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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 159

A Carta de Protesto e a Grande Invasão

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Capítulo 159 – A Carta de Protesto e a Grande Invasão

Bom, já esperava que viesse alguma reação.

Logo depois daquilo, chegou de Eurono uma carta de protesto oficial. Resumindo o texto longo e cheio de rodeios: "Aquele território era originalmente nosso, então devolvam imediatamente. Caso contrário, perderão a confiança das nações do mundo inteiro. Como indenização pelo incômodo causado até agora, entreguem alguns daqueles soldados gigantes (referindo-se ao Frame Gear). Afinal, aquilo também foi criado originalmente pelos nossos ancestrais, então é nosso direito legítimo. Parem com esse comportamento de bandido, tenham vergonha…" e por aí vai.

— Que cara de pau, hein.

— Devem estar desesperados pra justificar isso.

Respondi, meio rindo, ao comentário atônito do Kōsaka-san, na torre instalada no meio da Grande Muralha.

A muralha construída entre Eurono e Hanok também existe do lado de Hanok. Aqui não instalei armadilha nenhuma. Na configuração atual, ficou assim:

Hanok ▭muralha▭ Brunhild ▭muralha▭ Eurono

Mas, pretendo devolver tudo pra Hanok assim que a situação se acalmar. Claro, quando devolver o território, vou devolver a muralha junto. Como fui eu mesmo quem construiu por conta própria, e o custo de construção da muralha saiu praticamente de graça, não faz diferença nenhuma pra mim, mas vou remover as armadilhas antes.

Aliás, na prática, também é um problema manter quase metade da nossa Ordem de Cavaleiros de plantão permanente aqui.

— E aí, como respondemos?

— Força com força, amizade com amizade. Não gosto de resolver as coisas na força, mas, briga comprada, eu compro. Isso é só o meu jeito de agir, claro. Se quiserem, posso até brigar sozinho, eu contra o país inteiro de Eurono.

— …O fato de que Vossa Majestade realmente conseguiria fazer isso não tem graça nenhuma. É um tirano, Vossa Majestade.

Bom, admito que sou egoísta nisso. Afinal, nem era minha intenção original criar um "país". Só recebi uma casa com um jardim grande e disse "quem quiser morar aqui, é bem-vindo". Na prática, quase não cobro imposto nenhum. O dinheiro que pago pra Ordem de Cavaleiros e pras criadas sai praticamente todo do meu próprio bolso.

Recebo, através do Olba-san, metade em material metálico pro Frame Gear e o resto em dinheiro, e isso já dá conta de tudo. Então, tecnicamente, nossa Ordem de Cavaleiros nem é exército nacional de verdade. É uma ordem de cavaleiros de propriedade particular minha.

Bom, se realmente chegar a rolar briga com Eurono, prefiro mesmo bancar isso individualmente.

— Sei que sou tirano. Por isso ando dizendo, desde antes, que o Kōsaka-san devia virar rei deste país.

— De jeito nenhum. Continuando a seguir Vossa Majestade assim, talvez até consigamos conquistar o mundo.

— Não tenho essa intenção, viu.

— Mesmo sem intenção, muitas vezes acaba acontecendo assim mesmo.

Será mesmo? Bom, é verdade que, usando o poder de Babylon e do Frame Gear, talvez desse pra conquistar o mundo. Mas, sinceramente, é trabalhoso demais. Seria pura repressão pela força.

Seria ótimo se Eurono simplesmente recuasse de vez.

Toc, toc, o som de batida na porta ecoou pelo quarto. A porta se abriu, e a Tsubaki-san entrou.

— Vossa Majestade. Capturamos um agente de Eurono.

— Da máscara? Bom trabalho pra conseguir capturar. Aliás, ele confessou?

— Não chega ao nível do [Paralyze] de Vossa Majestade, mas também temos um veneno paralisante bem forte. E, além disso, a Belflora nos deu um soro da verdade especial.

O que aquela ali andou entregando pra outros… Se foi feito com a tecnologia de Babylon, provavelmente não tem efeito colateral estranho, mas mesmo assim dá medo!

Parece que paralisaram antes que ele conseguisse se autodestruir, arrancaram a máscara e usaram o soro. Não quero nem saber os detalhes de como foi o processo de fazê-lo confessar, mas, de qualquer forma, ficou confirmado que aquele agente mascarado era mesmo homem de Eurono, infiltrado especificamente atrás do Frame Gear que temos aqui.

— Parece que vários planos estavam correndo em paralelo pra roubar o Frame Gear. Desde o assassinato de Vossa Majestade, sequestro e confinamento das esposas, até aliciamento de traição dentro da nossa própria Ordem de Cavaleiros. Tudo por ordem do Imperador Celestial de Eurono.

— Parece que agora temos a confirmação por trás disso.

O Kōsaka-san murmurou baixinho. Até agora eu vinha me segurando um pouco por não ter prova concreta, mas, agora que chegou a esse ponto, não pretendo ter mais nenhuma consideração. Se não der um basta firme aqui, vão repetir a mesma coisa de novo.

— Isso dá direito de eu ficar bravo, né?

— Bom, sim. Chegaram a tramar até seu assassinato. Entre países normais, isso já seria motivo pra guerra estourar na hora. Mas Vossa Majestade não tem intenção de guerrear, tenho certeza.

O Kōsaka-san me olhava com um leve sorriso no rosto. Parece que já está conseguindo prever cada vez melhor o que eu penso. Ter trazido essa pessoa pro nosso país foi, sem dúvida, o maior achado de todos.

— Guerra machuca também o povo do país adversário. Isso eu quero evitar. Quem age contra nós é só uma parte deles.

— Então, o que vai fazer?

— Pretendo fazer o mesmo com o Imperador Celestial.

Não é bem repetir exatamente o que fizeram comigo. A intenção é mostrar que, se eles tentam me assassinar, eu também posso fazer o mesmo com eles. Claro, não pretendo fazer de verdade.

— Especificamente, o quê?

— Deixa eu ver… tipo, o Imperador Celestial acorda de manhã e encontra uma faca cravada bem do lado do travesseiro. Ou um líquido extremamente amargo misturado na comida, feito veneno. Ah, ou até fazer sumir sem mais nem menos alguém do palácio, que não seja o próprio Imperador…

— Como consegue pensar em provocações desse tipo assim tão facilmente…

— Kōsaka-sama, acho que isso aí é a verdadeira essência de Vossa Majestade.

Acho que isso é até fofo, no fim das contas. Isso não é nada além de uma ameaça de "posso te matar a qualquer momento, viu?", mas, se não fizer algo assim, duvido que entendam. Deviam até agradecer que eu não cheguei a pensar em "matar antes de ser morto".

— Bom, deixa isso um pouco de lado. Que tal, primeiro, expressar formalmente nosso descontentamento e mandar uma carta oficial? De um jeito que dê a entender, implicitamente, "já sabemos que você é o mandante disso".

— E se, enquanto isso, eu acabar sendo assassinado, o que a gente faz?

— Não consigo nem imaginar isso acontecendo.

Tsc. Será que acham que sou imortal ou algo assim? …Não, considerando que dizem que estou transbordando de "poder divino", talvez não estejam tão errados assim. Só que meu corpo parece estar, aos poucos, se tornando algo mais próximo de um deus. Bom, não adianta ficar preocupado com isso.

— Então, manda a carta desse jeito. Dessa vez, pode escrever de um jeito bem mais duro…

— VOSSA MAJESTADE!

Uouu! Que susto! De repente a porta se escancarou, e o Paolo-san entrou correndo no quarto. Não me assusta assim!

— Que barulheira. O que houve?

— A-ah, d-desculpa! É que tem várias fumaças estranhas subindo do lado de Eurono. Será que o exército de Eurono voltou a atacar!?

O quê!? Correndo apressados, saímos até o topo da muralha e olhamos pro lado de Eurono, e, de fato, várias colunas de fumaça se erguiam. Espalhadas por toda parte, algumas perto, outras mais longe.

— Algum tipo de sinal de fumaça? Ou incêndio florestal… não, não faz sentido.

Não tem como um incêndio florestal acontecer em tantos lugares diferentes assim ao mesmo tempo. Tá longe demais pra dar pra ver direito.

— Aquilo… o que é? Parece que tem um monte de coisa brilhando…

Coisa brilhando? Como assim? Fixei o olhar na direção que o Paolo-san apontava. …De fato, parece que tá brilhando alguma coisa… ou melhor, refletindo luz…

Quando percebi o que aquilo que se aproximava significava, já estava gritando.

— Todo mundo, embarquem nos Frame Gears! Preparar pra combate! Todos em posição de ataque!

Usei [Fly] pra voar de uma vez até a fonte do reflexo de luz, confirmando que não era engano meu.

— Droga… logo agora, dessa vez…!

Lá embaixo, um enxame gigantesco de Phrase avançava diretamente em direção à muralha.

Desde os pequenos até os médios, e tamanhos intermediários também, variados. Tinha até mais de dez exemplares maiores que o próprio Frame Gear. As formas também variavam: tipo inseto parecido com formiga, bípede como avestruz, ou alongado como centopeia.

A velocidade de deslocamento não é tão rápida assim. Mas a quantidade é demais. Tem quase cem deles.

— Travar alvos! Capturar Phrase! Ativar [Apport]!

"Entendido. Ativando [Apport]."

Um núcleo do tamanho de uma bola de softbol apareceu na minha mão. Droga, não dá. Só consigo puxar uma quantidade que caiba na palma da mão. Se for puxar um por um, vai levar tempo demais! E, além disso, só dá pra puxar os do tipo menor mesmo.

— Terra, enlace; grilhão da terra: [Earth Bind]!

As pernas dos Phrase que avançavam ficaram presas por árvores que brotaram do chão. Isso deve ganhar algum tempo. Foi o que pensei, mas, em uns dois segundos, se libertaram facilmente. E como? Cortando a própria perna. A perna se regenerou na hora, e continuaram avançando como se nada tivesse acontecido. Que criaturas.

De trás de mim, vieram o cavaleiro branco da Rain-san, o cavaleiro negro da Nicola-san, e os cavaleiros pesados. Parece que deixaram alguns na defesa da muralha. Voei até o cavaleiro branco e dei instrução pra Rain-san.

— Priorizem derrotar os grandes! Eu cuido dos pequenos! Eles têm capacidade de regeneração, mas dá pra derrotar destruindo o núcleo dentro do corpo! Avisa isso pra todo mundo pelo comunicador!

《Entendido!》

Ouvindo a resposta que veio pelo alto-falante externo, tirei do [Storage] as duas espadas grandes feitas com fragmento de Phrase. Cada uma com 2 metros de lâmina e uns 30 centímetros de largura, tipo cristal — segurei uma em cada mão.

Sem o [Gravity] aplicado nelas, provavelmente nem daria pra erguer, de tão pesadas.

— Vamos lá!

Mergulhei de uma vez no grupo mais próximo de Phrase. Num golpe só, mirando o núcleo do primeiro, consegui cortar sem quase nenhuma resistência, núcleo e tudo, de um só corte. Com energia mágica fluindo, o poder de corte é absurdo.

Fui abatendo, um atrás do outro, os Phrase à minha frente. Desviando dos braços-lâmina que às vezes se esticavam, olhei ao redor, e um exemplar gigante de escalão médio já batalhava contra os cavaleiros pesados.

Os braços-lâmina do Phrase, ora se curvando feito chicote, ora perfurando feito lança, eram bloqueados pelo escudo dos cavaleiros pesados, que respondiam com golpes de espada.

Infelizmente, os Frame Gear posicionados na muralha não estavam equipados com armas superpesadas, então tavam tendo um certo trabalho. Como se regeneram assim que quebrados, é preciso desferir vários golpes seguidos.

Só o cavaleiro negro da Nicola-san estava equipado com lança comprida, então avançava com bastante vantagem na batalha, e conseguiu, por fim, destruir o núcleo do escalão médio contra quem lutava. Depois, foi ajudar outro cavaleiro pesado que estava tendo dificuldade ao lado.

Os de escalão médio eram uns dez e poucos. Do nosso lado, cinco cavaleiros pesados, mais um negro e um branco. Será que dá conta?

A espada do cavaleiro pesado com o reforço da Nicola-san destruiu o núcleo do Phrase à frente. Bom, com dois contra um, é natural. O cavaleiro pesado que derrotou o Phrase foi logo ajudar outro cavaleiro pesado, e o cavaleiro negro da Nicola-san foi em direção a outro companheiro.

Ah, entendi. Os Phrase não fazem jogo de equipe. Pra eles, o combate é sempre individual — mesmo que um companheiro ao lado esteja em apuros, não vêm ajudar. Será que dá pra explorar essa brecha?

De qualquer forma, deixando os de escalão médio pro pessoal, preciso me concentrar em varrer os de escalão baixo. Quase 90% deles são de escalão baixo.

Fui destruindo, um atrás do outro, os Phrase que avançavam contra mim. Por sorte(?), parece que fomos reconhecidos como alvo, e nenhum deles seguiu em direção à muralha.

Esse comportamento mecânico também é um ponto fraco dos Phrase. Dá pra dizer que são fáceis de atrair, mas, por outro lado, a ameaça que usei contra o exército de Eurono outro dia não funciona com eles. Sem hesitar, sem medo, sem recuar — só uma máquina de caça implacável, um exterminador que só sabe abater humanos.

Também não posso baixar a guarda. A maioria ataca transformando o braço em lâmina, mas alguns, como no caso do Phrase-manta-raia de antes, disparam flechas de cristal. Bloqueei com [Shield] e priorizei derrotar esses primeiro.

— Sendo tantos assim, complica…

Com o inimigo tão misturado e em movimento constante, fica difícil esmagar com magia tipo [Ice Rock], ou teletransportar com [Gate]. [Paralyze] e [Gravity] não fazem efeito, e usar [Slip] nesse estado ia atrapalhar os aliados também.

Ah, é, podia ter usado [Gravity] pra pesar mais as espadas dos cavaleiros pesados! Mas agora não é hora pra isso.

De qualquer forma, sigo cortando, cortando, cortando os que estão à frente.

— Agora é… o últimoOO!

Dez minutos depois… ou talvez tenha sido bem menos, mas os pequenos pararam de se mexer. O de escalão médio também acabou de ser abatido pela Rain-san agora mesmo. Parece que conseguimos exterminar. Como pode ser que algum núcleo não tenha sido destruído por completo, mantivemos a guarda e ficamos esperando no local. Depois de mais dez minutos sem nenhuma reação, parece que era mesmo o fim de verdade.

Nosso lado não sofreu tanto dano assim. Duas unidades com espada quebrada, uma com escudo destruído. O resto tinha vários arranhões pelo corpo todo. Isso vai fazer a Rosetta chorar…

— Vossa Majestade. Que criatura era essa, exatamente?

A escotilha do peito do cavaleiro branco se abriu, e a Rain-san apareceu. Ah, é verdade, nem cheguei a explicar. Flutuando com [Fly], pousei no ombro do cavaleiro branco.

— Esses aqui são "Phrase". Invasores de outra dimensão que já destruíram o antigo reino no passado. O Frame Gear foi criado justamente pra combater esses caras.

Pra ser mais preciso, dizem que não é bem "invasor" — talvez seja mais correto chamar de "exterminador". Afinal, estão tentando dizimar a humanidade inteira.

Mas é a primeira vez que vejo um enxame tão grande assim. Só de pensar no que seria se eu não tivesse conseguido a cessão desse território do rei de Hanok, dá até um calafrio.

— Aquela fumaça de agora há pouco, será que era eles atacando alguma vila de Eurono?

— Provavelmente foi isso mesmo… e opa, isso é ruim. Todo mundo, recuem! Isso é invasão total de território.

Podiam até dizer que foi o exército de Brunhild quem atacou a vila. Fiquei em dúvida se recolhia todos os Phrase abatidos, mas decidi recolher só metade. Se sumir tudo, vai levantar ainda mais suspeita. Precisamos deixar eles aqui, como os verdadeiros culpados que atacaram a vila.

— Francamente, por que tenho que ficar me preocupando com esse tipo de coisa…

Enquanto pensava, incomodado, que país complicado, abri o mapa e exibi os locais de onde subia fumaça — coincidiam perfeitamente com posições de vilas e cidades. Então era isso mesmo, foram eles quem atacaram.

Que pena, mas duvido que tenha sobrevivente algum… Phrase consegue distinguir o som do batimento cardíaco humano. Não adianta se esconder em lugar nenhum.

Fiquei imaginando quantas vilas teriam sido atingidas, e fui reduzindo a escala do mapa a partir dessa região até abranger todo o território de Eurono.

— Espera um pouco… que negócio é esse…

Isso… não é demais? Por que tem fumaça subindo até no sul distante? Fumaça subindo até na capital, isso quer dizer que… não pode ser.

— Busca. Exibir Phrase.

"Entendido. …Exibindo."

Uma quantidade absurda e incontável de pinos vermelhos começou a cair pelo mapa inteiro, um atrás do outro, tec-tec-tec-tec-tec-tec-tec-tec-tec-tec-tec-tec-tec-tec-tec-tec-tec-tec-tec-tec-tec-tec-tec-tec-tec-tec-tec-tec-tec-tec-tec-tec-tec-tec-tec-tec-tec-tec-tec-tec-tec-tec-tec-tec-tec-tec-tec-tec-tec-tec-tec-tec-tec-tec-tec-tec-tec-tec-tec-tec-tec-tec-tec-tec-tec…

Numa velocidade avassaladora, luzes vermelhas caíam por todo o território de Eurono.

— Não pode ser…

Fiquei olhando abobalhado pro mapa, e uma vozinha baixa escapou de mim, sem dirigir a ninguém em especial.


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