pra detectar sem desfazer essa transformação.

Nossa. Já virou uma situação problemática mesmo.

De fato, se esse tal começar a fazer alguma coisa usando poder divino, complica. Mesmo sendo o nível mais baixo dentro dos deuses, ainda assim é um deus. Não vai passar impune. E, ainda por cima, esconde a característica divina. O fato de não saber o objetivo dele é assustador.

— E como faz pra encontrar esse cara?

— Se o deus subordinado usar poder divino acima de um certo nível, dá pra saber onde ele está, não importa onde seja no mundo. Depois, é só a gente colidir nosso próprio poder divino com o dele, que a transformação se desfaz.

— "A gente"?

Ei, ei, peraí, será que outros deuses inferiores também desceram pra este mundo? Tem, tipo, deus das artes, deus da espada, deus da agricultura? Que deuses ociosos, hein!

— Do que você tá falando? Óbvio que é você, Touya-kun. Você também emite poder divino misturado com energia mágica, sabia? Foi rastreando isso que eu vim parar aqui.

— Hã!?

Peraí, será que aquela transformação corporal que o Deus mencionou antes já tá acontecendo? Ainda não tenho muita consciência disso, mas…

— De qualquer forma, se o lado de lá não se mexer, também não tem como eu agir. Então, por ora, vou ficar sob os cuidados de vocês aqui por um tempo.

— Hã!? Aqui!? Mesmo!?

Sério mesmo!? Não, é verdade que enquanto não pegar esse tal, não dá pra ficar tranquilo, então faz sentido, mas! Mais do que isso, sinto que essa pessoa vai carregar problema atrás de problema pra cá!

— Não tem problema nenhum uma irmã morar com o irmão.

— Não, irmã, hein. A senhora mesma falou que foi ideia da hora, agora há pouco, Deusa do…

Tentando retrucar, ela inflou as bochechas e me encarou com um olhar zangado. Quantos anos ela tem mesmo? Não, é melhor não perguntar isso, sinto que ia ver o inferno se perguntasse. Melhor ficar quieto.

— É "irmã", tá. Chama assim.

— Não, mas…

— Se não chamar, vou contar tudinho pra Yumina-chan e as outras sobre a época em que você me pediu conselho amoroso, tá.

— PoR faVOR, mE PErdoE, IRmãzinha.

Ugh. Então isso é o poder de um deus, hein…

Por fim, "irmãzinha" era muito constrangedor, então negociei pra "irmã", pelo menos. A Deusa do Amor — não, a irmã Karen — ainda fez cara de insatisfeita, mas parece que aceitou por ora.

Aliás, será que essa pessoa é capaz de capturar um deus subordinado de verdade? Fico com a sensação de que a escalação tá completamente errada…

Naquele dia, o jantar foi um banquete impressionante. Uau, a Claire-san capricho e tanto.

Só que, num certo ponto do jantar, começou do nada uma sessão de conselhos amorosos, e o pessoal masculino, especialmente eu, ficou numa situação sem jeito de sobreviver. Bom, é verdade que ela é profissional nisso — quer dizer, é literalmente uma "deusa" no assunto, mas!

A Yumina e as outras iam disparando pergunta atrás de pergunta.

— O Touya-kun é gentil com todo mundo, sem perceber. Pra uma mulher, isso é, de certa forma, cruel, sabia. Às vezes parece que ele tá dando esperança, mas, na verdade, não sente nada em especial. Não pode se enganar com isso, tá.

— E-então, quer dizer que este que vos fala não é assim tão querida por ele, decerto…

— Não, é o contrário. Ele preza vocês demais, e é por isso que acaba recuando um passo. Nesse ponto, cabe a vocês tomarem a iniciativa e avançarem, tá.

— Quer dizer que a gente devia ser mais ousada?

— Um pouco, sim, tá. Mas, se avançar demais, ele recua. O Touya-kun é tímido, tá.

— C-concretamente, o que devemos fazer, Onee-sama?

— Primeiro, começa pelo contato físico. Abraçar, beijar, sair de mãos dadas — vai fazendo isso virar coisa normal aos poucos. Assim, a vergonha diminui, e ele passa a agir com naturalidade. No fundo, ele é péssimo em assuntos de amor, então vocês vão ter um certo trabalho, tá.

— S-sedução, tipo… por meio do corpo, seria…?

— Ser óbvia demais tem efeito contrário, tá. Mas não ter nada também gera falta de estímulo, tipo aquela fase de rotina do casamento — então tem que ser na medida certa, tá. Encurtar a barra da saia, por exemplo… ah, mas só na frente do Touya-kun, tá? Se outra pessoa vir a calcinha, com certeza ele vai ficar emburrado.

— Entendo. Isso é uma boa aprendizagem.

Já chega! Por favor! Que tipo de jogo de humilhação é esse!? Quer dizer, isso nem é mais conselho amoroso, é exposição pública da minha vida íntima!

O pessoal feminino, até a Rene, escutava tudo com curiosidade avidamente, e o pessoal masculino olhava pra mim com aquele olhar morno de "deve ser difícil pra você, hein".

Meu rosto não parava de esquentar. Quero fugir dessa!! De vários sentidos, uma pessoa e tanto virou minha irmã.


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