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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 160

O Som de Ressonância e a Cessão do Cavaleiro Dragão

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Capítulo 160 – O Som de Ressonância e a Cessão do Cavaleiro Dragão

Por um instante, minha mente ficou completamente em branco, sem saber o que fazer. Era essa a quantidade que enchia o mapa inteiro.

— Quantos Phrase dá pra confirmar?

"…13.169, senhor."

Mais de cem vezes o de agora há pouco. O que fazer? Só derrotar, talvez seja possível, dando tempo. Mas, enquanto isso, o povo de Eurono deve estar sendo massacrado cada vez mais. Dizer que "não tenho nada a ver com isso" seria fácil, mas…

— Droga… o que eu faço…!

— Ah, então era o Touya mesmo.

Ao ouvir, vindo de trás, uma voz que eu reconhecia, me virei, e lá estava um garoto de cabelo branco.

— Ende…!

— Foi porque um monte de "sons" de Phrase desapareceram de uma vez. Fiquei curioso e vim ver. Ah, então foi o Touya quem derrotou eles.

Sorrindo, do mesmo jeito de sempre, na jaqueta preta, calça preta e cachecol branco, ele veio caminhando na minha direção. E olhou pro cavaleiro branco atrás de mim, curioso.

— Que incrível, isso. Foi o Touya que fez? Será que dá pra me deixar pilotar?

— Ah, não, não fui eu quem fez… espera, deixa isso de lado! Por que tá aparecendo tanto Phrase assim de repente!? Você sabe de alguma coisa!?

— Não é "sabe de alguma coisa"… o Touya também já sabe, não sabe? A barreira teve uma rachadura.

Barreira. Aquela que separa os mundos. Será que ela foi rompida. E, por essa fresta, um monte de Phrase acabou vazando pra cá…

— Quer dizer que a barreira já não serve mais de nada?

— Não é isso. Dessa vez, foi mais um caso de acaso, digamos. Por coincidência, os Phrase caíram bem no ponto onde a barreira estava mais frouxa. Não é que a barreira se rompeu por completo.

Quer dizer que, se der um jeito nesses que vieram parar por aqui, ao menos por ora, dá pra ficar tranquilo. Será que dá conta disso, é a dúvida… mas não tem outro jeito senão fazer.

— Tem algum jeito de derrotar todos eles de uma vez?

— Hmm, derrotar todos de uma vez, acho que não dá. Mas talvez dê pra atrair a atenção deles.

— Como?

— Basta fazer eles ouvirem a "Voz do Rei".

"Voz do Rei"? Isso é aquilo, né? O núcleo do "Rei" dos Phrase que eles ficam procurando?

— O "núcleo" dos Phrase emite um "som" bem fraquinho. É uma onda sonora única pra cada um, e o núcleo do "Rei" não é exceção. Só que o núcleo do "Rei", escondido dentro de algum ser inteligente deste mundo, esconde habilmente esse som atrás do próprio batimento cardíaco do hospedeiro. Então, e se fosse possível emitir esse "som"?

— Os Phrase todos iam vir em direção a ele…

— Correto.

Quer dizer que dá pra guiar os Phrase usando o som falso do "Rei".

De fato, se der pra fazer isso, dá pra atrair todos os Phrase pra cá. O problema é se conseguimos lidar com mais de dez mil Phrase…

Por sorte, eles estão avançando espalhados em direção aos seres humanos mais próximos — ou seja, cidades e vilas. Se vierem em nossa direção, também vão vir de forma dispersa, então provavelmente não vamos enfrentar os dez mil de uma vez. Claro, se demorarmos demais pra derrotar, o número só vai crescer mais…

— …Será que dá pra fazer isso mesmo?

— Dá. Eu tenho uma coisa que guarda o som de ressonância do "Rei". O que guarda esse "som" é isto aqui.

Piiiiu, e o Ende, com o dedo indicador e médio, fez surgir algo parecido com um vidro fino e comprido. Tipo uma lâmina de microscópio usada em experimento de ciência.

— Isso aqui é tipo um depósito meu, onde guardo e conservo várias coisas. Desde objetos grandes até "sons", cabe de tudo — é bem útil. Usando isso, o som de ressonância do "Rei" vai ecoar, e os Phrase vão captar e seguir direto pra lá.

Então ele tinha uma coisa dessas. Fazia sentido ele sempre andar tão leve de bagagem, e… aliás, o que raios é esse cara, afinal? Diz que não é aliado dos Phrase, mas…

Estendi a mão em direção à lâmina, mas ele a puxou de volta na hora. Ué? Não ia me dar não?

— De graça, não rola.

Com um sorriso de canto de boca, o Ende falou isso. Desgraçado…

— O que você quer?

— Também quero um daqueles.

Apontou pro Frame Gear. Ah, essa não. Ugh. O que fazer. Os olhos dele brilhavam. Que criança.

— …Não vai usar pra fazer coisa estranha, né?

— Não vou usar, não vou usar. Confia em mim.

O Frame Gear tem uma magia de parada de emergência embutida, então não conseguiria atacar a gente. E, embora eu não entenda direito, o Ende parece ser hostil aos Phrase. Não dá pra chamar de aliado completo, mas acho que também não vai virar inimigo. Mesmo assim, será que tá tudo bem entregar uma unidade dessas pra ele?

Mas, se não entregar, não consigo pegar a lâmina com o som do "Rei". E, de qualquer forma, já não é mais hora de escolher meios. Preciso usar tudo que for útil pra superar essa emergência. Mesmo assim, vou deixar uma advertência.

— Não quero que você venda pra algum país, dê pra alguém, ou deixe algum bandido roubar de você.

— Não vendo, não dou, não deixo roubarem. Prometo que vou cuidar dele como minha máquina querida. Vai, Touya~. Ah, se quiser, já aproveito pra exterminar os Phrase daqui, de quebra, como teste de rodagem?

Não sei se será tão fácil de pilotar assim, mas, vindo dele, tenho a impressão de que ele vai conseguir na boa. Esse cara é fora do padrão em vários sentidos. Droga, filho da mãe genial.

Já nos vimos algumas vezes, então não sinto que ele seja má pessoa… só intuição, mas. Se a Yumina estivesse aqui…

E, francamente, ele derrotar Phrase já ajuda a ganhar tempo. Abri um [Gate] e chamei do "Hangar" de Babylon o Cavaleiro Dragão, de corpo vermelho.

— É o Frame Gear de alta mobilidade, o Cavaleiro Dragão.

— Uau, vermelho! Nada mal.

Essa unidade é difícil de pilotar, sendo de alta mobilidade. De qualquer forma, como não tinha nenhum piloto além de mim, aproveitei a ocasião pra empurrar ela pra ele — isso fica em segredo.

O Ende jogou a lâmina pra mim, subiu no Cavaleiro Dragão sem esforço e abriu a escotilha do peito, entrando.

Sem dificuldade nenhuma, ele ativou a máquina, e o Cavaleiro Dragão já começou a andar. Andou, correu, ergueu e abaixou os braços por um tempo, e, por fim, baixando as rodas dos calcanhares, executou movimentos impressionantes no modo de alta mobilidade.

Ei, ei, não é melhor que eu, isso aí?

— É fácil de mexer, esse aqui. Gostei.

Ao Ende, que desceu pela escotilha, só consegui responder com um sorriso amarelo. Droga, esse genial desgraçado.

— Esse aqui não tem arma nenhuma?

— Ah… é verdade, não preparei nada ainda.

O Cavaleiro Dragão não tem muita potência, então não é adequado pra usar armas superpesadas. Eu tinha pensado, em algum momento, em fazer uma arma com fragmento de Phrase pra ele.

Boa oportunidade, tenho material aqui de sobra mesmo, vou fazer.

Usei [Modeling] pra transformar os braços-lâmina de Phrase espalhados pelo chão, aproveitando a curvatura natural, e criei duas espadas curtas. De quebra, fiz também as bainhas, e prendi nas costas do Cavaleiro Dragão.

— Certo, então, como combinado, vou dar um jeito nos Phrase.

— Peraí, peraí! Deixa eu te explicar como usar isso antes!

Ergui a lâmina que recebi na direção do Ende, que já ia escalando o Cavaleiro Dragão.

— Se quebrar isso, o som ecoa. Aliás, esse som não pode ser reproduzido nem com máquina nem com magia, então só serve pra uso único, tá?

Então era isso. Eu tava pensando em gravar no smartphone e reutilizar, mas parece que não vai ser tão conveniente assim.

Enquanto eu pensava nisso, o Ende jogou pra mim mais duas lâminas.

— Vou te dar mais duas iguais. Se usar em lugares diferentes, com intervalo de tempo, dá pra dispersar eles também.

Dizendo isso, o Ende entrou no Cavaleiro Dragão e se afastou deslizando no modo de alta mobilidade. Com ele, acho que dá pra dar conta de uma boa parte dos Phrase sozinho. Se der, queria que derrotasse todos, mas.

Sendo uma máquina vermelha, dá até uma sensação de força. Se, da próxima vez que a gente se encontrar, ele estiver de máscara, vou rir à beça.

Ah, peraí. Não é hora de pensar besteira. Preciso me apressar. Tem muita coisa pra fazer.

Por ora, voltei pro castelo e expliquei tudo pra todo mundo. O que aconteceu em Eurono, a existência dos Phrase, a barreira do mundo, o motivo de o Frame Gear ter sido criado…

— Como posso dizer… a história é grande demais, cara.

O senhor Yamagata soltou um suspiro depois de ouvir a explicação. Ao lado dele, o velho Baba, sentado, cruzava os braços com uma cara de dúvida.

— Sei que pode ser difícil de acreditar, mas…

— Não, provavelmente é verdade mesmo. Monstros de outra dimensão — se continuar assim, corremos o risco de repetir a mesma tragédia da destruição do reino antigo.

Como o Kōsaka-san viu com os próprios olhos a fumaça subindo na fronteira de Eurono, ele acreditou sem muita hesitação.

— Deixando de lado, por ora, o que fazer daqui pra frente. Primeiro, o problema é o que fazer com a matança que está acontecendo agora mesmo em Eurono. Vossa Majestade quer salvar o povo de Eurono, não é?

— Se der… afinal, por enquanto, somos os únicos que têm meio de enfrentar os Phrase…

— Eu sou contra.

O Kōsaka-san declarou isso com firmeza total. Isso é o mesmo que dizer pro povo de Eurono "morram". Provavelmente, eles não têm nenhum meio de enfrentar os Phrase. Usando magia e engenhosidade, talvez consigam algum resultado limitado. Mas não dá pra acreditar que consigam vencer aquele enxame enorme.

— Se fosse nosso próprio país sendo atacado, lutaríamos. Mas será mesmo necessário arriscar a vida entrando num país que nem sequer é amigo — na verdade, é mais hostil do que amigo?

— Mas, do jeito que está, não vai ficar só em Eurono; o dano vai se espalhar pra outros países também. Já não é mais hora de ficar discutindo "é problema de qual país". E, além disso, neste exato momento, tem gente sendo atacada sem parar. Ter poder pra salvar e não fazer nada?

— O bom coração de Vossa Majestade é admirável. Mas…

— Kōsaka.

Enquanto o Kōsaka-san ainda insistia, o velho Baba, que ficara calado até então, tomou a palavra.

— Nós somos quem melhor sabe que tipo de gente é o nosso rei. Não foi por isso que ele salvou até os Takeda, que eram inimigos?

— …Naquela época, a posição era diferente. Como responsável por um país inteiro…

— É aí que você tá errado. Ele não carrega o país nas costas. Nós é que subimos nas costas dele por conta própria. Se formos jogados fora, não temos direito de reclamar. Se não gostar, é só descer. Não foi exatamente por isso que viemos pra esse país?

— …De fato.

O Kōsaka-san cedeu, soltando um suspiro profundo. Ou melhor, ele só estava preocupado comigo mesmo.

— Mas, chegando a esse ponto, não acho recomendável agir só com o nosso país. Seria melhor explicar a situação aos monarcas da Aliança do Oeste e declarar que nosso país vai intervir nesse incidente.

De fato, é melhor explicar tudo direitinho. Isso pode deixar de ser um problema alheio, a partir de agora. Não pretendo forçar a cooperação de ninguém, mas não custa nada confirmar, junto aos outros países, quem é esse inimigo que talvez venha atacar o próprio país deles no futuro.

O tempo é curto. Normalmente, mandaria uma carta pedindo audiência antes de ir, mas, dessa vez, vou direto até os castelos. Preciso me apressar.


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